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CRÍTICA DIÁRIA
Bernardo Ajzenberg

"Crítica Interna", copyright Folha Online (www.folha.com.br)

29/10/01 - O noticiário mostra que o fim de semana foi ‘quente’ no Afeganistão e no Paquistão, mais do que nos dias anteriores. A ‘nova guerra’, porém, só é manchete hoje no ‘JB’ (‘Cristãos chacinados no Paquistão’) e no ‘Globo’ (‘FBI e CIA investigam QG de Bin Laden na fronteira do Brasil’). Os principais jornais paulistas optaram pela crise Brasil-Argentina, em linhas até certo ponto opostas (ver nota). Folha: ‘Brasil não negocia mais com Cavallo’; ‘Estado’: ‘País vai retomar as negociações com a Argentina’.

Edição de sábado, 27 de outubro

Agora sim Vale registrar o pingue-pongue com Paulo Maluf à pág. A10 (Brasil). É a entrevista de ‘outro lado’ que o jornal devia e que havia sido, a meu ver, indevidamente efetuada dois meses atrás em acordo por meio do qual o ex-prefeito apenas usou o jornal para fazer discurso.

Nova guerra (1) A edição subestima a importância histórica da lei antiterror aprovada pelos parlamentares e sancionada pelo presidente Bush (‘Bush sanciona nova lei antiterror’, Mundo, pág. A16). Parece claro que se trata de um daqueles textos que se candidatam a ficar para a história, não só pelo presente mas pelas consequências eventuais futuras. Nesse sentido, caberia não só resumir os itens principais, como o jornal fez em quadro, mas trazer íntegras de alguns trechos, comparar com a situação anterior etc.

Números

1) O texto ‘Província dá calote em amortização da dívida e aumenta tensão no país’ (Dinheiro, pág. B4) afirma que o risco-país da Argentina na sexta fechou em 1.822. Já a arte, acima, registra 1.820;

2) A reportagem ‘Concorrência atrai ‘órfão’ da Soletur’ (Dinheiro, pág. B5) noticia que a operadora previa uma receita de cerca de US$ 50 bilhões no início do ano. Certamente são milhões ( com ‘m’).

3) O texto ‘Justiça manda Bradesco cortar taxa de cartão’ (pág. B5) é confuso. Afirma que o limite deverá ser 12% ao ano, mas que só pode ultrapassar 6% se houver previsão no contrato. Ao mesmo tempo, diz que hoje o índice é de 10%. Então, para que a decisão judicial? Talvez não haja erro, mas falta clareza;

4) Aqui há ERRO. Segundo o texto ‘Arrecadação sobre o comércio crescerá 69%’ (Cotidiano, pág. C4), há em São Paulo 1,641 bilhão de isentos (do IPTU). É milhão, certo?

Beijos

A legenda da foto da pág. D1 (Esporte) afirma que Gil de Ferran beija a Miss Indy. A moça, porém, traz outra faixa, e há ao lado uma outra moça, essa sim com a faixa Miss Indy. Ficou estranho.

Edição de domingo, 28 de outubro

Ansiedade na sucessão

1) Não há nenhum sentido jornalístico que possa motivar um abre de página para o texto ‘Tasso afirma que ‘desafio está lançado’ (Brasil, pág. A8). Valeia, no máximo, uma Panorâmica;

2) Parece-me escandalosa, jornalisticamente, a ‘reportagem’ da pág. A15, ‘Empresariado espera candidato governista para declarar apoio’. Fala-se em ‘grandes empresários’, ‘empresários em geral’, sem base em nenhuma pesquisa científica ou, ao menos, em declarações assumidas. É mau jornalismo. A Folha, se quer pressionar para que FHC e PSDB, Serra etc se definam logo, deveria usar seu espaço editorial e não reportagens como essa;

3) O jornal deste domingo é um prêmio aos ‘desenvolvimentistas’, em especial aos irmãos Mendonça de Barros. Luiz Carlos ganhou pingue-pongue de página inteira (A17), além da difusão de seu ‘programa’ (por que não se menciona que ele é colunista da Folha?); José Roberto ganhou pingue-pongue de meia página (B9). Isoladamente, as iniciativas até podem se justificar em termos jornalísticos. Mas vistas de conjunto, numa única edição, são bastante reveladoras de uma tendência que o jornal deveria cuidar para não assumir nas páginas de reportagem. A mesma tendência cujo título está na pág. A16: ‘Debate eleitoral antecipa fim da era Malan’;

4) A coluna ‘Lições contemporâneas’, de Aloizio Mercadante, à pág. B2, tem muito pouco de artigo. Claramente, o espaço é utilizado para a propaganda das posições do PT, como um espaço de pessoa jurídica.

Se a coisa vai nesse andor um ano antes das eleições, imagine o que acontecerá com a Folha durante a campanha eleitoral...

APS

Não vi na Folha a notícia da demissão de um assessor de Malan que usufruía de relação com o lobista APS, do caso Saúde/Novartis. O caso estaria ligado a reportagem da ‘Época’ sobre a atuação do lobista.

Agenda versus notícia

Dar o abre de página para ‘Argentina deve anunciar novo pacote hoje’ (Dinheiro) é privilegiar agenda em detrimento de notícia. O pacote foi adiado mais uma vez... A reportagem da pág. B3 ‘Encomendas de Natal indicam recuperação econômica’, essa sim merecia ser abre do caderno, até por surpreender.

E a inflação?

