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JORNALISMO EMPRESARIAL
As novas exigências do mercado de trabalho
Marili de Souza (*)
A expectativa dos formandos em Jornalismo e o ensino pré-histórico das faculdades de Jornalismo: essa foi a preocupação que motivou o jornalista Aurélio Galvão a escrever artigo sobre o jornalismo empresarial neste site, queixando-se da falta de adaptação dos currículos escolares à realidade do mercado de trabalho. Não sei quantas faculdades hoje no país estão com seus currículos adaptados ou não à nova realidade de mercado, nem quantas delas, portanto, ainda preparam alunos para atuarem apenas em redações de rádio, TV e impressos – mercado hoje quase em extinção, como sabemos.
Assim, sou obrigada a dar razão ao colega jornalista quando afirma que muitas escolas estão paradas no tempo há pelo menos 30 anos, focando o curso em disciplinas sobre linguagem jornalística nesses três meios de comunicação, enquanto o mercado, dinâmico, já dá voltas em alta velocidade em torno da comunicação organizacional e da comunicação online.
Trabalho hoje numa instituição de ensino superior em Belo Horizonte (UNI-BH) que vem voltando seus olhos há algum tempo para o mercado de trabalho. O novo currículo de Jornalismo, uma exigência do MEC, já contempla disciplinas como Jornalismo Organizacional e Jornalismo Online procurando preparar seus alunos para a nova realidade de trabalho.
Trata-se de um fenômeno curioso: não dá para dissociar o tempo da reflexão, representado pela escola, do tempo da prática, representado pelo mercado. Os dois são importantes e hoje, cada vez mais, esses dois tempos têm de dar as mãos. A escola não pode mais ser aquela instituição fechada em si mesma e o saber, não pode ser mais propriedade de um alto poder intelectual que não acompanha a revolução do mercado.
Cada vez mais, a escola tem um papel importante na formação do profissional como agente do mercado de trabalho, e o ensino é um agente que pode promover mudanças culturais efetivas, hoje, caminhando, por exemplo, no rumo de uma cultura empreendedora capaz de alavancar uma nova realidade econômica, em que alunos recém-saídos de universidades não cruzem os braços à espera de uma vaga, mas criem seus próprios espaços de atuação.
Luís Afonso Bermúdez, diretor do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da UnB, afirma que as empresas de conhecimento devem se transformar em uma das principais forças do desenvolvimento regional, ajudando a alavancar a economia, gerando crescimento e desenvolvimento econômico. As escolas, segundo Bermúdez, têm de ser responsáveis pela disseminação de uma nova cultura educacional, que aproxima centros de pesquisas, empresas e forças da sociedade em um único esforço de formar empreendedores no futuro próximo, qualquer que seja a área de atuação. "A sustentabilidade dos negócios, no mundo globalizado, depende fortemente da manutenção de seu contato continuado com os conhecimentos produzidos nas instituições geradoras de conhecimento científico e tecnológico", afirma Bermúdez em artigo publicado em 2001 na Revista Sebrae.
Qualificando a informação
No campo do jornalismo isso parece não só necessário como absolutamente premente. O mercado mudou, as redações são cada vez mais enxutas e a figura do profissional de redação é cada vez mais escassa em tempos de internet. As escolas não podem ficar distantes dessa realidade. O UNI-BH (Centro Universitário de Belo Horizonte) vem experimentando uma nova espinha dorsal dentro do currículo: o preparo de alunos capazes de "virar-se" no mercado de trabalho, capazes de buscar suas próprias alternativas de geração de renda. Nessa perspectiva, a internet e as organizações são dois poços fecundos.
A disciplina de Jornalismo Organizacional, há dois anos no currículo do UNI-BH, caminha nessa direção e, somado a ela, o Laboratório de Jornalismo Organizacional, que carinhosamente chamo de LabJorg. Trata-se de uma experiência inovadora que pretende aliar teoria e técnica em uma espécie de assessoria experimental, exatamente como sugere Aurélio Galvão quase como num sonho futurista.
O "laboratório vivo", Galvão, já existe e está entrando em funcionamento, procurando desvendar esse mar fecundo da comunicação organizacional, descobrir esse novo potencial de uso da comunicação dentro das instituições. Concordo com você que ainda há muito que amadurecer e que estamos na infância do jornalismo empresarial, mas não apenas por parte das universidades: falta ainda ao empreendedor, privado ou público, a fé nos investimentos no setor.
A nomenclatura Jornalismo Organizacional utilizada pelo UNI-BH procura contemplar uma gama maior de instituições, que não apenas as empresas: públicas, privadas, ONGs, sindicatos e entidades variadas que hoje descobrem na comunicação institucional uma forma de falar com o mundo e de cuidar de sua própria existência num mercado globalizado, no qual não basta mais apenas comunicar – é preciso saber comunicar, é preciso qualificar a comunicação.
(*) Jornalista, professora e coordenadora do Laboratório de Jornalismo Organizacional do UNI-BH, em Belo Horizonte
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