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TRAGÉDIAS & EXAGEROS
José Paulo Lanyi
"A insustentável leveza de uma tragédia", copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 20/11/02
"Não estou aqui para fazer a apologia da tristeza. Tampouco quero corroborar a tese ‘trintesca’ de que intelectual gosta de miséria (considere-se aqui a natureza da atividade jornalística). Antes, recuso-me a aceitar tantas manchetes funéreas para classificar a derrota de um time de futebol, de peteca, de bolinha de gude e afins.
Não gosto de miséria, não. Mas como diria o Marquês de Sade naquele filme, não fui eu que inventei a vida. Eu apenas a registro. Escrever sobre o fausto e o infausto, debruçar-se sobre anseios, palmas e frustrações requer sensibilidade. Um atributo que não está em qualquer esquina, ou em algum prédio com meia dúzia de professores.
A percepção, a dimensão do humano podem sim ser obra do inato, mas também da observação aguda do dia-a-dia. Fujamos, pois, do ridículo. Atente para as seguintes manchetes:
‘Uma tragédia em verde e branco’ (O Estado de S. Paulo, 18/11)
‘Na Lusa, ninguém comenta a tragédia’ (estadão.com.br, 18/11)
Esqueça que foram escritas por profissionais do mesmo veículo, refletindo uma determinada linha editorial. Não se quer aqui destacar um jornal, mas sim refletir sobre uma decisão: ‘Vamos assim ou vamos assado?’. Com o perdão do trocadilho, em se tratando do Palmeiras, acabaram indo assado...
São apenas dois entre tantos exageros Brasil afora...
Não sei o que pode ser mais triste... Será a preferência pelo vocábulo que vende mais? Ou a cegueira apocalíptica sustentada por muletas? Será, ainda, a declamação daquele velho poema humano, o ‘Eu e o Meu Umbigo’? ‘Ó! Eu e o meu insuportável sofrimento! Nós sim é que importamos!’. A realidade, não... ‘Ah, dirão eles, mas eu escrevo para um público que pensa assim, que sente assim!’.
Pois digo eu aqui: não nos fixemos naquelas duas ou três imagens de crianças chorando, ou de um ou outro pagador de promessas (lembra aquele colorado, de joelhos em Porto Alegre?), selecionadas a dedo por câmeras e produtores vorazes, para deleite do diretor de TV.
Sei que muitos palmeirenses, muitos ‘lusos’ ficaram arrasados. E daí? Tragédia?!
Atenção, editorias de Esporte: não se levem tão a sério... E lembrem-se, apenas recordem, pois sei que vocês já sabem: a língua portuguesa é mais rica do que faz supor o nosso triste cotidiano.
Manchete por manchete, fico com esta, irônica e de rara conveniência, ao se referir ao rebaixamento do Palmeiras: ‘Porca Miséria’ (Folha de S.Paulo, 18/11)"
ESCOLA BASE
Mariângela Gallucci
"STJ eleva indenização por danos morais de ex-donos da Escola Base", copyright Agência Estado, 19/11/02
"Os ministros da 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) aumentaram de R$ 100 mil para R$ 250 mil o valor da indenização a ser paga pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo a cada um dos três ex-donos da Escola de Educação Infantil Base.
O estabelecimento foi depredado pela população e fechado após a divulgação de notícia falsa, segundo a qual alunos da escola teriam sofrido abuso sexual.
‘Linchamento moral e abusos’
Relatora do recurso no STJ, a ministra Eliana Calmon concluiu que a imprensa veiculou a notícia após o delegado responsável pelo caso ter dito que houve violência sexual contra os estudantes, informou o tribunal.
Os ex-proprietários da escola Icushiro Shimada, Maria Aparecida Shimada e Maurício Monteiro de Alvarenga foram quase linchados. Durante o julgamento, o ministro Franciulli Neto disse que, quem acompanhou os fatos na época, com certeza se lembra do linchamento moral e dos abusos cometidos contra os ex-donos da Escola Base.
