28/10/2003 6/19

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ABI / FILANTROPIA
Comunique-se

"ABI faz pedido a jornalistas para voltar a ser filantrópica", copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 23/10/03

"A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) divulgou nesta terça-entre (21/10), entre o jornalistas, uma carta detalhando a atual situação financeira da entidade, que deixou de ser considerada filantrópica em 2001. Segundo o comunicado, a ABI corre o risco real de fechar suas portas.

A situação delicada da ABI vem desde 1995, quando a entidade foi acusada de conceder anistia a jornalistas que não tinham direito ao benefício.

A ABI pede a colaboração de colegas que tenham condições de ajudar nas negociações para que a entidade volte a ser considerada filantrópica, junto ao Governo Federal.

Leia a carta, na íntegra.

‘Colega jornalista:

O objetivo desta carta simples é mostrar o quadro real da situação da Associação Brasileira de Imprensa a todos os que se preocupam com o futuro de entidade maior dos jornalistas brasileiros, fundada há 95 anos. Depois de ajudar o Brasil, ao longo de décadas, em momentos cruciais, como o ingresso do país na Segunda Guerra Mundial, na campanha do Petróleo é Nosso, e nas lutas cívicas pela Liberdade de Expressão, pela Anistia, pelas Diretas e contra as ditaduras, hoje, é a ABI é que precisa de ajuda de todos nós.

Entidade filantrópica desde 1917, em 2001, a ABI foi incluída numa relação de entidades ‘pilantrópicas’, devido à luta de Barbosa Lima Sobrinho contra as privatizações e, hoje, a instituição corre risco real de fechamento, caso esta decisão não seja revogada pelo novo Governo. A ABI, que vem acumulando dívidas por se manter, há anos, exclusivamente das mensalidades de seus associados e dos baixos aluguéis de salas e andares do edifício-sede, não tem recursos para pagar os impostos federais acumulados desde o cancelamento da filantropia retroativos - inexplicavelmente - ao ano de 1995.

A direção atual da ABI presidida por Fernando Segismundo, via Gabinete da Liderança do Governo na Câmara Federal, com a ajuda do vice-presidente Henrique Miranda, vem realizando gestões para que a entidade volte a ser considerada filantrópica e sem fins lucrativos, como sempre foi ao longo de toda a sua vida. Também está procedendo ao levantamento das dívidas acumuladas com a União nos últimos oito anos - a confirmação do cancelamento da filantropia só chegou a ABI no início do corrente mês de outubro, após um primeiro aviso em fevereiro que, infelizmente, não foi levado em consideração, para que, de posse dessa informação, iniciasse negociações com Brasília para reverter a medida.

É assunto delicadíssimo, e solicitamos ao colega jornalista, que tiver condições de ajudar nesta negociação com as autoridades de Brasília, que ajude. A ABI precisa dos esforços de cada um de nós e isto não é uma frase de efeito. É a realidade!

Outra questão crucial para a ABI, hoje, é a dívida com a Prefeitura do Rio de Janeiro, devido a taxas de iluminação pública e de lixo acumuladas e nunca pagas ao longo dos anos. A dívida soma cerca de R$ 360 mil e está em fase de execução pela Procuradoria Geral do Município que, através de sucessivas ações, vem penhorando progressivamente andares do edifício-sede da ABI, como garantia para futuros leilões judiciais. Embora o prédio - construído e doado aos jornalistas por Getúlio Vargas em 1938 - seja tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o que, no entendimento de alguns advogados, o torna ‘inleiloável’, segundo as leis em vigor.

É importante relatar aos colegas que foram feitas gestões junto ao presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, vereador Sami Jorge, e este se prontificou a ajudar a ABI - ressaltando porém ser fundamental a mobilização do prefeito César Maia para solucionar os problemas com o município. No dia 5 de novembro, está prevista reunião com a Secretária de Imprensa do Prefeito, Ágata Messina (associada da ABI), como desdobramento das conversações mantidas com o presidente da Câmara. Toda ajuda nesta direção também é super bem vinda.

A ABI tem, no momento, como sua terceira maior credora, a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), a quem deve R$ 187 mil por anos e anos de inadimplência. A presidente do Conselho Administrativo, Lygia Jobim, esteve na sede da companhia para renegociar o débito e esta concorda em parcelá-lo, desde que a ABI pague à vista pelo menos as contas dos dois últimos meses - cerca de R$ 11 mil. O problema é que a ABI não dispõe desse dinheiro, engolfada em um herança de dívidas diversas que vem sendo pagas (detalhes no site) paulatinamente desde maio.

