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DIRETÓRIO ACADÊMICO

 

PAUTA PÚBLICA
Convocação aos estudantes

 

Victor Gentilli

Há algumas semanas, o governo anunciou os nomes dos estudantes brasileiros contemplados com o novo Financiamento Educacional, sucedâneo do velho crédito educativo. Em todo o país, cerca de 40% dos pedidos foram negados por falta de "renda mínima". Estudantes e instituições privadas de ensino chiaram. O país – que, apesar de desigual e injusto, mal ou bem possibilitava alguma forma de ascensão social – estava impedindo o estudante pobre de cursar o ensino superior. Anos de esforço e ralação eram jogados fora.

Para várias instituições de ensino esses alunos também eram importantes. O governo financiava o estudo de parcela expressiva do alunado, com garantia de que não haveria evasão. O "espírito" do crédito educativo ou Financiamento Educacional é que, com formação superior, o aluno terá condições, no futuro, de pagar o financiamento que lhe permitiu estudar. Se o critério de concessão do crédito for a "renda mínima" presente, ignora-se que se trata de um investimento que vai permitir a geração de renda futura.

Houve casos em que estudantes ganharam na Justiça e o próprio MEC recuou.

Tanto a grande imprensa como a imprensa regional cobriu o fato. De modo geral, a grande imprensa cobriu as idas e vindas do governo e algumas repercussões locais, especialmente em São Paulo e Rio. Mas, do Rio Grande ao Acre, em todo o país a medida produziu impacto.

O Observatório da Imprensa convida os estudantes de jornalismo para um mutirão nacional sobre o tema. Cada qual deverá analisar como o jornalismo de sua região cobriu as últimas decisões sobre o crédito educativo. O objetivo é produzir um dossiê sobre o tema, para a próxima edição do OI. A pauta será feita pelo próprio estudante, com base na realidade de sua região e na sua concepção de uma boa cobertura de imprensa. Vale recomendar, em todo caso:

  • Checar se os jornais se limitaram a transcrever material de agências noticiosas;
  • Observar se apenas os proprietários de escolas particulares foram ouvidos;
  • Observar se foram ouvidos estudantes de cursos e instituições variadas;
  • Analisar de uma maneira geral a cobertura dos jornais locais sobre o tema.

Os textos devem ser encaminhados por e-mail ao Editor da Área Acadêmica deste Observatório [na home page, clique no botão Equipe para obter o endereço] impreterivelmente até o dia 14 de novembro.

 

ENSINO DE JORNALISMO
Oferta, avaliação e qualidade

 

Francisco José Castilhos Karam (*)

É fácil questionar as coisas que andam. E mais ainda as que andam com qualidade e legitimidade. A paralisia em ação é a pior estratégia para o ensino em geral, e, no caso a que me refiro, para o ensino de jornalismo.

Em 1995, houve o Seminário Nacional de Qualidade de Ensino da área de Comunicação. Um ano antes, em Curitiba, o Congresso Nacional dos Jornalistas discutiu as bases para o aperfeiçoamento do ensino de jornalismo no Brasil, incorporando-se às discussões acadêmicas na área. Em 1997, em Vila Velha, congresso específico da categoria dos jornalistas brasileiros sistematizou o debate, formulou minucioso estudo e definiu documento, que se transformou no projeto Fenaj para a qualificação do ensino de jornalismo. Em 98, o documento "Bases de um programa nacional de estímulo à qualidade da formação em Jornalismo" incorporou contribuições, foi amplamente discutido e aprovado pelas mais significativas entidades da área, como a Abecom, a Compós, a Enecos e a Intercom. Em 99, em Campinas, um seminário específico sobre ensino de jornalismo definiu diretrizes para a área, incorporando, em grande medida, o Programa de Qualidade de Ensino aprovado pela Fenaj e entidades da área, com o significativo apoio e contribuição do GT de Jornalismo da Intercom, Observatório da Imprensa e Fórum Nacional de Professores de Jornalismo.

