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DIRETÓRIO ACADÊMICO

 

Sobre a Comissão de
Especialistas em Jornalismo

Victor Gentilli

 

É iminente a criação, pelo MEC, de uma Comissão de Especialistas de Ensino de Jornalismo. Esta Comissão vem sendo reivindicada por setores do ensino do jornalismo, inconformados com o que entendem como "formação polivalente" prevalecente nas primeiras versões de textos das novas diretrizes curriculares que viriam a substituir o anacrônico currículo mínimo vigente desde 1984.

Esta nova comissão seria formada por membros da atual Comissão de Especialistas (inclusive este escriba) e membros da Comissão que estabelece os padrões e as diretrizes para o provão de Jornalismo.

Segundo as informações correntes em mensagens eletrônicas, a comissão seria formada pelos seguintes professores: Dóris Fagundes Haussen, Hélio Schuch, Nilson Lage, Tupã Gomes Correia e Victor Gentilli. Quando esta edição estiver no ar, essas pessoas já se terão reunido no MEC – alguns convocados para discutir o currículo de Jornalismo, outros a Avaliação das Condições de Oferta dos Cursos de Jornalismo.

A realização do Seminário de Campinas e o documento dele decorrente, se aceitos pela atual Comissão de Especialistas que cuida das novas Diretrizes, não cria grandes conflitos para o estabelecimento do texto final das diretrizes, como entendem alguns (ver abaixo texto de Eduardo Meditsch).

Há vantagens e desvantagens de uma Comissão de Jornalismo:

  • Até hoje, a qualificação de professores (mestrado e doutorado) no Brasil sempre foi ampla. Isso faz com que os cursos tenham seus mestres e doutores em sua grande maioria ministrando disciplinas do chamado "tronco comum".
  • Os professores titulados em jornalismo, sem exceção, fizeram suas pós-graduações no exterior.
  • No início dos anos 90, a ECA-USP lançou mestrado e doutorado em jornalismo. Por motivos que não nos cabe comentar agora, os cursos não vingaram.
  • Precisaremos não apenas de mestrados profissionalizantes, como de mestrados e doutorados com linhas de pesquisa mais direcionadas às realidades profissionais.
  • A grande maioria dos cursos brasileiros foi montada como cursos de Comunicação, com diversas habilitações. Um pedido de autorização de novo curso será analisado por diversas comissões, cada uma com especialistas diferentes?
  • Um curso autorizado há quatro anos com três habilitações, por exemplo, fará três processos de reconhecimento?
  • Já é realidade a dificuldade de encontrar professores que façam verificações in loco de cursos de Publicidade, Cinema e Editoração. Entendo que este é um problema que só se resolve evidenciando-o.
  • Os cursos de Jornalismo que já se submetem ao provão, serão agora avaliados em suas Condições de Oferta (essas mesmas que geraram noticiário recente na imprensa em Direito e Administração). Uma comissão unificada só trará vantagens neste aspecto.

 

Odontologia já foi parte
da Medicina. Lembram?

Eduardo Meditsch (*)

 

Há gente fazendo tempestade em copo d’água, e entrando em pânico sem razão. A criação da Comissão de Especialistas em Jornalismo pelo MEC é uma vitória de todo o campo da Comunicação, que tem assim seu crescimento e sua consolidação reconhecidos pelo poder público. Se esta medida restringe o poder de todos nós – no sentido de deixarmos de opinar sobre a formação profissional dos outros –, aumenta a possibilidade de pensarmos, cada um, na própria área, e a desenvolvermos.

Foi assim que um dia a Odontologia se desmembrou do currículo da Medicina, e hoje ninguém imaginaria que dentistas e médicos fossem obrigados a sentar juntos (com veterinários, enfermeiros e nutricionistas) para compor um currículo comum a seus cursos. Cada um tem o seu, mas ninguém deixa de ser da área da Saúde. Aliás, a área de Cinema também já se desmembrou da Comunicação, e isto não representou mutilação para ninguém.

O argumento de que a criação da Comissão de Jornalismo prejudica o que foi decidido no Seminário de Campinas é falso, e só tem por objetivo espalhar confusão. Pelo contrário, a criação da comissão garante que o que foi decidido lá será posto em prática – o que pode desagradar a uns e outros, mas foi decidido num amplo e democrático debate.

Melhor do que uma camisa-de-força, que cada vez mais nos tornava distantes das realidades profissionais e colocava em xeque nossa razão de ser enquanto campo acadêmico, vai ser descobrirmos agora as verdadeiras interfaces que nos unem. São muitas, sem dúvida, tanto quanto são muitas as especificidades das profissões reunidas na área, e que a vala comum da Comunicação não soube valorizar nem respeitar.

Em suma, avançamos. Ou pelo menos poderemos avançar. E isso é bom para todo o campo acadêmico.

(*) Coordenador do Projeto Universidade Aberta, da Universidade Federal de Santa Catarina, e do Grupo de Estudos em Jornalismo da Associação Latino-Americana dos Pesquisadores em Comunicação. E-mail: [[meditsch@cce.ufsc.br]]

 

SEMINÁRIO DE CAMPINAS
Quatro visões

Em entrevistas a Paulo Ferreira, quatro docentes dão sua opinião sobre o Seminário de Campinas: o professor José Salvador Faro, um dos relatores da Comissão de Especialistas do MEC; o professor Juliano Maurício Carvalho, da PUC-Campinas, da Fenaj e coordenador do Seminário; o professor Nilson Lage, titular da Universidade Federal de Santa Catarina, um dos mais ferrenhos defensores do ensino de Jornalismo; e o professor Erasmo de Freitas Nuzzi, da Faculdade de Comunicação Social da Fundação Cásper Líbero, de São Paulo.

 

Faro: "Diretriz é orientação geral"

Qual o objetivo do documento da Comissão?

Este documento tem por objetivo suscitar a discussão sobre as diretrizes curriculares, para que a comissão de especialistas do MEC possa encaminhar ao Conselho Nacional de Educação uma proposta final. Este é um documento preliminar, e não definitivo. Ele procura alinhavar, em termos gerais, aquilo que as entidades de Comunicação, professores, estudantes e o próprio presidente da comissão discutiram numa reunião em Brasília, em fevereiro. O documento sintetiza os consensos e as divergências que ocorreram nesse evento.

Em cinco décadas de curso de Jornalismo já ocorreram oito mudanças no currículo, nenhuma conseguiu alcançar uma identidade para o curso. Essa é a intenção do documento?

Não. Acho que a identidade do curso já está consolidada. O que estamos fazendo é recuperar, na formulação das diretrizes, os pontos mais importantes dessa identidade. Mas ela já existe. Não há dúvidas sobre a área a que pertence o publicitário ou o jornalista. A área de Comunicação, hoje, é uma área consagrada. Agora ela precisa ser especificada nas Diretrizes Curriculares, e é isso que as diretrizes pretendem.

Foi levantada uma polêmica afirmando que o documento não atenta para a parte técnica, dando muita ênfase aos conceitos teóricos. Qual sua opinião?

Não é verdade. O documento não esquece a parte técnica. Ele também trata dessa parte em linhas gerais, porque é da natureza dele que seja genérico. Não pode ser um documento específico. Por exemplo: ele propõe como tópicos de estudo e conceitos básicos uma diretriz; e uma diretriz não é uma disciplina. Quer dizer, se o jornalista vai trabalhar com Internet, essa diretriz prevê isso. É uma coisa genérica. Não é um currículo, é uma diretriz curricular. É um caminho apontado pelo Ministério.

Um jornalista precisa ser um comunicólogo?

Não. Acho importante na formação do profissional da habilitação uma visão profunda sobre o campo do conhecimento em que seu trabalho está inserido. Então não é um comunicólogo, é um jornalista que tem a visão do processo de comunicação. Eu sou contra a idéia de um comunicólogo em geral.

Qual o objetivo do seminário?

Penso que o seminário está querendo fazer uma coisa importante, que é definir nas diretrizes curriculares o campo do jornalismo. O documento preliminar do MEC passou por alto nisso, passaram por alto em todas as habilitações. Então, seminário foi realizado por várias entidades com esse objetivo: vamos demarcar qual é o campo. Só que ele está caminhando para um impasse nessa discussão. Estou percebendo que, na ânsia de definir a especificidade do Jornalismo, o pessoal tem colocado coisas muitos genéricas que o próprio documento aborda. Dá impressão de que, se caminhar assim, não vai se chegar aonde se pretende.

Então o senhor acha que corre o risco de se não cumprir a função do seminário?

Sim. De ficar um vazio de idéias e não chegar a nenhum lugar.

 

Juliano: "Propostas concretas"

Após uma organização relâmpago, foram cumpridos os objetivos do seminário?

Nós temos vários objetivos em um seminário como este. O primeiro era colocar o debate das Diretrizes Curriculares na ordem do dia das escolas de Comunicação, das empresas de comunicação, dos estudantes, e criar com isso mais do que um documento propositivo, mas criar um ambiente, do qual precisamos, de rever o modelo de formação jornalístico. E fizemos isso, nas condições que tínhamos.

Como foram as discussões nesses dois dias?

Cada um veio com o tipo de acúmulo que tinha: a Fenaj com seus seminários e congressos; o Movimento pela Qualidade de Ensino em Comunicação também trouxe um documento; a Intercom trouxe uma proposição fora do jornalismo; a Abecom, a Enecos, os próprios professores, enfim, cada um veio com seu acúmulo. Uns mais formulados, outros menos, mas de qualquer maneira todos deram sua contribuição de uma maneira positiva, algumas vezes conflituosa. Mas nós não queríamos resolver as divergências, e sim construir um consenso naquilo que era comum. E isso o seminário conseguiu – aliás, um desafio raro na área de Comunicação.

Quais as propostas concretas apresentadas? A discussão ainda está ainda em aberto?

O seminário delineou várias proposições: desde os conteúdos ministrados nas habilitações de Jornalismo ao perfil de formação e as condições institucionais em que o curso de Jornalismo deve se inserir. Ele tem características pontuais várias, e daqui para a frente o documento vai para a Comissão de Especialistas, que fará mais uma rodada de reunião com as entidades para afinar alguns pontos que são considerados importantes. Na seqüência, a comissão deve enviar esse documento à Secretaria de Ensino Superior do MEC e ao Conselho Nacional de Educação.

Há novos projetos em vista relacionados ao tema?