Para tentar superar o impasse, já houve uma primeira conversa com o ex-Governador Anthony Garotinho, tendo ele se colocado integralmente à disposição da direção da ABI para solucionar o problema. No momento, através de conversações já iniciadas com a Secretaria de Imprensa do Governo estadual, aguardamos os próximos passos dessa negociação que está em andamento.

Além dessas três grandes dívidas - com a União, com o Estado e com o Município -, a ABI acumula débitos diversos com prestadores de serviços de telefonia, de luz e, também, com pequenos fornecedores de material de consumo. Somando-se tudo, algo em torno de R$ 500 mil (a lista de credores está na Internet). Portanto, colegas jornalistas, resolver a questão das dívidas da ABI não é missão impossível se houver união e disposição, de todos nós, para atacar de frente o problema e solucioná-lo.

Desde maio, temos trabalhado para superar os problemas financeiros acumulados há anos e, também, na modernização das práticas contábeis da entidade - muito antigas e superadas. Com o único objetivo de fortalecer a Associação, que consideramos patrimônio de todos os jornalistas e, também, do povo brasileiro. Nada disso é visível pelo grande volume de contas e problemas encontrados.

Os andares da sede da ABI, que estavam vazios há bom tempo, começaram a ser alugados, como também nos preocupamos em valorizar nossos espaços internos de aluguel, especialmente auditórios - tradicionais pontos de encontro para reuniões políticas no Centro do Rio de Janeiro. Progressivamente, a receita vem aumentando e temos saldado contas e diminuído despesas, refazendo contratos. Mas os problemas continuam, tanto que a firma Koleta Ambiental, de recolhimento de lixo, em meados de outubro, ameaçou requerer a falência da ABI, caso não saldasse débito de cerca de R$ 3 mil.

Mas ainda há muito a fazer, pois o que arrecadamos não tem permitido fazer o pagamento integral dos salários de nossos funcionários, nem colocar em dia os valores do vale transporte e do tíquete alimentação. Uma estratégia está sendo montada para permitir que o décimo terceiro salário também não atrase, mesmo que, mais uma vez - como vem ocorrendo nos últimos anos - a ABI seja obrigada a recorrer a empréstimos bancários.

A ajuda de todos vocês neste processo é fundamental. Precisamos de projetos que possam ser tocados pela ABI, pois há gente querendo colaborar com patrocínios, Precisamos que todos os companheiros se associem à Casa do Jornalista, caso não o tenham feito ainda, ou que ponham em dia as mensalidades atrasadas, caso estejam inadimplentes. Enfim, precisamos de cada um de vocês.’

Osvaldo Maneschy

Diretor Tesoureiro

Antonio José Liborio

Diretor 1º Secretário"

 

CASO ROMÁRIO
Ivson Alves

"Jornalista gosta de bangue-bangue - I", copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 27/10/03

"O jornalismo tem muitos mistérios, pelo menos para mim. Um exemplo que me embatuca é a necessidade que a maior parte dos coleguinhas tem de, em qualquer assunto, enxergar de um lado um mocinho com chapéu e roupas brancas, e de outro um bandido vestido todo de preto, de preferência com a cara do Jack Palance. Não que eu pregue a isenção, pois, você já deve saber, não creio nisso. O que gostaria de ver é imparcialidade, ou seja, o colega acredita que uma posição sobre determinado assunto é a correta, mas apresenta, sem parcialidade, todas as posições com igual espaço e peso dentro das matérias.

Na semana passada, vi o mistério, que poderia ser chamado de ‘Síndrome de Bandido & Mocinho’, novamente se materializar diante dos meus olhos em dois casos totalmente diferentes, mas unidos por este estranho denominador comum. Nesta semana, escrevo sobre apenas um, para não encher o seu saco com uma coluna imensa, e na semana mando ver no segundo, ok?

O primeiro, embora falando cronologicamente tenha sido o segundo, foi a confusão entre Romário e o Sinistro Atirador de Galinhas, um torcedor profissional da Young Flu, a mais antiga das torcidas organizadas do Fluminense. Na noite de terça, dia do incidente, assisti ao Sportv News, o principal programa de esporte daquele canal pago. Nele, o casal de apresentadores - principalmente a parte feminina - passou o tempo todo culpando apenas o atacante tricolor pela encrenca.

