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DIRETÓRIO ACADÊMICO
Para entender a polêmica
sobre a Comissão de Jornalismo
Victor Gentilli
Prossegue, irracional e sem diálogo, a polêmica sobre as novas Diretrizes Curriculares do Ensino de Jornalismo e a criação, pelo MEC, de uma Comissão de Especialistas de Ensino de Jornalismo.
Entendo que o caminho escolhido pela maioria dos envolvidos no debate produzirá como efeitos a destruição daquilo que afirmam pretender conservar: a unidade no campo da comunicação.
Quando o MEC decidiu, em 1997, que o Exame Nacional de Cursos (Provão) iria avaliar os cursos de Jornalismo, fui dos poucos a perceber (e escrever) que tínhamos aí um bom caminho para melhorarmos o ensino de Jornalismo.
O debate sobre o provão foi rico e intenso, em especial neste Observatório, com posições as mais diversas. Uma unanimidade: ninguém criticou o MEC por optar por avaliar os cursos de Jornalismo, e não os de Comunicação. Posições contrárias e favoráveis ao provão entendiam que foi correta a escolha dos cursos de Jornalismo como objeto da avaliação.
No ano passado, a Comissão de Especialistas que estabeleceu parâmetros e diretrizes do Provão reivindicou, pública e abertamente, a criação de uma Comissão de Especialistas de Ensino de Jornalismo junto ao MEC.
O debate das diretrizes curriculares, que vinha morno e apagado, só encorpou com a participação das entidades profissionais e de pesquisa. Ainda no ano passado, Fenaj, Compós e Intercom estavam unidas, num seminário realizado em maio na ECA-USP, discutindo ensino de Jornalismo.
Em setembro, quando pela primeira vez tornou-se pública a primeira versão de diretrizes, no Congresso da Intercom, os professores de Jornalismo estavam num evento próprio na mesma hora e em outro local.
A reunião da Comissão de Especialistas de Ensino de Comunicação com as entidades, no início de fevereiro deste ano, foi o momento em que as divergências se tornaram ostensivamente públicas.
Os professores de Jornalismo e o representante da Fenaj eram minoritários na reunião. Praticamente todos os demais representavam o campo da Comunicação. Publicitários, cineastas, editores, todas as demais habilitações estavam ausentes, com a única exceção de Relações Públicas.
O documento final do encontro de fevereiro priorizava o ensino de Comunicação. As habilitações eram tratadas como coisa secundária. Mas o documento permitia que as habilitações fossem nele contempladas com suas especificidades.
Professores, pesquisadores e profissionais preocupados com o ensino de Jornalismo decidiram se mobilizar. Promoção conjunta do GT de Jornalismo da Intercom, da Fenaj, do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo e deste Observatório, teve lugar em abril, em Campinas, o Seminário de Diretrizes Curriculares do Ensino de Jornalismo.
O documento resultante do Seminário de Campinas não conflita com aquele resultante do encontro de fevereiro, em Brasília. Apenas estabelece aquelas competências e habilidades específicas de Jornalismo, já previstas no documento de fevereiro.
Outras entidades profissionais não se movimentaram na mesma direção. Os professores de Jornalismo reuniram-se em maio de 1998 e abril de 1999. Como outras habilitações de Comunicação não se movimentaram, parece que preferiram punir os jornalistas a produzir um documento democrático na área de jornalismo e vazio ou autoritário para as demais habilitações.
A criação de uma Comissão de Especialistas no Ensino de Jornalismo é uma decorrência do provão (e de toda a política do MEC de avaliação do ensino superior) e destes movimentos. Ela não prejudica o debate das diretrizes. O que prejudica o debate é a critica intransigente e irracional.
Ainda neste ano de 1999, o MEC vai realizar avaliações in loco em todas as 84 escolas de Jornalismo que se submeteram ao provão do ano passado. Estabelecer critérios e parâmetros para esta avaliação, mobilizar e treinar uma equipe de avaliadores, eis a principal atividade da Comissão de Especialistas em Jornalismo. Quem mais poderia fazê-lo?
