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PROVÃO DE JORNALISMO
UniverCidade ou Univer$idade

Alberto Dines

O "provão" mostrou o descalabro do ensino de jornalismo. Mas está revelando um dos mais estranhos conluios da imprensa carioca: a ligação da UniverCidade, de propriedade de Ronald Lewinsohn (o homem que quebrou a Delfin e comprou o silêncio dos jornais do Rio em 1983) com o Jornal do Brasil.

Se já eram muito estranhos os anúncios de página inteira no respeitável jornalão carioca pagos por esta esdrúxula UniverCidade (cujo nome parte de um erro de ortografia), agora a coisa piorou. Os anúncios transformaram-se em panfletos difamadores contra aqueles que ousaram denunciar as escandalosas ligações do lobby do ensino superior privado com o Conselho Nacional da Educação.

E porque o professor José Arthur Gianotti teve a suprema coragem de colocar o dedo na ferida, o rancor Lewinsohn voltou-se contra ele. E o glorioso JB teve que resignar-se ao vexame. Acolheu na página de opinião um artigo de Gianotti respondendo à primeira pasquinada de Lewinshon e dias depois aceitou uma tréplica repulsiva paga pelo dito. Publicada no dia em que a imprensa paulista comemorava os 70 anos do famoso filósofo [veja abaixo a íntegra dos textos].

Enquanto isso, os colunistas de prestígio que mereceram os favores da Delfin nos idos de 80 descarregam suas baterias contra o provão, o ministro Paulo Renato e o MEC: atacar o governo é sempre um bom álibi.

Felizmente, algo movimenta-se. A Veja (edição de 1/3) relembra em três páginas alguns podres antigos e recentes do antigo amigo do general Golbery, autor do primeiro grande escândalo financeiro moderno. Faltou dizer muita coisa, sobretudo uma das manias do milionário: cercar-se de jornalistas e com eles fazer "pactos de sangue". Isso um dia vai aparecer, com todas as letras.

 

Picaretas, negligentes e boicotados

Marco Antonio Araujo (*)

É inaceitável a reação de algumas colegas professores e coordenadores de cursos de jornalismo com os resultados da Avaliação das Condições de Oferta de Cursos, realizada pelo MEC. A Avaliação pode ser uma verdadeira revolução no ensino superior brasileiro - e assim deve ser tratada. Primeiro, por desmascarar as condições precárias - notórias e históricas - em que se encontram as universidades públicas brasileiras. Num segundo plano, mais consensual, por dimensionar o embuste que é a maioria das nossas instituições privadas. No caso de jornalismo, é questão de vida ou morte para a própria credibilidade dos cursos: alguém tem dúvidas do estado miserável em que se encontra grande parte de nossas faculdades?

O fato de esses cursos estarem sendo avaliados in loco é um diferencial marcante. A tarefa de analisar o nível das instituições ficou a cargo de cerca de 100 professores de jornalismo - e não tecnocratas - que aplicaram um questionário elaborado por uma comissão composta por colegas de indiscutível capacidade profissional. Não bastasse, cada instituição já recebeu um relatório do MEC especificando o que é preciso mudar. Transparência inédita.

Essa turma de avaliadores é, em princípio, gente de respeito. Aceitaram uma tarefa pesada, quase braçal. Nas visitas, têm de destrinchar pilhas de papel e visitar bibliotecas e laboratórios, além de ouvir desaforos, desculpas e súplicas. As informações são digitadas em um software que cruza os dados e afere conceitos finais. Apesar dessa aparente objetividade, sempre haverá margem para imprecisões, intolerância, companheirismo ou piedade. Nada que não possa ser corrigido e aperfeiçoado nas futuras edições. Coisa pouca, comparada ao fato de, antes dessa primeira visita, em outubro de 99, o MEC nem sequer saber quantos e quais eram os cursos de jornalismo no Brasil - os mais antigos não recebiam uma comitiva oficial há quase vinte anos. O avanço é, portanto, motivo de comemoração cívica.

As diretrizes da Avaliação foram estabelecidas por professores de inequívoca capacidade. Nilson Lage, Hélio Schuch e Victor Gentilli - que inicialmente compuseram a Comissão de Especialistas do Ensino de Jornalismo - formaram a Comissão Especial de Assessoramento que definiu os critérios para a Avaliação. Esses cavalheiros toparam uma briga política, anticorporativa, da qual só é possível sair após angariar inimigos ou ingratos. No alto clero acadêmico, eles são considerados pragmáticos - uma espécie de palavrão para designar os inimigos dos comunicólogos (isso sim, uma ofensa escatológica) -, por valorizarem professores com experiência profissional e cursos que oferecem disciplinas teóricas específicas de jornalismo.

A fúria dos mal avaliados, repito, é insustentável. No caso das universidades públicas, então, beira o ridículo. Obter CI (Conceito Insatisfatório) em instalações era mais do que esperado, já que o MEC tem sido pródigo em avaliar, mas negligente em dar condições de trabalho. Estranhar que o corpo docente das federais - normalmente composto de doutores e mestres - seja avaliado como bom ou regular também não causa surpresa para quem sabe o quanto esses professores estão distantes do mercado de trabalho. Alguém aí é contra avaliar formação acadêmica juntamente com experiência profissional? É nítida a intenção da Avaliação em estimular a busca do equilíbrio entre teoria e prática.

Pacto da mediocridade

Outro aspecto gritante, mas ignorado, é a necessidade de cruzar os dados do Provão e da Avaliação. O Provão já levou muitas bordoadas, mas se consolidou a ponto de em sua última edição registrar, no total, ínfimos 1,4% de provas em branco. Continua apresentando desvios sérios: a nota final é dada à instituição de ensino a partir do desempenho de seus graduandos, cujas notas individuais são mantidas em sigilo, permitindo um descomprometimento do estudante. O aluno, por não estar sendo pessoalmente avaliado, pode muito bem fazer a prova sem nenhum entusiasmo, até mesmo porque as respostas são discursivas e trabalhosas. A Faculdade Cásper Líbero, por exemplo, tirou uma constrangedora nota D no Provão de 98, quando houve boicote de 43% dos formandos. Em 99, a abstenção ficou em 3%, e o conceito A veio corrigir a distorção - doze longos meses depois.

Dez dos 92 cursos de jornalismo avaliados ano passado tiveram percentual de respostas abaixo de 85% - na USP, o boicote teve apoio de 87% dos alunos, que puderam comemorar a gloriosa nota E outorgada à instituição.

Em jornalismo, o desempenho das instituições no Provão foi um pouco pior no ano passado, em comparação com a 1998. Segundo o Inep, 47 cursos (51%) regrediram na nota média de seus alunos e 32 (35%) evoluíram, enquanto 13 (14%) fizeram o exame pela primeira vez. Os alunos, em geral, foram sofríveis: 75% deles tiveram nota abaixo de 41, ou seja, não acertaram metade da prova. Para os demais 25%, a variação é de 41 a 93, sendo que a maior parte está concentrada na faixa que vai até 60. Raros foram os que tiveram nota maior que 70.

Diante da lista dos cursos que obtiveram nota A em 1999, é tentador considerar essas faculdades como as melhores do país. Não é bem assim. Principalmente porque a porcentagem de conceitos é predeterminada pelo MEC. Haja o que houver, 12% dos cursos terão conceito A; 18% serão B; 40% ficarão na média C; outros 18% estarão na faixa D e 12% serão lançados ao fatídico E. Não interessa o desempenho dos avaliados, haverá sempre uma elite de 12% contemplados com A e uma escória de 12% incinerada no E. O raciocínio pode ser invertido: mesmo que todos os cursos sejam horrorosos e pérfidos, 12% deles serão vistos como os melhores. Se atentarmos para as notas médias dos alunos, é fácil perceber como pode ser ínfima a diferença entre um A e um B.

Isso tudo para deixar claro: é cinismo coordenadores de cursos com nota A no Provão esbravejar por suas instituições serem avaliadas como regulares ou insuficientes em itens que nada têm a ver com o desempenho de seus alunos.

Se há algum mérito nesse processo desencadeado pelo governo é o de abalar o pacto da mediocridade que impera no ensino superior. Por bem ou por mal, as faculdades estão se mobilizando, assustadas ou estimuladas por esses exames contínuos. A ameaça de fechamento dos piores cursos tem um lado perverso, mas positivo, desde que o MEC de fato cumpra o que, por enquanto, é só ameaça: será histórico o dia em que um curso notadamente ruim for descredenciado. A dúvida, mais do que pertinente, é se há disposição política para isso, já que fabriquetas de diplomas é o que não falta.

Procedimento ignorado

O MEC informou que as aferições da Avaliação eram complementares às notas do Provão. Ninguém quer ouvir isso. Manchetes sangrentas anunciaram a falência do ensino de jornalismo no Brasil. Com uma certa razão, é verdade. Os números (ou melhor, letras, que é disso que o Inep gosta) são assustadores. Nenhum curso de jornalismo recebeu avaliação máxima - pelo contrário, tiveram o pior desempenho entre os 410 visitados pela comissão de especialistas do MEC: 44 dos 86 avaliados tiveram mais de dois CI (Conceito Insuficiente) e poderão perder o credenciamento se não corrigirem os defeitos - é o que manda a lei. Somados aos cursos também sujeitos a fechamento por receberem D e E em três provões consecutivos, dá para imaginar o desespero de picaretas, negligentes e boicotados.

A coisa é feia mesmo: no item instalações, 73% receberam CI e 13%, CR (Conceito Regular). Em organização didático-pedagógica, a situação também é desanimadora: apenas 28% têm CB (Conceito Bom) ou CMB (Conceito Muito Bom).