1) Afirma a retranca ‘Em 5 anos, folha de pagamento cresce 22%’ (Cotidiano, pág. C1) tem erro. O que cresceu nesse percentual foi o gasto conjunto com as universidades federais. Segundo o próprio texto, o crescimento da folha entre 95 e 2000 foi de R$ 4,6 bi para R$ 5,8 bi, ou seja, 26%. Certo?;

2) Além disso, o texto ignora a inflação do período (de 95 a 2000). Se ela for considerada, pode-se dizer que houve mesmo crescimento (real)?

Correr atrás do prejuízo...

A expressão, bem pouco recomendável, está no terceiro parágrafo do texto ‘Castração de garotos assombra o Maranhão’ (pág. C4).

Outra expressão (erro, na verdade) estranha está na primeira linha de ‘Mercado podre afasta multinacionais do refino’ (Dinheiro, pág. B8): ‘A falta de desinteresse...’. É falta de interesse, certo?

Ingressos à venda

Segundo um leitor, diferentemente do que afirma a retranca ‘Torcida corintiana será ‘escudo’ (Esporte, pág. D3), foram disponibilizados 23 mil ingressos (20 mil em Santos e 3 mil em São Paulo), não 26 mil, como indicam as contas no texto. A verificar.

Edição de segunda-feira, 29 de outubro

Manchete controversa

É no mínimo controversa (e ambígua) e manchete da Folha (‘Brasil não negocia mais com Cavallo’) Pode significar que o país só negociará com a Argentina se o interlocutor for outro que não o ministro daquele país, ou que não negociará mais com Buenos Aires enquanto Cavallo estiver no cargo. Comparando com o noticiário dos concorrentes, que afirmam com ênfase que Celo Lafer disse que as negociações serão retomadas hoje, a Folha parece estar um passo atrás. Na chamada e no texto interno (pág. A9), nada indica essa retomada em termos imediatos. Aguardemos os fatos.

Foto impublicável

O texto-legenda ‘Marcha’ (Brasil, pág. A1) traz foto de qualidade e informação visual impublicáveis num jornal como a Folha.

Defensoria homossexual

A reportagem ‘Defensoria para gays começa a funcionar’ (pág. C5) afirma que, segundo Fernando Quaresma, ‘muitos homossexuais sentem vergonha de levar seu problema a um advogado heterossexual...’, sendo este um dos motivos da criação dessa defensoria. O texto deixa em aberto, mas dá a entender, portanto, que só advogados gays poderão ali trabalhar. É isso mesmo? E isso não seria discriminação? Faltou explicitação.

Nova guerra (2)

Sim, pega mal a Folha publicar só hoje (segunda-feira) texto do ‘NYT’ reproduzido na sexta-feira pelo ‘Globo’, para o qual, aliás, chamei a atenção na crítica interna daquele dia.

Sísifo (fim de semana)

1) Faltou a idade da viúva de Jorge Amado em ‘Códigos de Zélia e Jorge’ (Ilustrada, E5, sábado);

2) Faltou o outro lado dos industriais nordestinos em ‘Gerdau e Odebrecht querem unidade na CNI’ (Dinheiro, pág. B5, domingo);

3) Faltaram as idades de Marcelinho e de Luxemburgo nas respectiva entrevistas, em Esporte (D2 e D3, domingo);

4) Faltou a idade de Edward Bond, autor britânico, em entrevista à pág. E4, Ilustrada, segunda-feira.

26/10/01 - Em dia relativamente fraco para manchetes, não sobrou outra coisa que não fosse a ‘nova guerra’. Pode-se dizer que, nesse aspecto, o conflito ‘facilita’ um tanto a vida dos editores das capas dos jornais. Se não há nada de verdadeiramente relevante, vamos mesmo com a guerra. Folha: ‘Achar Bin Laden é difícil, dizem EUA’; ‘Globo’: ‘Israel cede e decide se retirar de áreas palestinas’; ‘JB’: ‘Terror alterou antraz para multiplicar mortes’; ‘Estado’: ‘Taleban distribui armas entre civis e convoca jovens’.

Nova guerra

1) Os cadernos sobre o assunto, hoje, bastante ralos em termos de conteúdo, refletem que começam a se tornar mais raras e de apuração ainda mais difícil as notícias sobre a ‘nova guerra’. O que realmente está acontecendo na desolação do território afegão, ninguém sabe. Temo que comece a ocorrer muita ‘encheção de linguiça’. Vale a pena, creio, verificar até que ponto a Folha já não o está fazendo. A entrevista do secretário de Defesa, Rumsfeld, não merecia uma página inteira. O essencial do que ele disse já consta do próprio abre do caderno;

2) Algumas informações relevantes que não vi na Folha hoje: um ex-oficial do Taleban afirmou ao ‘Guardian’ que está havendo deserção significativa nas fileiras da milícia; ao mesmo tempo, ela estaria armando jovens e civis para o combate (manchete do ‘Estado’, com material de seu enviado especial); segundo o ‘New York Times’, a maioria absoluta dos sequestradores seriam sauditas, o que deve complicar a relação entre os EUA e a Arábia Saudita.

A onda de Tasso

A ofensiva do governador cearense em busca da candidatura a presidente da República foi tão forte na semana que já causa impacto no texto do jornal. A retranca ‘Assembléia cearense vai instalar CPI do BEC’ (Brasil, pág. A7) já a considera um fato consumado. ‘A tensão provocada pela candidatura de Tasso à Presidência...’, diz um trecho. ‘Os deputados do PPS estão descontentes com a candidatura de Tasso...’, afirma outro. Devagar com o andor.

