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MÍDIA & MERCADO
Eduardo Ribeiro

"Reuters e BBC investem mais no País", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 22/1/03

"A agência Reuters e a BBC estão ampliando seus investimentos no Brasil, numa clara demonstração de que a crise que afeta o mercado editorial local e algumas das mais importantes empresas de comunicação do País, nada tem a ver com um cenário mais geral da mídia mundial.

A Reuters, por exemplo, no afã de reconquistar o mercado de jornais, após razoável período em que concentrou suas forças e atenção no segmento on-line, está anunciando o lançamento do Brazil Essencial, pacote que contempla dezenas de matérias internacionais (traduzidas) e muitas outras produzidas pelo time de repórteres e editores do serviço no Brasil, nas editorias de Geral, Mundo, Economia, Esportes e Cultura. Adriana Garcia, a editora-chefe do projeto, diz que o objetivo é oferecer o jornal do dia seguinte, um dia antes. O preço vai variar de US$ 200 para um jornal de 10 mil exemplares, por exemplo, a US$ 500 para um outro de 35 mil exemplares e assim por diante, permitindo que os veículos que comprarem o serviço façam ainda uso do material na internet.

A Reuters tem algumas redações em capitais brasileiras, a maior delas em São Paulo, num belo prédio na Marginal do Pinheiros, ao lado do Credicard Hall. Mais do que uma agência de notícias, ela é hoje uma grande produtora e provedora de informações econômicas, área que lhe garante a maior parte do faturamento, e que, para ser atraente, precisa ter um bom volume de informações qualificadas.

A filial brasileira é estratégica para a empresa, razão pela qual ela entregou ao diretor Mário Andrada e Silva, que até então comandava apenas a redação do serviço no Brasil, o comando editorial da empresa em toda a América Latina. Numa conversa com este Jornalistas&Cia, Mário Andrada disse que a agência quer expandir seus negócios, razão pela qual optou por investir na parte noticiosa. Um claro sintoma disso é a recente criação da editoria de Política, focada em macroeconomia, para dar mais e melhor as decisões do novo governo, cujo interesse extrapola a fronteira nacional.

A empresa tem procurado diferenciar a cobertura, de modo a garantir sempre alguns furos jornalísticos diários no noticiário. Ao mesmo tempo em que garante, com isso, espaço nobre nas primeiras páginas dos principais jornais on-lines e de papel do País, mantendo o selo Reuters (assinando essas matérias) em local de destaque, esse material diferenciado e exclusivo também é um atrativo para os clientes que compram os produtos financeiros da empresa.

Mário Andrada agora quer uma aproximação maior com as agências de comunicação, para ampliar o fluxo e a qualidade dos assuntos gerados por elas. Nesse sentido, e numa aproximação ensaiada com a Abracom, a associação que reúne as agências de comunicação, deverá promover dentro de algumas semanas um encontro de trabalho com colegas da área.

Numa outra ponta, a BBC também aposta firme no País, com novos investimentos na BBC Brasil, o braço da organização responsável pela produção de programas de rádio e de um site de notícias internacionais em português. Com esses novos investimentos, a BBC Brasil - que já é associada a emissoras como CBN e Eldorado/Estadão - vai aumentar a sua programação de rádio para o Brasil. Além disso, o site também será ampliado, reformulado e relançado oficialmente em março, quando alguns diretores da empresa estarão visitando o País, em companhia de Américo Martins, diretor da BBC Brasil, e de Lúcio Mesquita, atual diretor para a região das Américas.

Pouco antes, na primeira semana de fevereiro, Martins virá ao País para dar início a uma série de debates promovidos pela BBC Brasil em universidades de várias regiões. Os debates vão discutir jornalismo internacional e sinergia das mídias e reunirão vários colegas. Foram programadas etapas em oito universidades brasileiras, espalhadas por várias regiões: UnB, UFBA, UFMG, UFPE, Universidade de Londrina, USP, URFJ e Unisinos. Além disso, durante os debates a organização vai lançar um concurso para estudantes de jornalismo. O prêmio será uma visita/estágio de duas semanas na redação, em Londres. Os detalhes vão estar disponíveis até o fim do mês no www.bbcbrasil.com .

Não é só isso não. A organização acaba de realizar prova seletiva para contratar três ou quatro jornalistas brasileiros para trabalhar em seu site e nas transmissões em português da rádio. Em São Paulo, essa prova foi realizada no último dia 14/1 por cerca de 30 jornalistas, mas sabe-se que houve provas também no Rio. Os aprovados serão chamados para entrevistas com o comando do jornalismo e com o RH da BBC Brasil no começo de fevereiro.

O salário, como vocês verão, também é de dar água na boca: 2.200 libras esterlinas, ou o equivalente a R$ 11 mil, por mês. Só não é melhor porque esse é o salário bruto e o custo de vida em Londres, onde os contratados passarão a viver e a morar, é elevado.