No meio desses escombros, escolinhas de fundo quintal e instituições de renome foram encontradas. A PUC de São Paulo é um dos casos mais intrigantes: teve dois conceitos considerados insuficientes. O Centro Universitário de Votuporanga (SP) também tirou dois CI, para surpresa dos que desconheciam que a nota A no Provão foi conquistada porque apenas dez alunos se submeteram ao exame - caso semelhante ao A da Universidade Federal de Sergipe e seus 12 graduandos. Bem diferente da nota máxima dos 143 alunos da Cásper Líbero, ou dos 69 da Universidade Federal do Rio de Janeiro - que, paradoxalmente, teve dois CI e passa a ser ameaçada de descredenciamento, assim como a Federal de Minas Gerais.

Por outro lado, o cruzamento das notas do Provão e da Avaliação (procedimento simples, mas ignorado) permite localizar instituições sérias e que oferecem ensino de qualidade. A Universidade Federal de Santa Catarina, em especial, a Estadual do Rio de Janeiro e a UnB, acompanhadas da Cásper Líbero, saem na ponta desse processo - que precisa ser discutido e aprimorado.

Como coordenador de curso, poderia protestar contra os conceitos dados à instituição na qual trabalho. Considerei rigoroso, por exemplo, o CB que tiramos em corpo docente. Analisando o relatório enviado posteriormente pelo MEC, fui convencido de que ainda há muito por se fazer - e que o conceito foi justo. Isso está sendo estimulante, e em um curso que já conta com doutores, mestres e profissionais que me permito elencar para dar dimensão da qualidade dos professores da Cásper Líbero: Aloysio Biondi, Marcelo Coelho (colunista e membro do Conselho Editorial da Folha de S.Paulo), Josemar Gimenez (diretor de redação do Diário Popular), Domingos Fraga (secretário de redação da IstoÉ), Carlos Costa (ex-diretor de Playboy, Quatro Rodas e Elle), Mônica Teixeira (da TV Cultura), Alon Feuerweker (diretor do Brasil On Line), Igor Fuser e Carlos Dias (editores de Superinteressante), Paulo Nassar (diretor da Aberje), Mario Vitor Santos (ex-ombudsman da Folha de S.Paulo) e muitos outros profissionais de altíssimo nível. É um timaço, mas a faculdade de fato não oferecia condições ótimas de trabalho. Imediatamente, a mantenedora convocou técnicos e gerentes para dar início à implantação de um plano que contempla regimes de dedicação parcial e integral - incomuns, ou inexistentes, em faculdades isoladas. Duvido que isso ocorresse sem a pressão dos sistemas de avaliação. O mesmo processo foi desencadeado nos itens instalações e organização didático-pedagógica.

Passada a tempestade da divulgação desses resultados, abrandados os ânimos e tratadas as escoriações morais, é fundamental que os responsáveis pelo ensino de jornalismo no Brasil se reúnam para uma autocrítica implacável. É bem provável que excessos - e, em alguns casos, falta de rigor - tenham sido cometidos nessas avaliações. A pouca importância dada para a produção laboratorial dos graduandos não se justifica. Mas não a ponto de desqualificar uma iniciativa séria que, por enquanto, está nas mãos dos professores de jornalismo. Vamos parar com picuinhas.

(*) Coordenador de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, colunista da revista Jornal dos Jornais e diretor de redação do jornal A Gazeta Esportiva, das revistas Educação, Ensino Superior e Geração Fera!.

 

O barulho da avaliação

Márcia Franz Amaral (*)

Um mestre zen já dizia que o dedo serve para apontar a lua. O ignorante olha para o dedo, enquanto o sábio olha para a lua. Deixando um pouco de lado os interesses, convicções e brios mexidos e remexidos pela avaliação das Condições de Oferta dos Cursos de Jornalismo, é hora de refletir com serenidade sobre o destino de toda a discussão.

O processo que se inaugurou com o Exame Nacional de Cursos - Provão - e prossegue com a Avaliação das Condições de Oferta é extremamente salutar. É evidente que a Avaliação envolve questões muito sérias e o instrumento deve ser revisto em alguns pontos. Algumas instituições podem ter sido mal avaliadas por não terem conseguido dar visibilidade aos seu projeto didático pedagógico. Outras, por não terem se organizado a ponto de comprovar a titulação de seus docentes (tarefa árdua para qualquer coordenação de curso). Alguns provavelmente conseguiram até se mostrar mais competentes do que realmente são. Talvez outras tenham sido injustiçadas em um ou outro item decisivo na composição da nota final. Possivelmente, algum curso não tenha sido bem sucedido por ter seus alicerces em concepções diferenciadas das que orientaram a Avaliação. Mas também seria infantil supor que um instrumento de Avaliação pudesse ser neutro e despido de conceitos. São realidades regionais diversas e cursos com perfis muitas vezes opostos.

As instalações consideradas ideais pelo MEC são de fato exigentes e os critérios devem ser discutidos. Mas como supor que um instrumento de avaliação de um Ministério da Educação estabeleça padrões insatisfatórios? As universidades federais ao receberem em sua maioria o conceito insuficiente no quesito Instalações podem mostrar à sociedade as precárias condições em que se encontram e agora cabe ao MEC providenciar recursos que ele mesmo julgou imprescindíveis.

Resta também aguardar a Avaliação das demais habilitações dos Cursos de Comunicação. Não se trata de compartimentalizar o conhecimento, mas é crucial que se avalie cada habilitação em processos distintos. Como docente de jornalismo de um curso de instituição federal, onde milagres são feitos, ministro disciplina para a habilitação de Relações Públicas e acho vital que se trate cada profissão de acordo com suas especificidades. Nesse caso, fico de cabelo em pé com o possível rompimento descontrolado de fronteiras entre Jornalismo, Relações Públicas e Publicidade.

É preciso lembrar que fora do eixo das grandes escolas ou das instituições renomadas há dezenas de escolas de comunicação exiladas do debate e famintas por dialogar. Pude sentir isso nos processos de Autorizações e Avaliações dos quais participei. A troca de olhares entre as escolas é extremamente salutar e as avaliações possibilitam cruzamentos valiosos de informações entre os avaliadores, alunos, docentes, funcionários e coordenadores. O número de e-mails trocados durante o processo de avaliação com certeza viabiliza hoje um amplo diálogo de setores que jamais teriam outra oportunidade de se conhecer. Afinal, há centenas de pessoas ligadas ao ensino da Comunicação que nunca puseram os pés na ECA e não partilham de convivência em reuniões, Congressos e similares.

Como dizia Tolstoi, sempre há quem passe pelo bosque e veja só lenha para a fogueira. Entretanto, a movimentação viabilizada pela Avaliação deve ser canalizada para verdadeiro eixo: a qualidade dos cursos de Jornalismo. Ressentimentos, raivas, injustiças são inevitáveis enquanto o processo não é aperfeiçoado. Afinal, a democracia é barulhenta. Em vez de tapar os ouvidos, vamos dar lugar às diversas vozes, tratar das nossas feridas e, quem sabe, criar um ambiente propício para delinearmos de forma madura as diversas faces que ensino de jornalismo pode assumir.

(*) Jornalista, professora assistente do Curso de Comunicação Social/Jornalismo da Universidade Federal de Santa Maria, RS

 

Shoppings centers e barracões

J. S. Faro (*)

Nossas caixas postais já começam a ficar congestionadas com os e-mails que estão discutindo os resultados da avaliação das condições de oferta dos cursos de jornalismo divulgados há poucos dias pelo próprio ministro da educação. Os resultados em si mesmo até que estão sendo pouco discutidos; o que tem circulado na rede é antes a polêmica em torno dos critérios da avaliação e a legitimidade de terem sido concebidos por um grupo de professores que, sem sombra de dúvidas, expressou, através deles (dos critérios), a sua concepção do que deve ser o ensino de jornalismo no Brasil.

Quero entrar na discussão por vários motivos, mas um deles já me parece suficiente: o processo de discussões que emergiu da elaboração das diretrizes curriculares no ano passado. Como membro da Comissão de Especialistas (CEE-COM) que as elaborou e também como um dos responsáveis pela animação de boa parte da polêmica que se instaurou a partir da tentativa de criação de uma comissão específica de jornalismo, acompanhei à distância a progressiva formatação do processo de avaliação. Agora, no entanto, quando tudo já foi implementado, aplicado e divulgado, sinto-me à vontade para discutir o que aconteceu, eventualmente recuperando a compreensão sobre alguns equívocos que considero responsáveis pelo clima de insatisfação que pipoca de várias regiões do país e que envolve escolas privadas e públicas - um universo de queixas que não se observa em outras áreas também avaliadas pelo MEC.

Essas contestações dos resultados da avaliação sempre terão duas explicações bastante simples. De um lado, é possível atribuir sua existência a um "coro de insatisfeitos", o que não é totalmente verdade, especialmente se levarmos em conta que alguns sinais de descontentamento e críticas severas aos critérios da comissão surgiram durante o próprio processo de avaliação (me ocorrem pelo menos duas: a da Universidade Federal Fluminense e a da Universidade Luterana do Brasil, de Canoas, RS). De outro lado, também é possível encontrar na própria natureza da nossa área uma vocação irresistível para a polêmica acirrada, fato que é bastante plausível. Eu sinceramente acredito que, qualquer que fosse o resultado divulgado pelo ministro, não haveria nenhuma forma possível de contentamento generalizado, nem mesmo algum patamar consensual que reconhecesse que muita coisa nos cursos de Comunicação, seja a habilitação a de Jornalismo ou outra qualquer, precisa mudar. Nesse sentido, ainda temos um longo caminho a percorrer.

No entanto, descontadas as vozes dos eventuais "insatisfeitos" e a dos críticos da primeira hora, relevada a permanente idiossincrasia que nos desune desde sempre, alguns fatos podem, na minha opinião, ajudar a entender onde foi que a comissão de avaliação das condições de oferta cometeu alguns de seus pecados.