Visão restrita

A não ser por um registro indireto no Painel, o jornal não noticiou a posse do suplente de Jader Barbalho no Senado ontem. Obviamente, também não conseguiu relacionar o evento à votação do Conselho de Ética que decidiu não abrir inquérito por falta de decoro contra o senador Luiz Otávio (noticiada em Panorâmica à pág. A8). Fernando Ribeiro, o novo parlamentar, poderá ser o primeiro beneficiado pela jurisprudência dessa decisão, que se baseou no fato de que as irregularidades cometidas por Luiz Otávio teriam ocorrido antes de ele ser parlamentar.

EJ, Suassuna, FHC

Crescem os sinais, inclusive no noticiário de hoje, de que a nomeação de Ney Suassuna para o Ministério da Integração Nacional teria feito parte de um acordo para o arquivamento do caso EJ no Senado. Faltou o jornal ouvir o próprio EJ sobre o assunto.

Soletur

1) A notícia da falência da maior operadora do país é de grande impacto. Na cobertura da Folha, há informações para os consumidores, mas falta contundência com relação aos motivos que teriam levado a firma à falência, além dos alegados oficialmente. Segundo o ‘Globo’, o Ministério Público abriu ontem mesmo inquérito para investigar a falência e pediria à delegacia de crimes contra o consumidor abertura de inquérito policial;

2) O jornal do Rio também traz um interessante material didático, mostrando como funciona o sistema de turismo no país (operadoras, agências etc);

3) Na Folha, por falar em didatismo, faltou explicar a diferença entre falência e concordata. Algumas das pessoas ouvidas mencionam esta última modalidade como uma alternativa que teria sido menos custosa para os clientes. Como o assunto atrai leitores de forma mais ampla, todo didatismo será pouco nesse caso.

Vem comigo...

A coluna de Luiz Carlos Mendonça de Barros (Dinheiro, pág. B2), esclarecedora em relação aos passos dados por José Serra, traz ao pé o endereço do site (negócio pessoal) de seu autor. É o mesmo que faz a de Luís Nassif, na página seguinte. Tenho dúvidas quanto à legitimidade jornalística dessa espécie de propaganda indireta. Faria sentido, por exemplo, Rosely Saião ou Contardo Calligaris colocarem ao pé de suas colunas os telefones de seus respectivos consultórios? Creio que não.

Evolução

Para o jornal, não deveria bastar a simples apresentação de dados ou notícias. É preciso ir mais longe. Na reportagem ‘Comércio internacional vai ficar estagnado em 2001, afirma OMC’ (Dinheiro, pág. B4), por exemplo, informa-se que o Brasil ocupa a 28a colocação no ranking de exportadores. Pergunto: o país avançou ou recuou? Qual era a colocação em anos anteriores?

Garante mesmo?

Mais uma vez, apesar do ‘Manual’ e da insistência do ‘Programa de Qualidade’, uma retranca utiliza o verbo garantir de modo inadequado na Folha (‘Sindicato acusa risco de vazamento’, Dinheiro, pág. B5). E o faz duas vezes: ‘ A Petrobrás garante que não há...’; ‘A Petrobrás garante que a produção...’.

Conversa de taxista

Duas observações sobre o texto ‘Marta oferece reajuste de 12,7% a taxistas, que ameaçam parar’ (capa de Cotidiano):

1) Falta explicar em que cálculos se baseia o sindicato da categoria para pedir uma elevação de 37% na tarifa por quilômetro rodado;

2) Em conversa hoje com um taxista, entendi que o sindicato tem interesse no aumento, entre outros motivos, porque as mensalidades dos sócios são calculadas com base nas tarifas. Para mim, leigo absoluto, foi novidade saber disso. Para a grande parte dos taxistas, segundo esse motorista, o ideal talvez fosse uma redução, para haver mais viagens, e não um aumento. Acho que vale a pena ir atrás dessa história, mostrar quantos dos 33 mil taxistas da cidade são membros do sindicato, as divisões etc.

Padre Marcelo

Por não explicitar qual seria o problema ou a inadequação da iniciativa, o abre da pág. C6 (Cotidiano), ‘CD do padre Marcelo sorteia visita ao papa’, pode muito bem passar por uma propaganda gratuita do produto. Nesse sentido, o mais lógico teria sido um registro em Panorâmica. Vale a pena retomar o caso criticamente.

25/10/2001

Folha (‘FMI aborta negociação com Argentina’) e ‘JB’ (‘Um milhão de mutuários em risco’) sinalizam, com suas capas de hoje, que começa a chegar o momento de reequilibrar as prioridades, no aguardo de informações de primazia inquestionável sobre a ‘nova guerra’ para que este tema volte a ser manchete. ‘Estado’ (‘Câmara dos EUA aprova pacote de US$ 100 bilhões’) e ‘Globo’ (‘Talibãs usam civis como escudos contra bombas’) mantêm o conflito como notícia principal hoje.