Danos materiais ainda serão calculados
‘Não deve a indenização por danos morais ser meramente simbólica, mas efetiva e proporcional à condição da vítima, do autor do dano e da gravidade do caso’, afirmou o ministro ao votar pela fixação da indenização em R$ 250 mil. Os danos materiais deverão ser calculados no final da ação.
Além de terem aumentado o valor da indenização, os ministros reconheceram que, se quiser, o Estado poderá, posteriormente, tentar recuperar o dinheiro gasto com as indenizações. Para tanto, o Estado terá de propor uma ação contra o delegado, explicou o STJ.
Em uma decisão anterior, desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo tinham limitado a R$ 10 mil o valor que poderia ser cobrado do delegado Edélcio Lemos, que presidiu o inquérito policial. Agora, o STJ resolveu acabar com essa limitação, informou o tribunal."
NIZAN E DUDA
Luiz Francisco
"Duda e Nizan são homenageados", copyright Folha de S. Paulo, 23/11/02
"Em um espaço de menos de 50 metros quadrados, isolado por cordas, os publicitários baianos Duda Mendonça e Nizan Guanaes trocaram ontem as divergências políticas por beijos, abraços, sorrisos e cordialidade.
Ao lado de mais 38 personalidades, os marqueteiros foram agraciados pela Ordem do Mérito da Bahia, no grau de comendador. Na rápida cerimônia, realizada no Palácio da Aclamação, Duda e Nizan nem de longe pareciam os mesmos marqueteiros que duelaram durante quase um ano na campanha presidencial -com vitória do primeiro, que trabalha para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra o segundo, que estava com José Serra (PSDB).
‘Somos jogadores de futebol atuando em times diferentes, que estão disputando um título. Depois do jogo, deixamos a competição de lado e trocamos as camisas’, disse Duda.
Nizan retribuiu a gentileza. ‘A Bahia é o celeiro dos marqueteiros políticos do Brasil. Então, os confrontos de idéias sempre vão existir, mas nada conseguirá apagar a admiração e o respeito que tenho pelo Duda.’
Prevista para começar às 11h, a cerimônia de entrega da comenda sofreu um atraso de 15 minutos por causa de Duda. Enquanto todas as autoridades estavam em seus locais pré-determinados, duas funcionárias do governo baiano percorriam as principais instalações do prédio à procura do marqueteiro.
Depois da condecoração, Nizan e Duda foram abraçar o senador eleito Antonio Carlos Magalhães (PFL), o governador eleito, Paulo Souto (PFL), e o prefeito de Salvador, Antonio Imbassahy (PFL).
Derrotado na campanha presidencial, Nizan voltou a desejar ‘toda a sorte do mundo’ para Lula. ‘Sinceramente, quero que o Lula cumpra as suas promessas e consiga implantar as reformas que o Brasil tanto precisa.’
Duda Mendonça disse ontem que o PT está organizando duas festas para comemorar o início do governo Lula -uma protocolar e outra popular. ‘Queremos sinalizar à população que o Brasil vai viver outros tempos’, disse o marqueteiro.
De acordo com Duda, o PT vai sugerir a instalação de telões nas principais cidades brasileiras para que todos possam acompanhar a posse. ‘Queremos um clima de festa, como os brasileiros sabem fazer muito bem.’
Duda disse que 20% da programação festiva será dedicada exclusivamente à população. ‘Não podemos quebrar o protocolo do Itamaraty, mas, também, não vamos deixar de lado justamente os mais pobres, que confiaram nas promessas feitas pelo presidente eleito.’
Além dos telões, Duda disse que dirigentes do PT também estudam a possibilidade de os diretórios regionais contratarem cantores e artistas. Antes de deixar o Palácio da Aclamação, em Salvador, o marqueteiro disse que não sabia quanto a Executiva Nacional do PT pretende gastar na cerimônia de posse."
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