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TV & CENSURA
FSP

"Censura na TV", editorial, copyright Folha de S. Paulo, 25/11/02

"De tempos em tempos, ganham força iniciativas para impor limites aos conteúdos de programas televisivos. Na maioria dos casos, o pretexto utilizado para ações legais contra emissoras é o de defender crianças e jovens de programações que abusem do sexo e/ou da violência. Nos últimos 50 dias, juízes de São Paulo e de Minas Gerais concederam cinco liminares que criam restrições para emissoras de televisão. Medidas como essas não são novidade, mas não existem registros anteriores de tantas liminares em um período tão curto.

Não se duvida de que, por vezes, emissoras abusem, exibindo programas de gosto duvidoso ou com conteúdo apelativo. Na guerra pela audiência, alguns às vezes exageram. Mas a chamada baixaria tende a ser autolimitada. A TV não é exatamente um veículo revolucionário. As emissoras dependem de anunciantes que não gostam de ver sua imagem ligada a temas controversos. Daí que eventuais exageros costumam ser corrigidos pela própria empresa.

É claro que sempre haverá os que reclamarão de alguma coisa, como os promotores e as organizações não-governamentais que propuseram as ações. A sociedade não é homogênea. Mas, se a TV está exibindo determinado programa que alguns ainda julgam excessivo, muito provavelmente uma parcela considerável da população já não fica chocada com o seu conteúdo.

Como ocorreu no passado, a maioria dessas ações deverá cair quando chegar a cortes mais altas. A Constituição é incisiva ao banir a censura e ao determinar que a classificação de diversões públicas tem efeito meramente indicativo.

Faz parte do jogo democrático que pessoas que se sintam lesadas com o que quer que seja procurem a Justiça. É também sintoma de democracia a tendência das cortes de acabar favorecendo a liberdade de expressão. O mero recurso ao Judiciário não configura um atentado à liberdade. Mas o freio maior a eventuais abusos televisivos ainda são os interesses de emissoras e anunciantes."

PAY PER VIEW
Marcelo Migliaccio

"Pague para ver", copyright Folha de S. Paulo, 24/11/02

"Nem tudo vai mal na TV paga. Enquanto a crise no setor continua -entre dezembro de 2001 e junho deste ano, as operadoras perderam 59.272 assinantes-, Sky, Net e Directv comemoram o crescimento nas vendas de eventos em ‘pay-per-view’.

As três operadoras, que detêm 70% dos assinantes brasileiros segundo levantamento da empresa Pay-TV Survey, comercializam, fora de seus pacotes, jogos de futebol, lutas, musicais, canais eróticos, filmes e ‘reality shows’.

Na Net, as vendas de jogos de futebol cresceram 5,5% de janeiro a setembro em comparação com os nove primeiros meses de 2001. No terceiro trimestre deste ano, o ‘pay-per-view’ representou 4,4% da receita bruta da operadora.

O Campeonato Brasileiro mobilizou 94.085 assinantes da Net, dos quais 82% compraram o pacote inteiro (cerca de 200 partidas, R$ 110,00 em outubro).

André Guerreiro, gerente de produto da Net, atribui o crescimento nas vendas a vários fatores. ‘O consumidor percebeu as vantagens de assistir às partidas em casa, houve um aumento de 30% na quantidade de jogos exibidos e possibilitamos a compra do pacote anual do futebol com pagamento em até dez vezes’.

No último congresso da ABTA (Associação Brasileira de Telecomunicações por Assinatura), em outubro, o diretor de atendimento ao assinante da Sky, Agrício Silva Neto, afirmou que 11% da receita da operadora vêm do ‘pay-per-view’. Segundo ele, 80% dos assinantes já compraram pelo menos uma vez. No futebol, as vendas crescem em média 10% ao ano.

Outro trunfo da Sky e da Net são as lutas, principalmente de boxe e de vale-tudo. Desde agosto, está disponível o canal Combate, que transmite quatro horas diárias de pancadaria. A Net vendeu 7.634 eventos do gênero entre janeiro e setembro deste ano, 70% deles para assinantes do Rio e de São Paulo, homens e com idades entre 20 e 35 anos.

Fanny Friedmann, diretora de marketing da Directv, afirma que a criação de pacotes que disponibilizam um mesmo filme durante todo o dia aumentou em 24% a receita.