A atitude parcial se tornou constrangedora, pelo menos para quem assistia, porque, literalmente no meio dos dois âncoras (esse é o nome ‘sofisticado’ de apresentador hoje em dia, pois não?) um bom comentarista da casa mostrava o óbvio, a saber que a confusão tinha pelo menos três culpados claros - Romário, por ter agredido; o Sinistro Atirador de Galinhas, por jogar as penosas no campo e ter ofendido os jogadores em geral e o Baixinho em particular; e a segurança do clube que não impediu com bons modos que o inconveniente entrasse com seis galináceas no clube e fizesse seu ofensivo protesto - e um oculto: a diretoria do Flu por ter deixado o outrora aristocrático tricolor das Laranjeiras ter se tornado uma casa-da-mãe-joana.

Apesar das ponderadas palavras do comentarista (que demonstrou a existência, embora em minoria, de coleguinhas capazes de ver o mundo em cores e não apenas em preto-e-branco), o casal de apresentadores, em especial a moça, não ligou a mínima e continuou atacando Romário. E não sem ajuda - e aqui chegamos à parte grave do caso. Para corroborar a acusações de que o jogador é um homem violento, um ‘bandido’ digno do chapéu preto e dos olhos frios de Henry Fonda em ‘Era uma Vez no Oeste’, a edição do programa mostrou os casos em que o Baixinho agrediu adversários e brigou com a torcida. O grave é que houve uma flagrante manipulação para provar a tese dos promotores... Quer dizer, dos apresentadores... contra o jogador.

A seleção de imagens mostrou as agressões de Romário a Simeone, jogador argentino, numa partida pelo campeonato espanhol, e a outro atleta daquele país num jogo entre Flamengo e Velez Sarsfield. No primeiro caso, não se menciona que Simeone vinha provocando o Baixinho durante o jogo inteiro e, pouco antes de levar um soco, acertado o brasileiro com uma cotovelada. O segundo caso foi ainda pior. A cena mostra Romário dando uma voadora no argentino do Velez. Ao lado dos dois, um corpo com a camisa rubro-negra jazia no solo, imóvel, com a cara enfiada na grama. Era Edmundo, que, depois de chutar duas vezes o adversário pelas costas, levou um cruzado digno de decisão de cinturão da AMB, que literalmente o nocauteou. Esta contextualização foi feita? Nequinha, velho/a. Ficou parecendo que Romário adora dar voadoras em quem estiver na frente quando se sente entediado.

Por que isso? Será preguiça de pensar, de tentar ver as nuances da realidade? É um tipo de onipotência que faz pensar que se pode convencer qualquer um de qualquer coisa, especialmente se tem as imagens para ‘provar’? Tem algo de burrice? É oportunismo - ao atacar o supostamente mais forte, ou famoso, o coleguinha veste a roupa e o chapéu brancos ele mesmo e posa de ‘defensor dos fracos e oprimidos’? Não sei. Como escrevi lá em cima, é um mistério para mim. Só sei que este tipo de maneira de fazer jornalismo pode ter graves conseqüências para a sociedade quando sai do futebol e adentra o campo de questões mais complexas e fundamentais. É o que tentarei mostrar na semana que vem.

Internacional - Por falar em Sportv, o canal sempre se apresentou como o campeão em transmissões ao vivo. Pois este título já está quase perdido em matéria de futebol internacional. É que a ESPN-Brasil conquistou os direitos de transmissão sobre os mais importantes campeonatos europeus - espanhol, italiano, inglês e alemão - sem falar na Liga dos Campeões.

A perda do campeonato inglês (o ‘Elisabetão’...), que era exclusivo do Sportv até maio de 2002, foi exemplar do momento que vivem as Organizações Globo. Os organizadores da Premier League pediram US$ 6 mil por partida (no atacado, com o pacote fechado do campeonato, cada jogo saía por US$ 4,5 mil), o que seria considerado razoável em tempos menos bicudos. Assim, agora quem gosta de futebol internacional pode, na prática, esquecer o Sportv e sintonizar a ESPN do B.

Angelina who? - Entusiasmante a conquista do prêmio de prata da Associação de Correspondentes da ONU por parte da dupla Flávia Oliveira e Luciana Rodrigues, de O Globo. É um prêmio ao talento, à dedicação e à determinação destas profissionais, e ao espaço que O Globo tem dado à questões sociais (com talento e determinação variáveis, empresarialmente falando, mas vamos deixar isso de lado), hoje absolutamente decisivas para o futuro do país. Quem dera outros jornais tivessem esta atitude, mesmo com todos os defeitos que a prática global demonstra no dia-a-dia. Se assim fosse, é possível que a ‘Síndrome de Bandido&Mocinho’ deixasse de assolar as mentes nas redações.