Compós critica Comissão
A Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (Compós) apresenta neste documento posição oficial, tomada em reunião regular de seu Conselho de Representantes, sobre a recente criação de uma Comissão de Especialistas em Jornalismo junto ao MEC.
A Comissão de Especialistas, geral da Área de Comunicação, está desenvolvendo um estudo sério e competente de diretrizes para o campo, com as seguintes características:
- há representação geral da área, com participação ampla, envolvendo professores, estudantes e profissionais, através de suas entidades mais representativas;
- os resultados parciais desse trabalho, até o momento, foram disponibilizados e foram acolhidas críticas e proposições de modo abrangente;
- o trabalho está sendo elaborado em busca de diretrizes voltadas para o aperfeiçoamento da qualidade da formação, em consonância com os debates sobre esta questão no país;
- os debates e o texto provisório buscam também estimular interação, nos cursos de Graduação, entre reflexão teórica e desempenho prático voltados para o futuro exercício profissional.
Nestas condições, a Compós afirma uma veemente posição contrária à anunciada criação de uma Comissão de Especialistas específica para a área de Jornalismo e à possibilidade de que esta venha a desenvolver diretrizes especializadas para aquela área.
Esta criação apresenta dois defeitos essenciais que justificam nossa posição de recusa:
1) A Comissão foi apresentada de modo inopinado, como fato consumado, sem que a área geral e nem a área específica diretamente interessada fossem sequer ouvidas.
2) A criação da Comissão foi inoportuna e contraproducente, atrapalhando um processo que vem sendo desenvolvido de modo efetivo, rigoroso e qualificado, como acima exposto.
Além desses defeitos essenciais, outras razões relevantes justificam a posição da Compós:
- As questões teóricas e profissionais relevantes para a formação jornalística são parcialmente comuns às das demais habilitações em Comunicação.
- A separação dificultaria o trabalho integrado sobre as questões comuns às habilitações, assim como prejudicaria a riqueza da troca entre as habilitações naquilo em que são diversas.
- O campo da Comunicação é um espaço de convergência sobre questões da contemporaneidade e da sociedade, que deve dar substância ao trabalho profissional em todas as habilitações do campo.
- A sociedade exige crescentemente uma formação ampla e diversificada, no âmbito da qual o futuro profissional deve receber também sua formação especializada. É aquela formação ampla que fornece os instrumentos fundamentais para enfrentamento de uma realidade profissional, econômica e social cambiante.
- A separação estimularia uma hiper-especialização profissional, o que seria um desserviço ao estudante e a seus futuros espaços de trabalho.
Por todas estas razões, reafirmamos nossa posição de desaprovação e solicitamos a todas as instâncias de representatividade do campo da Comunicação - particularmente àquelas da área de Jornalismo - que se mantenham unidas para a continuação do processo nas bases e com os objetivos integradores conduzidos pela Comissão de Especialistas da Área de Comunicação.
Um aparte, companheiro
Cesar Valente (*)
Tudo o que se escreve e fala sobre a formação dos jornalistas me vem à mente quando tenho que selecionar um jovem ou uma jovem para alguma vaga de jornalista iniciante. Todo esse palavrório cevado em anos e anos de doutorado no exterior (ou no interior) que transborda dos livros, enche a paciência e agora derrama-se pelos sítios da internet passa diante dos meus olhos durante aquelas horas ou dias em que dura o processo.
E nos últimos dois anos a coisa tornou-se ainda mais grave: além de eventualmente ter que dar palpite nesta ou naquela contratação (ou demissão), tenho participado da seleção de trainees da Gazeta Mercantil. A aventura começa com um mergulho no mar de esperanças formado pelas centenas de currículos, enviados por gente de todo tipo que quer ser jornalista. E continua nas demais etapas, em que se tenta separar os talentosos dos apenas entusiasmados. Sempre sonhando encontrar jovens talentosos entusiasmados que além de tudo ainda saibam escrever.
E é diante desse pano de fundo que acompanho a polêmica que se estabelece (com a urgência, o caráter essencial e a fabulosa auto-estima de toda polêmica acadêmica), colocando comunicólogos de um lado e jornalistas de outro. Não tenho dúvida de que os envolvidos consideram-se no centro do mais relevante debate nacional. E jamais me perdoaria se, nesta ocasião, calasse. Mesmo que multidões enfurecidas, em uníssono, exijam que eu me cale ou pelo menos que trate com um pouco mais de respeito assunto tão... acadêmico.