Cada uma das entidades tem seus projetos. A Fenaj tem uma Comissão Nacional que vai ampliar essa discussão e torná-la mais madura. O GT de Jornalismo da Intercom, na mesma direção, deve ajudar a oxigenar esse debate no próprio Congresso da Intercom. O Fórum de Professores de Jornalismo, idem nas suas publicações. E o Observatório da Imprensa vai disponibilizar um conjunto de textos que repercutirão as várias visões aqui debatidas, inclusive aquilo que não foi consenso.

 

Lage: "Manter o conquistado"

Quais são as principais falhas do documento que a Comissão propõe?

A principal falha é que ela fala sobre uma profissão que não existe: comunicador. Ignora as profissões existentes, trata essas profissões como meras sub-retrancas de uma coisa chamada comunicador social, que não existe. Ignora diferenças enormes de perfil e valores éticos entre, por exemplo, publicitários, jornalistas e relações públicas. Essa é a principal deficiência. A segunda é a inespecificidade do documento: ele não é específico. A terceira é que ele permite que exista um curso de Jornalismo em que não se ensine jornalismo. Ele se apropria de uma obrigação legal, o diploma da formação profissional, para fazer cursos baratos que escolas particulares possam propor com pouco dinheiro, enganando os jovens.

Como essas falhas poderiam ser corrigidas?

Eu tenho a impressão de que o certo, realmente o certo, seria acabar com essa baboseira de Comunicação Social e transformá-la em uma disciplina, que é o que ela é. E dar cursos de Jornalismo, Publicidade e Relações Públicas voltados especificamente para as profissões, com uma série de outras disciplinas que têm cabimento nos cursos e não entram nos currículos por estarem presas à área de Comunicação. Por exemplo: Relações Públicas poderia contar com uma série de disciplinas de Administração, já que é ligado à administração. E no caso de Jornalismo, uma carga enorme sobre atualidade do mundo, a própria teoria do Jornalismo, que é ignorada por causa da vinculação à Comunicação. Mas se isso não for possível, pelo menos que se mantenha o que se já ganhou, como 50% de disciplinas técnico-profissionais; e que os professores dessas disciplinas sejam jornalistas profissionais, haja laboratórios instalados e que se ensine redação ao longo do curso.

Essas características não seriam intrínsecas ao curso? Há meio de se formar jornalistas sem essas noções?

Claro. Em termos de picaretagem, tudo é possível. O sistema universitário brasileiro é picareta, com exceção de algumas universidades públicas e particulares sérias. O restante é uma fábrica de dinheiro. Claro que será muito mais fácil colocar sociólogos e antropólogos desempregados para dar aulas do que contratar jornalistas para dar aulas a turmas reduzidas, montar cursos de redação, investir em equipamentos e uma série de coisas que tornam o curso mais caro.

O jornalista tem que ser um comunicólogo?

Não. O jornalista tem que conhecer alguma coisa de teoria da comunicação, que se resume na verdade em uma disciplina, ou duas, no máximo. E ele tem outras teorias que precisaria conhecer. O que se ensina hoje é teoria velha, quase cinqüentenária. Há teorias muito mais novas. Só que as pessoas que ensinam Comunicação são ignorantes e não as conhecem. São despreparadas, estudam com base em livros antigos, pensam de maneira antiga e preconceituosa em relação ao jornalismo. A parte teórica do curso é contra os jornalistas. O aluno aprende que o jornalista é um canalha, aprende que ele vai ser um canalha porque isso é importante para esses intelectuais que querem aparecer.

Qual a função do seminário?

Não sei. Acho o seminário muito pouco objetivo. Ele está se abrindo em discussões muito amplas, e isso pode comprometer seu objetivo, que seria estabelecer finalidades específicas em relação ao jornalismo para impedir o retrocesso do ensino na área.

 

Nuzzi: "Mais autonomia"

O senhor disse que em cinco décadas os currículos de Jornalismo já mudaram oito vezes e não conseguiram alcançar uma identidade. A proposta de novas diretrizes alcança essa identidade?

O documento distribuído nesse seminário diz que é necessário que haja flexibilidade na elaboração de programas curriculares dos cursos de Jornalismo, como a dispensa do chamado currículo mínimo obrigatório. Isso é o que eu venho defendendo: autonomia. Eu entendo que se em oito tentativas não houve uma opinião unânime a respeito do currículo ao longo de 50 anos, é chegada a hora de dar liberdade às escolas, cabendo aos alunos, instituições, sindicatos e MEC, fiscalizarem se a escola está realizando aquilo que promete na sua programação. Eu sou a favor de que as escolas tenham liberdade para criar seu currículo de acordo com a região em que estiverem inseridas.

Não haveria um currículo mínimo exigido em todas as instituições?

Se tivesse de haver, que não fosse um currículo mínimo, mas matérias comuns. Eu diria que seriam essas: Língua Portuguesa, Sociologia, Teoria da Comunicação, Filosofia, Legislação dos Meios e mais nada. E qualquer transferência de estudantes deveria ser feita pelo contexto dessas disciplinas, que eu chamaria de fundamentais a qualquer curso. O restante é tecnologia e complementação da parte de Ciências Humanas.

O seminário cumpre sua função?

Esse seminário foi um milagre de dedicação do Juliano Maurício Carvalho (coordenador geral do encontro) e de outros professores de Jornalismo. Realizar um Seminário em duas semanas e mobilizar o que mobilizou é um verdadeiro milagre. Os resultados não sei se corresponderão às expectativas, mas que foi um esforço meritório, digno de aplausos e que merece ser louvado.

 

CARTAS
O pessoal não gostaram

Estamos, como todos os colegas país afora, debatendo a questão das diretrizes curriculares para Comunicação Social/Jornalismo. Um dos documentos que analisamos em nossa última reunião foi retirado do Observatório da Imprensa: a "Proposta de Diretrizes Curriculares". Pelo que entendemos, trata-se do documento aprovado pelo seminário nacional realizado em fins de abril, em Campinas.

O que chamou a atenção, de início, foi a redação do texto. Vejam bem: "A presente proposta de Diretrizes Curriculares para a área de Comunicação e suas habilitações específicas estabelecem procedimentos para constituir um padrão de referência para todas as Instituições que manterem Cursos de Graduação em Comunicação..."

A proposta "estabelecem"? para as instituições que "manterem"?

O pessoal não gostaram.

É preciso um pouco mais de cuidado nessas horas. O seminário pode ter sido feito às pressas, como diz Victor Gentilli (que também deve ter redigido em igual ritmo seu texto no Observatório, dados os gritantes erros de revisão), mas não há desculpa para esse tipo de falha. Ainda mais quando se quer, justamente, defender pontos de vista aparentemente contrários aos que o MEC supostamente deseja debater. Expor esse tipo de fragilidade na redação de um documento que advoga, entre outras coisas, exatamente a necessidade do apuro no ensino de redação nos cursos, é gravemente comprometedor.

Quanto ao conteúdo: acreditamos que a nova LDB tem propostas ambíguas, que podem dar em algo muito bom ou muito ruim, e, diante das pressões da iniciativa privada no campo da educação (e da mídia), e da resposta favorável que lhes dá o governo, não nos aventuramos a sonhar com o lado bom da coisa. Daí que consideramos imprescindível a união das universidades públicas em torno de uma base comum, e por isso não entendemos como a UFF não foi incluída nesse debate.

Trabalhamos tanto na área da pesquisa quanto na da chamada "produção". No primeiro caso, temos professores participantes assíduos da Compós e da Intercom, a maioria deles integrante do programa de pós-graduação (mestrado) em Comunicação, Imagem e Informação, que estreou em 97 e, na primeira avaliação da CAPES, recebeu nota 4 (do máximo de 5), o que nos deixou evidentemente muito satisfeitos. No campo da "produção", temos vários projetos de extensão. Para nos atermos ao setor de jornalismo, trabalhamos com os alunos, na área de impressos, em duas publicações: o tablóide Aliás, francamente experimental, e a revista Casarão, trimestral, de grande formato, voltada para temas da universidade; em rádio, com o programa Universidade no Ar, veiculado às quintas-feiras pela rádio MEC; em TV, na TV UFF, projeto de televisão universitária; e em jornalismo on line (ainda que precariamente, dadas as condições técnicas), com produção própria e a versão de alguns desses projetos para a linguagem da internet.

Desde o início do ano passado, provocados pela "chamada" do MEC a respeito das diretrizes curriculares, vimos discutindo a questão, e mandamos a Brasília, no prazo determinado, as linhas gerais do que debatemos em reunião de março de 98. Envio o texto a vocês [ver abaixo] a título de contribuição, embora seja algo bem sintético, porém coerente com as informações de que dispúnhamos então. Abraços,

Sylvia Moretzsohn, jornalista, chefe do Departamento de Comunicação Social do IACS/UFF

Victor Gentilli responde: 1)Publicamos nesta edição a proposta da UFF. 2) Constrange-me editar um documento com os erros apontados. Pior: é um documento oficial, resultado de um seminário, com uma comissão de redação conhecida. Alterar o texto seria impossível. Chamar a atenção para o erro, com um (sic)? Não podia. 3) É, e a mesóclise do McDonald? Fá-lo-ia conforme suas recomendações, no frigir dos ovos descobri que fi-lo porque o quis. Abraços, V.G.

Polarização é problema

Caros colegas, sem querer ser chato, eu já previa que não ia ser fácil concluir as diretrizes se houvesse essa polarização entre jornalismo vs. comunicação. Eu já vivi esta mesma dificuldade antes, na ECO/UFRJ, durante uma década. Foi preciso esperar o professor Nilson Lage sair para a coisa se resolver. Se querem criar uma comissão de jornalismo, eu acho ótimo: quem sabe assim a coisa não se resolve de uma vez por todas. Em todo caso, devemos lutar para que o Jornalismo seja apenas uma habilitação entre outras da Comunicação. Duvido que os bons jornalistas queiram sair de Comunicação e ir para o Jornalismo. Qual a universidade ou faculdade que se disporá a deixar a Comunicação?

Certamente não as grandes... deixemos aqueles que pensam pequeno decidir a sua sorte...

André Parente, diretor da Faculdade de Comunicação da UFRJ

 

Desabafo

Caros amigos, estou lhes escrevendo, apenas, como forma de desabafo. Desabafo ao absurdo que ocorre na Escola de Comunicação da UFRJ. E, também, como forma de denúncia, para que todos saibam deste escândalo.

