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ELIO GASPARI / AS ILUSÕES ARMADAS
Mário Magalhães

"O biógrafo da ditadura", copyright Folha de S. Paulo, 23/11/02

"Terror das bibliotecas, dos arquivos e dos museus, o mofo deu uma contribuição relevante à história do Brasil quando atacou, em 1985, a garagem do sítio do general reformado Golbery do Couto e Silva (1911-87).

O general criara o SNI (Serviço Nacional de Informações) em 1964, coordenara-o até 1967 e chefiara o Gabinete Civil da Presidência da República de 1974 a 81.

Na garagem do sítio, nos arredores de Brasília, guardava em torno de 25 caixas com 5.000 papéis acumulados nos anos de poder. Quase tudo confidencial, cultivado por Heitor Aquino Ferreira, ex-secretário de Golbery e de Ernesto Geisel (1907-96), presidente de 1974 a 79.

O arquivo que mofava foi entregue a um jornalista amigo dos três, Elio Gaspari, cuja casa não tinha pé-direito capaz de receber a relíquia, caso as caixas fossem empilhadas umas sobre as outras.

No ano anterior, ao fim de uma temporada de estudos de três meses em Washington (EUA), Gaspari jogara a toalha na idéia que o embalava: compor um ensaio de cem páginas sobre o ‘Sacerdote’ (Geisel) e o ‘Feiticeiro’ (Golbery). Queria destrinchar o paradoxo: por que conspiradores de proa de 1964 se tornaram os artífices da política da distensão que resultaria no fim do regime militar (1964-85). Descobriu que só daria conta em um livro. Errou longe.

Dezoito anos depois do engavetamento do ensaio, chegam hoje às livrarias os dois primeiros livros dos cinco nos quais Gaspari, 58, vai narrar da trama para a deposição do governo constitucional de João Goulart (1919-76) à posse de João Baptista Figueiredo (1918-99) na Presidência, em 1979.

Os volumes iniciais vão de 1964 a 1974. Sob a rubrica comum de ‘As Ilusões Armadas’, intitulam-se ‘A Ditadura Envergonhada’ e ‘A Ditadura Escancarada’. De largada, foram impressos 50 mil exemplares de cada um. A Companhia das Letras investiu R$ 1,1 milhão nos livros, sem contar o custo da equipe da editora, onde alguns funcionários deram plantão exclusivo para o projeto.

Os dois livros seguintes, da investidura de Geisel à crise militar de 1977, já estão escritos. Pelo menos um deve sair no ano que vem. O último, que se estenderá até a unção de Figueiredo, ainda não foi digitado no computador de Gaspari, o sétimo modelo em 18 anos. Nele estão perto de 30 mil fichas que sistematizam as informações de cinco centenas de livros, 200 entrevistados, milhares de páginas de documentos, publicações jornalísticas e arquivos como o de Golbery-Heitor Ferreira.

Com base nesse arsenal, Elio Gaspari gestou o que nasce na condição de biografia incomparável do ciclo dos coturnos, a despeito da intenção de pôr o ponto final seis anos antes de Figueiredo deixar a cena. E de o autor dizer que não pensou em escrever a história da ditadura.

Nunca se fez nada igual no Brasil, nem brasilianistas no exterior. Nem na produção historiográfica acadêmica nem na jornalística. Só notas de rodapé, no obsessivo rigor de não deixar dado sem a fonte respectiva, são 2.542.

Nunca o olhar foi tão plural sobre um período usualmente descrito pelos relatos de contendores. Gaspari desvenda o que ia pelos porões da repressão, pelos aparelhos (esconderijos) dos guerrilheiros e pelos palácios.

Isso permitiu-lhe enxergar simultaneamente o Milagre Econômico (era de prosperidade) e a tortura contra oposicionistas, ambos criaturas dos militares -e considerar que a violência foi o fenômeno determinante na caracterização daqueles tempos.