A primeira pista surge exatamente quando se recorda o momento em que essa comissão foi formada. Sua composição final, essa mesma que conduziu todo o processo, só se deu depois da extraordinária polêmica em torno das Diretrizes Curriculares dos cursos de Comunicação, e os nomes escolhidos pela Secretaria de Ensino Superior do MEC eram oriundos da corrente surgida após o seminário de Campinas que passou a advogar a existência de uma comissão de ensino específica para Jornalismo, iniciativa que chegou a ser tomada pela SESU junto ao Conselho Nacional de Educação, mas que foi posteriormente abortada pelo parecer contrário à pretensão oferecido pela conselheira Silke Weber. É cansativo agora lembrar de tudo isso, mas estou convencido de que esse fato está na base de muitos erros cometidos, já que a comissão de avaliação das condições de oferta adotou desde o início de seus trabalhos a postura de uma comissão de ensino, isto é, transferiu a sua proposta pedagógica e a sua própria concepção das Diretrizes Curriculares para a tarefa de avaliar o que os cursos de jornalismo estão fazendo. De outra forma: invadiu uma área que não era sua e marcou suas atividades com isso, passando essa visão a cada uma das equipes de avaliadores que visitou as escolas.

Extensão cultural

Vale a pena suspirar um pouco e parar para a reflexão nesse ponto. Cursos de Jornalismo autorizados a funcionar enquanto uma habilitação da Comunicação Social, com projetos pedagógicos pertinentes a essa natureza, jamais poderiam ter sido avaliados em suas condições de oferta através de uma outra perspectiva que não fosse exatamente essa. Estendendo ao universo das escolas, repito, a sua concepção do que deva ser o ensino do Jornalismo, a comissão que agora divulga os resultados a que chegou, operou com categorias subvertidas de análise, exigindo dos cursos aquilo que eventualmente eles não se propuseram a oferecer porque fundados em outro modelo. Essa inversão fica patente na avaliação das estruturas curriculares, por exemplo, um item que em nenhuma hipótese poderia ser integrado entre as "condições de oferta", já que os cursos foram autorizados a funcionar com base naquela estrutura que conceberam, e não em outra - essa outra, na verdade, uma expressão paralela à das Diretrizes que a comissão não queria. Tenho a impressão que esse equívoco é suficiente para colocar em xeque muitos dos resultados divulgados pelo MEC, porque invalida um parte substancial dos quesitos avaliados, justamente os que envolvem as disciplinas dos cursos, sua integração, sua carga-horária, sua organização didático-pedagógica enfim.

A segunda pista decorre naturalmente dessa primeira e diz respeito à qualificação docente para a ministração do currículo dos cursos. Acredito que a proposta de criação de uma Comissão de Jornalismo apartada da Comissão de Especialistas de Ensino de Comunicação sempre foi feita com base em dois princípios nem sempre associados mas muito próximos um do outro: o primeiro, decorrente de uma concepção analítica segundo a qual o Jornalismo dispõe de densidade teórico-prática específica; o segundo, decorrente de uma forte tendência corporativa. Na avaliação das condições de oferta a presença desses dois princípios ficou evidente, ainda que oscilante: os dois foram colocados como filtro da estrutura curricular do curso e da adequação do corpo docente a uma determinada concepção do Jornalismo. O resultado disso foi o que se viu: a exigência do registro profissional para o exercício da docência, em alguns casos; em outros, a busca de uma adequação linear entre disciplinas "não-profissionais" ou "não-técnicas" e a titulação do professor. Como o exercício do magistério não está vinculado a esses quesitos - no Brasil, a docência é provavelmente a profissão mais desregulamentada que existe -, a Comissão acabou operando com uma exigência não acadêmica, esquecendo-se do fato de que cursos de graduação, qualquer que seja a sua área, organizam-se na academia e seguem as suas regras que, em muitos casos, não são coincidentes com aquelas que regem o exercício profissional. E mais: o critério do registro profissional como requisito para a docência nunca foi sinônimo de qualidade no ensino.

A terceira pista talvez seja mais institucional do que qualquer outra coisa, mas pode servir de alerta para futuras incursões no estudo das condições de oferta de cursos superiores, quaisquer que sejam eles. Recentemente, em São Paulo, o proprietário de uma faculdade particular, dessas que disputam o mercado a tapas e a golpes publicitários, proclamou uma máxima que pode muito bem ser escolhida como um sinal dos tempos vividos hoje pela educação superior no Brasil. Segundo ele, se as escolas particulares quiserem conquistar fregueses devem se transformar em extensões dos shoppings centers. A declaração, feita assim de sopetão, ficou no ar, e os que a ouviram nem tiveram tempo de perguntar sobre o que esse empresário estava falando. Uma extensão cultural dos shoppings? Uma extensão arquitetônica dos shoppings? Uma extensão do padrão de consumo dos shoppings? Provavelmente, nos limites de sua compreensão rudimentar do universo dos problemas educacionais, ele se referiu a tudo isso de uma só vez. Faculdades como extensões dos shoppings centers...

Cobertura pífia

Aí é que está: na avaliação das condições de oferta dos cursos de jornalismo, especificamente no quesito "instalações", um bom princípio teria sido o de distingüir as empresas de educação das instituições de ensino. As empresas de educação têm se esmerado na construção de templos e na compra de equipamentos de penúltima geração, em alguns casos com extraordinário desperdício porque ninguém sabe, ao final das contas, quem é que vai manusear tudo aquilo. No limite, são equipamentos (os edifícios e os laboratórios) que fotografam bem e ilustram folhetos de propaganda na guerra selvagem que declararam entre si pela disputa dos nichos de mercado, mesmo quando usam recursos do BNDES. Nada disso é sinônimo de ensino de qualidade. Já as instituições de ensino, aquelas que construíram uma tradição em suas áreas e que fundam sua existência em projetos educacionais consolidados e amadurecidos, comem o pão que o diabo amassou para suprir as carências técnicas de seus cursos [notícia publicada pelo Estado de S.Paulo, edição de 23/02/00, informa que o Programa de Recuperação e Ampliação dos Meios Físicos das Instituições de Ensino Superior Públicas e Privadas atingiu a soma de R$ 750 milhões de reais, "dos quais apenas R$ 250 milhões destinam-se a empréstimos para universidades públicas". As universidades públicas têm dificuldades em pôr a mão nesse dinheiro em razão das restrições do governo ao seu endividamento. O paradoxo é fácil de ser entendido: recursos sociais são disponibilizados para empresas que operam com margens de lucros astronômicas, como é o caso da escola privada, que acaba sendo subsidiada pelo Estado. Já a universidade pública não dispõe do mesmo privilégio: ao contrário, vive à míngua - embora se exija dela a obediência aos mesmos critérios de avaliação. É um milagre que a rede pública de ensino superior ainda consiga fazer o sucesso que faz na geração de conhecimento e no oferecimento de cursos de graduação.]. Mas têm suas vantagens: dispõem de massa crítica docente e discente, de vida acadêmica, de bibliotecas condizentes com as exigências das aulas e, por conta disso, oferecem à sociedade alunos melhor formados, mais adequados às demandas civis de cada profissão, o que em absoluto não as desobriga do seu aperfeiçoamento laboratorial. Talvez seja isso o que explique como tem sido possível à Universidade Federal do Rio de Janeiro manter o seu A no Exame Nacional de Cursos e agora receber um "insuficiente" nas condições de oferta, justamente no quesito das instalações (a julgar pelas imagens publicadas no Jornal do Brasil, espaços que são verdadeiros barracões e ruínas), o que é uma distorção porque o resultado da avaliação, nesse exemplo, aponta para o alvo errado dos problemas educacionais e alivia a culpa de quem deve responder pelo desmazelo em que se encontra a Universidade brasileira, como se o oferecimento de bons jornalistas à sociedade estivesse na dependência do up to date das redações ou da esperteza dos que dirigem esses cursos.

No final das contas, o resultado da avaliação das condições de oferta dos cursos de Jornalismo serviu para evidenciar mazelas, é claro. Serviu para expor nas páginas dos jornais - que cobriram pifiamente o fato, não indo nada além das declarações oficiais - os problemas em que estamos envolvidos. Se houver uma outra dessas, tenho duas sugestões: primeira, é preciso discutir melhor os critérios de sua implementação; segunda, é preciso evitar que a avaliação seja um complexo simplificado - se é possível o paradoxo - em que o universo extraordinariamente rico e multifacetado das relações entre a formação acadêmica e as exigências profissionais obedeça à leitura de uma única concepção.

(*) Membro da Comissão de Especialistas de Ensino de Comunicação da SESU-MEC e professor da Universidade Metodista de São Paulo

 

Opinião e "opiniães"

José Benjamim Picado
(*)

Tenho acompanhado esta querela (muitas vezes útil para fins inconfessáveis) entre "acadêmicos e profissionais", com cada vez mais concernimento: eu mesmo ocupo uma posição, diria, "esquizofrênica" nesta conversação, pois sou jornalista de formação (muito embora tenha abraçado desde cedo a carreira acadêmica, e a preferência por assuntos da seara dita teórica). Não me ocorria entretanto tomar parte desta discussão, sobretudo pelo tom assumido por seus principais interlocutores (e especialmente alguns redatores deste Observatório), e que muitas vezes justificara o próprio epíteto da seção em que ela está localizada, "Diretório Acadêmico".

Mas sua última intervenção, já anunciada na chamada do último número do Observatório da Imprensa (84, 20 de fevereiro de 2000), é para mim fonte de considerável espanto: sua avaliação sobre as conotações que se podem extrair dos resultados da avaliação do MEC são bastante razoáveis, ao menos no que concerne às condições exigidas para o ministério das práticas e aos projetos laboratoriais que devem acompanhar o projeto acadêmico-pedagógico: o que me causa espécie, entrementes, é a reprodução de um argumento que identifico com este Observatório, mas apresentado em termos completamente inconsistentes com respeito àquelas premissas.

Que o ensino de Jornalismo necessita ser reformulado, não é novidade alguma para quem quer que se dedique seriamente ao assunto (e certamente eu poderia apontar "observadores" que estão dedicados a este assunto há mais tempo do que aquele indicado pelo sr., e remetido aos idos de 1997); que bons e efetivos projetos jornalístico/laboratoriais devam compor os critérios de atribuição de excelência a escolas de Jornalismo também não se duvida. Mas, ora, nestes dois aspectos estamos diante de assunções do mais simples senso comum; transformar o ceticismo em relação a estes critérios em programa político (isto é, derivar alguma plataforma da negação destas assunções) seria algo que transformaria nossos eventuais adversários em completos imbecis (o que, sabidamente, eles não são).