Eu e mais cinco alunos tivemos nossas bolsas de mestrado ou doutorado da Capes cortadas sem nenhum aviso. Simplesmente, passamos a não receber mais. A alegação da coordenação de pós-graduação é que não estivemos lá no dia determinado (23/2/99) para a renovação semestral de nossas bolsas. Encaminharam à Reitoria um comunicado de que estávamos ausentes da cidade por um prazo longo.

Tudo mentira. Naquela mesma semana eu estive na ECO para uma reunião com meu orientador (que, soube, estava de férias). Mesmo com medo, a pessoa da Secretaria responsável por avisar sobre as renovações semestrais (uma vez que esta data não consta nos contratos que assinamos com a Capes) nos informou de que foi proibida de ligar para nossas casas (então, como sabiam que estávamos ausentes da cidade?).

A Reitoria informa que a revogação de nossas bolsas deveria ter sido feita por uma comissão específica, com a presença de um pós-graduando. Na ECO, esta comissão não está formada e a decisão foi tomada unilateralmente pelo professor Emanuel Carneiro Leão (que também determinou as pessoas que passariam a receber nossas bolsas).

Para a Capes, a renovação semestral, a rigor, nem seria necessária, uma vez que estamos dentro do prazo estabelecido pelo contrato, segundo nos informou um funcionário.

Coincidentemente, todos aqueles que perderam bolsas são pessoas que já cumpriram seus créditos e a decisão foi tomada durante as férias. Ou seja, sem ter aulas e com nossos orientadores fora da universidade, o que estaríamos fazendo lá? Fica mais fácil alegar a ausência e nos tirar as bolsas.

Eu, particularmente, sofri bastante com esta decisão, e estou tendo, inclusive, problemas em manter meu aluguel. Por isso a decisão desta carta. Vamos entrar com um pedido de apuração dessas irregularidades e, simultaneamente, estou iniciando um processo de denúncia pública.

Há 12 anos mantenho relações com instituições públicas de ensino superior. Quer seja como aluno (graduação, aperfeiçoamento e mestrado), quer seja como militante (DA, DCE, Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação). Sempre defendi a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão e a necessidade social de uma universidade pública, gratuita, de qualidade, mas, principalmente, democrática. Na hora em que um governo de pulhas ataca de morte a universidade pública brasileira, como defendê-la se em seu interior vive livremente este tipo de prática mau-caráter?

Pode ser até que não dê em nada, mas o maior número possível de pessoas ficará sabendo que não basta ter sido aluno de Heiddeger, falar inúmeros idiomas, se não aprendemos algo tão básico como ter caráter. Um grande abraço,

Gustavo Gindre

 

Comunicação e educação

Meu nome é Sandra Bitencourt, sou jornalista, professora da Faculdade de Comunicação da PUC/RS. Recentemente estive fazendo mestrado na Universidade Autônoma de Barcelona em Comunicação e Educação. O tema do currículo do curso de Jornalismo é de extremo interesse para mim e de amplo debate na Famecos/PUC. Acho que a comunicação vem sofrendo mudanças muito profundas, e acabou se transformando em uma das formas mais importantes de acesso ao conhecimento para muita gente, e cabe ao profissional da comunicação dimensionar e trabalhar isso de forma correta. Aí entram os conceitos de comunicação e educação. Nossos profissionais egressos das faculdades não estão preparados para serem agentes de comunicação, contribuir para formar telespectadores e leitores críticos, educados para os meios e exigentes na produção de uma comunicação eficiente. Cada vez mais a TV, sobretudo, passa por uma "popularização" terrível e equivocada.

Escrevo para sugerir a discussão também deste tema, do reconhecimento de novos meios de comunicação e da necessidade de retomada do debate sobre o que é e como fazer notícia. Obrigada e parabéns pelo espaço.

Sandra Bitencourt

 

Cursos sem valor?

Este site muito tem contribuído para rachar as nossas mentes e incutir conhecimentos importantes na nossa formação profissional, já que somos a primeira turma de estudantes de Jornalismo de um curso e uma universidade em construção (Uniandrade). Os nossos companheiros da PUC, UFPR e TuiutI dizem que nosso curso não tem valor, e que a Uniandrade é uma universidade de mentira. Acreditamos, somente, que quem faz a faculdade é o aluno, e que curso superior é pesquisa, o professor desempenhando papel de orientador nas diversas atividades indivíduais. É o interesse de cada um que faz com que você seja um bom ou mau profissional. Desta forma, o Observatório Da Imprensa tem contribuído muito para que possamos desenvolver um espírito crítico sobre nossa realidade.

Flávia, Estela, Angela, Osni, Wilson e Tarás

 

PROPOSTAS
UFF
Proposta de Diretrizes Curriculares
para Jornalismo e Publicidade
(*)

Considerando

1. Que a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação, de dezembro de 1996, fixa diretrizes curriculares como novos parâmetros para o ensino superior; e

2. Que a Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação orienta os currículos no sentido de

a) incentivar uma sólida formação geral, fortalecendo a articulação da teoria com a prática, a pesquisa individual e coletiva, os estágios e a participação em atividades de extensão;

b) estimular práticas de estudo independente, visando à progressiva autonomia profissional e acadêmica do aluno;

c) indicar tópicos ou campos de estudo e demais experiências de ensino-aprendizagem que irão compor os currículos, inclusive práticas profissionais e acadêmicas;

d) permitir que as instituições de ensino organizem programas de graduação que indiquem as competências básicas a serem desenvolvidas pelos alunos em cada curso; e

e) proporcionar ampla liberdade na composição da carga horária a ser cumprida para a integralização dos currículos,

Propomos:

1. Que o jornalismo e a publicidade sejam considerados "campos de saber" inseridos no conjunto do conhecimento abrangente da Comunicação, enraizada nas tradicionais áreas de conhecimento das Ciências Humanas e Sociais;

2. Que o conhecimento desses campos de saber se traduza em disciplinas que abordem, de forma integrada e desde o primeiro período do curso, os fundamentos teóricos, as técnicas e as práticas laboratoriais específicas;

3. Que as disciplinas de fundamentos teóricos da Comunicação ofereçam uma visão abrangente e atualizada do campo, incentivando a pesquisa na graduação, mas sempre fazendo ligação com os campos de saber das habilitações específicas do curso;

4. Que a organização do currículo seja atrelada à implantação, manutenção e constante atualização de laboratórios de pesquisa e produções experimentais do curso, de forma a cobrir todas as áreas possíveis de exercício profissional de jornalistas e publicitários, estimulando o desenvolvimento de competências, o espírito crítico e a criatividade;

5. Que seja ampliado o percentual da carga horária total das matérias obrigatórias, dividindo-as por disciplinas teórico-práticas e práticas laboratoriais, com distribuição equilibrada nos respectivos setores; assim, no caso do jornalismo, teremos os segmentos de mídia impressa (incluindo produção gráfica), audiovisual (rádio, TV e vídeo), multimídia (Internet e CD-ROM), institucional (assessoria de imprensa e comunicação organizacional) e fotografia/cinegrafia; no caso de publicidade, os segmentos de planejamento, criação, produção e veiculação; e na área de fundamentos teóricos, o incentivo à pesquisa, entendida como prática laboratorial;

6. Que seja aumentado o leque de ofertas das disciplinas optativas, para oferecer ao aluno maior grau de opção na definição de seu plano de estudos;

7. Que tanto as disciplinas de fundamentos teóricos da Comunicação quanto as teórico-práticas enfatizem as questões, estudos e pesquisas relacionados à recepção/efeitos das mensagens e da informação;

8. Que o currículo de Comunicação Social privilegie a oferta de disciplinas optativas das ciências sociais e humanas;

9. Que seja mantido o sistema de módulos, com cursos seqüenciais, podendo ou não ser fixados pré-requisitos para as disciplinas obrigatórias e optativas;

10. Que sejam respeitadas as diferenças regionais ao mesmo tempo que se criem mecanismos que garantam a qualidade mínima na formação profissional das habilitações específicas dos cursos de Comunicação;

11. Que seja mantida a carga horária atual e o tempo mínimo de oito períodos letivos para a integralização do currículo, de forma a permitir que a universidade capacite o estudante a exercer, satisfatória e criticamente, a profissão de nível superior e a enfrentar os desafios de uma sociedade em transformação.

Exposição de motivos

Criado em 1968 no contexto da reforma do ensino superior que dividiu a antiga Faculdade de Filosofia, o curso de Comunicação Social completa 30 anos de atividades, tempo suficiente para que se consolidem algumas questões de fundamentação acadêmica. Uma delas diz respeito aos objetivos da formação, em nível superior, de profissionais de áreas consolidadas, como Jornalismo e Publicidade, que vinham sendo ocupadas, em sua maioria, por pessoas sem graduação.

Independente da qualidade e do talento desses profissionais, que aprenderam na prática a desenvolver técnicas que contribuíram para o aprimoramento do Jornalismo e da Publicidade praticados no Brasil, não resta dúvida de que a elevação ao status de profissão de nível superior – com oito semestres de duração – representou um avanço nessas duas atividades formadoras de opinião.

Hoje, profissionais egressos de faculdades de Comunicação, principalmente das universidades públicas, ocupam postos-chave em redações de grandes jornais, emissoras de rádio e televisão, agências de publicidade, produtoras, áreas de mídia e recursos humanos de grandes empresas, fundações, sindicatos e organizações não-governamentais. Formamos, e continuamos a formar, uma elite intelectual que, apesar de todas as dificuldades de uma nação de Terceiro Mundo e do longo tempo de autoritarismo, consegue marcar posição no Jornalismo e na Publicidade deste fim de século.

Mas isso ainda é pouco. Precisamos aprimorar cada vez mais a qualificação desses "formadores de opinião". Desenvolver a reflexão e a capacidade crítica, estimular a criação, experimentar, intensificar uma base de conhecimentos humanos e culturais que permitam a esses profissionais do século 21 não apenas compreender a realidade social, mas habilitá-lo a transformá-la para melhor. O conceito de melhor pressupõe a possibilidade de estender ao máximo de pessoas as descobertas e avanços tecnológicos e o desenvolvimento cultural. Em suma, fazer com que a educação de nível superior esteja a serviço da sociedade, e não apenas do mercado.