Nova guerra

1) Onde está o correspondente da Folha na região do conflito? Sumiu das páginas do jornal nos últimos dias. O concorrente local continua ali. Faz diferença para a cobertura;

2) Não é prioridade do ombudsman procurar erros formais no jornal, mas chama demais a atenção a retranca ‘Foz quer apoio contra denúncias infundadas’ (Mundo, pág. A14), que traz logo no lide um ‘haja’ em vez de um ‘aja’. É vergonhoso para a Folha. O mesmo texto traz também um ‘pastel’ na segunda linha do quarto parágrafo;

3) A reportagem ‘ONU critica ataque em aldeia’ (pág. A15) suscita uma importante discussão e mostra como o jornal está vulnerável a inclinações e parcialidade, até mesmo involuntárias, nessa cobertura. A edição desse texto é, digamos, antiamericana. Só de passagem, em seu décimo parágrafo, sem nem mesmo um intertítulo, o texto menciona a informação de que o Taleban estaria usando civis como ‘escudo’ (manchete do ‘Globo’). A informação merecia retranca à parte ou, no mínimo, presença na sobrelinha da reportagem. Tal como está, a Folha ‘esconde’ o assunto;

4) Outra subestimação se configura no texto ‘Aliança fala em ganho territorial’ (mesma página), o qual ‘esconde’ no pé a informação de que oficiais americanos acreditam que, ao contrário do que se tem dito, o inverno poderá ajudar as forças americanas no Afeganistão;

5) Pertinente e esclarecedor o mapa da Cisjordânia publicado à pág. A16. Faltou apenas incluir dados de dimensão (área), informação relevante para entender a temperatura e a densidade dos confrontos. A Cisjordânia, salvo engano, é menor do que a Grande São Paulo...

6) Falha a Primeira Página ao não trazer a notícia da aprovação, pela Câmara, do pacote de US$ 100 bi para a economia americana;

7) Não vi na Folha a notícia da queda de uma fachada de um prédio em NY que matou pelo menos quatro pessoas. Nas atuais circunstâncias, é uma informação bem relevante;

8) Registro para a curiosa retranca do ‘Globo’ com o perfil do suposto intérprete taleban, aquele de tapa-olho, presença permanente ao lado do embaixador da milícia no Paquistão;

9) Segundo a ‘Reuters’, o governo francês proibiu um serviço de imagens por satélite de vender à mídia fotos do Afeganistão. Chirac pode ainda não ter enviado tropas, mas está atento como aliado de Bush.

População

A retranca ‘200 podem ter morrido em massacre’ (pág. A17) afirma que a Nigéria tem 12 milhões de habitantes. O país tem no mínimo 115 milhões de habitantes.

Suassuna

O jornal deve ao leitor o perfil daquele que será, segundo o noticiário de hoje, o novo ministro da Integração Nacional.

O jogo de FHC

Segundo a retranca ‘Planalto troca ministros para tentar barrar Itamar’ (Brasil, pág. A4), a estratégia prioritária do Planalto é impedir que a candidatura do governador mineiro deslanche. É curioso que uma reportagem no ‘Estado’ (‘Agora, Planalto quer incentivar Itamar’) e uma nota na coluna Mônica Bergamo (‘Dois menos dois’) apontem exatamente para a direção inversa. Difícil saber o que está correto. Mas que o leitor tem o direito de ficar confuso, isso ele tem.

EJ

Faltou lembrar no material de hoje sobre o caso EJ (‘Comissão arquiva investigações sobre Eduardo Jorge’, pág. A5) que o ex-secretário-geral esteve com FHC poucas semanas atrás. Salvo erro de memória, já estava inclusive vago o ministério da Integração Nacional.

Papel do jornal

A Folha cumpriria melhor o seu papel se desse ao leitor alguma noção comparativa em relação ao discurso do presidente (‘FHC condena hegemonia norte-americana’, pág. A9). As palavras de FHC são fortes e claras, contundentes. Mas terá sido essa a primeira vez que ele utiliza esse tom? Cabe ao jornal subsidiar o leitor no entendimento desse aspecto. Cada vez mais, são coisas desse tipo que poderão diferenciá-lo de TV, rádio, internet etc.

Lacunas da lama

Ao menos três importantes informações faltaram no jornal hoje:

1) A Justiça bloqueou ontem a aposentadoria de Lalau;

2) O TCU bloqueou ontem bens da OAS no caso do aeroporto de Salvador;

3) A Justiça autorizou ontem a quebra do sigilo telefônico do lobista APS (caso Saúde/Novartis).

Mistura

A retranca ‘American perde US$ 525 mi no 3o trimestre’ (pág. B6) começa dizendo que a American Airlines ‘anunciou ontem o tamanho do estrago causado pelos atentados terroristas...’. Ora, na verdade, o resultado é do trimestre julho-agosto-setembro. Portanto, só pega 19 dias da ‘nova guerra’. O lide só se justificaria (talvez) se o texto mostrasse o quanto esses dias pesaram no conjunto.

IPTU e a perda

Texto e sobrelinha de ‘Marta fixará teto para reajuste de IPTU’ (capa de Cotidiano) afirmam que, com essa mudança, a Prefeitura perderá R$ 100 mi em 2002. Na verdade, esse montante deixaria de ser arrecadado, como se entende lendo o conjunto. Ninguém pode perder o que não tem.

Sísifo

1) Faltou a idade do homem acusado de usar e-mail da empresa para distribuir fotos pornográficas, em ‘Seguradora é punida por violação de e-mail’ (pág. C5);

2) Faltou a idade do presidente da CBF em ‘Teixeira fica afastado até o ano que vem’ (Esporte, pág. D2).

Outro lado

O texto ‘Justiça libera sigilos da CBF para o Ministério Público’ (Esporte, pág. D2) traz em seu 14o parágrafo informação de que o advogado da CBF informou ter obtido ontem à noite nova liminar que contraria a decisão registrada no título. Ora, essa informação deveria, no mínimo, estar na sobrelinha, ou logo após o lide.