Permitam-me introduzir uma pequena colher torta, ainda úmida de ironia e ceticismo, em tão prolixa polêmica, contando rapidamente um fato verídico. Tenho vários colegas jornalistas, aqui em São Paulo, cujos filhos, sabe-se lá por que, resolveram fazer o curso de Jornalismo. E entraram na escola de Comunicação mais próxima. De nada adiantaram as tentativas paternas e maternas para dissuadi-los. Mas as escolas, sábias, tinham a fórmula exata para resolver a questão: o primeiro ano é tão chato, uma xaropada tão intragável, que esses filhos de meus amigos e amigas desistiram. Para alegria dos papais e mamães estão agora cursando coisas mais sérias, como Oceanografia, Filosofia, Engenharia ou Hotelaria.
Essas escolas insuportáveis, que nem filho de jornalista agüenta, proliferam como camelôs, ajudando a manter verdadeira aquela frase lapidar que dá grandes esperanças a incultos de vários matizes: jornalismo não se aprende na escola.
Jornalismo, em todo caso, também não se aprende mais nas redações. Foi-se o tempo em que o novato encontrava alguém para ler suas matérias, corrigi-las e trocar informações úteis sobre a profissão. No máximo ele pode ler, no dia seguinte, o que restou de seu texto, morrendo de medo que, de tão mexido, acabem achando melhor movê-lo para o olho da rua. E quanto mais competitiva a redação, menos espaço para aprender: os próprios colegas tratam de acertar caneladas que resultam em fraturas expostas, septicemia e não raro morte profissional. Aqueles maravilhosos copidesques dantanho, aquelas civilizadas madrugadas nos botecos, tudo o que ajudava a aperfeiçoar o ser humano que, diletante e feliz exercia a profissão de jornalista, acabou.
Seria bom, portanto, que existisse alguma escola que ensinasse jornalismo e preparasse os jovens para trabalhar como jornalistas nos diversos veículos que divulgam informações jornalísticas. E seria ótimo que todo o blá-blá-blá ganhasse um conteúdo um pouco mais realista: hoje, nas principais redações do país, o jovem que chega atrás de emprego fala bem baixinho, quase morrendo de vergonha, que se formou em escola de Comunicação. Muitos colegas preferem sinceramente contratar formados em qualquer outra coisa a ter que conviver com alguém saído dessas tais escolas.
E pra encerrar este meu nhenhenhém queria dizer que aos meus amigos jornalistas cujos filhos insistem em ser jornalistas aconselho mandarem-nos para a UFSC, em Florianópolis. Além do mar, do surf, tem uma escola de Jornalismo com um dos mais baixos índices de desistência por chatice e tédio. Meu filho está lá, no terceiro ano e parece estar se divertindo muito (inclusive com as polêmicas apaixonadas que os professores assumem publicamente em defesa de suas crenças). E aos colegas jornalistas que têm a ingrata tarefa de preencher vagas com iniciantes, recomendo pedir à escola da UFSC os telefones dos recém-formados. Na pior das hipóteses a experiência pode render mais um longo artigo no Observatório da Imprensa, desancando Nilson Lage, Eduardo Meditsch, Luís Alberto e seus cupinchas.
E na melhor, vocês podem descobrir uma gurizada que parece o i-Mac: é só ligar na tomada e começar a trabalhar.
(*) Jornalista, ex-professor do curso de Jornalismo da UFSC, editor da Gazeta Mercantil
Jornalistas sem
diploma, uni-vos!
C. Buongermino
O artigo do Sr. Lourival dos Santos reproduzido pelo Observatório [ver remissão abaixo] dá as razões jurídicas da obsolescência do diploma para jornalistas - e eu queria, além de parabenizá-lo, citar outras razões, estas bem mais práticas, pelas quais tal aberração deveria ser banida de uma vez por todas.