Entendemos que, hoje, passados 30 anos e quatro reformas curriculares, o curso de Comunicação Social conquistou um amadurecimento que nos permite pensar as habilitações Jornalismo e Publicidade como campos de saber. Estudos de pesquisadores brasileiros se encaminham na direção de uma Teoria do Jornalismo, fundamentada na filosofia da linguagem, na semiologia e na retórica, entre outros ramos do conhecimento. Seria ingenuidade acadêmica pensar que estamos diante de um campo consolidado de conhecimento, mas reconhecer essa tendência e entendê-la como um campo novo de saber permitirá o estabelecimento de um novo eixo curricular, que mescle fundamentação teórica, reflexão crítica, conhecimento técnico e experimentação.

(*) Universidade Federal Fluminense, Instituto de Arte & Comunicação Social, Departamento de Comunicação Social, Niterói, RJ, 2 de abril de 1998

 

UNICAMP
Contribuição à proposta para
curso de graduação em audiovisual
ou multimeios no Instituto de Artes
(*)

Dentro do universo trabalhado pelos diversos cursos de graduação do Instituto de Artes da UNICAMP está praticamente ausente uma dimensão central do universo artístico e comunicacional de nossa sociedade: os meios audiovisuais ou multimeios. Os professores que trabalham nesta área dão disciplinas dispersas de graduação, o que impede a constituição de um eixo de formação profissional voltado especificamente para este campo artístico e de conhecimento. Pensando nesta lacuna, um grupo de professores tem debatido modos de aproveitar a tradição que temos hoje, de quase quinze anos de atuação docente em Multimeios, transferindo-a e adaptando-a ao universo da graduação.

A criação do Curso de Pós-Graduação em Multimeios adveio de um processo de interação dinâmica com uma demanda social que, certamente, encontra, ainda hoje, combustível para sustentar uma proposta de Curso de Graduação. Durante os anos de 1993, 1994 e 1995 tivemos amplas e exaustivas discussões sobre modificações a serem introduzidas no projeto original do Curso em Multimeios. A proposta que daí emergiu, respeitando o espírito original do curso, dinamizou algumas de suas estruturas, dando origem ao Curso de Doutoramento e a uma nova face do Curso de Mestrado. Atualmente o Programa de Pós-Graduação em Multimeios se assenta sobre duas pernas, ou linhas de pesquisa: "Multimeios e Artes" e "Multimeios e Ciências". A primeira estuda os diferentes meios audiovisuais (fotografia, campo digital, cinema, vídeo, televisão), sua história e teoria, enquanto manifestação artística. A segunda trabalha com as dimensões epistemológicas da utilização desses meios nos diferentes campos científicos. Temos estudantes e professores que trabalham a questão da mídia audiovisual nas áreas de biologia, antropologia, história, psicologia, educação, entre outras.

Nossa idéia é que um Curso de Graduação em Audiovisual/Multimeios no Instituto de Artes deva igualmente ser estruturado sobre estas duas pernas, com uma ênfase particular no campo audiovisual – qual seja, o estudo da fotografia, do cinema, do vídeo e das novas tecnologias digitais da imagem e do som. Em outras palavras, sugerimos que estruturemos a proposta de graduação a partir da história da fotografia e da história do cinema; do novo horizonte da videoarte; das dimensões sociais e comunicacionais do uso do meios digitais; das potencialidades artísticas da utilização destes meios, incluindo a interação entre arte e tecnologia; da tradição da análise fílmica e fotográfica; do estudo sincrônico e diacrônico da dimensão sonora no universo artístico audiovisual; do recorte nacional e autoral do campo audiovisual, expresso na tradição do Cinema Brasileiro e da Fotografia Brasileira – entre outros campos a serem ainda debatidos. A este recorte é indispensável que sejam adicionadas disciplinas que cubram a prática audiovisual. Neste sentido devem ser pensadas disciplinas que proporcionem aos alunos noções de prática cinematográfica, videográfica, fotográfica, prática no campo digital, sonoro, roteirização, cenografia, iluminação (fotografia) etc.

A segunda perna do Curso de Graduação em Audiovisual buscaria aproveitar a interação multidisciplinar com outros Institutos, dentro do recorte Multimeios e Ciências. Neste sentido, deveriam ser pensadas disciplinas específicas em Multimeios e Antropologia, Multimeios e História, Multimeios e História da Arte, Multimeios e Ciências Biológicas, Multimeios e Educação, Multimeios e Psicologia, Multimeios e Ciências Exatas. A tradição a ser aproveitada aqui é o histórico que temos, no Instituto de Artes, de trabalhar nesse eixo que intersecciona mídia audiovisual e ciências clássicas. Neste recorte, particular destaque deve ser dado às disciplinas que trabalham a relação entre Multimeios e Comunicação, que deverão abranger o universo das mídias de comunicação de massa, como televisão e jornalismo impresso. Em nossa proposta, o universo da Comunicação se encontra subordinado à dimensão dos Multimeios como uma manifestação particular destes meios, devendo ser estudado nessa configuração específica. Também deverão ser desenvolvidas disciplinas voltadas para a interdisciplinaridade dos meios e suas zonas fronteiriças.

É importante frisar que esta é uma proposta preliminar, que não se coloca de maneira excludente com relação a outras propostas, estando aberta a sugestões e acréscimos. Um de seus objetivos é que aprendamos a conviver, sem ira, com nossas diferenças. Não se trata de uma proposta da CPG do IA, ou de qualquer outro grupo, mas apenas de idéias que estão sendo sugeridas e apresentadas ao debate, na formulação das quais se teve o cuidado de ouvir e aproveitar a tradição de nosso Curso de Pós-Graduação para, a partir daí, pensar um Curso de formação básica. Em nosso ponto de vista, um curso de Graduação em Audiovisual/Multimeios deverá funcionar dentro do âmbito do Instituto de Artes, aproveitando a interface dinâmica entre Artes e Comunicação, aprofundando assim a tradição dos Multimeios que, com todas as limitações, vimos construindo com bastante esforço há quase quinze anos.

Ao pensarmos em um curso de graduação, temos de aproveitar a estrutura didática por nós desenvolvida nos últimos anos, e que foi concebida para se pensar de modo diferencial o campo da Comunicação. Estrutura esta que, inclusive, começa a ser imitada por outras universidades. É o carimbo dos Multimeios que particulariza a UNICAMP dentro do universo da Comunicação no cenário acadêmico nacional e mesmo internacional. É também através dele que somos hoje conhecidos na universidade brasileira, como autores de um projeto inovador em Cursos de Comunicação, em grande parte bem-sucedida. Neste espírito, entendemos, portanto, que a tradição dos Multimeios possa ser mantida em sua estrutura básica (interação artes & ciências) dentro de um eventual de curso de graduação, devendo ser adequada e conformada em termos curriculares segundo as possibilidades de Habilitação em Audiovisual abertas pela Proposta de Diretrizes Curriculares atualmente em discussão na Área de Comunicação. Esta proposta reflete um posicionamento consensual de alguns professores do IA, tendo sido objeto de contatos preliminares.

(*) Instituto de Artes da Unicamp, Campinas, SP, 7 de maio de 1999

 

TEXTOS REVISADOS
Seminário debate
ensino de jornalismo

Victor Gentilli

 

O Seminário Nacional de Diretrizes Curriculares de Jornalismo, organizado pelo OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA em parceria com o GT de Jornalismo da Intercom, o Fórum Nacional de Professores de Jornalismo e a Federação Nacional de Jornalistas, reuniu, em 24 e 25 de abril, em Campinas, mais de 200 pessoas preocupadas com o ensino de Jornalismo.

O seminário foi feito às pressas. A preocupação com o documento preliminar das Diretrizes Curriculares, expressas em diversos artigos publicados em edições anteriores deste Observatório, motivou muitos debates. Mas tínhamos um documento preliminar e provisório, com várias limitações, e apenas 15 dias para apresentar propostas.

A adesão da Fenaj e a pronta disposição da PUC-Campinas, à frente o professor Juliano Maurício de Carvalho, determinaram o sucesso do evento. Apesar da limitação do tempo, a participação foi intensa e os debates, ricos.

Havia um grande temor na área de que os jornalistas fariam daquela reunião um ato de alforria: desligar-se-iam do campo da Comunicação. Afinal, havia quem o desejasse, por entender que as especificidades do jornalismo seriam capazes de sustentar um campo autônomo de conhecimento. Mas havia sobretudo aqueles que entendiam que a profissão estava em perigo. O documento inicial do MEC tratava a tudo como "Comunicação".

Parece que o perigo foi superado. Parece também que a apropriação dos debates anteriores sobre ensino de Jornalismo – em que a Fenaj cumpriu um papel fundamental e decisivo – talvez tenha sido muito apressada, pouco refletida, em função da premência de tempo.

Mas ainda há tempo. A Comissão de Especialistas volta a produzir um novo texto, incorporando todas as sugestões apresentadas, e um novo encontro deverá ser realizado em junho.

O Observatório da Imprensa orgulha-se de ter promovido este debate, veiculando os mais importantes e polêmicos textos que o alimentaram. A seguir, novos textos para análise e reflexão.

 

O DOCUMENTO DE CAMPINAS
Proposta de Diretrizes
Curriculares da Área de Comunicação
e Habilitações Específicas

Relatoria do texto: Tatiana Scalco, Francisco Karam e Daniel Herz

Apresentação

A presente Proposta de Diretrizes Curriculares da Área da Comunicação Social foi elaborada pelos participantes do Seminário Nacional de Diretrizes Curriculares do Ensino de Jornalismo, realizado nos dias 24 e 25 de abril, em Campinas, São Paulo. O evento foi uma iniciativa do Curso de Jornalismo da PUC de Campinas e organizado e co-promovido pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), pelo Fórum de Professores de Jornalismo, pelo Observatório da Imprensa e o GT de Jornalismo da Intercom. O evento também teve, entre os mais de 200 inscritos, representantes da Associação Brasileira de Escolas de Comunicação (Abecom), da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (Compós), da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação (Enecos) e da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom).

Entre as deliberações tomadas pelo Seminário, constaram as seguintes ressalvas ao texto aqui apresentado:

1) O Seminário reconhece como válida e legítima a possibilidade de existência de Cursos Superiores de Jornalismo, não necessitando, assim, constituir uma habilitação de Curso de Comunicação.