Quanto ao Prêmio Sérgio Vieira de Mello ganho por Angelina Jolie por sua batalha pela paz mundial, acho-o muito meritório, mas, com a devida vênia da famosa, sou mais Flávia e Luciana, tá?"

 

JORNAL DA IMPRENÇA
Moacir Japiassu

"O bem equilibrado Romário", copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 23/10/03

"Janistraquis gravou o treino do Fluminense, aquele das galinhas, ao cabo do qual Romário esquentou a orelha de um torcedor atrevido. Já tarde da noite, deixou correr o DVD, apreciou o desempenho do craque e entusiasmou-se com o que viu: ‘Considerado, somente agora percebi por que Romário não costuma cair em campo e pode ziguezaguear à vontade que não perde o equilíbrio dentro da área’.

Manifestei curiosidade e meu secretário foi em frente: ‘Já reparei que o artilheiro dá autógrafos com a mão esquerda; porém, somente agora, ao vê-lo distribuir as porradas no torcedor, é que formei opinião; ora, se o cara é canhoto em cima e destro em baixo, pode correr prum lado e pro outro, oscila, balança mas não cairá jamais’.

A tese procede, todavia aproveitei o video-tape, que ele rodara mais uma vez, para uma pequena provocação: mas você não acha que Romário poderia ter evitado essa baixaria?, perguntei. Janistraquis me olhou com estupor: ‘Baixaria, que baixaria? Ô, considerado! Então o craque é xingado e desrespeitado no seu local de trabalho e não pode reagir?! Desculpe, mas você anda mais delicado do que repórter de televisão!’.

No dia seguinte, quarta-feira, Fluminense 1 x 0 Corinthians. Gol do equilibradíssimo Romário.

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Voando baixo

Com o maior respeito, nosso diretor em Brasília, Roldão Simas Filho, escreveu ao diretor da revista que está no ar, ou melhor, nas bancas: ‘Acabo de receber o nº 15 de ASAS - out.nov. 2003 - como sempre excelente.

O ponto alto é a saga do Jahu, inclusive o modelo miniatura. Estou curioso para ler a Parte II e saber o que mais será contado. Creio que será sobre o avião S-55 de vez que a narrativa do vôo transatlântico foi concluída.

Há muito tempo eu procurava mais informações sobre o Jahu e seu principal piloto, João Ribeiro de Barros, nome quase sempre omitido. Até parece que o Jahu voou sem tripulantes.

Diz a matéria que Ribeiro de Barros era militar. Qual era a patente dele? Como pôde bancar sozinho todos os custos? Só se era milionário, pois 680.000 liras correspondiam a 200 contos de réis. E quanto isso era em dólares ou libras?

O Jahu esteve exposto durante muitos anos no Museu do Ipiranga. Onde está agora?

Finalmente, uma observação. O h da grafia antiga - Jahu - separa as sílabas. As oxítonas terminadas em u: caju, urubu, não têm acento gráfico. Portanto, não há justificativa para a grafia Jahú. Hoje, a cidade paulista se escreve sem h, Jaú, e leva acento para separar as vogais e indicar que não formam ditongo.’

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Invencibilidade

Janistraquis leu no sempre bem informado Pelé.Net: Sem Cúper, Inter perde do Lokomotiv - ‘Com técnico interino, equipe italiana é derrotada por 3 x 0 e não está mais invicta na Liga dos Campeões’.

Meu secretário passou horas a reler o textinho, parou, foi dar comida ao cachorro, voltou, retomou a leitura. Lá pro meio da tarde, suspirou: ‘Considerado, diz aqui o Pelé.Net que o Inter de Milão perdeu pro Lokomotiv e não está mais invicto... Confesso que não consigo atinar. Ou é possível perder e manter a invencibilidade?’.

É, eu também não consigo entender, porém uma coisa é certa: o Pelé-Edson era bem mais simples e claro do que esse Pelé.Net.

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Grande desperdício!

Titulinho pescado naquele reservatório de inteligência que é a Folha Online: Governo pretende premiar quem economizar água. Janistraquis leu e ficou mais revoltado do que a ministra Benedita ao devolver o dinheiro:

‘Considerado, o governo sempre acha que pobre é quem desperdiça! Ora bolas, os ricaços da Zona Sul estão morrendo de rir e, quando acabar a última gota da torneira, mandam chamar caminhões-tanque de água mineral...’.