Escolas autônomas?

Mas o que me causa espécie é o argumento que prossegue estas mesmas observações do prof. Dines, e que dizem respeito ao que parece ser uma pauta deste Observatório, a da separação entre Jornalismo e Comunicação: se a separação da área de estudos de Comunicação, em favor do Jornalismo, é uma decorrência destas primeiras observações, eu confesso não perceber qual é a relação de necessidade entre uma e outra. Proceder por uma ilustração de outros campos (como faz o prof. Dines, ao comparar nosso caso com o das relações entre Medicina e Farmacologia) não está imune a contraprovas: temos o clássico caso das relações conflituosas entre Economia e Administração, e, não obstante, o campo a que pertencem é o mesmo (não há portanto, "escolas de administração" separadas de "escolas de economia", e se as há, não há a separação entre os campos de conhecimento, do ponto de vista do MEC).

Ademais, a separação entre Farmácia e Medicina é uma separação entre áreas de conhecimento, e não apenas entre escolas: portanto, supõe-se que o saber acadêmico fundamental ao exercício destas áreas não pode ser fornecido a partir da mesma base, fenômeno este que, mais recentemente, tem justificado a constituição de um campo autônomo das "ciências da saúde". Tudo muito bem, mas a questão é: o que temos a ver com este caso? Será que o conhecimento necessário ao exercício do Jornalismo transcende aquilo que constitui o saber básico da área de Comunicação? Pois é certamente esta questão de fundo que motiva qualquer divisão de campos de conhecimento, e a resposta a ela envolve argumentos lógicos, e não políticos; por conseguinte, o melhor modo de enfrentá-la é interrogarmo-nos sobre como se constituiria o campo de estudos de Jornalismo, a parte de Comunicação. Uma vez enfrentado este problema, penso que o argumento do prof. Dines começaria a fazer água.

O vício daquele argumento é o de supor que uma separação entre prédios institua uma separação entre campos de conhecimento: se admitirmos um ensino separado para o Jornalismo, não necessariamente transcendemos o conhecimento sobre processos e fenômenos da Comunicação, em geral, como seu devido fundamento; um curso de Jornalismo não será fundamentalmente diferente daquilo que intentamos firmar hoje, em padrões de qualidade e de excelência. E se não o seria, sob que argumentos poderíamos sustentar a hipótese de escolas autônomas de Jornalismo? Com a resposta, o Observatório da Imprensa...

Exclusividade do saber

Em última análise, o argumento do prof. Dines revela um certo desconhecimento de questões que estão na pauta justamente daquelas pessoas que mais têm sido desqualificadas neste debate, os ditos "teóricos": trata-se da questão de como é que os campos de conhecimento se formam, e o de qual é o real significado desta organização dos saberes. Uma divisão de conhecimentos em áreas que são fundamentalmente comuns é uma afronta ao principio lógico da economia de recursos (que possui o charmoso nome de "navalha de Ockham" e que nos manda não multiplicar explicações quando uma explicação mais simples for suficiente): transferido para nosso caso, se o conhecimento fundamental de várias áreas pode ser garantido pela mesma formulação, a necessidade de multiplicar as formulações não é pautada pela lógica, mas por outros interesses (quais seriam estes interesses, no caso do prof. Dines, é tarefa dele mesmo responder...).

Por fim, diria que o próprio prof. Dines pode ser incluído no diagnóstico da anestesia, com o qual qualifica a reação geral dos jornais aos resultados do provão: pois ele igualmente omite em suas observações o fato de que uma das únicas duas escolas de Comunicação cujo projeto acadêmico foi considerado "muito bom" (assim como seu corpo docente) foi uma escola em cujo projeto não está contemplada a delimitação de saberes preconizada por aquele "observador", mas justamente a ênfase numa formação acadêmica, universalista, crítica (e, não por oposição, também técnica), opções estas que o referido professor não hesitaria em associar com as "asneiras" que caracterizam o trabalho acadêmico na área de Comunicação.

Mais surpreendente ainda é o fato de que este aspecto é justamente notado na intervenção do editor da seção Diretório Acadêmico ["Tanto que as duas escolas que conseguiram dois CMB (Condições Muito Boas) têm projetos pedagógicos bastante diferentes."] Como o velho Rosa, poderíamos dizer que "pão ou pães, é questão de opiniães", ou que "a opinião é como certas partes da anatomia humana: todo mundo tem uma"; mas no campo da argumentação, talvez fosse necessário aos jornalistas, e sobretudo àqueles que ocupam espaços acadêmicos e, por isto mesmo, responsabilidade pública, reservarem para suas observações sobre o universo acadêmico alguns cuidados no modo de avaliar e qualificar este mesmo ambiente (o da produção e circulação do conhecimento), pois sua economia, suas regras, seus procedimentos, são marcados pela mesma constringência que marca o saber supostamente técnico do universo discursivo jornalístico (e, muitas vezes, a discussão sobre o ensino do Jornalismo passa por cima deste aspecto: por mais chocante que possa parecer, o saber jornalístico não é exclusividade dos que efetivamente o sabem).

(*) Tutor do PET-COM (UFBA), editor da revista .txt: textos de cultura e comunicação

Alberto Dines responde: O missivista se engana, a começar pela qualificação. Não sou professor, mas apenas jornalista. A. D.

 

Quem forma jornalista é a sociedade

Cláudio Buongermino

A avaliação, feita pelo MEC, de centenas de cursos superiores, teve resultado desastroso para várias instituições. Chamou a atenção o fato de que mais da metade dos cursos de Jornalismo avaliados, 44 em 86, foi considerada inadequados - mas o que me chocou mesmo foi a presença de instituições tradicionais chafurdando na vala comum da mediocridade.

Antes de mais nada, cabe dizer que não considero o MEC a melhor e maior expressão da verdade em sua área de atuação. Desconfio desse governo e, portanto, desconfio desse ministério. Mas a reação das escolas nos dias seguintes à divulgação dos resultados corroborou os critérios usados na avaliação. Apreciemos, então, a lista dos 44 cursos de Jornalismo tidos como inadequados.

Inicialmente, salta aos olhos a presença de duas instituições que de modo algum deveriam estar ali: a PUC-SP e a Unesp. A Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho tem nome de dono de jornal, mas vamos contornar essa ironia. Trata-se, como sabemos, de uma instituição pública, bancada com o dinheiro do contribuinte, supostamente para formar uma elite intelectual que, depois de absorvida pelo mercado de trabalho, deveria ajudar na construção e/ou reforma da mesma sociedade que a custeou durante pelo menos quatro anos.

Insuficiência a R$ 625 mensais

Ocorre que o curso de Jornalismo da Unesp foi considerado insuficiente nos quesitos didática e instalações; o corpo docente foi considerado bom. Ora, se um tripé tem duas pernas quebradas, a Lei da Gravidade o obriga a cair. O caso da PUC-SP, segundo o MEC, é ainda mais grave. Corpo docente e instalações foram considerados insuficientes, e a didática ganhou um mero regular.

Quem já seu deu ao trabalho de ler algum texto meu aqui no Observatório sabe que não sou formado em Jornalismo, mas mesmo assim trabalho em jornal há quase seis anos. Até bem recentemente, resisti como pude a pequenas discriminações sofridas pela minha condição de sem- MTb, mas afinal resolvi capitular. Como já sou graduado em Comunicação, imaginei que poderia conseguir o diploma de Jornalismo em dois anos, e parti em busca de uma vaga em alguma faculdade. A PUC-SP, pela tradição e por ser perto de casa, foi a primeira que procurei. Desisti dela após um único telefonema. A mensalidade do curso de Jornalismo, segundo me informou um funcionário, é de R$ 625.

Agora, ao saber da avaliação do MEC, me pergunto: como pode uma faculdade cobrar R$ 625 por mês de seus alunos e oferecer a eles um curso insuficiente? Note o leitor que, caso eu tivesse concordado em estudar lá, me tornaria um cidadão duplamente lesado pelas escolas de Jornalismo: como estudante, pagando muito dinheiro diretamente a uma escola que não cumpre o que promete; e como contribuinte paulista, ajudando a custear uma escola pública (a Unesp) que também não cumpre sua função.

Legislação autoritária

Outras escolas paulistanas e paulistas de certo prestígio, ou que pelo menos divulgam com afinco (e muita grana) suas supostas qualidades, também estão na lista: Uniban, Braz Cubas, Mogi, Fiam e São Judas. Confesso que até pensei em me candidatar a uma vaga na primeira, mas há nela uma norma de não fornecer preço por telefone, e desisti. Mais tarde soube que há alunos de Jornalismo da Uniban que estão com seu diploma bloqueado, porque o curso não está regularizado, ou algo assim (o que, aliás, não ajuda em nada a credibilidade do próprio MEC, que permite esse tipo de aberração).

Falando em MEC e governo, é bom lembrar que 12 universidades federais também têm cursos de Jornalismo abaixo da crítica do ministério, inclusive as do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Como vemos, o mau exemplo vem de cima.

Cada um que leia os dados desta avaliação como quiser. Eu faço uma leitura pessoal, enviesada pela minha já citada condição de sem-MTb: está mais do que na hora de revogar essa legislação autoritária, assinada originalmente por três ministros militares, que obriga jovens aspirantes à carreira jornalística a torrarem dinheiro deles, ou dos pais, ou dos contribuintes, em escolas insuficientes, num curso absurdo, corporativista, superado a cada segundo pelo avanço de novas técnicas (Internet, exemplo óbvio).