Falo um pouco em causa própria, já que não tenho diploma de jornalismo. Fiz um curso de Comunicação Social, mas minha habilitação é outra.
Logo no segundo ano de faculdade comecei a editar um jornalzinho que, de início, ocupou-se apenas de literatura e opinião, mas rapidamente começou a publicar reportagens e entrevistas. Até o fim do curso, participei da criação e feitura de mais três jornais estudantis, os quais ainda hoje estão entre o que de mais relevante já se fez, em termos de imprensa escrita, na universidade que freqüentei.
Assim que assumi de vez o desejo de trabalhar em jornal, e prevendo aborrecimentos futuros, resolvi me candidatar a uma transferência para o curso de Jornalismo. Tentei duas vezes, esbarrando na falta de vagas e na prioridade para quem fazia o curso no outro período. Desisti, porque já estava no meio do terceiro ano, e que se danasse.
Mesmo assim fui à luta, em busca de um lugar nas redações. Alguns meses depois eu já estava empregado como repórter num importante diário paulistano. Mudei de empresa jornalística há quatro anos, uma decisão profissional que o tempo provou correta. Hoje, tenho cargo de confiança, um salário que paga as contas e bom nome na área específica que cubro.
"Chegou o fax?"
Há algum tempo venho tentando achar uma maneira de regularizar minha situação profissional - leia-se, obter um MTb de jornalista, uma carteira da Fenaj, uma carteira internacional de jornalista, o respeito do sindicato. Em vão.
Isso não constitui um drama; trata-se apenas de uma experiência pessoal algo amarga. Mas serve para mostrar o quanto o diploma é inútil: se é difícil duvidar de minha vocação jornalística, é fácil ver que ela nada tem a ver com o curso de Jornalismo.
Não tenho os números aqui, mas sabemos que, anualmente, são milhares de recém-diplomados em jornalismo (sim, recém-diplomados em jornalismo, doravante RDJ, já que jornalista, para mim, é quem trabalha de fato, não quem tem o canudo) que iniciam a ingrata busca por uma colocação no mercado. Ouvi dizer que são dois mil por ano em todo o Brasil, mas posso estar errado.
Pois muito bem. Todos nós sabemos que o mercado não tem capacidade de absorver todos esses RDJs, por vários motivos. Um deles é o próprio excedente de RDJs do ano passado, e o do ano retrasado, e assim por diante. Esses excedentes são cumulativos. Outro é o fato de que, depois de enxugarem seus quadros, os principais meios de comunicação - jornais, revistas, TVs, rádios - passaram a apostar na estabilidade de seu pessoal (não necessariamente por motivos nobres, antes, muito pelo contrário).
As principais emissoras de rádio AM de São Paulo mantêm suas equipes esportivas - seu filé jornalístico - inalteradas por anos a fio; nas redações de veículos impressos, os editores, adjuntos e redatores mais espertos só caem se fizerem alguma grande besteira. Mesmo o reportariado tende à estabilidade, já que cada um procura um jeito de se tornar relativamente indispensável à empresa. O camarada passa 15 anos ganhando um pau e seiscentos, mas pelo menos está empregado. Isso sem falar nas revistas e suas equipes minúsculas, com seis, sete efetivos (às vezes menos) e um punhado de frilas orbitando a redação.
É isso que vai sobrar para uma boa parte, talvez a maioria, dos RDJs: um frilinha aqui, outro ali. É o setor informal tomando conta do jornalismo.
Outra saída é trabalhar em assessorias. Algumas pagam muito bem. Outras, quase certamente a maioria, não. E, como não poderia deixar de ser, as que pagam bem o fazem para poucos. Aquelas meninas que ligam a cada cinco minutos para a redação perguntando se chegou um fax certamente não ganham bem. E precisa de diploma para perguntar se o fax chegou?
Também não é necessário ter bola de cristal para prever que, um dia, não haverá assessorias em número suficiente para absorver os RDJs, se é que já não há. A não ser que pessoas comuns comecem a contratar assessores: "Oi, eu sou o Zé das Couves e esse aqui é o meu assessor de imprensa". E o assessor do Zé: "Oi. Chegou o fax?"