Com gás, com gás.

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Cuidado ao pisar

Ainda aborrecido por não ter conseguido registrar nos cartórios de Fortaleza o pseudônimo H. Romeu Pinto, o diretor da sucursal de nossa coluna no Ceará enviou o seguinte texto, assinado com seu nome verdadeiro, Celso Neto:

‘Eis que nosso querido Diário do Nordeste nos brindou com esse precioso título em uma matéria: Quadrilha rouba R$ 300 mil em eletrodomésticos no Barro.

Caso o leitor não corresse os olhos pelo texto ficaria a pensar que a quadrilha tinha enfiado os pés no barro para realizar o assalto, e assim os tais eletrodomésticos nem poderiam ser vendidos a receptadores, uma vez que estariam imundos.

Barro é uma cidade bastante aprazível - mas não tão mais segura - do interior cearense e em vez do no o redator deveria ter metido o em.’

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Minha nossa!!!

A agência Reuters espalhou pelo mundo a seguinte notícia-bomba:

‘A identidade sexual de uma pessoa é determinada pelos genes, o que descarta a teoria de que a homossexualidade ou a mudança de sexo sejam uma opção, afirmaram pesquisadores norte-americanos.

‘Nossas descobertas podem ajudar a responder uma pergunta importante: por que nos sentimos homem ou mulher?’, afirmou Eric Vilain, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles. ‘A identidade sexual está baseada na biologia das pessoas, antes do nascimento, e é resultado de uma variação em nosso genoma individual.’

Fiquei condoído com essa decepção que a ciência causou pelo mundo afora, porém Janistraquis, que não perde o otimismo, arriscou: ‘Bobagem, considerado; a tal da opção persiste; afinal, a criatura é quem decide se ‘sai do armário’ ou mantém a coisa enrustida.’

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O macaco fala!

Despacho do nosso diretor paulistano, Daniel Sottomaior: ‘Em outubro foi publicado o resultado de um experimento liderado pelo brasileiro Miguel A. L. Nicolelis, da Universidade de Duke, que conseguiu montar uma máquina que literalmente lê pensamentos de primatas. A equipe conseguiu a pequena façanha de permitir aos nossos primos que comandassem um braço mecânico a partir de eletrodos ligados aos seus cérebros.

Com a engenhoca, as cobaias conseguiam até fazer o braço mecânico pegar uma banana. É claro que os cientistas ficaram boquiabertos, mas para os tradutores do Estadão, eles ‘não conseguiam pronunciar uma palavra’ -- tradução literal de they couldn’s say a word. Infelizmente, ficamos sem saber que palavra seria essa. O jornalista deve imaginar que o próximo passo da pesquisa seria analisar essa estranha afasia seletiva.’

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Nota dez

O melhor texto da semana pertence a José Manuel Calvo, do jornal espanhol El País. No artigo intitulado Milionários se unem para impedir reeleição de Bush, escreveu ele, diretamente de Washington, segundo a tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves, da Folha Online:

‘O multimilionário George Soros é um homem de palavra e de ação: disse em agosto que dedicaria grandes esforços - e grandes quantias de dinheiro - à tarefa de mudar o presidente dos Estados Unidos, e um ano antes das eleições lançou-se à tarefa. Para remover George W. Bush da presidência, Soros vai gastar US$ 10 milhões.

O empresário e investidor, nascido em Budapeste em 1930 e estabelecido nos Estados Unidos desde 1956, dedica-se a atividades filantrópicas - nos momentos em que não ganha ou perde dinheiro com seus investimentos - desde 1979, e considera que impedir a reeleição de Bush é um ato de amor à humanidade:

‘O destino do mundo depende dos Estados Unidos, e o presidente Bush está nos conduzindo na direção errada’, ele disse em agosto passado.

Para quem pensou que isso tinha a ver com os calores de agosto, Soros - sobrevivente da passagem dos nazistas por Budapeste e da posterior ditadura comunista na Hungria - declara agora à revista Forbes que falava sério: ‘Eu vivi a ocupação alemã e a soviética, e escuto soar todos os sinos de alarme quando ouço o presidente Bush dizer que ‘os que não estão conosco estão contra nós’.

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Errei, sim!

‘SECRETÍSSIMO - Mais uma do arquivo secreto do Estadão, devassado por espião desta coluna: ‘Em São Paulo, a fauna silvestre está semi-extinta por completo.’ (agosto de 1995)"

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