Além da profusão de revelações obtidas em arquivos nacionais e estrangeiros e em depoimentos inéditos, Gaspari ostenta trunfo raro nos círculos de historiadores e jornalistas. Não ‘‘briga’ com os fatos para evitar o crédito a quem de direito: emprega como fio condutor de vários capítulos o que de melhor foi produzido sobre o assunto. Não deixa de contar o que merece ser contado. Acrescenta o que apurou e cita escrupulosamente as fontes.

Garimpou tanto que o arquivo de Golbery, bem como um diário manuscrito de 1964 a 85 por Heitor Ferreira -que hoje vive em Teresópolis (RJ) e traduz livros- , não é protagonista dos primeiros volumes, mas os pontua com novidades. Será imprescindível a seguir, quando o ‘Sacerdote’ e o ‘Feiticeiro’ protagonizam a história como espécie de ‘heróis da abertura’.

O primeiro livro começa com a tentativa de golpe ensaiada pelo ministro do Exército Sylvio Frota em 1977, numa reconstituição à altura da excelência de um capítulo do clássico ‘Combate nas Trevas’, de Jacob Gorender: o reencontro do comunista Carlos Marighella (1911-69) com o trotsquista Hermínio Sacchetta (1909-82) na década de 1960.

A diferença é que Gaspari repetiu várias vezes o feito, como ao expor o ocaso de Goulart -numa passagem de ópera-bufa, o general golpista Olympio Mourão Filho (1900-72), depois de pôr o bloco na rua, almoça em casa, veste o pijama e tira uma sesta.

Ao perfilar o SNI, Gaspari cita o documento em que o órgão delira ao cogitar uma invasão de Portugal pelo Brasil em 1975. Com tanta informação e notas de pé de página, soa como proeza a elegância narrativa.

Assim inicia o capítulo sobre o Ato Institucional número 5, que endureceu o regime: ‘‘Às 17h da sexta-feira, 13 de dezembro do ano bissexto de 1968, o marechal Arthur da Costa e Silva, com a pressão a 22 por 13, parou de brincar com palavras cruzadas e desceu a escadaria de mármore do Laranjeiras para presidir o Conselho de Segurança Nacional, reunido à grande mesa de jantar do palácio. Começava uma missa negra’. No pé, as fontes.

Para divulgar o lançamento, a editora não terá o autor em sessões de autógrafos, entrevistas, programas de TV. Nascido em Nápoles, Itália, e criado na Lapa boêmia do Rio, ele diz que o que tem a dizer escreveu.

Jornalista desde os anos 60, foi auxiliar de Ibrahim Sued em sua coluna social, editor de Política do ‘Jornal do Brasil’ e diretor-adjunto da revista ‘Veja’, da qual foi correspondente em Nova York. Hoje é colunista da Folha e de ‘O Globo’. Segue trabalhando na história da ditadura -falta um volume-, com a ajuda da biblioteca de 6.000 livros e seu arquivo. Só o de Golbery preenche 16 gavetões de ferro. Tudo lotando o apartamento que comprou no primeiro andar do prédio onde já morava, em São Paulo. A ‘Biblioteca Malan’, como batizou.

Pôde adquirir o imóvel, afirma, graças à política de juros altos do presidente Fernando Henrique Cardoso, do ministro Pedro Malan e do ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco. Enquadrou as fotos dos três, pendurou-as numa parede e, debochado, tascou a faixa: ‘Eterna gratidão’. (A DITADURA ENVERGONHADA. Autor: Elio Gaspari. Editora: Companhia das Letras. Quanto: R$ 40 (417 págs.) e A DITADURA ESCANCARADA. Autor: Elio Gaspari. Editora: Companhia das Letras. Quanto: R$ 44 (507 págs.))"

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"Gaspari vê dialética da bagunça", copyright Folha de S. Paulo, 23/11/02

"Nos dois capítulos que abrem seu segundo livro sobre o regime militar, 27 páginas de um ensaio histórico sobre a tortura, Elio Gaspari reescreve a passagem das criancinhas:

‘Imagine-se um avião cheio de crianças no qual se sabe que há uma bomba. Ela explodirá dentro de duas horas, e acaba de ser preso o terrorista que com quase toda a certeza sabe onde ela foi escondida. Ele se recusa a falar. Baixa o pau?’