Como todos os cursos que participaram do Exame Nacional, sabia-se que os de Jornalismo teriam de ser avaliados em suas condições de oferta. Pela primeira vez – e no caso de algumas escolas depois de décadas – está sendo feita uma avaliação das condições de oferta dos cursos de Jornalismo. Ninguém, a não ser de má-fé, pode dizer que tal avaliação não deva ser feita. E se deve ser feita, quem deverá fazê-la? O critério de formação das múltiplas comissões é claro: recomenda-se que os avaliadores sejam jornalistas profissionais, professores em instituições universitárias e portadores do título, minimamente, de mestres.

Parece-me critério altamente razoável.

E o conteúdo da avaliação? Parece-me que todos os que forem a favor do Movimento pela Qualidade de Ensino em Jornalismo e todos os que aprovaram o documento da Fenaj, posteriormente aperfeiçoado com as contribuições das entidades acadêmicas da área, devem, por coerência, ser a favor de tais critérios e da avaliação. E me parece que não poderia haver mais adiamento das avaliações. Elas vêm ocorrendo em todas as áreas efetivamente preocupadas com a qualidade de ensino e que participaram do Exame Nacional de Cursos.

Seriedade e empenho

Em sua aplicação operacional, o formulário/questionário atende, em grande parte, o projeto aprovado pela Fenaj, pela Abecom, pela Intercom, pela Enecos, pela Compós. É só dar uma olhada nos sucessivos documentos que se poderá comprovar diversas similaridades. E quem observar os aspectos referentes aos "Requisitos Metodológicos e Materiais" do documento aprovado pelas entidades, perceberá que o documento relativo à avaliação das condições de oferta caminha na mesma direção. Quem ler todo o documento verá que o exame das condições de oferta permite, indica e cobra as bases conceituais e operacionais previstas pela Fenaj, pela Enecos, pela Intercom, pela Abecom, pelo Fórum de Professores de Jornalismo, pelo GT de Jornalismo da Intercom, pelo Observatório da Imprensa. Se alguma instância está desrespeitando isso, não é a das comissões de Jornalismo.

A avaliação das condições de oferta dos Cursos de Jornalismo é a culminação – sempre provisória e aperfeiçoável – de um intenso debate que se travou na área. E tem mostrado resultados concretos. Na hora de ensarilhar as armas, como propõe o professor J.S. Faro, não se deve esquecer que há coisas que funcionam e outras não. E é uma pena, realmente, que os cursos de Publicidade e Propaganda e Relações Públicas, por exemplo, não tenham sido avaliados. Não se pode, além de não avançar nas avaliações de outros cursos, tentar estancar a busca pela qualidade de ensino em Jornalismo. Há legitimidade para tal avaliação, e tem havido eficácia, seriedade e empenho, no sentido de que o exame das condições de oferta em Jornalismo integre um processo mais amplo, que se intensificou a partir de 94 e jamais terá fim previsto. Isso caminha, legítima e operacionalmente, ao lado das comissões nacional, regionais e locais de qualidade de ensino, propostas pela Fenaj, no âmbito das escolas, para implementar o Programa de Qualidade de Ensino em Jornalismo.

Como um dos quase cem avaliadores das condições de oferta dos cursos de Jornalismo, todos jornalistas e professores em instituições de ensino superior, observo que, pela primeira vez, em 16 anos como professor em universidade, efetivamente algo anda, nacionalmente, institucionalmente, legitimamente, democraticamente, a favor da qualidade de ensino de jornalismo, o que não me parece pouco.

(*) Professor da UFSC e integrante da Comissão de Qualidade de Ensino da Fenaj junto ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina

 

Questão de competência

 

José Coelho Sobrinho (*)

As Diretrizes Curriculares para os cursos de Comunicação continuam a gerar polêmica entre dois grupos que, antes de serem incompatíveis, são complementares. Mesmo que neguem, os textos que se sucedem nos vários meios de propagação de idéias, desde as conversas junto à garrafa térmica de café até o agendamento feito pela solitária consulta aos sites da Internet, revelam a existência de dois subconjuntos de idéias não antagônicas porque pertencem à unidade pedagógica de formação profissional. As divergências destas idéias estão na dosagem de participação de cada uma delas na totalidade, logo não são excludentes, mas complementares.