Didatismo

1) Não dá para entender o que significa na prática ‘direito de retaliação comercial’ (Brasil pode voltar à OMC para pedir nova condenação contra o Canadá’, Dinheiro, pág. B3). Como isso se dá, ainda mais havendo um número/limite preestabelecido para essa retaliação? Não custa explicar;

2) Também não custava informar qual é a atual taxa de juros anual dos EUA na retranca ‘Ataques paralisaram economia, diz Fed’ (pág. B6), em cujo pé se diz que ela (taxa) está no nível mais baixo das últimas quatro décadas.

24/10/01 - Com exceção do ‘Estado’ (‘Antraz é achado em área do correio da Casa Branca’), o qual nisso (opção pelo bioterrorismo como manchete) se alinha com os diários norte-americanos, os principais jornais do país hoje saem com ênfase para notícias militares da guerra. Folha: ‘Erro em ataque atingiu área civil, admitem EUA’; ‘Globo’: ‘Bombas destroem bases de Bin Laden no Afeganistão’; ‘JB’ (mais ‘analítico’): ‘Três faces da guerra americana’.

Nova guerra

1) Mais uma vez aparece no jornal referência ao mar da Arábia (legenda de foto à pág. A13) sem qualquer indicação ao leitor a respeito de onde ele fica. No mapa, à mesma página, não se vê nenhum mar da Arábia;

2) Padronização: nesse mapa, a cidade de Charicar (grafia conforme o texto ‘Helicóptero dos EUA é atacado no Paquistão’) aparece como Charikar;

3) Louvável a idéia do quadro ‘A guerra de informações’ (pág. A13). O ideal seria mantê-lo, se possível, diariamente, com atualizações. Poderá, se bem trabalhado e mantido, transformar-se num símbolo de uma cobertura de guerra que ao menos procura fugir da parcialidade;

4) O texto ‘Para EUA, célula terrorista alemã ajudou a planejar atentados’ (pág. A14) dá de barato que os nomes ali mencionados sejam mesmo de sequestradores dos aviões usados em 11 de setembro ou de cúmplices. Não dá para cravar, ainda. Por enquanto, são ‘supostos’, ou apontados como responsáveis pelos EUA;

5) Parece-me bem desinteressante, para o caderno, hoje, a entrevista publicada à pág. A17 com o pensador francês Legendre. Fora de contexto. Não entendi por que tanto espaço para ela.

Primeira Página

Ficou solta na capa a arte ‘Como estão os salários dos professores’. Existe uma remissão para a página C-1, mas isso não elimina a necessidade de que houvesse ao menos algum texto noticioso/explicativo sobre ela.

A onda de Tasso

Um detalhe sobre o evento de segunda-feira que inaugurou em São Paulo a campanha do governador cearense: segundo reportagem à página A6, seu discurso/palestra durou 27 minutos. Já a coluna Elio Gaspari (mesma página) diz que Tasso ‘falou por pouco mais de meia hora’. O dólar não vai subir por causa disso, mas, afinal, trata-se de um jornal, não dois.

Vai mesmo?

O jornal não deveria repetir erros do passado. Uma coisa é Paulo Maluf dizer que vai fazer alguma coisa, outra é ele fazê-la, efetivamente. O que, aliás, não vale apenas para o ex-prefeito. Por isso, mesmo que a promessa se confirme no futuro, está errado o título ‘Maluf vai processar delegado que o conduziu à força à PF’ (Brasil, pág. A8) e seu respectivo lide. Como saber se ele vai mesmo?

Sem motivo

A retranca ‘Justiça permite que Tereza Grossi reassuma cargo de diretoria do BC’ (Brasil, pág. A8) não informa o motivo pelo qual essa decisão e a da suspensão da quebra de sigilos foram tomadas. Faltam provas? Há erro formal?

Novo demônio

A nova figura no cenário da lama nacional é Alexandre Paes dos Santos, ‘o maior lobista de Brasília’ (Panorâmica, pág. A8), realçado pelo caso Saúde/Novartis. De onde vem esse sujeito? Qual é o seu perfil?

Dimensões

Brasil e Argentina tentam fechar uma lista de 8.200 itens ‘sensíveis’ para negociar (via Mercosul) com a União Européia, informa a reportagem ‘Brasil e Argentina não chegam a acordo sobre redução de tarifas’, Dinheiro, pág. B5. O mesmo texto lembra que em junho a UE fizera proposta envolvendo 90% da pauta de comércio entre os dois blocos. A dúvida: qual porcentagem dessa pauta esses 8.200 itens significam? Estão longe ou perto dos 90%? Quais são, portanto, dentre outros pontos, claro, as ‘divergências’ entre os blocos nesse caso de comércio internacional? Não está claro.

O pessimismo da Folha

De acordo com a reportagem (e respectiva arte) ‘Brasil cresce apenas 1% em 2001, segundo previsão do Banco Mundial’ (Dinheiro, pág. B9), a projeção do Bird é de que o país irá crescer 2% em 2002. Com base na mesma fonte, o ‘Globo’ fala em 3,5%. O mais provável parece ser o que afirmam ‘Valor’, ‘JB’ e ‘Estado’. O Bird, segundo esses jornais, prevê crescimento entre 2% e 3,5% para 2002. Se for isso mesmo, a opção da Folha pelos 2% é arbitrária e joga lenha na fogueira daqueles que consideram o jornal um órgão sempre pessimista. Pior do que isso: está-se dando ao leitor uma informação deturpada.