A diferença do autor para os apologistas da tortura, para quem formulações como a das criancinhas são conclusivas (a favor do emprego da força), é a sua resposta negativa. E, ao contrário de alguns antagonistas da violência, não ignora o apelo do dilema de torturar ou não em situação limítrofe.

‘Há um truque de lógica’, escreve. ‘Finge demonstrar a necessidade da tortura quando, na realidade, o que busca é a sua inimputabilidade. Não se trata de autorizar a tortura para salvar as crianças, mas um entendimento de que, uma vez autorizada, ela deve ficar impune.’

‘Além disso, através da particularidade do exemplo do avião das crianças, ela busca uma generalização por meio da qual se dá ao torturador o direito de decidir quando as circunstâncias requerem o suplício.’

No caso da ditadura brasileira, o tormento infligido aos oposicionistas foi decisivo na derrota das organizações armadas. Gaspari descreve-o em detalhes. Foi seguido do extermínio físico e do sumiço de corpos.

Mesmo o general Ernesto Geisel, em cujo governo (1974-79) os açougues de carne humana deixaram de ser política oficial, defendeu, anos após se despedir da Presidência, a legitimidade da tortura ‘em certos casos’.

Gaspari produziu numerosos capítulos com o impacto dos dedicados à tortura: a agitação militar de 1977; o golpe de 1964 (‘O Exército Dormiu Janguista’ e ‘O Exército Acordou Revolucionário’); a sessão que sacramentou o AI-5; uma aula de tortura em quartel; a ação da Igreja; a fuga do guerrilheiro Carlos Lamarca (1937-71) do Vale do Ribeira e a sua morte no sertão baiano; e a Guerrilha do Araguaia, em 66 páginas que arrematam o segundo volume sob o título de ‘A Floresta dos Homens sem Alma’.

Sobre a anêmica disposição de resistência de João Goulart em 1964, diagnostica: ‘[O presidente] não era um covarde, mas habituara-se a contornar os caminhos da coragem’. Inventaria o suporte dos EUA à conspiração.

Chama de ‘terroristas’ os guerrilheiros urbanos, explicando a opção controversa com uma nota metodológica.

Os combatentes do Araguaia são considerados ‘guerrilheiros’. Os confrontos (poucos) e assassinatos (muitos) na selva são revividos como um épico.

Gaspari recupera alguns dos mais significativos depoimentos originais de habitantes da região e autopsia a única iniciativa armada contra a ditadura que logrou apoio da população local.

Revela que muitos corpos foram despejados no mar. Na ponta do lápis, comprova que um chefe militar do PC do B, Ângelo Arroyo, abandonou à própria sorte mais de 30 liderados no Araguaia.

Estudante comunista em 1964, Gaspari construiu sua síntese sobre os anos militares: com tamanhas indisciplina e quebra de hierarquia na caserna, o 1º de abril viria cedo ou tarde.

O fim? ‘Para quem quiser cortar o caminho na busca do motivo por que Geisel e Golbery [do Couto e Silva] desmontaram a ditadura, a resposta é simples: porque o regime militar, outorgando-se o monopólio da ordem, era uma grande bagunça.’

A ditadura, interpreta o autor, raiou e definhou em parte devido à desordem. Elio Gaspari, seu biógrafo, descobriu a dialética da bagunça."

Kenneth Maxwell

"Relato vivo reconstrói início da ditadura", copyright Folha de S. Paulo, 23/11/02

"Quase 40 anos já se passaram desde o golpe militar que depôs João Goulart e inaugurou 21 anos de ditadura no Brasil. E os primeiros dois volumes da ‘magnum opus’ de Elio Gaspari -que, quando estiver pronta, terá cinco- não poderiam ter sido publicados num momento mais propício. Com a posse de Lula na Presidência, dentro em breve, sem qualquer discussão, muito menos receio, de conspirações militares ou civis para impedir que aconteça, é salutar recordar quanto o Brasil já avançou desde os idos de 1964.