A existência de dupla avaliação das escolas, com objetivos diferentes, é um assunto que só poderá ser resolvido por responsáveis das diferentes instâncias da SESu. A Comissão de Especialistas do Ensino de Comunicação (CEE-COM) com a obrigação de oferecer subsídios para Autorização e Reconhecimento se choca com a Comissão de Avaliação das Condições de Oferta que, ao que tudo indica, existe para complementar a avaliação em que o Provão é um dos itens. São competências diferentes, com desenhos e critérios particulares de avaliação que, se não se chocam, valorizam argumentos próprios. Os padrões de qualidade da CEE-COM dão mais espaço à subjetividade do avaliador que pode exprimir e justificar conceitos em todos os momentos do parecer. Os parâmetros da Comissão de Avaliação são mais objetivos e permitem que os dados oferecidos ao programa sejam operados pelo computador (como os programas do IR) dando aos avaliadores, em cada item, conceitos que só no final do relatório poderão ser justificados.

Esta duplicidade de competências tem causado muito transtorno aos cursos que têm se submetido à avaliação nos últimos meses. Os responsáveis pela coordenação acadêmica e pedagógica dos cursos que mantém a habilitação de Jornalismo agregada à área de Comunicação reclamam que algumas escolas recém-avaliadas para reconhecimento foram questionadas por membros da Comissão de Avaliação das Condições de Oferta sobre a presença de algumas disciplinas (aprovadas por comissões da CEE-COM) na grade curricular e não sabem a que comissão atender para evitar o risco de descredenciamento.

Inconsistência pedagógica

O motim ocorrido na área de Comunicação deixou o barco à deriva. Não se pode identificar com clareza quem são os amotinados. A CEE-COM, do ponto de vista dos membros da Comissão de Avaliação, perdeu o comando com o explícito reconhecimento de suas atividades a partir do momento em que os órgãos do ministério autorizaram a realização de cursos de treinamento para determinados professores, bem como o pré-teste do programa de avaliação nos cursos de Jornalismo da Cásper Líbero e da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. A Comissão de Avaliação, do ponto de vista dos membros da CEE-COM, não deve ser reconhecida com poderes para emitir avaliações sobre Autorização e Reconhecimento de cursos de Jornalismo porque não foi criada com esta finalidade e, inclusive, não obteve parecer favorável de uma comissão do Conselho Nacional de Educação (CNE) nomeada para dirimir as dúvidas de competência existentes entre as duas comissões.

Há pois um vácuo de responsabilidade que deve ser urgentemente resolvido para que essa área de conhecimento não seja prejudicada. Esta indecisão das várias instâncias do MEC, responsáveis pela coexistência de pareceres acadêmicos e pedagógicos, tem causado cisão entre professores, profissionais e órgãos representativos com irreparável prejuízo para as várias habilitações da área de Comunicação. As acusações, na maioria das vezes infundadas por se basearem em suposições, têm causado desconforto e fatalmente vão fazer feridas de difícil cura.

Esses desencontros evidenciam a falta de consistência pedagógica no projeto das Diretrizes, entretanto há abertura para que ela seja implantada. Os que desejam ver Jornalismo como área independente se mostram mais resistentes a argumentos pedagógicos porque se apoiam no mercado profissional cujo perfil idealizaram – e muito bem. Comunicação vem de "communicare" que significa tornar comum, partilhar.

Vida própria

Entre as atividades que tornam comuns idéias, informações e conhecimentos, o jornalismo e a publicidade talvez sejam as mais abrangentes e, portanto, aquelas que mais representam o significado etimológico do vocábulo. Logo não há por que separar esses galhos de seu tronco comum sem que se corra o risco de tornar estéril tanto a base quanto os seus segmentos.

Do ponto de vista acadêmico há um reconhecimento no âmbito do saber internacional de que a Comunicação tem um domínio transdisciplinar amplo. Talvez não tão abrangente quanto na tradição brasileira, entretanto suficientemente extenso para permitir que, com raras exceções, haja uma forma comum de tratamento da área com linguagem, métodos e técnicas que permitem a interação entre aqueles que se dedicam ao estudo das diversas formas de comunicar.