Petroleiros

As greves de petroleiros (reportagem da página B10) têm tradição de forte conteúdo político. Nesse sentido, é importante deixar sempre claro para o leitor quais ‘tendências’ seguem as entidades que dirigem o movimento. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) é ligada à CUT? À Força Sindical? A nenhuma delas? O jornal não informa.

Voto na USP

Não dá para saber, a partir de ‘Primeiro turno tira um da disputa hoje’ (Cotidiano, pág. C4), como são formados o colegiado de 1.500 pessoas e o ‘coleginho’ de 267 votantes que definem os primeiros nomes da eleição para reitor da USP. O que são ‘congregações’, cujos representantes, se entendi bem, formariam esse colegiado? A eleição indireta, na USP, é polêmica. Quanto mais clareza, melhor.

Outro lado

Faltou o ‘outro lado’ da polícia (ou do governo) na retranca ‘Falta velocidade de reação, diz ex-secretário’ (Cotidiano, pág. C6), na qual Eduardo Muylaert diz que a polícia ‘só reage depois da gritaria’.

Garrincha

Tudo bem que o jogador seja figura histórica muito conhecida, mas faltou ao menos colocar entre parênteses os seus anos de nascimento e morte em ‘Disputa sobre Garrincha ganha dois novos recursos na Justiça’ (pág. C8).

Notas?

Diluir uma reportagem em duas, três, até quatro notas nos ‘painéis’ do jornal, ainda vai. Mas o Painel FC hoje exagerou. São nove notas (todo o módulo da esquerda) em continuidade. Creio que isso tira sabor e quebra as características desse tipo de coluna.

Didatismo

A retranca ‘Guga faz estréia na Suíça aliviado’ (pág. D4) afirma, a certa altura, que a série principal da ATP ‘não engloba challengers’. O que vem a ser isso? Não há explicação.

23/10/01 - Enfoques diferentes, hoje, nas manchetes, embora nenhuma traga informação exclusiva. Todas se voltam, mais uma vez, para a guerra ou assuntos cruzados com ela. Folha: ‘EUA e Aliança do Norte fazem o 1o ataque conjunto’; ‘Estado’: ‘Tropas terrestres britânicas prontas para iniciar ação’; ‘Globo’: ‘EUA pedem para Israel sair de territórios palestinos’. O ‘JB’ optou por sair sem manchete em sua capa, mas produziu um ‘pendant’ interessante de fotos sobre o conflito.

Nova guerra

1) Há risco de confusão na maneira como ficou redigido o último parágrafo do abre do caderno (‘EUA e Aliança do Norte fazem ofensiva conjunta’). Afirma-se que, ao contrário do que informam ‘autoridades’ do Taleban, os EUA negam a queda de dois helicópteros seus no Afeganistão. OK. Teria sido, porém, mais adequado rememorar que os EUA admitem, sim, ter havido acidente com um helicóptero, com duas mortes, mas que ele teria ocorrido no Paquistão;

2) O número oficial de mortos/desaparecidos no WTC é de 5.119, segundo o pé de um texto-legenda à pág. A11. Esse montante, de acordo com texto trazido pelo ‘Estado’ no sábado (com base em texto da ‘AP’), era de 4.923. A diferença é bastante grande para ocorrer em tão pouco tempo. Vale a pena checar;

3) O ‘Sunday Times’ traz interessante reportagem (reproduzida no concorrente local) mostrando indícios de que o avião sequestrado que caiu na Pensilvânia poderia ter como alvo a usina nuclear de Three Mile Island;

4) Faltou mapa na retranca ‘Naufrágio deixa 350 mortos na Indonésia’ (pág. A12).

Orçamento de SP

Diferentemente do que fez no caso municipal, a Folha não mostrou até o momento como está composta, em detalhes, a proposta orçamentária do Estado de SP para 2002. Tem dado cobertura ao conflito entre Judiciário e Executivo (hoje há a retranca ‘Governo tenta desbloquear Orçamento’, pág. A5), mas não propiciou ao leitor a oportunidade de saber em que o governo Alckmin planeja gastar seu dinheiro. Não seria o caso de um detalhamento crítico?

Só para iniciados

A reportagem ‘FHC dá início à reforma e confirma Aloysio na Justiça’ (Brasil, pág. A7) afirma, a certa altura, que Euclides Scalco, um dos cotados para ocupar a Secretaria Geral da Presidência, tem contra si o fato de não saber ‘operar o ‘balcão’. O que quer dizer isso? O texto do jornal não deve ser redigido apenas para os que conhecem os códigos. Sobre a reforma ministerial, aliás, registro para informação de que o porta-voz George Lamazière estaria trocando a função pelo consulado em São Francisco (Califórnia) e que Sarney Filho (Meio Ambiente) também já está aprontando as malas para deixar o governo. Li na concorrência.

O almoço de Marta

Por falar em concorrência, é interessante registrar que as colunistas Tereza Cruvinel (‘Globo’) e Dora Kramer (‘JB’, ‘Estado’), assim como a Folha (‘Marta usa ameaça para tentar negociação’ (Cotidiano, pág. C4), trazem hoje o mesmo material sobre a prefeita paulistana, resultado de um almoço realizado no sábado entre ela e jornalistas. Como se tratou de uma ‘coletiva’, é compreensível que as informações se repitam. O que não dá para entender, em princípio, é o motivo pelo qual nenhuma dessas reportagens saiu no domingo, ou ao menos na segunda-feira, já que trazem informações de certa relevância (negociação da dívida federal e o futuro pessoal de Marta). Se houve um acordo entre os três jornais, não terá sido em benefício do leitor.