O relato vívido feito por Gaspari recorda um tempo -que, esperamos, faz parte do passado distante- de golpes e contragolpes, de conspiradores militares inveterados e de choques de rua violentos entre estudantes e soldados. Foi a época da Guerra Fria, quando Washington, Havana e Moscou interferiam nas lutas políticas internas do Brasil. E foi uma era de terror perpetrado pelo Estado contra seus cidadãos e de terrorismo da esquerda e da direita perpetrado por uma contra a outra.

Elio Gaspari diz que não teve por objetivo escrever uma história abrangente do regime militar brasileiro. Em lugar disso, sua intenção foi analisar a intersecção das vidas e das ações dos generais Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva, lançando uma luz sobre muitos dos segredos internos daqueles anos sombrios e por vezes sinistros.

Esses dois homens -Geisel, o ‘Sacerdote’, e Golbery, o ‘Feiticeiro’- estiveram, entre 1964 e 1967, entre os principais criadores do regime. Dez anos mais tarde, entre 1974 e 1979, empreenderam a tarefa de desmantelar o ‘monstro’ que haviam criado juntos. Gaspari escreve: ‘Como é fácil chegar a uma ditadura, e como é difícil sair dela’. Ou, como disse o general Golbery ao então diretor do SNI (organização que ele próprio criara e que dirigiu por três anos) no dia em que deixou o Palácio do Planalto, em agosto de 1981, ‘Vocês pensam que vão controlar o país cometendo crimes e encobrindo seus autores, mas estão muito enganados. Vão ser postos daqui para fora, com um pé na bunda’.

Na realidade, porém, Gaspari ainda não alcançou o âmago desta história em especial, embora inicie seu primeiro volume com um relato do dramático 12 de outubro de 1977, o dia em que o então presidente Geisel enfrentou seu ministro do Exército, general Sylvio Frota, e restabeleceu a autoridade do presidente sobre as Forças Armadas.

O que Gaspari faz aqui, ao longo das quase mil páginas desses dois volumes, é escrever o prelúdio, reconstruindo a primeira década da ditadura. E ele o faz em grande estilo, com detalhes extremamente interessantes e uma narrativa ágil e veloz que certamente farão desta obra uma das realmente grandes contribuições à história brasileira, comparável, em termos de visão e detalhes, ao grande trabalho de Joaquim Nabuco sobre seu pai (‘Um Estadista do Império: Nabuco de Araújo’), que delineou desde o interior a história política do Império brasileiro. Esta é também, em grande medida, uma história escrita de dentro para fora, repleta de detalhes inesquecíveis, depoimentos que metem medo, histórias de incompetência e acidentes e de consequências pretendidas e outras não.

Desde 1984, quando Gaspari começou a escrever seus livros, ele já acumulou milhares de documentos e centenas de entrevistas. Com senso jornalístico brilhante, ele os tece para formar uma tapeçaria rica em detalhes, uma história que capta muitos dos pontos de virada críticos que marcaram a história brasileira desse período.

Assim, passamos de uma reconstrução hora por hora do golpe de 1964 -um curioso balé de cegos, de manobras e contramedidas e de desenlaces incertos, no qual nenhum soldado morreu e telefonemas dados em momentos estratégicos se mostraram mais eficazes do que blindados-, passando pela história da construção dos instrumentos com os quais o regime exerceu seu poder ditatorial, até chegar à ascensão da oposição de esquerda armada, ao desenvolvimento das redes internacionais que apoiaram as atividades da guerrilha, além das redes que acabaram por denunciar os torturadores abrigados no Estado brasileiro.

Vemos aqui a ascensão do SNI, o uso sistemático da tortura e como ele era básico para o aparelho repressivo do regime, o surgimento dos movimentos de guerrilha urbana e o audacioso sequestro do embaixador americano. Passamos de uma quase farsa de teatro de revista para momentos de puro terror.

