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DIRETÓRIO ACADÊMICO COMENDO MOSCA Victor Gentilli Cevados pelos milionários anúncios dos grandes shopping centers da Educação, para usar um termo preciso cunhado por José Salvador Faro, os jornalões e as semanais esqueceram-se completamente das universidades federais. É certo que os jornais paulistas sempre desprezaram um pouco esse noticiário, pois São Paulo nunca teve instituições federais significativas. A Folha de S.Paulo e o Estado de S.Paulo sempre trataram questões de funcionalismo federal como questões de barnabés distantes, coisas que a Grande Metrópole praticamente não possui. Mas os diários do Rio sempre noticiaram com destaque as novidades. O Globo e o Jornal do Brasil mantêm há anos uma velha disputa sobre o melhor noticiário na área de ensino federal. Afinal, trata-se da antiga capital da República, onde até há poucos anos havia uma sucursal do Senado... Além disso, a existência da Universidade Federal do Rio de Janeiro, antiga Universidade do Brasil, da Universidade Rural, da Universidade Federal Fluminense e outras instituições fazem com que as informações sobre o serviço público federal de ensino superior sempre mereçam atenção da imprensa carioca. Na semana passada: ** Os reitores das universidades federais se reuniram em Brasília com o ministro Paulo Renato Souza.** O encontro resultou num conflito e fez com que os reitores deixassem de prestigiar o lançamento do Fundo Setorial de Infra-Estrutura. O presidente Fernando Henrique esteve presente neste lançamento.** O episódio gerou uma crise, que resultou na saída de Antonio MacDowell de Figueiredo da Secretaria de Ensino Superior (SESu) do MEC. O secretário (aliás, originário da UFRJ) teria pedido para sair do cargo porque ficou inconformado com o não-cumprimento do que havia sido acertado com o ministro sobre o número de professores a serem contratados.** O secretário foi imediatamente substituído pela presidente do Inep, Maria Helena Guimarães de Castro, que provisoriamente acumulará os dois cargos.** Antes de se definir por MacDowell, o ministro fez vários convites e manteve o antecessor Abílio Baeta Neves mais de um ano aguardando seu sucessor, igualmente acumulando dois cargos: a Capes e a SESu.** O pivô da crise foi o anúncio do governo de que autorizava a contratação efetiva – por concurso público – de 2 mil dos 6 mil professores que as universidades federais necessitam há anos.** Outro ponto de conflito foi o abono que o governo federal concedeu ao funcionalismo das universidades, cujos contracheques são idênticos aos da época em foi criada a URV, que se transformaria em real – isso em 1994.Os jornais trataram essas informações com pequenas matérias, nenhuma esclarecedora. Para os leitores, a versão veio oposta. O noticiário dos jornais afirmava que a área econômica vetava qualquer contratação ou reajuste, mas a pressão do presidente Fernando Henrique fez com que pelo menos 2 mil novas contratações fossem autorizadas. O fato de a presidente do Inep ser de imediato escolhida como nova secretária de Ensino Superior indica, aparentemente, mais uma vitória do Inep na batalha de bastidores pelo poder sobre a política de ensino superior. Os leitores tinham muito a saber; os jornais tinham muito a contar. Nem os press releases do MEC foram aproveitados. | ||