2) Além da exigência genérica, de que a Estrutura Geral do Curso defina um "percentual mínimo de disciplinas técnico-profissionais (reportagem, redação e edição para diferentes mídias)", prevista neste documento, o Seminário também acolhe e encaminha à Comissão de Especialistas do MEC a proposta de que este percentual mínimo seja fixado nas Diretrizes Curriculares em 50% (cinqüenta por cento).

Além das proposições surgidas no próprio Seminário, este documento valeu-se de importantes contribuições de três outros documentos:

Diretrizes Curriculares da Área da Comunicação Social – Estudo preliminar e parcial, elaborado na reunião realizada nos dias 4 e 5 de fevereiro de 1999 entre a Comissão de Especialistas da área de Comunicação do Ministério da Educação (CEE-COM) e representantes das seguintes entidades profissionais, acadêmicas e estudantis (em ordem alfabética): Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação – (Compós), Conselho Federal de Relações Públicas (Conferp), Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação (Enecos), Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e União Cristã Brasileira de Comunicação (UCBC). A reunião foi convocada pela Comissão de Especialistas da área de Comunicação do MEC.

Bases de um Programa Nacional de Estímulo à Qualidade da Formação em Jornalismo – Estudo elaborado conjuntamente, em maio de 1998, pela Associação Brasileira de Escolas de Comunicação (Abecom), pela Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Comunicação (Compós), pela Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação (Enecos), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom).

Itens de avaliação do Exame Nacional de Cursos aplicados aos Cursos de Jornalismo – Portaria nΊ 54, de 5 de fevereiro de 1998, publicada no DOU de 6 de fevereiro de 1998, Seção I, pág. 3.

Proposta de Diretrizes Curriculares

A presente proposta de Diretrizes Curriculares para a área de Comunicação e suas habilitações específicas estabelece procedimentos para constituir um padrão de referência para todas as Instituições que mantiverem Cursos de Graduação em Comunicação com habilitações em Jornalismo, Relações Públicas, Publicidade e Propaganda, Editoração, Cinema e Radialismo. Suas especificações e critérios são igualmente válidos para os Cursos que optarem por se constituir como exclusivamente voltados para uma habilitação específica.

Perfil do Egresso
Perfil Comum

O perfil comum do egresso corresponde a um objetivo de formação geral que deve ser atendido por todos os Cursos da área e em todas as habilitações de Comunicação, qualquer que seja sua ênfase ou especificidade.

O egresso de Curso de Graduação em Comunicação se caracteriza por suas competências profissionais, sociais e intelectuais em questões de criação, produção, distribuição, recepção e análise crítica referentes às mídias, às práticas profissionais e sociais relacionadas com estas mídias e às suas inserções culturais, políticas e econômicas.

Deve ter competências que reflitam a variedade e a mutabilidade de fenômenos e demandas sociais e profissionais na área, propiciando uma capacidade de adequação à complexidade e à velocidade que caracterizam o mundo contemporâneo.

Deve dispor de uma visão totalizadora – genérica e ao mesmo tempo especializada de seu campo de trabalho –, possibilitando o entendimento da dinâmica das diversas modalidades comunicacionais e das suas relações com os processos sociais que as originam e que destas decorrem.

Deve utilizar criticamente, em sua atividade profissional, o instrumental teórico-prático oferecido em seu curso, sendo portanto competente para posicionar-se de um ponto de vista ético-político sobre o exercício do poder por intermédio da comunicação, sobre os constrangimentos a que a comunicação pode ser submetida, sobre as repercussões sociais que enseja e, ainda, sobre as demandas da sociedade contemporânea em relação à área das Comunicações.

Para isto, deve ter uma formação que transcenda as especialidades profissionais e que proporcione uma compreensão ampla e rigorosa sobre o campo da Comunicação, desenvolvendo assim uma percepção geral sobre este campo comum no qual as especialidades se inscrevem.

Com estas características, o perfil do egresso das várias habilitações do campo da Comunicação é baseado em uma dupla fundamentação - a primeira, genérica e universalista; a segunda específica e particularizada -, viabilizando que o egresso desenvolva suas competências e habilidades profissionais amparado em uma percepção fundamentada da sociedade contemporânea e desta área que adquire crescente complexidade e importância com a emergência de sistemas e práticas de comunicação que exercem crescentes determinações sobre a cultura, a política e a economia.

Perfil Específico

São perfis específicos os que resultam das habilitações diferenciadas do campo da Comunicação, que se caracteriza por abranger diferentes meios, linguagens e práticas profissionais e de pesquisa e, na atualidade, por envolver um acelerado dinamismo social e tecnológico. Para assegurar o desenvolvimento histórico desta área de formação, de estudos e de exercício profissional, serão desenvolvidas habilitações com uma variedade de perfis específicos, para garantir a correspondência ao dinamismo próprio deste campo. Estas habilitações, definidoras dos perfis específicos, se organizam conforme as seguintes premissas:

a) são mantidas as referências às habilitações historicamente estabelecidas: Jornalismo, Relações Públicas, Publicidade e Propaganda, Editoração, Cinema e Radialismo;

b) podem ser criadas ênfases específicas em cada uma destas habilitações, que serão então referidas pela denominação básica, acrescida de denominação complementar que caracterize a ênfase adotada;

c) podem ser criadas novas habilitações pertinentes ao campo da Comunicação.

As habilitações referidas nos itens "b" e "c", acima referidas, serão reconhecidas como pertinentes ao campo da Comunicação na medida em que se verifique o atendimento dos seguintes critérios:

a) demonstração da dimensão e da complexidade temática e do objeto de estudo que justifiquem um perfil específico de egresso;

b) ocorrência de espaço potencial de mercado, na área geográfica da instituição, para profissionais com o perfil específico previsto;

c) existência de vinculações profissionais e conceituais com o Campo da Comunicação, suficientes para serem consideradas inscritas neste campo ou ainda como desdobramentos ou como interfaces essenciais deste, caracterizando-se assim o novo perfil específico como diretamente relacionado à área;

d) não-ocorrência de superposição com habilitação ou profissão já existente e nem distorção de alguma destas;

e) caracterização de especificidades de linguagem ou de práticas profissionais ou sociais, de modo a justificar abordagens que não se restrinjam a um determinado suporte tecnológico;

f) identificação de uma parte comum da nova habilitação vinculada ao campo geral da Comunicação, em consonância com o perfil comum especificado nas presentes diretrizes;

g) adoção das Diretrizes Curriculares para os Cursos de Comunicação, em distinção aos vários documentos de diretrizes curriculares, correspondentes às diversas áreas de conhecimento e formação existentes no País.

Perfil Específico da Habilitação em Jornalismo

O perfil específico do egresso da Habilitação em Jornalismo corresponde a um objetivo de formação especializada que deve ser atendido por todos os cursos desta habilitação. Trata-se de base que define a estrutura curricular e garante sua identidade como Habilitação em Jornalismo.

O Jornalismo se destaca como uma modalidade de Comunicação exercitada através das mais diversas linguagens e dos mais variados suportes técnicos. Com suas funções de produção e divulgação de informações, o jornalismo corresponde a uma forma de conhecimento que complementa as funções culturais próprias da ciência e da arte que se centram, respectivamente, no particular e no universal.

Como forma específica de conhecimento, o jornalismo antecipa-se à ciência e à arte, registrando os fatos sociais na sua singularidade e atualidade e, não raro, na imediaticidade dos acontecimentos. Embora se diferencie da ciência e da arte, o jornalismo, em suas expressões mais desenvolvidas, é exercitado com a possibilidade de estabelecer estreito relacionamento com estas duas formas de conhecimento.

A formação dos jornalistas deve ser concebida a partir da percepção de seu papel singular de produtor de conhecimento e de cultura, por meio de uma atividade profissional especializada na seleção, na estruturação e na disponibilização de informações que são usadas pelos indivíduos para se perceberem e se situarem diante da realidade.

Reconhecendo a importância e o significado do papel social do jornalismo e de seus profissionais, a abordagem da multiplicidade de aspectos filosóficos, teóricos, culturais e técnicos envolvidos na formação dos jornalistas deve propiciar que a reflexão acadêmica e a prática política e técnica contribuam para o equacionamento das demandas da sociedade em relação à atuação destes profissionais.

O egresso do Curso de Comunicação com Habilitação em Jornalismo se caracteriza por suas competências sociais, intelectuais e técnicas assim discriminadas:

1) Deve perceber que, sem se submeter aos rigores metodológicos próprios da ciência, o jornalismo tem o compromisso de perseguir um elevado grau de objetividade no registro e na interpretação dos fatos sociais tendo, inclusive, a prerrogativa de amparar-se no conhecimento científico existente.

2) Deve perceber que o jornalismo, operando uma ruptura com a linguagem especializada da ciência, pode contribuir para sua tradução e disseminação pública, de modo a qualificar o senso comum.

3) Deve perceber que, mesmo sem desfrutar do mesmo grau de liberdade de linguagem própria da arte, o jornalismo, ao adotar um criativo procedimento de seleção, hierarquização e apresentação dos fatos sociais, pode gerar percepções e interpretações aprofundadas e inovadoras da realidade que sejam, igualmente, capazes de qualificar o senso comum, enriquecendo o universo cultural dos indivíduos.

4) Deve reconhecer o interesse público existente em relação à geração de conhecimento válido sobre os fenômenos que envolvem o exercício do jornalismo e a especificidade que o distingue do conjunto do campo da Comunicação;

5) Deve ter proficiência na aplicação de teorias e técnicas relacionadas com as linguagens e práticas aplicáveis ao exercício do jornalismo.

6) Deve identificar a amplitude das decorrências da atuação profissional própria dos jornalistas e a existência de condicionamentos para o exercício da sua função social, o que implica a necessidade de discernimento para se posicionar, em perspectiva social e individual, com o equacionamento de questões ligadas à democracia e à ética.

7) Deve alcançar compreensão e identificação dos fundamentos éticos prescritos para a conduta dos jornalistas profissionais e da atitude de cidadania necessária ao exercício profissional dos jornalistas, a partir do reconhecimento das expectativas e demandas da sociedade em relação ao seu papel social e ao produto de sua atividade.

8) Deve ter percepção do inter-relacionamento entre as funções profissionais dos jornalistas com as demais funções profissionais ou empresariais existentes na área de Comunicação.