Cidadão e vocação

A obrigatoriedade do diploma só interessa às escolas de Jornalismo e a seus professores. É um claro desserviço à sociedade. Mas não proponho o fechamento dos cursos nem a privatização das universidades públicas, como certamente vão dizer. Acho que deve haver escola superior de Jornalismo, mas ela deve ser uma opção, não uma obrigação. Quem tem cacife para gastar R$ 625 por mês que ponha a mão no bolso e faça o curso - mas quem acha que há outras maneiras de se formar como jornalista também deve ter o direito de exercer a profissão.

Nenhuma lei pode impedir um cidadão de pôr em prática sua vocação, especialmente se essa vocação tiver cunho artístico-intelectual e estiver a serviço da sociedade. Numa frase: cabe à sociedade, e não à faculdade, formar e aprovar jornalistas.

 

Avaliação sob suspeita

André Parente (*), Paulo Vaz (**) e Eduardo Refkalefski (***)

A Escola de Comunicação da UFRJ foi surpreendida com a divulgação pelos jornais do resultado da Avaliação das Condições de Oferta, na qual a ECO recebeu conceitos insuficiente em dois quesitos, "Instalações" e "Organização didático-pedagógica".

Surpreende-nos, em primeiro lugar, a "opinião" dos avaliadores do MEC sobre o projeto pedagógico, pela contradição com os resultados recentes obtidos por nossos alunos no Provão, onde tiramos o conceito "A". No primeiro ano a análise dos dados mostra que o curso de jornalismo da ECO obteve a média mais alta do Brasil. No segundo ano, se excluirmos os 12 % dos nossos alunos que entregaram a prova em branco, teríamos mantido a liderança. Como pode um curso que obtém tais resultados apresentar um projeto didático-pedagógico insuficiente ?

O exame das condições de oferta é uma avaliação, entre várias outras, da qualidade da formação e do potencial de inserção no mercado de trabalho. Aqui também encontramos uma incoerência: nossos ex-alunos ocupam cargos de destaque nos principais veículos de comunicação do Rio de Janeiro e no resto do país, incluindo-se aí novos nichos de competência, como TVs por assinatura e Internet. Agora é o mercado que desdiz a "opinião" dos avaliadores do MEC. Não temos dúvidas sobre que parecer merece credibilidade de nossos alunos e cidadãos: que pai seria irresponsável o suficiente para dar crédito a opiniões infundadas em detrimento do futuro de seus filhos ?

Estamos, sim, em processo de reformulação curricular. Não porque nosso projeto didático-pedagógico seja insuficiente - o Provão e o mercado nos asseguram que ele está entre os melhores do país -, mas sim porque o mundo está mudando velozmente. E temos a certeza de que nosso novo projeto acadêmico será proveitoso para outros cursos de comunicação social do Brasil, a exemplo do que vem ocorrendo.

Uma outra demonstração de reconhecimento de nossa qualidade é a demanda pelo nosso curso: é o mais procurado no estado do Rio de Janeiro, e terceiro no vestibular da UFRJ há mais de dez anos, atrás apenas da Medicina e da Odontologia.

Concordamos apenas com um elemento da avaliação, o que se refere à laboratórios e infra-estrutura. Aqui há insuficiência, mas que é de responsabilidade do próprio MEC. Já fomos diversas vezes à imprensa apresentar o estado calamitoso da ECO devido à falta de verbas: nos últimos dois anos recebemos um total de R$ 20 mil para verbas de custeio (manutenção de equipamentos, pequenas obras, reposição do material de consumo, do papel higiênico ao tonner). Como temos 1100 alunos de graduação, percebe-se que o governo acha suficiente 10 reais/ano por aluno. Um crédulo pode achar que esta política se justifica pelo déficit público.

Além da redução drástica das verbas de custeio, o Governo não cumpre seus compromissos. Há quatro anos foi aprovado o projeto Prorecom - Programa de Modernização de Infra-estrutura e Consolidação Acadêmica das Instituições Federais de Ensino Superior - que prevê R$ 750 mil em equipamentos para a ECO/UFRJ. Com certeza, a qualidade dos nossos laboratórios melhoraria. Entretanto, não recebemos até hoje sequer um mísero projetor de slides.

Surpreendeu-nos também o mero coeficiente bom para o nosso corpo docente. De onde veio esta "opinião", se contamos com professores de renome nacional e internacional e se mais de 95% de nossos professores têm mestrado e 50% doutorado ? Esta nossa situação não está garantida, pois ao lado da proibição, por medida provisória, de novas contratações, temos a regra absurda de poder contratar apenas um novo professor para cada seis que se aposentam. 17 de nossos professores se aposentaram nos últimos 5 anos.

O ex-professor e atual Ministro Paulo Renato disse nos jornais que os diretores de cursos com conceitos insuficientes devem começar a se mexer. Acreditamos que haja um equívoco sobre a quem cabe a iniciativa da mobilidade.

Notamos também uma certa irresponsabilidade na divulgação das avaliações. Se o MEC estivesse preocupado com a qualidade do ensino, teria divulgado primeiro entre os diretores o resultado detalhado da avaliação. A direção da ECO, porém, só soube de seus conceitos pela mídia, estando impossibilitada de discutir com a comunidade os problemas apontados pela avaliação. O curso de jornalismo da ECO é o mais antigo do Brasil, tendo sido crido em 1949 por Getúlio Vargas. Talvez o MEC tenha se aproveitado do prestígio da Escola para criar notícias.

Acreditamos que o Exame Nacional de Cursos e mesmo a Avaliação das Condições de Oferta, programas criados pelo Ministro Paulo Renato, estão entre as melhores iniciativas do governo FHC, pois geram inquietações e promovem uma mudança positiva na universidade brasileira. A contradição, porém, entre a opinião enviesada dos avaliadores escolhidos pelo MEC e o reconhecimento social da qualidade do ensino da ECO pode comprometer a credibilidade destas ações. Talvez o MEC devesse escolher melhor seus representantes.

(*) Diretor da ECO; (**) Diretor de Graduação da ECO; (***) Coordenador do Curso de Jornalismo. Copyright Jornal do Brasil, 21/2/00

 

Jornalismo avaliado (*)

Victor Gentilli

O artigo "Avaliação sob suspeita", publicado na página de Opinião da edição de 21 de fevereiro [do Jornal do Brasil], infelizmente confunde mais do que esclarece ao tratar do processo de Avaliação das Condições de Oferta dos Cursos de Graduação e da avaliação do curso de Jornalismo da UFRJ. Seus autores, dirigentes do curso de Jornalismo da UFRJ, fingem ignorar que o MEC trabalhou com critérios e com conceitos (evidentemente discutíveis) e passam a considerar os julgamentos como "opinião". Por que opinião? Por que as aspas? Se se trata de alguma linguagem cifrada, nem eu mesmo entendi, imagine o pobre leitor do JB...

Mas vamos às questões substantivas. A UFRJ obteve os conceitos CB (conceito bom) para Corpo Docente e CI (Conceito Insuficiente) tanto para Organização Didático-Pedagógica como para Instalações. CI é o pior conceito.

Inicialmente, eles questionam como conceitos tão ruins podem ser compatíveis com os resultados do Provão, em que a UFRJ obteve o conceito A em 1998 e 1999. Ora, apenas aparentemente o problema é incompatível: O curso de Jornalismo da UFRJ é um dos cursos mais procurados no vestibular, conforme informam os próprios autores. Os melhores alunos, os mais dedicados, os mais esforçados, aqueles que "ralam" porque desejam mesmo ser jornalistas na vida, aqueles que conseguem passar numa peneira de 50 por 1 já são pontos e pontos de vantagem logo na saída. Agregue-se um corpo docente bom, com alguns professores muito sérios e dedicados: não poderia dar outro resultado. É óbvio também que estes alunos vão ocupar os melhores postos no mercado de trabalho. Nenhuma novidade aí. Pessoalmente, já mostrei esta distorção do Provão em artigo no Observatório da Imprensa publicado em 1997.

Os pontos verificados

Os dirigentes da escola sequer questionam o Conceito Insuficiente dado ao quesito Instalações. O professor André Parente, diretor da escola, mostra que solicita recursos de todo tipo há vários anos e é obrigado a fazer mágica com o orçamento de que dispõe. Ora, se o MEC erra ao negar recursos e acerta ao avaliar, por que dirigir a crítica à avaliação?

Mas foi a questão didático-pedagógica que certamente incomodou. Neste ponto, como em todos os demais, o MEC listou pontos a serem conferidos. A escola mantém projetos laboratoriais regulares em rádio, em TV, na Internet, em jornalismo impresso?

Não, isso seria tecnicismo...

Mas o MEC tinha outros pontos a verificar: a escola oferece disciplinas teóricas vinculadas ao jornalismo? A escola mantém 10% dos professores com atividades de extensão em jornalismo com envolvimento de alunos? A escola tem atividades de pesquisa em jornalismo? Se a escola já admitia deficiências laboratoriais, quantos alunos ela põe em sala de aula nas disciplinas práticas?

Conclusão, não "opinião"

Um dos pontos era fulcral: havia uma boa integração entre pós-graduação e graduação? Todos sabemos que a Pós-Graduação da UFRJ - em Comunicação, o registro é indispensável - é de excelente nível.

Não é o caso, neste artigo, de listar as diversas possibilidades de conseguir um bom conceito em Organização Didático-Pedagógica. Basta afirmar que o avaliador do MEC trabalhou com parâmetros concretos e relativamente objetivos. Há quem discuta esses parâmetros, mas não foi esta a opção dos dirigentes do curso de Jornalismo da UFRJ..

Os signatários acham que o Conceito Bom é insuficiente para o Corpo Docente da UFRJ. E mostram dados exclusivamente de titulação dos professores. O MEC valorizou bastante a titulação, mas não ignorou a experiência profissional dos professores-jornalistas, a produção profissional e acadêmica de cada docente, a dedicação ao curso (de Jornalismo) e outros atributos. O Conceito Bom atribuído ao Corpo Docente não foi uma "opinião" dos avaliadores, mas uma conclusão depois de análise criteriosa de dados com pesos previamente definidos e de conhecimento público.