Quem decide?

A retranca ‘Justiça quer adiar exame da UFRJ’ (Cotidiano, pág. C4) informa que a Ministério Público Federal do Rio deve entrar com ação civil pública para adiar o vestibular da universidade. O que não fica claro, é quem vai decidir. É a Justiça? Qual instância?

Sísifo

1) Faltou a idade da viúva de Mário Covas em ‘Internada, Lila envia mensagem’ (Brasil, pág. A6);

2) Na interessante reportagem de capa de Esporte (‘Brasil supera rigor europeu’), faltaram as idades dos quatro árbitros mencionados na retranca ‘Nova geração...’;

3) Da mesma forma, faltou a do atacante chileno na Panorâmica ‘Marcelo Salas sofrerá cirurgia no joelho’ (pág. D1);

O pênis de Garrincha

A Folha desperdiçou (ou ‘escondeu’) em duas notinhas do Painel FC a saborosa história do parecer jurídico de um desembargador comentando as dimensões do pênis do jogador no processo referente ao embargo de sua biografia. Tenho dúvidas se valeria chamada na Primeira Página (como fez o ‘Globo’, por exemplo), mas sem dúvida um side ou um abre de página interna seriam mais consistentes com a notícia.

Por inércia

A situação argentina é importante, crucial. Ponto pacífico. Mas creio que o jornal às vezes exagera no espaço dedicado a ela. Hoje, por exemplo, a retranca ‘Governo e Províncias não chegam a acordo para anunciar novo pacote’ (pág. B3) é uma antinotícia. A rigor, a novidade estaria no pé do texto (pesquisa de opinião sobre o que pensam os argentinos a respeito de dolarização).

Números

1) Informa o abre ‘EUA vão ampliar protecionismo no aço’ (Dinheiro, pág. B4) que ‘cerca de 3% da produção anual de 9,5 milhões de aço brasileiro são destinados às indústrias norte-americanas’. Duas dúvidas: 1) 9,5 milhões de quê? Toneladas?; 2) Em trecho anterior, afirma-se que só a CSN produz anualmente 960 milhões de toneladas. Há alguma coisa errada;

2) ‘Brasileiro reduz gasto com cartões lá fora’ (Dinheiro, pág. B10) informa que, segundo a Credicard, esse tipo de gasto deve chegar a R$ 1,9 bilhão neste ano, para todos os cartões (‘bandeiras’). Pouco adiante, a Visa estima em US$ 800 milhões os gastos só com a sua bandeira. Daria, grosso modo, R$ 2,2 bi. As estimativas são divergentes demais. Ou há algum equívoco nos números ou a reportagem deveria comentar essa disparidade.

Guerra de papel

Registro para o virulento editorial do ‘JB’ hoje contra a editora Abril (‘Delinquentes da Imprensa’), a propósito de reportagem da revista ‘Veja’ nesta semana sobre suposto envolvimento de Nelson Tanure no caso do lobista APS.

Errei

Ao contrário do que afirmei ontem na nota ‘Tudo ou nada...’, Esporte publicou, sim, o resultado da competição da qual participou, após quatro anos de suspensão por uso de doping, o nadador Hugo Duppre. Foi numa Panorâmica, à pág. D7, no domingo.

22/10/01 - As ações militares e a perspectiva de sua intensificação antes do inverno afegão são tema das manchetes de hoje, depois de um fim de semana em que, mais uma vez, o bioterror dividiu o espaço da mídia com os ataques anglo-americanos. Folha: ‘EUA esperam tomar Cabul em breve’; ‘Estado’: ‘Forças dos EUA se aproximam da capital afegã’; ‘JB’: ‘EUA abrem nova frente na guerra’; ‘Globo’: ‘EUA querem derrubar Talibã até dezembro’.

Nova guerra (fim de semana)

1) A Folha de fato esqueceu os escombros e os mortos do WTC. Segundo texto publicado no ‘Estado’ sábado, o número oficial, agora, está em 4.923;

2) O texto de abre do caderno no sábado (‘EUA iniciam ataque por terra a tropas do Taleban’) afirma que o porta-aviões Kitty Hawk está no mar das Arábias. Onde fica isso? Na arte interna (página A14), ele aparece no oceano Índico;

3) O mesmo texto afirma que os EUA possuem 45 mil tropas em suas forças especiais. Não seriam 45 mil homens ou militares? Tropa não é um conjunto de soldados?

4) Dois títulos forçam a barra em relação aos respectivos textos. O primeiro é a retranca ‘Garotos vão morrer’, afirma veterano russo’ (sábado, pág. A14), segundo a qual um ex-coronel entrevistado considera que ‘muitos desses garotos americanos PODEM morrer’. O segundo é ‘Taleban desafia EUA, mas faz proposta’ (abre da página A15). A rigor, a milícia não fez proposta nenhuma. Admitiu apenas que estaria disposta a negociar um cessar-fogo. Não dá para ser levado a sério como proposta;

5) Faltou um mapa no texto ‘Israel mata 6 palestinos após ultimato’ (pág. A18, sábado). Várias localidades são mencionadas. Fica uma grande confusão;

6) Sobre esse conflito, aliás, vale registrar reportagem do ‘Globo’ (segunda), de acordo com a qual os trabalhistas ameaçam deixar o governo de Israel;

7) A reportagem ‘Apec evita respaldar ação do EUA’ (segunda, pág. A19) afirma que o encontro de líderes em Xangai reuniu representantes de 19 países. Na foto oficial do evento, no alto da página, porém, contam-se 20 pessoas. Qual é o certo?