Competências e Habilidades Comuns

As competências e habilidades desejadas de todos os egressos de cursos para formação no campo da Comunicação são as seguintes:

a) assimilação crítica de conceitos que permitam a apreensão de teorias;

b) capacidade de uso de conceitos e teorias em análises críticas da realidade;

c) capacidade de se posicionar segundo pontos de vista ético-políticos;

d) domínio de um conjunto significativo de conhecimentos e informações da área;

e) aptidão no uso das linguagens habitualmente utilizadas nos processos de comunicação, em sua dimensão técnica e também de criação, de produção e de interpretação;

f) capacidade de experimentação e inovação no uso das linguagens da área;

g) capacidade genérica de reflexão crítica das práticas profissionais do campo da Comunicação;

h) capacidade de tratar de problemas teóricos de comunicação, estabelecendo relações factuais e conceituais diante de questões concretas pertinentes à área.

Além das competências e habilidades gerais acima referidas, outras competências, específicas, podem decorrer da habilitação pretendida, bem como da organização diferenciada que seja dada ao Curso em cada instituição. O conjunto das competências e habilidades pretendidas para o egresso - assim como os objetivos do curso, a articulação entre as disciplinas, atividades e estágios e, em geral, os procedimentos pedagógicos relacionados – será especificado na Proposta Pedagógica, que é parte integrante do Projeto Acadêmico.

Competências e Habilidades
Específicas para Habilitação em Jornalismo

As competências e habilidades específicas desejadas para o egresso da Habilitação em Jornalismo são as seguintes:

a) adquirir formação que habilite a interpretar, explicar e contextualizar as informações;

b) capacidade de compreender os processos envolvidos na recepção de mensagens jornalísticas e seus impactos sobre os diversos setores da sociedade;

c) assimilar criticamente conceitos que permitam a apreensão das teorias jornalísticas;

d) ser humilde diante da realidade e exigente na busca da verdade, com postura ética e compromisso com a cidadania;

e) manter-se crítico e independente, no que diz respeito às relações de poder e às mudanças que ocorrem na sociedade;

f) ser capaz de identificar o que é informação de interesse público e pautar-se eticamente no tratamento dessas informações

g) identificar e equacionar problemas éticos de jornalismo;

h) domínio da língua portuguesa e das estruturas narrativas e expositivas aplicáveis às mensagens jornalísticas, abrangendo leitura, compreensão, interpretação e redação;

i) saber registrar fatos jornalísticos, apurando, interpretando, editando e transformando-os em notícias e reportagens com o domínio da linguagem jornalística apropriada aos diferentes meios e modalidades tecnológicas de comunicação;

j) investigar informações, produzir textos e mensagens jornalísticas com clareza e correção e editá-los em espaço e período de tempo limitados;

k) saber formular pautas e planejar coberturas jornalísticas;

l) saber formular perguntas e conduzir entrevistas;

m) saber trabalhar em equipe com profissionais e relacionar-se com fontes de informação de qualquer natureza;

n) desenvolver aptidão para lidar com situações novas, desconhecidas e inesperadas;

o) compreender e saber sistematizar e organizar os processos de produção jornalística;

p) capacidade para propor, planejar, executar e avaliar projetos na área de comunicação;

q) capacidade de avaliar criticamente produtos e práticas jornalísticas, bem como produtos e empreendimentos.

Tópicos de Estudo – Conteúdos Básicos

Os conteúdos básicos, além de caracterizadores da formação geral da área, devem também ser previstos nas especificações curriculares de cada habilitação. Envolvem tanto conhecimentos teóricos como práticos, tanto reflexões como aplicações relacionadas ao campo da Comunicação e à área configurada pela habilitação específica. São básicos, portanto, no sentido de que devem atravessar toda a formação dos graduandos de Comunicação, qualquer que seja sua especialidade. Estes conhecimentos assim são discriminados:

a) conhecimentos teórico-conceituais;

b) conhecimentos analíticos e informativos sobre a atualidade;

c) conhecimentos de linguagens, técnicas e tecnologias midiáticas;

d) conhecimentos ético-políticos.

Todos estes conhecimentos devem se referir tanto ao campo geral da Comunicação quanto à habilitação específica, inscrevendo-se sempre no contexto das relações sociais.

Conhecimentos teórico-conceituais

Visam desenvolver familiaridade com o uso de conceitos e um raciocínio conceitual, que permita aos alunos aprender e lidar rigorosamente com teorias gerais e específicas, inclusive acionando-as na interpretação da realidade social e profissional.

Conhecimentos analíticos e informativos sobre a atualidade

Objetivam propiciar aos alunos um rico estoque de informações sobre variados aspectos da atualidade, pois esta constitui a matéria prima essencial para os futuros profissionais da comunicação. Estas informações devem, simultaneamente, assegurar a apreensão de interpretações consistentes da realidade e possibilitar aos estudantes a realização de análises qualificadas acerca dos fatos culturais, políticos e econômicos.

Conhecimentos de linguagens, técnicas e tecnologias midiáticas

Devem assegurar ao estudante o domínio das linguagens, das técnicas e tecnologias tipicamente empregadas nos processos e nas habilitações de Comunicação, bem como assegurar uma reflexão aprofundada sobre suas aplicações e seus processos. Também deve possibilitar a pesquisa e a experimentação de inovações das linguagens, técnicas e tecnologias, visando a formação de um profissional versátil e em sintonia com as tendências de acelerada mutabilidade dos sistemas e práticas de Comunicação e suas habilitações na contemporaneidade.

Conhecimentos ético-políticos

Devem permitir ao estudante se posicionar sobre a atuação dos profissionais da comunicação, sobre o exercício do poder da comunicação, sobre os constrangimentos a que a comunicação pode ser submetida, sobre as repercussões sociais que ela enseja e sobre as demandas da sociedade contemporânea, sempre em uma perspectiva de fortalecimento da idéia de cidadania, com o estímulo do respeito aos direitos humanos, às liberdades, à pluralidade e à diversidade, à justiça social e à democracia, inclusive na área da Comunicação.

Na formulação destes conteúdos, o Projeto Acadêmico do Curso deve adotar uma decidida e consistente perspectiva humanística. As próprias tecnologias, com a dimensão transformadora que adquiriram no século 20, devem receber tratamento que faça a compreensão do estudante ultrapassar os aspectos utilitários e alcançar as determinações da comunicação sobre a cultura, a política e a economia.

Tópicos de Estudo
Conteúdos Específicos da Habilitação em Jornalismo

Os conteúdos específicos aqui relacionados são caracterizadores da Habilitação em Jornalismo e envolvem tanto conhecimentos teóricos como técnicos aplicáveis ao jornalismo. Estes devem atravessar toda a formação dos graduandos em Jornalismo.

Conhecimentos teórico-conceituais

a) Possibilitar a interpretação da realidade social na qual o profissional se insere, com instrumental da filosofia que dê conta das etapas anteriores da história humana e estimule o exercício do pensamento especulativo sobre as possibilidades de futuro;

b) proporcionar o conhecimento, em perspectiva, das diversas etapas da história universal e, em particular, da história do país, com o instrumental científico da história e das ciências sociais;

c) conhecer o papel dos sistemas e processos de comunicação na contemporaneidade, em particular dos veículos que desenvolvem produção jornalística, bem como da evolução histórica destes sistemas e suas relações com a cultura, a política e a economia;

d) proporcionar a compreensão da especificidade da função de produção de conhecimento inerente ao jornalismo, em relação às demais formas de produção de conhecimento (ciência e arte);

e) possibilitar a compreensão da natureza das linguagens e dos fenômenos lingüísticos utilizados nos sistemas contemporâneos de comunicação e, em particular, no processo de produção jornalística, abrangendo imagem, som, texto, as dimensões gráfica, audiovisual e multimídia, e seus correspondentes recursos sintáticos e gramaticais, semânticos e pragmáticos;

f) propiciar o reconhecimento da precedência da formação teórica para o entendimento da realidade humano-social - cuja promoção é a grande missão do jornalismo e dos jornalistas - em relação à capacitação para o domínio das técnicas, esclarecendo-se que esta precedência é lógica e epistemológica, embora não necessariamente cronológica, no processo de formação;

Conhecimentos analíticos e informativos sobre a atualidade

O enriquecimento da formação com informações sobre variados aspectos da atualidade abrangerá temáticas definidas na Proposta Pedagógica e será viabilizado com disciplinas específicas oferecidas pelos próprios cursos ou com disciplinas oferecidas por outros cursos, desde que compatíveis com os objetivos de formação estabelecidos na referida Proposta.

Conhecimentos de linguagens, técnicas e tecnologias midiáticas

a) Possibilitar a aplicação da teoria, com o desenvolvimento e a experimentação de conceitos e de meios técnicos;

b) possibilitar o conhecimento de linguagens e modalidades de comunicação e de produção artística, científica e jornalística que contribuam para o alargamento da compreensão sobre os fenômenos contemporâneos da área da Comunicação e para o desenvolvimento de atividades profissionais de cunho inovador;

c) viabilizar o domínio e emprego eficiente de linguagens próprias da atividade jornalística nas distintas modalidades correspondentes aos diversos veículos de comunicação existentes;

d) propiciar o domínio dos processos de gestão de recursos humanos, materiais e financeiros inerentes à produção jornalística, considerando os diversos tipos de veículos e empreendimentos de portes diversos;

e) conhecer metodologias de planejamento de produtos e atividades jornalísticas e empreendimentos de comunicação que viabilizem a produção jornalística.