Debate deslocado

Por fim, a informação de que o MEC deveria escolher melhor seus representantes não confere com a assinatura do professor Eduardo Refkalefski no artigo. O professor Refkalefski, por seus méritos, foi selecionado como um dos avaliadores, participou do treinamento, conhece os critérios de avaliação do MEC, avaliou outras escolas de Jornalismo fora do Rio de Janeiro e até anteontem concordava com eles.

De fato, o MEC divulgou para a mídia o resultado da avaliação no mesmo momento em que encaminhou formalmente os relatórios às escolas. De todo modo, cada escola que teve interesse em conhecer antecipadamente os resultados recebeu informações do MEC desde dezembro do ano passado. Quem lê jornal vê os anúncios das escolas cuja avaliação foi boa. Se a divulgação fosse toda feita com antecedência, os anúncios poderiam sair antes mesmo do resultado oficial.

Pessoalmente, esperava e espero que o debate se instale. Mas desqualificar a avaliação transformando tudo em "opinião" é deslocar o debate para um ponto que inviabiliza o diálogo de idéias. Insinuar que a Comissão do MEC agiu de forma ressentida como suicidas (como afirmou André Parente em outra ocasião) questiona a respeitabilidade dos interlocutores. Aí a conversa fica difícil mesmo. Eu, pessoalmente, vou insistir no diálogo.

(*) Copyright Jornal do Brasil em 25/2/00

 

Fim do preconceito contra
universidades particulares
(*)

Felipe Pena

No dia 17 de fevereiro, finalmente saiu o resultado da avaliação das condições de oferta realizada pelo MEC nos cursos de Jornalismo, Economia, Engenharia Elétrica e Mecânica. E, como era de se esperar, as comissões de especialistas chegaram a conclusões drásticas. A pior avaliação foi em Jornalismo, onde, dos 86 cursos examinados, 42 foram reprovados. O que significa que, dos três itens avaliados (corpo docente, instalações e organização pedagógica), estas faculdades receberam o conceito insuficiente em pelo menos dois. Se o MEC também considerasse como reprovadas as instituições com conceito insuficiente, o resultado seria ainda pior: apenas 22 faculdades teriam condições de funcionar. No Rio de Janeiro, só sobrariam quatro.

Como diretor da Faculdade de Comunicação Social da Universidade Estácio de Sá, tenho orgulho de pertencer a este seleto grupo. Estamos entre as três melhores do Rio e as 10 melhores do Brasil. O que desmonta o obsoleto conceito de que só as universidades públicas podem oferecer ensino de qualidade. Entre as quatro melhores do Rio, apenas uma é pública. Na Comunicação da Estácio, por exemplo, dois terços dos professores são mestres ou doutores, e o outro terço é formado por profissionais de mercado. Além disso, dispomos de equipamentos de última geração, como ilhas digitais de edição, estúdios de TV, laboratórios de multimídia e estúdios de fotografia. Estamos ligados por fibra ótica à Net Rio, pela qual veiculamos o único telejornal universitário diário e ao vivo do país, vencedor da Expcom (Exposição Nacional de Comunicação) nos últimos três anos. Também temos um jornal semanal com 300 mil exemplares, uma revista mensal e uma rádio online, além de quatro programas de TV veiculados no Canal Universitário do Rio de Janeiro e uma agência de publicidade produzindo campanhas para estas mídias. E tudo feito por alunos, sob a supervisão de professores especialmente remunerados para esta atividade, que é extra-classe.

Mas não é porque obtivemos um conceito acima da média que vamos deixar de questionar os critérios de avaliação. Alguns deles revelam padrões finlandeses, ignorando a realidade senegalesa de grande parte dos setores de educação do país. Como o MEC pode exigir um computador por aluno em sala de aula enquanto diversas escolas federais, que são financiadas pelo mesmo órgão que avalia, não têm nem cadeiras suficientes? E o que dizer do corporativismo de classe, que reserva apenas aos professores formados em Comunicação o direito de lecionar disciplinas que estariam muito melhor nas mãos de docentes de outras áreas? É o caso, por exemplo, da disciplina Legislação e Ética Jornalística, que deveria ser lecionada por advogados, muito mais bem ambientados com nossos labirínticos processos jurídicos. Ou de produção gráfica, cujas habilidades específicas estão muito mais para webmasters e comunicadores visuais do que para jornalistas.

Outro critério questionável é o tempo disponível para os avaliadores tirarem suas conclusões. Tomando como exemplo a Estácio, eles tiveram apenas dois dias para percorrer três distantes campi: Barra da Tijuca, Niterói e Rebouças. E, nestes dois dias, precisaram avaliar cada um dos 54 professores de Jornalismo, analisar as ementas das disciplinas, verificar detalhadamente as instalações, examinar os diários de classe, entrevistar os alunos, conferir os livros da biblioteca, entender o método pedagógico, ver cinco fitas de vídeo com as produções dos alunos, ler um dos jornais e ouvir a programação da rádio, além de outros 54 itens previstos no formulário do MEC. Só para preencher este documento, eles levaram cinco horas. Ou seja, quase 25% do tempo disponível para a "visita". E eram apenas dois avaliadores.

Temos o dever de discutir os critérios da avaliação do MEC e questionar a forma como determinados quesitos são formulados. Também devemos pleitear uma maior participação daqueles que estão à frente das escolas superiores e dos próprios veículos de comunicação na elaboração destes critérios. Por que nenhum diretor de faculdade privada participa da Comissão de Especialistas? Ou ainda, por que não são ouvidos profissionais do mercado e diretores de empresas jornalísticas? Quero deixar claro meu total apoio ao processo de avaliação, que é imprescindível para a melhoria do ensino superior no país, mesmo não concordando com alguns de seus critérios. E não é porque obtivemos um conceito favorável que vamos esquecer esta discordância. Nossa obrigação é aprimorar a metodologia da avaliação. Espero ter a oportunidade de participar de vários debates públicos sobre este processo, mas, desde já, gostaria de deixar registrado que, diante do resultado final e da análise comparativa entre as faculdades que conheço, pude concluir que o trabalho da comissão foi sério e rigoroso, embora precise de reformulações urgentes.

(*) Copyright Jornal do Brasil de 23/2/00

 

ASPAS
EXAME NACIONAL DE CURSOS
Folha de S.Paulo

"Cursos de jornalismo", editorial, copyright Folha de S.Paulo, 20/2/00

"Mais da metade - 51% - dos cursos de jornalismo do País não tem condições mínimas de qualidade que justifiquem seu funcionamento. É o que revelou o resultado da Avaliação das Condições de Oferta do Ministério da Educação (MEC), divulgado terça-feira pelo ministro Paulo Renato Souza. Os cursos de jornalismo têm graves problemas curriculares e deficiências de infra-estrutura. Não é à toa que 44 dos 86 cursos avaliados receberam conceito insuficiente (o pior da escala) em pelo menos dois dos três itens analisados.

‘É inconcebível um curso de jornalismo que funcione sem computador, mas infelizmente é a realidade que se encontrou’, lamentou o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, enfatizando que o objetivo da avaliação é obrigar os cursos a melhorarem. No item referente às instalações, 73% dos cursos ficaram com o pior conceito. ‘As deficiências reveladas pelas escolas, particularmente nas rubricas organização didático-pedagógica e infra-estrutura, mostram que os êxitos alcançados por jovens jornalistas no Brasil devem ser atribuídos ao esforço de professores competentes e dedicados e ao talento individual desses estudantes que, apesar das dificuldades e deficiências, sustentam ao longo do curso o sonho de exercer com brilho a profissão’, registrou o relatório síntese da Avaliação das Condições de Oferta apresentado pelo MEC.

A radiografia do Ministério da Educação mostra que, a despeito do esforço isolado de alguns professores, os cursos de jornalismo são de péssima qualidade. O documento do MEC evidencia a inutilidade prática desses cursos como instrumentos de formação de recursos humanos para o mercado de trabalho e salienta o abuso corporativo que está na raiz da obrigatoriedade do diploma para o exercício da atividade jornalística.

As faculdades de jornalismo, três décadas após se tornar obrigatório o diploma para o exercício da profissão, mostram-se incapazes de dar uma resposta adequada às necessidades do setor. O resultado é que, a cada ano, as faculdades, com raras exceções, despejam no mercado levas de despreparados. São jovens freqüentemente iludidos com a miragem de um eldorado profissional, que acabam topando com a frustração decorrente da marginalização profissional. O diploma, na prática, não lhes confere conhecimento profissional com a qualidade que o jornalismo de hoje exige.

A formação cultural e ética, pré-requisitos do bom profissional, é altamente insatisfatória nos cursos de jornalismo. O despreparo dos egressos desses cursos é de tal ordem, incluindo a falta de noções elementares da língua portuguesa, que as empresas jornalísticas, tal como este jornal vem fazendo com o Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado, são obrigadas a criar programas específicos de treinamento que colaborem na superação das múltiplas lacunas culturais.

Não somos contra o funcionamento dos cursos de jornalismo - os estudantes das boas faculdades sempre serão procurados pelas empresas de comunicação -, mas entendemos que a formação profissional não pode continuar dominada pelo monopólio das escolas de comunicação. Os jornais, como acontece em todo o mundo, devem poder recrutar os seus profissionais entre os melhores egressos de qualquer curso superior."

 

Correio Braziliense

"Alunos pressionam UniCeub", copyright Correio Braziliense, 23/2/00

Representantes do Centro Acadêmico (CA) e do Diretório Central dos Estudantes (DCE) do Centro Universitário de Brasília (UniCeub) entregam na manhã de hoje aos diretores da instituição um plano de medidas urgentes para tirar a faculdade de Comunicação da lista de cursos ameaçados pelo MEC. No último exame de Avaliação das Condições de Oferta de Cursos de Graduação divulgada pelo Ministério de Educação (MEC), os cursos de Economia e Comunicação Social do UniCeub foram classificados como insuficientes. A avaliação leva em conta as instalações, organização pedagógica e qualidade do corpo docente.