Observada em sua totalidade a Comunicação apresenta uma teoria axiomática formada por conceitos, definições, enunciados e regras que podem ser identificadas também em seus segmentos, respeitadas as suas respectivas finalidades. Desta forma, não se pode dizer que a parte, que pode ter vida própria, não pertença àquilo que se está considerando como o todo. Isto é, a Comunicação é síntese, e as suas formas são representações de processos individuais enfeixados nessa grande área sem contradições teóricas.

Crise forjada

Esses pressupostos permitem afirmar que não há incongruência em se ter atividades mais ou menos abrangentes e com finalidades próprias como pertencentes a um mesmo conjunto axiomático. É este o ponto de vista que se coloca como cenário para justificar a existência de diretrizes pedagógicas comuns para Jornalismo, Produção Editorial, Publicidade e Propaganda, Relações Públicas e Radialismo.

O termo "diretrizes" aqui deve ser entendido como um conjunto de indicações para se elaborar um plano ou projeto, e jamais uma norma fechada em si mesma. Sob esse ponto de vista, não há como objetar sua existência e eficácia.

Houve, por parte dos compiladores que redigiram as Diretrizes de Comunicação, o cuidado – e talvez tenha sido esse o grande pecado – de não ditar regras e, por isso mesmo, deixar claro que não estão sendo perdoados pelos que defendem o Jornalismo como área autônoma. Esse equívoco entretanto não invalida o sentido e a pertinência do trabalho realizado e poderá ser enriquecido com o acréscimo de pontos de vista defendidos pelos especialistas da área de Jornalismo, principalmente no que se refere à existência de laboratórios e de boa dose de disciplinas profissionalizantes, reivindicações que também são feitas por profissionais, professores, alunos e entidades das outras habilitações.

Desta forma, não há por que continuar alimentando a desintegração da área. É importante, lícito e maduro que se busque o entendimento porque, ao que tudo indica, o embate é uma crise forjada em bastidores e com propósitos desconhecidos.

(*) Professor da ECA/USP

 

MUVUCA
Quem são estes jornalistas?

 

Sandra Soares

Trabalho há quatro anos na Rede Minas de Televisão, e sou recém-formada em Jornalismo pela PUC-Minas.

Assisti ao programa Muvuca (30/10/99), da Rede Globo, que naquela edição foi conduzido por estudantes de Jornalismo, e fiquei impressionada com a defesa, por parte deles, do "jornalismo do espetáculo" e das fofocas. Deixei a faculdade há apenas seis meses e não me lembro de ter ouvido em sala comentários parecidos com os que ouvi no programa. Mais parecia uma turma de estudantes de Administração ou de Publicidade, pois o discurso girava em torno de dinheiro e vendas...

Há um mês entrevistei o músico Frejat (da banda Barão Vermelho), e ele me disse ter ficado impressionado com uma entrevista que viu (também no Muvuca) sobre os sonhos das crianças das escolas públicas. Quase todos os meninos disseram que queriam ser jogadores de futebol quando crescessem; as meninas, por sua vez, queriam todas ser modelos ou atrizes.

O que será de um país em que são estes os planos e os sonhos das crianças? Qual a parcela de responsabilidade do jornalismo-do-espetáculo nisso tudo? Sugiro um debate sobre a visão que os estudantes de Jornalismo têm atualmente da profissão.

 

ENECOM
Pluralidade em alta

 

João Brant (*)

Há algum tempo acompanho a discussão sobre o Enecom publicada neste Observatório. Foram apresentadas algumas críticas pertinentes, outras nem tanto, outras nada. Em muito concordei com a posição de Carolina Ribeiro, colega minha na Enecos. Em primeiro lugar, vale a pena fazer um retrospecto histórico e lembrar que o primeiro encontro aconteceu em 1972, quase vinte anos antes da criação da Enecos. Ao final de cada encontro, escolhia-se que escola iria sediar o seguinte.

