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DIRETRIZES
Uma barriga de três meses

Victor Gentilli

As novas diretrizes curriculares para os cursos de Comunicação Social – que produziram tanto bafafá nos últimos anos – foram aprovadas no dia 4 de abril pelo Conselho Nacional de Educação. Não estão ainda em vigor, pois falta a homologação do ministro Paulo Renato Souza.

Na mídia, nada; nos sites especializados, nada. Tivemos a reunião da Compós, o IV Encontro de Professores, o Seminário do Provão e em nenhum desses eventos e vários outros o tema foi tratado. É verdade que muitos dão como certo a aprovação das novas diretrizes e já há muito tempo trabalham com elas.

Mas existem – e não são poucos – aqueles que acreditam que enquanto as novas diretrizes não forem aprovadas, ainda vale a velha, anacrônica e ultrapassada Resolução 02/84 (que estabelece o currículo mínimo). O fato é que, quando a nova LDB entrou em vigor, sepultou os velhos currículos mínimos.

Mas é de se estranhar este silêncio absoluto de três meses. As pessoas devem estar de olho em outras coisas.

 

EDUCAÇÃO
Estadão bem; no Rio, nada

V.G.

As mudanças no sistema de avaliação do ensino superior, cujos decretos foram publicados no Diário Oficial dia 9 e 12 de julho, passaram batido pelos jornalões cariocas e pelas semanais.

A edição do Estado de S.Paulo da quinta-feira [12/7] publica grande matéria, com chamada na primeira, sobre os Centros Universitários. Jornalismo da melhor qualidade, com investigação e apuração corretas. A matéria mostra que essa nova modalidade de instituição vem fracassando sistematicamente nas avaliações promovidas pelo próprio MEC.

Os Centros Universitários são um meio termo entre Faculdades e Universidades, e, pelo visto, não conseguiram mostrar a que vieram.

Atingir o status de Centro Universitário, para uma instituição privada, é chegar no melhor dos mundos. Não há nenhuma obrigação de produzir pesquisa ou extensão (como nas Universidades), mas podem criar cursos, aumentar vagas sem pedir autorização ao MEC – o que é dispensável nas Universidades, mas imprescindível nas instituições isoladas.

As Universidades e os Centros Universitários, agora, vão ser avaliados mais amiúde pelo MEC. Vamos ver onde a coisa vai dar.

Notas

** O leitor dos jornais cariocas encontra diariamente páginas e páginas comerciais das grandes fábricas de diplomas, à frente Estácio de Sá e UniverCidade (que além de erro de ortografia é erro de informação: a UniverCidade não é universidade, é Centro Universitário). As eventuais mazelas desses cursos, ao que tudo indica, vão ficar inacessíveis aos leitores de jornais.

** A edição de Veja desta semana [18/7/2001] mostra, na seção "Radar", que continua grande o poder de João Carlos Di Gênio, amigo do peito de ACM e maior empresário da educação no país. Conseguiu autorização de mil vagas para os novos cursos de Medicina que sua Unip vai criar às vésperas de o Diário Oficial publicar novas regras, mais exigentes.

** Instituição que funciona e trabalha bem em silêncio jamais alcança o atributo de notícia. Poucas semanas depois do CNPq, agora é a vez da Capes completar 50 anos. O MEC criou um prêmio para a melhor matéria sobre a instituição. Nada parecido com o Prêmio Bulgari. Ganha uma bolsa quem fizer a melhor matéria sobre os 50 anos da Capes.

** Articulista de Veja Cláudio de Moura e Castro comenta sobre a Capes na edição de 24/7/2001. Vale a leitura.



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