Segundo o MEC, os professores de economia não preenchem todos os requisitos, como dedicação de 40 horas ou cursos de aperfeiçoamento. Não há desenvolvimento ou estímulo à pesquisa, seminários ou palestras. No curso de jornalismo, o currículo foi o fator determinante para a nota baixa. A faculdade, ainda de acordo com o MEC, prima por instalações abaixo da média.

‘De fato precisamos de mais computadores, Internet, impressoras com jatos de tinta, laboratórios mais modernos e criação de programas de estímulo à pesquisa científica’, atesta Felipe Ehrick Danziato, 19 anos, presidente do CA e aluno do terceiro semestre.

No documento a ser apresentado à direção do UniCeub, os alunos exigem, ainda, a implantação de plano de carreira para professores, estímulo à pós-graduação, criação de programas de estímulo à pesquisa científica, construção de uma sede para o Centro Acadêmico de Comunicação (CA), a reestruturação do laboratório de televisão e a criação de revista científica, disciplinas optativas e cursos de extensão.

Depois de expor suas reivindicações, os estudantes darão um prazo para o UniCeub cumpri-las. Caso não sejam bem sucedidos, admitem a possibilidade de acionar a defesa do consumidor e a Justiça. ‘É a última alternativa. Antes disso vamos conversar bastante, negociar’, diz Danziato, diplomático. ''Queremos que eles justifiquem o aumento de 14% nas mensalidades. Esse resultado do MEC prejudica a imagem dos alunos do UniCeub'', provoca. As mensalidades dos cursos de jornalismo e economia variam entre R$ 500,00 e R$ 600,00.

Na reunião com a diretoria os alunos também vão cobrar a reformulação do currículo, fator de maior peso para a nota insuficiente. ‘'Terá que ser uma reforma conjunta: alunos e professores’, avisa Felipe. Além disso, a criação de cursos de extensão, convênios para colocar alunos no mercado de trabalho e controle e divulgação mensal do balanço financeiro do curso de Comunicação.

‘É a oportunidade que temos de debater melhorias. Somos os maiores interessados. Tenho certeza de que o nosso levante é a oportunidade para os outros cursos que ainda não foram avaliados reverem seu papel e qualidade dentro da instituição’, argumenta. O curso de economia fará assembléias e também planeja levar suas propostas para a direção da faculdade. ‘Daremos
apoio, afinal somos todos da mesma universidade.’

Principais exigências
Reforma do currículo com participação dos alunos e professores; implantação de plano de carreira para professores; estímulo à pós-graduação; criação de programas de estímulo à pesquisa científica; ampliação dos laboratórios com aparelhos eletrônicos modernos; ligação dos computadores à Internet; reestruturação do laboratório de televisão; destinação de verba específica para congressos e seminários; contratação de uma ouvidoria ou gerente de qualidade
Controle e divulgação mensal do balanço financeiro do curso de Comunicação; criação de revista científica, disciplinas optativas e cursos de extensão; assinatura de revistas científicas ou ligadas às áreas do curso; criação de convênios para colocar os alunos no mercado de trabalho; agrupamento das turmas da manhã e da noite em um único prédio.

 

POLÊMICA
José Arthur Gianotti

"A título de esclarecimento", Opinião, copyright Jornal do Brasil, 21/2/00

"O mais triste e lamentável no anúncio publicado pela UniverCidade, neste jornal (edição de domingo, 13 de fevereiro), é perceber como um instituto universitário termina por se insultar a si mesmo.

Primeiro insulto: ao me acusar de ‘marxista, leninista, stalinista e gramsciano", não leva em consideração que pode haver bons e maus marxistas e assim por diante. São notórias as vinculações de Martin Heidegger con o partido nazista, mas não há universidade que não se orgulharia de ter um dos maiores pensadores do século entre seus professores. Felizmente, esse é o jogo da vida acadêmica que, infelizmente, a UniverCidade não sabe honrar.

Segundo insulto: serve de instrumento à suja luta por posição dentro do Conselho Nacional de Educação (CNE), quando deveria tratar de preservar sua identidade acadêmica e republicana. Tenho por seus atuais membros o máximo respeito e, quando advogo uma política de renovação desses membro, estou simplesmente lembrando que o CNE, sendo antes de tudo responsável pelo credenciamento dos institutos universitários, deve ser preservado, a fim de que não se transforme no terreno onde os donos das universidades privadas venham resolver suas pendengas. Todos sabemos que o exercício do poder vicia, cria laços de interesses. Por que não adotar a política de chamar para esses cargos profissionais de notório saber, que estejam mais distantes dos interesses já constituídos? O Brasil não é um deserto de quadros.

Terceiro insulto: atribui-me uma posição sem ler meus textos. Imagina que "não há patrulhamento ideológico que resista à simples observação do mercado". Em vez de advogar a complementaridade da educação pública e da educação privada, pretende que toda ela seja regida pelas leis do mercado, inclusive que as universidades de pesquisa passem a cobrar mensalidades de seus alunos da mesma forma que o fazem os institutos que apenas ensinam.

Não vejo impedimento algum que estudantes, quando possam, pague por seus estudos em universidades públicas, desde que essa receita não sirva para abater seus custos, para que o Estado se desobrigue dela.

Por que não criar m fundo, organizado pelos próprios alunos, pelos professores, pelo Magistério Público e assim por diante, que se encarregue de trazer para o ensino superior os estudantes mais pobres? Não está na hora de pretejar a universidade brasileira?

Pelo visto, a luta que as universidades privadas travam por posições no mercado da educação ultrapassa os limites do bom senso. E quando alerto que essa atividade predatória vai além do controle do MEC não faço qualquer acusação ao ministro ou a este ou aquele órgão público. Apenas acredito que o MEC foi surpreendido por um desatino diante do qual falham seus instrumentos tradicionais. (Professor titular da USP e presidente do Cebrap)"

 

UniverCidade

"Uma tréplica em defesa da UniverCidade", anúncio publicado no Jornal do Brasil em 25/2/00

"O professor José Arthur Gianotti respondeu à UnuverCidade em seu artigo ‘A título de esclarecimento’, publicado no JB. Nós, da UniverCidade, não tivemos e nem temos a intenção de insultar a quem quer que seja. Tivemos, sim, a coragem de denunciar o patrulhamento ideológico e a conspiração estatizante que soa como uma ameaça. Esse magnata e marajá do ensino público quer porque quer prejudicar e desmoralizar a iniciativa privada que atua no setor da educação universitária.

Equivoca-se o mestre Gianotti quando imagina que não há quem saia em defesa da escola privada. Ele faz parte da confraria dos elogiados mutuamente, onde um professor elogia o outro e todos hostilizam a iniciatica privada para, juntos, se promoverem. Nós, da UniverCidade, fazemos coisas que esse grupo não sabe fazer: empreendemos, criamos empregos, obrigamos todos a trabalhar, distribuímos saber, geramos melhor produtividade nas pessoas e substituímos a incompetência do Estado. Como não sabem, imaginam torto.

Até hoje o filósofo não conseguiu entender o que, após o progresso científico deste século, seja filosofia. Viveu sempre às custas do Estado como um autêntico nomemklatura. É conhecida sua violência, sua arrogante intolerância em conviver com a universidade particular, que chama pejorativamente de ‘institutos’. Sua cruzada revanchista é uma espécie exótica de inquisição em plena era da informação internacionalizada em tempo real.

O ilustre professor, ao defender o trancamento da expensão universitária, que segundo ele não tem controle do MEC, porque a verdade da farsa dos estatizantes está vindo à tona, num país que necessita de 8 milhões de novas vagas só para igualar-se ao nível educacional da Argentina, dá a impressão de estar desorientado e assustado com o progresso da vizinhança.

A universidade sem pesquisa, a economia de mercado, o mundo globalizado, a internacionalização da informação e do conhecimento instantâneos, os investimentos de empresários bem-sucedidos em outros setores, na educação e na cultura, para o professor Gianotti, aparentam ser obras satânicas do capitalismo selvagem, quando tudo é produto do progresso da ciência.

Durante sua geração, o Estado deixava nas ruas e à sanha da criminalidade mais de 15 milhões de crianças em idade escolar porque os recursos eram desviados para as universidades públicas. O Ministério da Educação aplicava mais de 65% de seus recursos orçamentários no sustento das universidade gratuitas. Era a maior gastança nacional.

Ficamos impressionados com o referido artigo, no qual o professor Gianotti nem se esforça em disfarçar sua repulsa ao Conselho Nacional de Educação, cuja grande maioria de membros não é estatizante, nem discriminadora e está trabalhando modernamente e com firmeza, recuperando o tempo perdido pelas administrações anteriores.

Ao afirmar que a UniverCidade não sabe honrar o culto a colaboradores de ditaduras de esquerda ou de direita, o professor nos surpreende.

Respeitosamente, perguntamos: qual a universidade que permite a seus professores militância política, professor Gianotti? Harvard, Stanford, Montreal, Chicago, Oklahoma, New South Walles, Essex? Nessas instituições, e também na minúscula UniverCidade, que como as citadas pretende ser moderna e apolítica, ensinamos todas as teorias políticas, mas não as recomendamos. Cada aluno escolhe a sua ideologia. O clima é de liberdade de pensamento.

Aprendemos em Harvard e trabalhamos com casos. Do lado do sucesso, da liberdade individual e da prosperidade estão os casos dos Estados Unidos, do Canadá e da Austrália que, de povos colonizados e escravizados por europeus, passaram a figurar como as nações mais ricas do mundo. Esses, professor Gianotti, são os modelos de educação que nós pensamos para o Brasil - repetimos - os modelos de países que deram certo.

o professor chama de ‘luta suja por posições dentro do Conselho Nacional de Educação’. O que é sujo para oilustre senhor é limpo para a totalidade dos agentes da educação brasileira pública ou privada. Os conselheiros são escolhidos democraticamente por indicação de dezenas de órgãos de classe, e a lei não autoriza uma nomeação de livre escolha, sem indicações, de pessoas outrora poderosas, que impediam o crescimento do setor universitário.