Com a criação da Executiva, no Enecom de 1991, o quadro mudou. A sede passou a ser escolhida nos fóruns da Executiva, que assumiu, junto com a escola, a responsabilidade pela organização. O encontro era, até então, o principal espaço de discussão e decisão do movimento estudantil da área. Com a criação do Congresso Brasileiro dos Estudantes de Comunicação Social (Cobrecos), em 1994, as decisões mais importantes a respeito do movimento e as discussões políticas e acadêmicas mais aprofundadas passaram a ser feitas nesse fórum, realizado a cada janeiro.

E o Enecom?

A pluralidade do Enecom é reforçada nesse momento. Um encontro que reúne 2.200 estudantes não tem – felizmente – como ser controlado. Este ano, em Maceió, o que procuramos fazer foi construir uma programação consistente para quem desejasse aproveitar e produzir como, aliás, foi a opção de boa parte dos participantes. Tivemos oficinas, tanto científicas como culturais, que trouxeram aspectos da realidade local e do meio acadêmico e profissional. Grupos de estudo, que desenvolveram uma semana de discussão sobre temas específicos. Fóruns de discussão, que todos os dias pela manhã debateram assuntos como Autonomia Universitária, Comissões do MEC e Movimento Estudantil de Comunicação. Tivemos painéis, em que se destacaram as discussões sobre o curso, a especificidade das habilitações e democratização da comunicação. No dia da apresentação das oficinas, em praça pública, fizemos um ato questionando a política do governo federal. Alguns participantes visitaram e fizeram trabalhos com a comunidade vizinha à UFAL. Ao lado disso, poderíamos falar que tínhamos a praia e a cerveja. E por que não aproveitá-las também?

Questionamento geral

Faço essa chatíssima descrição para demonstrar como o encontro teve desfrutes diferentes. Não nego com isso o pouco interesse de parte dos estudantes em discussões importantes. Pelo contrário, havia opção para todos os interesses; não participar de nada demonstrava apatia e omissão. Não à toa, este era um dos principais temas das discussões, buscando formas de fortalecer o envolvimento dos estudantes com a universidade e com a realidade que os cerca. Este questionamento não são só os estudantes que fazem.

Vivemos em uma época de desmonte dos movimentos sociais e, como eles, de qualquer possibilidade de discussões e ações da sociedade civil organizada. Seria bobagem querer justificar os problemas que acontecem e "defender" o encontro. O Enecom é o que é. O encontro é o que as pessoas fazem dele. E vai ser sempre reflexo da sociedade em que vivemos e da universidade em que estudamos. Cabe-nos lutar pela sua transformação.

(*) Coordenador-geral da Enecos

 

CARTAS
A imprensa e a educação

Concordo com a idéia de que se tem falado muito mais em educação nos veículos de comunicação devido ao aumento da demanda. Entretanto, questiono o verdadeiro valor destas noticias.

Em determinadas emissoras de TV ou jornais a educação acaba virando propaganda política ou forma de desmoralização de movimentos sociais (vide o caso da matéria do Jornal Nacional de julho de 1999, em que o projeto pedagógico do MST foi transformado em escola para formação de guerrilheiros e invasores).

Gostaria de sugerir que este tema fosse abordado pelo Observatório da Imprensa mais vezes, já que fazemos parte de uma rede pública de televisão e temos o compromisso público de defender a imagem da educação, seja reivindicando uma escola de qualidade para todos ou criticando o sistema.

Aqui no estado do Mato Grosso do Sul estamos tendo a oportunidade de colocar no ar uma vez por semana um programa de uma hora, interativo, dedicado a assuntos da educação, com notícia e debates a respeito do tema. Não tenho conhecimento de outros programas além do Salto para o Futuro. Gostaria, se fosse possível, de obter informações sobre outras iniciativas do gênero pelo Brasil e, se não fosse pedir demais, formas de intercambiar informações.

Claudia Girelli

 

SOS Letras-USP

Meu nome é Elder Tanaka, tenho 19 anos e sou calouro do curso de Letras da Universidade de São Paulo. Escrevo com o intuito de colocá-los a par da grave situação em que se encontra a faculdade.