Conhecimentos ético-políticos

a) Conhecer e analisar criticamente os pressupostos filosóficos e as bases técnicas que orientam a organização dos sistemas de comunicação no Brasil e no mundo;

b) propiciar o pensamento crítico em relação aos modelos estabelecidos de organização e às práticas dos sistemas de comunicação no Brasil e no mundo;

c) identificar e compreender os fundamentos éticos que devem pautar a conduta dos jornalistas, o que deverá ser alcançado com:

(1) estudo dos princípios, fundamentos e sistemas de moral (deontologia) assim como a capacitação para o debate dos juízos de apreciação referentes à conduta humana suscetível de qualificação e valoração (ética) nas diversas escolas filosóficas e períodos da história;

(2) o conhecimento e a avaliação crítica do Código de Ética dos Jornalistas e dos códigos de ética das diversas categorias profissionais e segmentos empresariais da área das comunicações;

(3) a capacitação para a interpretação e aplicação do Código de Ética dos Jornalistas frente a situações concretas vividas por estes nas suas atividades profissionais;

d) estimular a atitude de cidadania necessária ao exercício profissional dos jornalistas, o que deve ser alcançado com o conhecimento e a avaliação crítica:

(1) da legislação profissional dos jornalistas e dos demais profissionais da área da Comunicação;

(2) da legislação que rege a organização sindical no país;

(3) da organização e da atuação das instituições representativas dos jornalistas nos planos regional, nacional e internacional;

(4) da legislação da área das comunicações do Brasil e de outros países;

(5) das posições do Governo Federal, dos partidos políticos e dos setores organizados da sociedade civil sobre a organização e o funcionamento dos sistemas de comunicação no país, bem como sobre o papel dos profissionais que atuam na área de comunicação;

(6) das necessidades sociais atendidas pelas atividades jornalísticas, mediadas pela atuação dos profissionais, assim como uma compreensão acerca das demandas existentes que estiverem sem atendimento;

e) proporcionar a compreensão e identificação do inter-relacionamento entre as funções profissionais dos jornalistas com as demais funções profissionais ou empresariais existentes na área das comunicações, o que deverá ser buscado através:

(1) do reconhecimento da especificidade das funções profissionais dos jornalistas em relação às demais funções profissionais na área das comunicações;

(2) do reconhecimento dos condicionamentos ao exercício das funções profissionais dos jornalistas estabelecidos pelas formas de organização e empreendimento dos sistemas e processos de comunicação existentes no país.

Duração do Curso

A duração mínima prevista para os cursos de Comunicação é de 4 (quatro) anos e de 2.700 horas. Observa-se que esta duração é a estabelecida para a oferta do curso, não podendo ser estabelecidos cursos com duração inferior. Ao estudante é facultada a possibilidade de que, como exceção e na medida de sua competência específica e de sua dedicação intensificada, possa lograr a integralização daquele número mínimo de horas em um decurso de tempo inferior a quatro anos.

A duração máxima fica a critério da Instituição.

Estágios e Atividades Complementares
(Articulação Teoria-Técnica)

Para efeito deste item, a denominação "Estágio" refere-se a estudos e práticas supervisionados em atividades externas à unidade de oferecimento do curso. Os demais instrumentos para relacionamento do estudante com a realidade social, econômica e cultural, e de iniciação à pesquisa e ao ensino, serão designados com a denominação "Atividades Complementares".

Observa-se que as diretrizes orientadoras do perfil dos egressos, das competências e habilidades previstas, bem como os tópicos de estudos – nos conteúdos básicos e específicos - abrangem não apenas o ensino em sala de aula, mas todas as atividades curriculares. Assim, as Atividades Complementares e os estágios devem ser previstos no Projeto Acadêmico do Curso em coerência com aquelas diretrizes.

Os dois tipos de ação pedagógica acima referidos procuram constituir mecanismos de interação com o mundo do trabalho, assim como possibilitar alternativas metodológicas que permitam uma formação complexa e voltada para viabilizar o alcance do perfil pretendido para o egresso.

Assim, além das disciplinas preletivas típicas e tradicionais do ambiente "sala de aula" e das disciplinas técnicas, ditas "laboratoriais" - com formatação igualmente tradicional, versada em um padrão de turma/docente/horas-aula semanais - podem ser previstas Atividades Complementares, justificando créditos ou computação de horas para efeito de integralização do número total de horas previsto para o Curso, como:

a) programas especiais de capacitação do estudante (tipo CAPES/PET);

b) atividades de monitoria;

c) outras atividades laboratoriais além das já previstas no padrão turma/horas-aula;

d) atividades de extensão;

e) atividades de pesquisa;

f) outras atividades que se mostrarem adequadas e compatíveis com os objetivos aqui expressos.

O que caracteriza este conjunto de atividades como diferenciado do padrão turma/docente/horas-aula semanais é justamente uma ausência de rigidez horária semanal, embora deva ocorrer o controle do tempo total de dedicação do estudante no semestre ou ano letivo. Com a ausência de rigidez de horário semanal, pode ocorrer ainda:

a) adoção de um sistema de creditação de horas baseado em decisões específicas para cada caso, projeto ou atividade específica, e em função do trabalho realizado, visto que o projeto determina o número de horas, em vez de, como no padrão tradicional, o número de horas preestabelecido determinar as atividades;

b) ênfase em procedimentos de orientação e/ou supervisão pelo docente, em substituição ao padrão de controle direto de tipo preletivo;

c) ampliação da autonomia do estudante para organizar seus horários, objetivos e direcionamento.

Estas Atividades Complementares devem ser necessariamente orientadas e supervisionadas por docentes do Curso, de modo a serem direcionadas ao melhor atendimento de seus objetivos pedagógicos. O número máximo de horas dedicadas a este tipo de atividades não pode ultrapassar 20% do total do curso, não incluídas nesta porcentagem de 20% as horas dedicadas ao Trabalho de Conclusão de Curso, também denominado "Projeto Experimental". O Trabalho de Conclusão de Curso será relacionado com a habilitação específica, sendo destinado a aferir de forma abrangente as competências e habilidades desenvolvidas pelo estudante no decorrer do Curso.

O Projeto Acadêmico do Curso pode prever também Estágios Supervisionados, observadas as disposições e restrições legais próprias de cada habilitação. O conceito básico do Estágio Supervisionado refere-se ao fato de que, não sendo possível nem desejável reproduzir internamente, no Curso, todas as características do mundo do trabalho, é pertinente propiciar oportunidades e acompanhar o estudante em circunstâncias criadas no espaço profissional em que se possa compatibilizar o processo de formação com uma percepção prática e direta do trabalho. Para que isto não seja mera antecipação do futuro ingresso no mercado de trabalho, é fundamental que o estágio seja orientado por objetivos de formação do futuro profissional e seja supervisionado criticamente, com o docente supervisor interagindo efetivamente com os aportes recebidos pelo estudante diante das circunstâncias concretas.

Reconhecimento de Habilidades e Competências Extra-Escolares

Observamos que o presente item, envolvendo procedimentos formalmente comparáveis aos do item anterior (Atividades Complementares e Estágios), introduz um pressuposto diferenciado. Naquele caso, tratam-se de estudos e atividades organizadas pelo Curso (ainda que eventualmente realizadas fora dele, como é o caso do Estágio), com previsão em Projeto Acadêmico, supervisão e orientação por parte dos docentes da própria instituição. Aqui, trata-se do desenvolvimento de projetos personalizados em relação a cada estudante.

Também serão considerados outros conhecimentos dominados pelo estudante, não-previstos e de natureza "extra-escolar", desde que adequadamente aferidos. Ao criar mecanismos para aproveitamento de conhecimentos adquiridos pelos estudantes em estudos e práticas independentes, o Projeto Acadêmico do Curso deve prever:

a) que o aproveitamento não pode ser automático, nem apriorístico ou generalizado, baseado apenas na informação de horas de exercício de extra-curso;

b) que a possibilidade de aproveitamento deve ser verificada caso a caso, observando-se na substância a pertinência dos conhecimentos com relação à formação do estudante, assim como a boa qualidade dos estudos e práticas desenvolvidos e, também, as competências e habilidades desenvolvidas.

c) que o aproveitamento não pode resultar na substituição, em termos de número de horas, de outras atividades do Curso consideradas básicas para a formação do futuro profissional;

d) que o aproveitamento não pode ultrapassar um número máximo de 540 horas, sendo que, além desse número máximo, o aproveitamento se fará em acréscimo às 2.700 horas.

Estrutura Geral do Curso

A estrutura geral do curso, consubstanciada necessariamente em um Projeto Acadêmico com uma Proposta Pedagógica, corresponde a uma descrição dos componentes, procedimentos, objetivos, previsões e infra-estruturas requeridas para que se desenvolva, no Curso, a formação do estudante de modo a resultar efetivamente no perfil estabelecido, fazendo aquele chegar, com sucesso, ao domínio das competências e habilidades previstas. É na estrutura do Curso, expressa no Projeto Acadêmico, que se configura o entendimento dado pela Instituição às presentes diretrizes, em sua totalidade.

O Projeto Acadêmico deve ser documento fundamental de cada Curso. A flexibilização do currículo - que enrijecia a formatação de modo padronizado e, ao mesmo tempo, limitava a Proposta Pedagógica a uma simples listagem de disciplinas – tem como contrapartida a necessidade deste projeto, descritivo da estrutura e integrador das várias disposições referidas nas Diretrizes Curriculares.

Tal Projeto Acadêmico deve, ao organizar as concepções gerais e os conteúdos que norteiam o currículo do curso, expressar a necessária articulação entre estas concepções gerais, os conteúdos curriculares e as diversas opções metodológicas do processo pedagógico - salas de aula preletivas, laboratórios, oficinas, estudo orientado, trabalhos de conclusão de curso e demais atividades - estabelecidos como procedimentos do curso. A adequação pedagógica entre concepções, metodologias, procedimentos e conteúdos deve ser ressaltada e incorporada como expressão significativa do Projeto Acadêmico.

A estrutura de oferta pode ser seriada anual, seriada semestral, por créditos ou módulos. Em qualquer dos casos, devem ser previstos, além dos componentes obrigatórios, componentes caracterizados por oferecer opcionalidades que constituem alternativas aos estudantes.

Para que as opcionalidades sejam efetivas, devem constar, na grade horária de oferta de disciplinas e atividades ao estudante - a cada ano ou semestre -, espaços nos quais este encontre alternativas concretas dentre as quais possa escolher as que convenham melhor a seus objetivos pessoais de formação, elaborando ele próprio, com o concurso da orientação de seus docentes, parte de sua grade curricular.

No caso de uma estrutura de oferta por créditos, o projeto de curso deve preservar a organicidade do conjunto, evitando que o procedimento de oferta resulte em mera acumulação dispersa, pelo aluno, de componentes estanques. Esta organicidade deve decorrer:

a) de uma utilização equilibrada, e não excessiva, de seqüências e pré-requisitos;

b) de um planejamento integrado das várias disciplinas e atividades;

c) de um acompanhamento planejado que permita, a cada ano ou semestre, uma formação relacionada com o que se ofereceu anteriormente e baseada na previsão do que sucederá posteriormente.

No caso de uma estrutura de oferta seriada, o projeto de curso deve preservar, além de uma seqüência harmônica e lógica, uma flexibilidade de caminhos alternativos e a possibilidade de recuperação de parcelas perdidas pelo estudante, sem que este seja obrigado a estacionar em um passo da série, em decorrência de dificuldades encontradas em determinados componentes deste passo (ano ou semestre).