Seria muito construtivo se fosse permitido à educação universitária privada seguir o seu destino e acabar com a ignorância brasileira. A presença do Estado na vida do cidadão está no início do fim. A outrora poderosa burocracia não terá mais condições de controlar a inteligência e a vida das pessoas.

Pedimos ao ilustre professor para não atrapalhar quem está trabalhando direito, disseminando saber, gerando empregos e aumentando prdtividades. Desfrute o professor Gianotti de suas posentadorias de ‘marajá’. Aproveite para pensar no que será melhor para o Brasil: seguir o exemplo dos Estados Unidos, da Austrália e do Canadá ou sofrer uma africanização ao estilo europeu. Certamente nós, da UniverCidade, não queremos ser euroescleróticos como certos franceses que propagam idéias centenárias e resistem à globalização em lugar de integrar-se ao mundo internacionalizado.

Aliás, nós, da UniverCidade, sabemos que estamos contrariando interesses poderosos, mas estamos ampliando e levando ensino de qualidade às regiões carentes da Cidade do Rio de Janeiro, trabalhando a preço acessível. E o senhor, o que faz além de injuriar os outros? A serviço de quem o senhor conspira?"

 

CARTAS
Conceitos péssimos

Todas as escolas de Jornalismo de Curitiba tiveram conceitos péssimos. Mas o jornal mais lido do Paraná, Gazeta do Povo, só malhou uma faculdade, a Fesp. E pior: A Fesp nem tem curso de Jornalismo.

Pode parecer ridículo e simplório: será que não deveria existir uma avaliação para os professores, já que eles são funcionários dos alunos? E uma avaliação para os técnicos dos laboratórios, não seria uma boa? O que é prioridade? Fazer uma prova mais elaborada para os alunos? Ou fazer uma prova no mesmo nível de dificuldade para os professores? Realmente, não sei o que aconteceria...

Rodrigo Antonio Belle

Quinta categoria

Quanta lucidez de Alberto Dines ao abordar as deficiências dos cursos de Jornalismo no Brasil. Por acaso, sou estudante do sexto semestre de um desses cursos reprovados pelo MEC - o do Uniceub, em Brasília. "Uma escola de Jornalismo deve coexistir com um projeto jornalístico regular e permanente. Não se ensina medicina sem hospital, clínica ou ambulatório." Fora disso, não há salvação.

Sinto-me atualmente como um cidadão que contratou os serviços de um restaurante cinco estrelas, de padrão internacional (como sempre anunciou) e eis que quando chega a fiscalização da saúde pública sou informado de que a cozinha é deficiente, os instrumentos utilizados são inadequados, os garçons não são especializados em culinária internacional e a comida tem coliformes fecais.

O ponto de vista de Dines será divulgado entre os alunos, por representar a mais pura realidade da escola de Jornalismo no Brasil.

Xavier Neto

Baixo nível

Sou estudante do 1º ano de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo, em São Bernardo do Campo. Tenho um professor, não vou citar o nome por questão de respeito, que comete erros freqüentes de português do tipo "a situação tá meia difícil", "espero que o presidente seje menos egoísta", entre outras pérolas. Outro dia, ao chegar à faculdade, fui conversar com uma colega que disse adorar o tal professor. Expliquei que o acho "meio" ruim, e ela, sem titubear, emendou: "Ah, eu gosto dele porque ele quer que a gente seje como ele."

Os alunos e, pior, os professores, estão assim. Noutra aula, grande parte da classe se espantou quando a professora de Comunicação e Linguagem proferiu a palavra "cognição". Muitos não conheciam.

Os alunos e, pior, os professores estão assim.

Márcio Alexandre Silva

Nomes, por favor

As matérias sobre a reprovação de cursos em alguns jornais e revistas (inclusive a Veja), para meu espanto, não citaram as faculdades. De que interessa então a informação? Não pode citar por quê? As faculdades que oferecem cursos sofríveis (especialmente Jornalismo) são protegidos por algum código do consumidor?

Nildo Teixeira, jornalista, Balneário Camboriú, SC

Má formação e desvios

O resultado da avaliação dos cursos de Jornalismo pelo MEC evidenciou a grande quantidade de faculdades de "fim de semana", incapazes de oferecer condições para a formação de bons profissionais. Esses estabelecimentos acabam conquistando novos alunos mais pela forma - computadores de última geração e salas com ar condicionado - e menos pelo conteúdo de seus cursos e acabam, dessa maneira, por inchar a já grande massa de jornalistas incompetentes que pecam na vírgula e na ética.

Um bom corpo docente é capaz de estabelecer a consciência de ética e cidadania em seus alunos e impede, de certa forma, que os recém-formados acabem caindo nas garras do "toma lá, dá cá", citado exaustivamente no tendencioso Notícias do Planalto, de Mario Sergio Conti. Portanto, cria-se assim uma cadeia cíclica de empreguismo e crime contra a democracia, começando na má formação de jornalistas e acabando na incoerência da profissão: em vez de beneficiar a sociedade em que se insere, se aproveita desta, enchendo-a de sujeira e posteriormente secando-a de esperanças. Isso é abordado nas 719 páginas do livro de Conti sobre a imprensa e Fernando Collor.

Não quero insinuar que a formação profissional esteja ligada à formação do caráter, mas afirmo sim que a experiência em uma má faculdade pode causar mais erros do que acertos futuramente em um jornalista.

A avaliação do MEC não pode apenas colher surpresas nas redações de jornais e revistas ao expor a qualidade de ensino dos futuros "focas". Deve, além disso, mobilizar a grande quantidade de estudantes lesados pelas instituições em que estudam para que lutem por um ensino de melhor qualidade. A formação da nova imprensa é um assunto de abordagem muito delicada, já que ela exerce sua função de quarto poder. Caso este poder, assim como uma ferramenta, seja utilizado para fins escusos, toda a sociedade terá de arcar com as conseqüências.

Guilherme Macedo, estudante de Jornalismo da UnB

Época em Votuporanga

Esta semana pela primeira vez comprei um exemplar da revista Época, por sinal o último da banca. Com certeza a revista deve ter esgotado em Votuporanga. O motivo, a matéria Contradição na universidade - Alunos nota 10, escolas reprovadas.

A matéria também é contraditória. Sou aluno do 4º ano de Jornalismo do Ceuv e publicitário formado pela 1ª turma, de 1998. Estudo no Ceuv não por falta de opção, já que na região há outras faculdades, como Unirp, Unilago, Unorp e Unip, todas em São José do Rio Preto. Estudo aqui por comodidade mesmo, afinal na minha cidade háo curso do meu interesse e eu participei da 1ª turma deste curso: fui uma das cobaias.

Antes de entrar no mérito da questão, gostaria de acrescentar algumas informações à matéria: Votuporanga tem duas TVs, a TV Universitária Canal 55, afiliada da TVE/ RJ, e a sucursal da TV Progresso, retransmissora da Rede Globo, além de ampla cobertura jornalística das TVs regionais retransmissoras de SBT, Record e Bandeirantes. Tem também quatro rádios: Cidade AM, Líder Am, Clube FM e Universitária/Uni FM. Além de dois jornais diários, A Cidade e Diário de Votuporanga, há também o semanal O Imparcial, a revista Expressão e o informativo noturno Flash Night, além de uma série de publicações comunitárias e sindicais e assessorias de imprensa sólidas.

O mercado publicitário dispõe de duas produtoras de vídeo, Visão e DVP, além de agências como NorteEventos, Visual Art, New Computação, Studio Gráfico e DBG Propaganda e Marketing.

Com relação à matéria propriamente dita, contesto o box: Alunos de Votuporanga vivem o jornalismo nas emissoras universitárias criadas na cidade. Em Votuporanga não existe nenhuma emissora universitária, pelo menos do meu ponto de vista. Assim como a Fundação Educacional de Votuporanga, mantenedora do Centro Universitário, tem fins lucrativos e por isso cobra mensalidades nos cursos superiores, também a Frev - Fundação Rádio Educacional de Votuporanga, mantenedora da UniFm e da TV Universitária, vive da venda de anúncios publicitários e paga pelos serviços prestados por profissionais.

A boa estrutura citada pelo aluno Fabiano Ferreira Ângelo, meu companheiro de classe e de profissão, só veio para os alunos no 3º ano de curso e foi aprimorada para as novas turmas e continua em estado de aprimoramento. Acontece que os alunos do curso não têm acesso direto aos estúdios da rádio e da TV. Para isso temos os nossos próprios laboratórios na faculdade. As pessoas que trabalham ou estagiam em ambos os locais são contratados pela Frev como qualquer outro profissional do mercado, e o fato de ter ou não estudando do Ceuv às vezes pode ajudar nesta contratação, mas não é um dado fundamental, já que há profissionais de outros locais trabalhando na TV.

O engajamento da turma no Provão, citado pela pró-reitora Neide Romani Covre, foi na realidade uma imensa cobrança, quase que diária, por parte da direção da instituição, para conseguir o resultado positivo da avaliação, com o objetivo de favorecer o reconhecimento do curso pelo MEC.

Edson Gatto

Sem surpresa

Sou universitária, curso o terceiro período regular de Jornalismo em faculdade particular, tenho 18 anos, mas não me causa surpresa o fato de 51% das faculdades terem tido tenebrosos resultados na avaliação do MEC.

Raquel Lima de Souza

O O.I. errou

No seu artigo de 20/2 o jornalista V.G., em seu excelente texto, cometeu uma pequena falha com relação ao uso do verbo "viger", isto é, estar em vigor. Ao colocar o verbo na forma de gerúndio o correto é "vigendo". Espero ter colaborado!

João Evangelista Domingues, professor de Língua Portuguesa

V.G. responde: Agradeço a correção. V. G.

 

LEIA TAMBEM

51% das escolas de jornalismo reprovadas - Alberto Dines

Os resultados da avaliação do MEC

 



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