Outra notícia da BBC, é que ela fechou acordo com o SuperiG, portal de banda larga do iG, para transmitir com exclusividade toda programação da BBC World. O serviço é exclusividade dos assinantes do portal, que terão acesso a documentários, entrevistas, condições do tempo em diversos países e boletins econômicos e esportivos do canal inglês. Sem contar que a organização já mantém um outro acordo com o iG, que disponibiliza o material da BBC Brasil no seu portal. Mas o novo acordo não contará com material da BBC Brasil - até porque ela não faz tevê (ainda)."

 

Eduardo Ribeiro

"Agências começam o ano otimistas", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 24/1/03

"Ao contrário do triste e apreensivo quadro envolvendo a mídia brasileira, marcado por endividamento, demissões, intervenções, descontinuidade de títulos, no segmento das agências de comunicação há um outro ambiente de mercado reinando. O ano começou promissor, com muito otimismo, vários negócios concluídos, e muito trabalho. Tudo isso, como se vê, muito antes de o carnaval chegar. Estão todos - ou quase todos - de mangas arregaçadas e pronto para encarar mais um ano de desafios e de crescimento.

Tenho conversado pessoalmente com vários donos de agências nos últimos dias e é praticamente unanimidade o sentimento de que poucas vezes em nossa ainda curta história um ano começou tão bem, em termos de negócios, como 2003. Vários contratos, de todos os tipos e portes, envolvendo sobretudo as médias e grandes agências, estarão sendo anunciados nos próximos dias, por essas empresas. Praticamente todas apostam e se prepararam para um crescimento entre 15% e 20%, o que não é pouco, considerando-se que 2002 foi um ano bom para a maioria.

É certo que houve uma pressão atípica nesse início de 2003, com realização de concorrências e assinaturas de contratos que ficaram represados lá atrás, por conta do cenário político e do medo do que aconteceria com o País numa eventual vitória de Lula. Ela veio, emocionou e mostrou que o País estava maduro para a alternância de poder, tranquilizando o meio empresarial.

O detalhe é que os novos contratos não são apenas de assessoria de imprensa, como seria de se esperar, ou como ocorreria cinco, dez anos atrás. Há jobs de crise, projetos de relações públicas e eventos, pesquisas, media trainning, alguns relativamente polpudos e que certamente obrigarão as empresas a novas contratações.

Uma delas, que caminha para figurar no mundo das médias agências - e que ali quer ficar, posicionando-se como líder das médias, e como uma grife - acaba de realizar um significativo investimento em novas instalações, para poder encarar pelo menos mais dois anos de crescimento. Não foi o único caso: no segundo semestre do ano passado, pelo menos quatro outras agências tiveram de deixar seus antigos endereços para ocupar novas e mais espaçosas instalações, em função do crescimento das equipes e de clientes. Uma delas, aliás, chegou a anunciar um surpreendente e atípico crescimento de 70% no ano.

Mudanças desse tipo consomem R$ 50, R$ 100, R$ 150 mil reais, pois envolvem obras civis, projeto arquitetônico, modernas instalações, móveis de grife, tudo isso para gerar não só um ambiente confortável e eficaz de trabalho, mas também uma boa imagem da agência que terá, de resto, de cuidar da imagem de outrem. E aí não dá para ser casa de ferreiro espeto de pau, até porque o próprio negócio passa a correr risco.

Só investe um dinheiro desse quem conseguiu se capitalizar e, mais do que isso, quem acredita na sua capacidade de empreender e no mercado. Afinal, para quem até dez, quinze anos atrás era um jornalista ou um relações públicas assalariado, investir em simples instalações um dinheiro que daria para comprar um apartamento de dois ou três dormitórios numa cidade como São Paulo, é um claro sinal de que os tempos, nesse segmento, efetivamente são outros.

E é essa visão empresarial que tem contribuído para o crescimento expressivo das agências nesses últimos cinco anos.

E isso - salvo engano - é só o começo, pois o mercado abre-se de forma espantosa e o setor por enquanto apenas arranhou a casca da laranja. Há muito mais por se fazer e por se comprar, sobretudo a hora em que o setor público descobrir que comunicação com a sociedade não se faz apenas via propaganda, como tem sido nas últimas décadas, mas sim com comunicação integrada, contemplando relações públicas, planejamento estratégico, objetivos institucionais etc. etc."

 

Eduardo Ribeiro

"Mercado continua ciclotímico", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 23/1/03

"Se o termômetro que utilizarmos para medir a temperatura do mercado neste início de 2003 for o de lançamentos/fechamentos de publicações, estaremos diante de um fenômeno interessante: o número de lançamentos é maior do que o de fechamentos, mas as publicações fechadas têm um peso muito maior no mercado de trabalho do que as que abriram.

A primeira cacetada que tomamos, logo na primeira semana de janeiro, foi o fechamento da Tudo, da Abril, decisão que custou 20 vagas de nosso combalido mercado. A segunda, que acaba de ser anunciada, é o desaparecimento da revista Note e Anote, fruto de uma parceria entre a Editora Três e a Rede Record. Com ela, vão-se outros 15 empregos de roldão. Tudo e Note e Anote tem uma outra coisa em comum - ambas viveram muito pouco, embora a Tudo tenha tido quase o dobro de vida em relação à Note e Anote - a primeira chegou às bancas durante cem semanas e a segunda por apenas 58 semanas.