Formação humanística
Há vários efeitos perversos nisso tudo. O exército de reposição da categoria é enorme, e isso vem sendo usado pelos patrões como ameaça a seus funcionários. Parece contraditório com o que foi dito acima a respeito da crescente estabilidade, mas o fato é que ninguém sabe ao certo se seu nome figura ou não entre os estáveis - e a ameaça opera no plano psicológico. Sabe-se que, se precisar, um dono de jornal troca sua redação inteira em duas semanas. Um dono de revista, por sua vez, não precisa nem de sete dias para fazê-lo. Ou seria outra a razão de não termos greve de jornalistas desde os anos 70?
Obviamente, uma das maiores vítimas do diploma de Jornalismo é o próprio RDJ, já que o canudo muitas vezes vai lhe garantir, no máximo, um salário equivalente ao do caixa do banco da esquina - ou menor ainda. Conheço gente boa, formada pela USP há dois, três anos, que ainda não conseguiu sair da fase dos frilas. Se não tivessem família classe média ou média alta (que é quem põe os filhos na USP), se precisassem do salário para pagar aluguel e outras contas, estariam morando na favela e/ou trabalhando com outra coisa, e se frustrando profissionalmente a cada amanhecer.
Pelo amor de Deus, vamos abrir os olhos: os motoristas do jornal no qual trabalho ganham muito mais do que 60% dos repórteres da redação!
O que fazer, então? Primeiro, e obviamente, abolir a exigência do diploma. O fim da ilusão gerada pela posse do canudo e por esse protecionismo de araque já cortaria o mal pelo menos pela metade.
Mas eu iria mais longe: impedir a abertura de novas faculdades de Jornalismo. Fiquemos com as que já funcionam, por enquanto - pois o ideal era que, aos poucos, todos os cursos de Comunicação Social fossem se fundindo, até chegarmos a um curso único, que garantisse uma formação humanística decente, cobrando muita leitura e muito texto da garotada. Isso é fundamental, porque hoje em dia muitos saem das escolas de Jornalismo do mesmo jeito que saíram do segundo grau - ou seja, irremediavelmente iletrados e, às vezes (não poucas), quase analfabetos.
Rolo de papel
As diferentes áreas da comunicação, hoje entendidas como habilitações (Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Rádio e TV, Editoração etc.) poderiam ser abordadas em módulos, por meio de conferências, palestras, seminários. Coisa de adulto, sem picaretagem.
Ao final do curso, teríamos um exército de pensadores a ser disputado pelas empresas da área, públicas e privadas.
Suponhamos que um grande número desses jovens se formasse sem saber ao certo em qual área quer trabalhar. Suponhamos que eles sejam talentosos. Suponhamos que as empresas queiram jovens talentosos em seus quadros. É fácil perceber, então, que a equação pode ter seus termos invertidos: os empregadores é que teriam de ir aos recém- formados, e não o contrário!
Por exemplo, se desejar atrair para sua redação um grupo específico de jovens recém-formados em Comunicação, todos muito promissores, mas nenhum deles firmemente decidido a ser jornalista (porque cada um deles pode ser outras coisas também!), um jornal qualquer vai ter de provar a esses jovens que é mais vantajoso trabalhar em jornalismo do que, digamos, enveredar pela publicidade. Como? Ora, as empresas que se virem. Pagar mais poderia ser um dos recursos.
Quanto a especializar esses jovens nas práticas de imprensa, é muito simples também. Folha, Estado e Abril já têm seus cursos específicos, que nada mais são do que uma grande e merecida cusparada na cara das escolas de Jornalismo. Cada jornal, cada empresa teria de se coçar para fazer o seu curso próprio. Valeria o mesmo para as agências de publicidade, para as rádios, para as TVs etc.
Uma proposta mais radical, mas que pode até ser vista como desdobramento inexorável do que foi dito acima, é a extinção dos cursos de Comunicação de uma vez por todas. Até 1968, se não me engano, eles não existiam, e não faziam falta nenhuma, ao que parece - ou será que as louvações ao Correio da Manhã e à primeira reforma do Jornal do Brasil são palavras atiradas ao vento?