Esta é uma história que nos leva para as profundezas internas do regime e também até as maquinações de seus adversários, tanto à esquerda quanto à direita. A história da ditadura apresentada por Gaspari segue o estilo do livro ‘All the President’s Men’ (‘Todos os Homens do Presidente’), de Bob Woodward e Carl Bernstein -mas é muito melhor do que ele.

Diferentemente de trabalhos americanos baseados em grande medida em citações cuja fonte não é identificada ou em informantes anônimos, tal como o notório ‘Garganta Profunda’, que pode nem ter existido, Elio Gaspari fornece rodapés completos e abrangentes.

O leitor pode ver exatamente com quem, onde e quando Gaspari obteve as informações que fundamentam sua narrativa, e ele fornece bibliografia, cronologia e índice abrangentes. Assim, sua obra é aquela história incomum que ao mesmo tempo satisfaz os mais altos critérios acadêmicos e é escrita com um estilo e dinamismo que a torna inteiramente acessível ao grande público. É um livro que todos os brasileiros devem ler se quiserem compreender um dos regimes que teve vida mais longa no século 20 e ver quão profundamente ele influiu sobre todos os aspectos das instituições e da psicologia nacionais.

O primeiro volume nos leva desde o golpe até a edição do Ato Institucional número 5, em dezembro de 1968, e a notória aula de tortura de outubro de 1969, ministrada no quartel da Vila Militar do Rio. E o segundo volume leva a história adiante, passando pelo chamado milagre econômico brasileiro e chegando ao relato dramático da aniquilação dos guerrilheiros do Partido Comunista do Brasil nas matas do Araguaia em 1974.

Muitas figuras que ainda estão no cenário político brasileiro aparecem nessas páginas, desde Delfim Netto até José Dirceu. Gaspari mostra como o regime, tendo derrotado seus adversários, também estava, ao mesmo tempo, se fragmentando de dentro para fora, consumido e minado pelos próprios instrumentos de repressão que criara para preservar seu poder. E o palco está preparado para a história que Gaspari se propôs a contar 18 anos atrás, a de Geisel e Golbery.

O autor aparece pouco em sua obra. Há uma exceção no primeiro volume, na nota de rodapé 2 da página 277. Ela acontece depois de uma descrição do ataque da PM, lançado em 28 de março de 1968, a um grupo de estudantes que pedia melhores instalações para o restaurante do Calabouço, no Rio, um restaurante de comida barata onde um estudante de 17 anos foi morto a tiros. Seu corpo forneceu, pela primeira vez desde o golpe de 64, um mártir da luta entre o regime e os estudantes. Gaspari escreve: ‘De 1960 a 1962, comi no Calabouço. Só nele’.

Uma observação: Gaspari cita, como conceito absolutista romano, a idéia de que ‘a segurança pública é a lei suprema’ (vol. 2, pág. 17). Era a explicação dada pelo general Emilio Garrastazú Medici para justificar a mão de ferro da ditadura: ‘Era uma guerra, depois da qual foi possível devolver a paz ao Brasil. Eu acabei com o terrorismo neste país. Se não aceitássemos a guerra, se não agíssemos drasticamente, até hoje teríamos o terrorismo’. O presidente Bush pode pensar o mesmo. Mas não acredito que tenha sido isso o que os romanos quiseram dizer.

O que Cícero escreveu em ‘De Legibus’ foi ‘salus populi suprema lex esto’ -’que o bem-estar do povo seja a lei suprema’. Essa é, no mínimo, uma tradução mais encorajadora. Esperemos que seja mais relevante ao Brasil de 2003. (Kenneth Maxwell, 61, é historiador. Seu livro mais recente, ‘Mais Malandros: Ensaios Tropicais e Outros’, será lançado pela editora Paz e Terra na primeira semana de dezembro. Tradução Clara Allain)"

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