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MONITOR DE MÍDIA, UM ANO
Teste para alunos, respeito das redações

Rogério Christofoletti (*)

De que forma a universidade pode ajudar no aperfeiçoamento dos meios de comunicação? Apenas formando bons profissionais ou intervindo de maneira mais efetiva? Que dispositivos a sociedade tem para avaliar criticamente a mídia?

Em 2001, estas questões nos levaram a uma proposta pioneira: lançar um sítio na internet que fizesse um acompanhamento sistemático da imprensa catarinense, oferecendo diagnósticos quinzenais sobre o comportamento dos três principais jornais locais – Diário Catarinense, A Notícia e Jornal de Santa Catarina –, apontando problemas técnicos e deslizes éticos. Com isso, surgia em agosto do ano passado o Monitor de Mídia, primeiro sítio de crítica e análise de mídia regional do Brasil, que pode ser visitado no endereço <www.cehcom.univali.br/monitordemidia>.

De lá para cá, o projeto evoluiu e se consolidou no cenário das discussões midiáticas em Santa Catarina. Neste primeiro ano de serviços, foram disponibilizadas 20 edições, abordando os mais diversos aspectos do jornalismo, e mais um extenso material complementar que vai de resenhas a artigos científicos, passando por colunas e textos de colaboradores. Iniciativa do curso de Comunicação Social-Jornalismo da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), o Monitor de Mídia funciona como um observatório da imprensa local, valendo como instrumento de pesquisa, incentivando os alunos a ler e discutir os jornais, e motivando uma discussão com o mercado jornalístico e a comunidade leitora. Neste sentido, o sítio presta um serviço de extensão universitária, ao mesmo tempo em que pode servir como recurso auxiliar de ensino nas disciplinas de Jornalismo.

Neste primeiro ano de funcionamento, o Monitor de Mídia buscou sua estruturação como projeto fomentador de um amplo debate jornalístico local. Buscou ainda a implementação de rotinas e metodologia de trabalho, leitura, discussão e atualização do sítio.

Iniciativa a seguir

Cada edição começa com uma reunião de pauta, quando são definidos os temas a serem abordados. Em seguida, os alunos passam a acompanhar os jornais diariamente, coletando informações e fazendo anotações que auxiliem na avaliação geral. Adiante, todos se reúnem para sistematizar as informações e estruturar os textos. O professor-coordenador do sítio acompanha de perto esses estágios, e os conteúdos só vão para a rede com sua aprovação.

Ente as edições que produzimos, identificamos aspectos não tão claros nos jornais catarinenses, como o fato de que as edições dominicais – embora sejam as maiores – são as que têm menos material informativo (edição de 15 de maio de 2002) ou ainda que as retificações são escassas e pouco visíveis (17 de setembro de 2001). Comprovamos ainda teses do senso comum, como o impacto da falta de revisão dos originais na qualidade dos jornais (edição de 1º de março de 2002), o esvaziamento do editorial como gênero jornalístico (15 de abril de 2002) e a não-publicação de críticas nas seções de cartas (1º de agosto de 2002).

Aceitação nas redações

O Monitor de Mídia ainda avaliou a cobertura dos jornais sobre a canonização de Madre Paulina (1º de junho de 2002), a Copa do Mundo (15 de junho de 2002), os seqüestros de Silvio Santos e Patrícia Abravanel (28 de agosto e 5 de setembro de 2001) e a crise do dólar (1º de setembro de 2002), bem como se concentrou na análise dos cadernos de verão (15 de fevereiro de 2002), nas páginas de cultura (29 de outubro de 2001) e nas editorias de Economia (1º de abril de 2002) e Polícia (15 de agosto de 2002). Todas as edições anteriores podem ser consultadas no sítio.

Esta primeira etapa de trabalho do Monitor – sua implementação como instrumento de avaliação da imprensa local e instaurador de um debate amplo sobre o jornalismo – trouxe alguns resultados que, na maioria das vezes, são difíceis de ser contabilizados. Particularmente, o que vimos notando é um movimento gradativo no despertar para uma leitura mais crítica dos meios. Isso é perceptível tanto na sala de aula quanto nas dinâmicas e reuniões com a equipe do projeto. Este aspecto se estende ainda para uma leitura mais cotidiana dos jornais locais, algo que – embora pareça paradoxal num curso superior de Jornalismo – não era prática tão disseminada quanto se desejasse.

Ao contrário do que esperávamos, as redações também vêm manifestando aceitação da proposta, pelo que temos visto nas mensagens eletrônicas recebidas. A comunidade acadêmica igualmente absorveu o projeto, talvez pelo ineditismo ou mesmo pela carência de um serviço como este. Até o fechamento deste texto, contávamos com mais de nove mil acessos. Se o Monitor de Mídia é um instrumento eficaz e adequado para a instauração de um diálogo entre produtores e consumidores dos jornais em Santa Catarina ainda é cedo para afirmar. No entanto, iniciativas semelhantes podem ser viabilizadas com facilidade em outras localidades do país. Basta começar.

(*) Professor de Legislação e Ética em Jornalismo da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e coordenador do Monitor de Mídia

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