Do outro lado, tivemos já o anúncio de sete lançamentos, sendo um jornal e seis revistas, todos de pequeno porte e com equipes super enxutas.

Pegue-se o exemplo dos títulos da Editora Bloch (17 no total), arrematados por Marcos Dvoskin recentemente, que serão relançados progressivamente a partir de parcerias que ele consiga desenvolver com colegas ou empresas que cuidem, de forma terceirizada, do conteúdo, para não ter de investir demais em instalações, encargos etc. O único lançamento já definido, Ele & Ela, teve a primeira edição produzida por Domingos Fraga, da DF5, colega que trabalhou com Dvoskin na Editora Globo, lançando e dirigindo a Quem. E houve um aproveitamento muito grande de material que já estava pronto. A idéia é trabalhar com um pequeno núcleo e utilizar frilas para as empreitadas de fôlego maior.

Outro lançamento anunciado, revista Seu Sucesso (Editora Europa), chegará ao mercado em março, sob a direção de Luís Colombini, que está empenhado em montar o núcleo editorial com o qual vai trabalhar. Também será muito reduzido, com frilas fixos (dois ou três colegas) e muitos colaboradores.

A Negócios da Comunicação (Segmento), que também será lançada em março mas que já ganhou uma edição zero (circulando por agências e anunciantes), terá o diretor de redação Carlos Costa, um repórter, Leandro Rodrigues, o fotógrafo Antonio Larghi e o diagramador Wanderlei Silveira. A Segmento tem mais de 30 títulos e certamente vale-se de sua já razoável estrutura para lançar novas publicações sem ter de ampliar o quadro de colaboradores significativamente.

Está nascendo também a Dream Cars, sob o comando de Fernando Calmon, novo título do já extenso portfolio da Editora On-line, especializada em títulos de apelo popular ou para nichos de mercado, a grande maioria com periodicidade sazonal. Ou seja, saem quando a empresa considera o melhor momento ou quando há um forte acontecimento ancorando o lançamento. E em termos de equipe, vale-se de parcerias, fórmula que Dvoskin está adotando para reeditar os títulos da Bloch. No caso da On-line, ela fechou parceria com Calmon para fazer outros dois títulos, além da Dream Cars: a revista Salões do Automóvel e uma outra que ainda vem sendo mantida em sigilo. Como são publicações sazonais, Calmon cuida de seus outros trabalhos (entre eles uma coluna semanal publicada por vários jornais brasileiros), e tem ao seu lado, também como frilas, Mário Cúrsio e Roberto Marks. Todos devidamente terceirizados.

Esta semana foram anunciados dois outros lançamentos: a Futuros, patrocinada pela BM&F, e a Mundo Corporativo, bancada pela Delloitte Touche Tohmatsu. A Futuros é produzida por Alonso Ernesto Ortiz e Fernando Morgado, tendo na equipe ainda os colaboradores Nicolielo e Rogério Furtado - nenhum deles com contrato formal de trabalho, já que Ortiz tem sua própria empresa e estrutura para suportar a edição da publicação. A Mundo Corporativo, por sua vez, entregou a direção da publicação à sua própria assessora de imprensa, Rita Gallo. Ou seja, não terá custos significativos com equipe.

Brasil de Fato, o jornal das esquerdas, que será lançado neste sábado, 25/1, no Fórum Social, em Porto Alegre, será semanal, com 24 páginas, 100 mil exemplares de tiragem e circulação nacional. Seguirá um modelo de gestão praticamente inédito em termos de Brasil com a criação de um Comitê Editoral (10 a 12 pessoas), representando os movimentos e forças sociais que dão suporte ao projeto, de um Conselho Político (aproximadamente 80 participantes dos mais diferentes setores), encarregado de avaliar e orientar a linha editorial, e de Comitês de Apoiadores, espalhados por todo o País, com a missão de fortalecer a obtenção de recursos, estimular a participação de colaboradores e viabilizar a distribuição local. Mas em termos de equipe, será enxutíssimo, até porque não dispõe de recursos para vôos mais ambiciosos, ao menos neste início. Além do editor-chefe, José Arbex, o jornal terá na equipe os editores Anamárcia Vaisencher, Paulo Pereira Lima e o repórter João Alexandre Peschanski.

Nesta turbulência de início do ano, portanto, o placar é amplamente favorável aos lançamentos (7 x 2), mas preocupante em termos de empregos (35 vagas perdidas contra - no máximo - 15 ou 20 novos postos de trabalho).

A válvula de escape, em termos de redação, tem sido efetivamente o trabalho free-lancer. E pelo visto vai continuar assim por um bom período. A menos que se mude a legislação trabalhista, desonerando as empresas, sobretudo pequenas e médias, dos altos encargos pagos para cada funcionário com carteira assinada."


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