Caso a Instituição ofereça mais de uma habilitação em Comunicação, as áreas de formação específica e profissional correspondentes a cada uma delas devem ser abrigadas sob a mesma unidade acadêmica da instituição (Departamento, Faculdade, Instituto, Centro etc.), permitindo-lhes um mesmo embasamento teórico-conceitual e prático pertinente ao campo comunicacional em que se inscrevem. Ressalva-se a situação de Cursos que optarem por se constituir como exclusivamente voltados para uma habilitação específica.

A estrutura geral do Curso deve prever e expor com clareza o conjunto de requisitos necessários ao estudante para integralizar sua formação. Os Cursos, na apresentação da sua estrutura geral, devem especificar o seguinte:

1) As disciplinas e atividades da Parte Geral, válidas para qualquer habilitação e referentes ao espaço abrangente do campo da Comunicação, incluindo tanto formação teórico-conceitual como analítico-informativa, prática, e ético-política. Na existência de mais de uma habilitação na unidade, esta Parte Geral será comum a todas;

2) As disciplinas e atividades da Parte Específica, incluindo tanto formação teórico-conceitual como analítico-informativa, prática, e ético-política, sendo todas estas voltadas para a especialidade adotada em cada habilitação.

3) A composição adequada entre as disciplinas que comportarão as três modalidades de conhecimento referidas, devendo-se evitar relações restritivas, tais como associações simplistas entre a teoria e a parte geral, e entre a prática e a parte específica.

4) A definição do percentual mínimo de disciplinas técnico-profissionais (reportagem, redação e edição para diferentes mídias).

5) O ensino de redação jornalística ao longo de todo o Curso.

6) O sistema de creditação ou seriação de atividades.

7) A seqüência de oferta e/ou estrutura de pré-requisitos, ou ainda a indicação dos melhores ajustes entre semestre/ano de curso e as atividades e disciplinas a serem realizadas pelos estudantes. As indicações de seqüência devem evitar padronizações apriorísticas, tais como iniciar o Curso por teorias e sua finalização pelas práticas ou, forçadamente, o inverso. Deve, ao contrário, relacionar adequadamente teorias e práticas, em cada parte do curso, integradamente, e de acordo com as necessidades de cada tema, problema ou conhecimento trabalhado, seja na parte geral, seja na parte específica, assim como deve seqüenciar com base nos objetivos educacionais e na melhor previsão de harmonia de procedimentos.

8) A referências a "módulo básico", "módulo específico" ou "módulo seqüencial" devem levar em conta as diretrizes acima, e devem estabelecer claramente funções, objetivos e modos de inserção de tais módulos na estrutura geral do curso.

9) O projeto deve ainda esclarecer a respeito de como os procedimentos e atividades, previstos na estrutura do curso, permitem efetivamente realizar as proposições referentes às competências e habilidades pretendidas para os egressos - tanto as estabelecidas nas presentes diretrizes como as que sejam especificamente acrescentadas pelo Curso.

Padrões de qualidade da Habilitação em Jornalismo

O Projeto Acadêmico, caracterizador das estruturas do curso, deve especificar também os padrões e métodos destinados a assegurar a qualidade do Curso. Os padrões e procedimentos proporcionarão a necessária visibilidade para conjunto de recursos materiais e humanos mobilizados, bem como o modo de articulá-los e empregá-los na formação destes profissionais, abrangendo:

a) a formulação curricular e a organização das atividades didático-pedagógicas;

b) os aspectos referentes aos docentes;

c) os aspectos referentes aos discentes;

d) as instalações físicas, as estruturas de serviço e os equipamentos disponíveis para o cumprimento dos objetivos curriculares

e) os meios de integração com a sociedade e o mercado de trabalho.

Todo o conjunto de recursos materiais e humanos empregados na formação de jornalistas terá sua mobilização orientada pela necessidade de conexão orgânica entre as atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão, como condição para a qualificação dos profissionais e para a realização da função social que deve ser atribuída aos Cursos, como espaço de reflexão e disseminação de conhecimento.

Considera-se que a promoção da integração entre os corpos docente e discente é fator crítico para consecução dos objetivos curriculares e extra-curriculares, além de ser estímulo didático-pedagógico e político para o exercício da cidadania. As escolas de Comunicação deverão ser, antes de tudo, escolas de cidadania e, portanto, considera-se imprescindível a existência de uma Comissão de Gestão de Qualidade da Formação Profissional, com existência formalmente assegurada no âmbito de cada escola. Esta Comissão deve ter participação efetiva na vida administrativa e social da escola, sendo integrada por representantes eleitos por professores e por estudantes. A Comissão terá composição paritária e deve ser necessariamente aberta à participação das entidades representativas dos profissionais das habilitações específicas correspondentes e do empresariado de comunicação, com jurisdição na região.

Na apresentação dos padrões de qualidade de cada Curso serão formuladas as seguintes especificações:

a) no que se refere à formulação curricular e à organização das atividades didático-pedagógicas:

(1) um Projeto Acadêmico, com uma Proposta Pedagógica do Curso, expressando claramente seus objetivos, a formulação curricular e a organização das atividades, definindo também o perfil de profissional visado pelo processo de formação;

(2) indicação de formas de promoção da integração entre as disciplinas teóricas e técnicas;

(3) projetos de pesquisa previstos como atividades curriculares;

(4) abertura do currículo para a incorporação, sempre que necessário, de novas disciplinas que possibilitem o acompanhamento de avanços tecnológicos e a abertura de novas modalidades e linguagens de comunicação;

(5) a abertura do currículo à incorporação de disciplinas optativas que suscitem a co-responsabilização do corpo discente na complementação da sua formação;

(6) formas de distinção, valorização e divulgação do Trabalho de Conclusão de Curso dos discentes;

(7) produção curricular teórica ou técnica cuja circulação ou disponibilidade transcenda o público dos corpos docente e discente;

(8) integração das atividades de formação com os veículos e estruturas de serviço e produção de comunicação da própria instituição de ensino superior (publicações, emissoras de rádio e TV, inclusive canais de TV por assinatura, produtoras, agências, editoras ou assessorias);

(9) complementação do Projeto Acadêmico com o desenvolvimento de uma vocação regional que oriente aspectos determinados e delimitados na formação, promovendo a adequação do projeto curricular às condições sócio-econômicas e culturais da região em que estiver localizada a Instituição e valorizando a habilitação frente às demandas sociais da região

(10) desenvolvimento de atividades de ensino, pesquisa e extensão que estimulem a geração de mercado de trabalho e o surgimento de demandas sociais por atividades profissionais relevantes de jornalistas;

(12) cursos de pós-graduação que mantenham formas de integração com o curso de graduação em Jornalismo.

b) No que se refere aos docentes:

(1) a previsão de titulação mínima do corpo docente;

(2) a previsão do regime de trabalho dos docentes;

(3) a adequação da capacitação e da experiência dos docentes às disciplinas que ministram;

(4) a orientação e o estímulo à capacitação didático-pedagógica dos docentes, desde o início das suas atividades na Instituição;

(5) a indicação de que as disciplinas técnico-profissionais sejam ministradas por jornalistas regularmente registrados e com pelo menos três anos de experiência profissional na área;

(6) a previsão de produção acadêmica teórica, cultural e técnica;

(7) a previsão de efetivo envolvimento de docentes em atividades de pesquisa científica na área da comunicação;

(8) a existência de programa de atualização, reciclagem e qualificação continuada do corpo docente, considerando as disciplinas teóricas e técnicas;

(9) a existência de programa de aperfeiçoamento dos coordenadores e demais gestores dos cursos.

(10) o índice de dedicação dos professores para o desenvolvimento de atividades de pesquisa e extensão;

(11) a existência de um determinado número de docentes que ministrem disciplinas técnicas e que desenvolvam o exercício profissional em veículos de comunicação de forma simultânea à atividade docente, sem deixar de buscar condições que possibilitem sua titulação;

(12) a existência de carreira profissional para os docentes.

c) No que se refere aos discentes:

(1) efetivo envolvimento de discentes em atividades curriculares de Pesquisa;

(2) programas de atividades de Extensão, formais ou mesmo informais, em caráter curricular e extracurricular;

(3) programas especiais de formação de graduados (a exemplo do PET-CAPES)

(4) programas de monitorias em disciplinas, com aproveitamento dos estudantes do curso.

d) No que se refere às instalações físicas, as estruturas de serviço e os equipamentos disponíveis para o cumprimento dos objetivos curriculares:

(1) um corpo técnico-administrativo qualificado para as atividades de apoio;

(2) salas de aula e salas para docentes;

(3) laboratórios voltados para a Habilitação em Jornalismo, levando em conta os diferentes suportes tecnológicos necessários para a prática do jornalismo, com os equipamentos adequados – em quantidade e qualidade –, especificando-se o número máximo de alunos por turma que se mostre adequado ao aproveitamento pedagógico nas disciplinas técnicas;

(4) um banco de dados englobando:

(i) biblioteca e hemeroteca básicas;

(ii) acervo com arquivo de sons e imagens;

(iii) arquivo de fotografias;

(5) salas ou espaços físicos especialmente destinados a atividades de Pesquisa e Extensão;

(6) outras coleções e acervos vinculados a objetivos de Ensino, Pesquisa e Extensão.

e) No que se refere aos meios de integração com a sociedade e o mercado de trabalho:

(1) atividades regulares de Extensão;

(2) meios de acompanhamento da integração dos profissionais formados pela escola ao mercado de trabalho;

(3) interação entre a escola de Jornalismo, através de docentes e discentes, e entidades representativas dos diversos segmentos da área das comunicações, orientada para a solução de problemas referentes ao mercado de trabalho e cooperação no que se refere às atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão;

(4) interação entre a escola de Jornalismo, através de docentes e discentes, e entidades representativas dos diversos segmentos da área de Comunicação e com setores da sociedade civil em geral, que atuem no sentido da busca de soluções para os problemas de interesse público da área de Comunicação.

(5) a existência de um programa de estágio orientado por objetivos de Ensino, Pesquisa e Extensão e que seja regulamentado e fiscalizado com a participação dos Sindicatos de Jornalistas com jurisdição na região, para evitar o aviltamento do mercado de trabalho



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