Como todos já sabem, o ensino público superior em geral no Brasil vem sofrendo um processo de sucateamento por falta de recursos há um bom tempo. O grande problema é que muitas vezes tal fato não é amplamente divulgado como deveria. A discussão acaba sendo restrita, portanto, aos meios acadêmicos, não havendo desta maneira o envolvimento da opinião pública sobre o assunto, embora este seja de seu interesse também.

Os alunos da Letras-USP estão sofrendo o sucateamento do curso de forma cruel. Um dos piores problemas é o déficit de 85 professores, que deixaram o curso – as universidades particulares têm maiores salários – e não foram repostos nos últimos anos. Isso traz conseqüências graves:

  • Salas lotadas, com alunos assistindo às aulas até no corredor, e conseqüente diminuição da qualidade do curso;
  • Esvaziamento de algumas habilitações, já que não há professores para dar aulas;
  • Algumas matérias são ministradas por monitores (bolsistas), e não professores realmente contratados.

Outro problema surgiu com a implantação, no início deste ano, do Ciclo Básico na faculdade. Ou seja, os estudantes ingressam, através do vestibular, no curso de Letras-Básico, o qual consiste de quatro matérias semestrais. A média das notas obtidas pelo aluno durante o ano é que iria definir quem tem a prioridade de escolher a habilitação desejada (Português, Inglês, Francês, Alemão, Espanhol etc.) a partir do segundo ano.

Sim, iria, porque, sabe-se agora, nem mesmo a diretoria da faculdade tem a noção exata de como será realizado esse ranqueamento. Uma reunião da Congregação da faculdade decidiria hoje (21/10) as formas de seleção.

O problema é que o número de vagas de cada habilitação é limitado. E como há algumas habilitações com mais candidatos do que vagas oferecidas, acaba havendo uma disputa acirrada entre os calouros por notas altas. Uma situação muito parecida com a que enfrentamos no vestibular.

Esse processo, ao que parece, surgiu como uma solução à falta de professores, já que muitos dos alunos que não conseguirem as habilitações desejadas abandonarão o curso. Com a evasão, menor é a necessidade de a faculdade contratar professores e maior será o número de pessoas insatisfeitas cursando uma língua indesejada. Se isso continuar dessa maneira, o curso de Letras da USP irá simplesmente acabar.

Muito já foi feito pelos alunos contra a situação: passeatas até a reitoria, assembléias, pesquisas, reuniões com os professores e com o diretor da faculdade, professor Francis Aubert. Formou-se uma Comissão de Mobilização dos Alunos da Letras (da qual não faço parte) e a discussão em torno do ranqueamento e do ciclo básico tem durado o ano inteiro.

Embora uma das propostas tenha sido divulgar o problema para fora da faculdade, envolvendo jornais, revistas etc., não vi até agora nenhuma manifestação mais concreta por parte da Comissão quanto a isso. Portanto, tomo a iniciativa de pedir que os órgãos de imprensa tomem conhecimento do problema (que não é isolado, acontece com outros cursos da universidade também) e que, por favor, divulguem-no à sociedade, já que é o dinheiro público investido na educação que está em jogo. Entrem em contato com os membros da Comissão ou qualquer um dos calouros e alunos – as principais vítimas – a fim de esclarecer melhor o que anda acontecendo no curso. Tenho certeza de que a realidade com a qual irão se deparar não será nada parecida com a que sonham os vestibulandos ao disputar uma vaga na Universidade de São Paulo.

Elder Tanaka

 

Quem-tem-Globo-tem-tudo

Universidade Estácio de Sá: "Escola Superior de Terapias Naturais". Nivelar o ensino por baixo para "diminuir números sobre o analfabetismo", distribuir diplomas a semi-analfabetos, "ciências energizadas", Xuxas, Adriane Galisteus etc.: é o estilo "Quem-tem-Globo-tem-tudo" que dominou e inviabilizou o país.

Carlos Roberto M. Fauvel

 

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Acusação de professora é exemplo de baixo jornalismo

Jornalismo imaginário

Sobre o Enecom 1,. 2 e 3



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