‘Otimizamos o produto, que pode ser visto como no cinema, em várias sessões’, diz ela, citando ‘Gladiador’, ‘Náufrago’ e ‘Planeta dos Macacos’ como alguns dos filmes mais comprados pelos assinantes nos últimos meses.

Mas o melhor desempenho em vendas na Directv foi do ‘reality show’ ‘Casa dos Artistas’, do SBT. Sete em cada dez compradores adquiriram pelo menos duas das três edições do programa.

A Sky também comercializou 24 horas por dia do ‘Big Brother Brasil’, da Globo, mas, como a concorrente, não divulgou os números das vendas.

Em junho, o Brasil tinha 3.499.395 assinantes de TV paga, 83% deles pertencentes às classes A e B, 14% na classe C e 2% divididos pelas classes D e E.

Parte da receita obtida pelas operadoras nas vendas é repassada à distribuidora dos programas. No caso do futebol, por exemplo, Net e Sky dividem os lucros com a Globosat, que distribui o canal Sportv. Este, por sua vez, já pagou aos clubes pelos direitos sobre os jogos.

***

"Fla-Flu é o jogo mais vendido", copyright Folha de S. Paulo, 24/11/02

No futebol brasileiro, cujos direitos de transmissão pertencem atualmente ao grupo Globo, controlador do canal Sportv e das operadoras de TV paga Sky e Net, os campeões de venda em ‘pay-per-view’ são dois times do Rio.

O embate carioca Flamengo x Fluminense é o jogo mais vendido em todo o Brasil. Na Sky, por exemplo, um Fla-Flu chega a ser comprado por mais de 25.000 assinantes.

Grêmio x Internacional, Corinthians x São Paulo, Vasco x Flamengo e Corinthians x Palmeiras vêm em seguida. De cada dez jogos avulsos vendidos, oito são clássicos estaduais.

Atlético (MG) x Cruzeiro e Atlético (PR) x Coritiba) também aparecem nas listas dos mais vendidos.

A concentração maior dos assinantes nas regiões Sul e Sudeste explica por que clássicos como Bahia x Vitória (BA), Sport x Santa Cruz (PE) e Remo x Paissandu (PA), times que levam muito público aos estádios, não aparecem entre os ‘pay-per-view’ mais vendidos.

Mas sempre há torcedores insatisfeitos por acharem que seus times estão sendo preteridos nas transmissões. Não raro, o Sportv transmite o mesmo jogo exibido na TV aberta pela Globo. Isso reduz as opções do assinante e deixa-lhe apenas a alternativa de pagar para ver outra partida em ‘pay-per-view’.

Segundo a assessoria do Sportv, a escolha dos jogos que serão transmitidos gratuitamente e em ‘pay-per-view’ obedece ao critério de interesse da maior parte do público de determinada região."

SBT / FUTEBOL
DC

"SBT exibirá rodada dupla do Paulista-03", copyright Folha de S. Paulo, 21/11/02

"A novidade da cobertura de futebol em 2003 será a transmissão de rodadas duplas do Campeonato Paulista pelo SBT. Comum apenas em Copas do Mundo, será a primeira vez que uma rede exibirá regularmente dois jogos sequenciais de um torneio estadual.

Serão sete rodadas duplas, ou 14 jogos, aos sábados, das 16h às 20h. O SBT promete exibir sempre um jogo de um time grande contra um pequeno, Também transmitirá quatro jogos às quartas-feiras, às 21h, e oito partidas aos domingos, às 10h. O Paulista-03 vai de 26 de janeiro e 23 de março.

Há duas semanas, o SBT comprou com exclusividade, da Federação Paulista de Futebol, os direitos do Paulistão de 2003, após a Globo recusar proposta de R$ 12 milhões pelo evento.

O SBT lançou cinco cotas nacionais de patrocínio, por R$ 9,1 milhões, e uma local (SP), por R$ 2,7 milhões. Nenhuma ainda foi vendida. Uma montadora negocia acordo com o SBT que envolve uma promoção com carros.

O ano de 2003 promete ser um dos mais ‘democráticos’ para os fãs de futebol na TV. Além do Paulista no SBT, haverá o Brasileiro e a Copa do Brasil na Globo e na Record. A Globo terá ainda a Libertadores e, provavelmente, a Copa Pan-Americana. No mercado, especula-se sobre um eventual acerto entre Band e a agência de marketing esportivo Traffic, atual parceira da Record e detentora da Pan-Americana."


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