8) A reportagem ‘Serviço telefônico para tirar dúvidas sobre o antraz tem falhas’ (pág. A14, domingo) indica o endereço da Funasa na internet como ‘local’ em que o leitor pode ficar sabendo telefones de alguns Estados para obter informação regional. Está errado, creio, delegar à web a tarefa. Pelo menos uma parte dessas informações, além da de Brasília (que consta), deveria estar disponível no papel. O jornal ainda tem essa função. Mandar o leitor para a web, creio, só deve acontecer quando os dados forem impublicáveis (por espaço) ou como complementação, não por abdicação;

9) O título e o lide do texto ‘EUA atacam Candahar por terra’ (pág. A20, domingo) deveriam ser para a notícia da morte de dois soldados norte-americanos durante operação na sexta-feira à noite. Foram as primeiras baixas dos EUA, ao que tudo indica. O fato tem, no mínimo, valor histórico importante;

10) Não vi na Folha relato sobre a reunião que teria ocorrido na quinta-feira entre representantes da mídia e o secretário de Defesa, Rumsfeld, sobre a cobertura da guerra (o ‘Globo’ traz o assunto em sua edição de hoje);

11) Um leitor lembra que o material histórico que mostra a incidência de ataques biológicos desde o século 14 (pág, A15, domingo) não menciona o uso de contaminação por cadáveres coléricos ordenado pelo Duque de Caxias na Guerra do Paraguai. O ‘JB’ trouxe no fim de semana reportagem sobre isso.

Discutível nota

A nota ‘Orçamento próprio’ do Painel de sábado (pág. A4) caracteriza Goro Hama como uma ‘discutível figura...’. O que isso quer insinuar? Aliás, quem é Goro Hama? Será que o leitor médio sabe?

Tudo ou nada...

Na edição de sábado, Esporte dedica meia página (é o abre da D4) à volta de Hugo Duppre às piscinas depois de quatro anos de suspensão por doping. Procurei ontem e hoje no jornal o resultado de seu desempenho na competição que ocorreria no fim de semana. Não encontrei nada. Ele competiu? Ganhou? Sumiu.

E o outro lado?

1) Três urbanistas foram ouvidos em ‘Para especialistas, Plano Diretor é genérico’ (sábado, pág. C3). Nenhum favorável ao projeto da prefeitura foi ouvido. Nem mesmo o secretário, Jorge Wilheim. Mais uma vez, água no moinho daqueles que afirmam que a Folha ‘persegue’ Marta;

2) Senti falta da versão do laboratório Novartis no material ‘Agenda de lobista envolve tucano e assessora da Saúde’ (pág. A4, segunda). Envolvida no caso, o que a empresa afirma?

Como se retalia?

O material encabeçado por ‘Brasil obtém vitória sobre o Canadá na OMC’ (Dinheiro, sábado) menciona repetidas vezes a possibilidade e o direito de retaliação comercial. O que vem a ser isso na prática? Como um país, legalmente, pode retaliar outro? Não há explicação.

Sísifo

1) Faltou a idade do ex-diretor da ANP em ‘Zylbersztajn rompe tendão-de-aquiles em jogo e adia volta à universidade’ (Panorâmica, pág. B4, Dinheiro, sábado);

2) Faltou o perfil político (histórico) do prefeito de Belém no pingue-pongue ‘Ala esquerda acusa Lula de domesticar PT’ (pág. A7, domingo);

3) Faltou a idade do veterano César Sampaio, na entrevista com o jogador publicada à pág. D4, Esporte, domingo;

4) Faltou a idade do ministro Paulo Renato no pingue-pongue à pág. C7 (domingo);

5) Faltaram idade e dados sobre a formação da (pouco conhecida) cientista política Eli Diniz na entrevista publicada à pág. A9 (segunda);

Ford ou Volks?

Segundo um leitor, o presidente da Anfavea, morto na sexta, começou carreira na indústria automobilística na Volkswagen, não na Ford, como diz texto ‘Morre Célio Batalha...’ (domingo, pág. B6).

Pretos, pardos...

A arte na capa do caderno ‘Menos iguais’ (FolhaTrainee) traz barra segundo a qual 45,3% da população são brancos. Esse percentual se refere a negros. O dado está invertido. Na mesma arte, a legenda de retângulo preto registra ‘negros e pardos’, quando deveria registrar, de acordo com os textos, ‘pretos e pardos’, já que ‘negros’ não aparece na classificação do IBGE.

Exagero

Tudo bem que seja meritosa a ação da Pastoral da Criança, mas a reportagem ‘Guerra incentiva ‘exportação’ de pastoral’ (segunda, pág. C3) exagera no tom laudatório.

Depreciação

É depreciativa a legenda da foto (pág. C3, segunda) segundo a qual o frade franciscano ‘se diz especialista em sexualidade’. Por que o ‘se diz...’? Se o jornal não sabe se ele é mesmo ou não, deveria escrever a legenda de outra forma. Nada na reportagem indica que o personagem em questão seja uma espécie de impostor.

Didatismo de fora

O texto de abre da Folhainvest (segunda) é impenetrável para quem tenha menos de alguns meses de experiência em economia. Faltam didatismo e clareza. Sobram conceitos cifrados.

Garante mesmo?

A reportagem ‘Gastos com juros serão menores em 2002’ (Folhainvest, pág. B6) usa o verbo garantir de modo inadequado, desaconselhado pelo ‘Manual’."


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