Nesse caso, a demanda por Humanidades seria suprida pelos tradicionalíssimos cursos de Ciências Sociais, História, Filosofia e correlatos. Outra vez, as empresas que se virem para garimpar bons jornalistas e demais profissionais.
Creio que um dos primeiros resultados disso tudo seria o fortalecimento das diversas categorias em questão, até por causa do afastamento daquela garotada que presta Comunicação só porque está na moda - sem saber que o que está na moda mesmo é o desemprego e o desespero profissional.
Por ora, fica o apelo (não sem um toque de ironia): jornalistas sem-diploma de todo o Brasil, uni-vos! Somos nós que temos de provar que nossa profissão não cabe num rolo de papel!
O mercado de trabalho
sob a ótica estudantil
Wagner Guerra
Atualmente, as faculdades públicas e particulares de Comunicação Social vivem um dilema: formar jornalistas ou comunicadores. O motivo dessa preocupação é o mercado de trabalho que, a cada dia, torna-se mais exigente com o profissional dessa área. Experiência e destreza são qualidades imprescindíveis em qualquer veículo de comunicação, no entanto, são qualidades acima do que dominamos em nossas faculdades.
Para os estudantes recém-formados ou diplomados, seus primeiros dias de trabalho numa empresa jornalística são um pesadelo. "Eles não têm capacidade crítica e competência nas habilidades profissionais", argumentam os editores dos jornais.
Não devemos culpar somente a universidade por não prover docentes em regime de tempo integral, laboratórios e currículos atualizados. Devemos culpar também as empresas de comunicação, por não concordarem em oferecer estágio a nós acadêmicos e, talvez, futuros profissionais dessas empresas.
Segundo os especialistas em educação, o curso de Comunicação Social deveria aplicar em sua metodologia mais jornalismo e menos comunicologia. Com isso os alunos teriam a chance de aprender mais prática que teoria. O mercado, como disse acima, exige muita experiência do aluno recém-formado, e sua deficiência principal está no texto, no qual se observam erros de gramática e redação.
Cabe a nós, estudantes da área, criticar cada vez mais as empresas jornalísticas, que não sei por que cospem no prato em que vão comer. Quanto às faculdades de Comunicação Social, deveriam assumir uma posição de vanguarda, estudando, questionando e reinventando o mercado de trabalho. O objetivo é tão somente melhorar a qualidade da formação dos futuros jornalistas. O mercado de trabalho exige de nós esse grande desafio.
Mídia e a escola
do giz e lousa
Sheila Grecco (*)
Em entrevista recente à revista Caras, o ministro da Educação Paulo Renato Sousa teve a audácia de confessar que seu insight sobre a aplicação do provão nas instituições de ensino superior se deu em um de seus descansos pelas praias do litoral norte. No dia 13/6, evidenciou-se mais uma realização desse instrumento que seria capaz - na opinião do ministro - de avaliar tanto as instituições quanto os profissionais por ela educados. A cobertura da mídia, com raras exceções, tem aceitado a aplicação da prova como inevitável, inquestionável e, sobretudo, obrigatória, uma vez que impede a expedição do diploma do futuro graduando.
Seria preciso um insight - como disse ter tido o ministro - para verificar os problemas da aplicação de uma prova tão superficial? Como reconhecer a experiência ética e prática de um médico ou de um jornalista? Como avaliar um profissional por uma imposição - algo tão antidemocrático? O provão não se tornaria mais um vestibular que acabaria promovendo faculdades de baixo nível, que têm se preparado e feito apostilas especialmente para os provões? O provão não acabaria constatando o óbvio? É necessário que a mídia investigue a questão. E mais, já que se fala tanto em avaliações, por que não avaliar os professores e os próprios critérios de formulação desses provões? Uma CPI geral que não acabasse em pizza...
O próprio presidente Fernando Henrique Cardoso já se gabou, dizendo jamais ter havido no país ênfase tão grande à educação quanto em seu governo. Sem dúvida, nunca houve tantas mudanças: nova LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), novos Parâmetros Curriculares Nacionais, provões, nova forma de ingresso às universidades através do Enem (Exame Nacional de Ensino Médio), entre outros. Vale sondar se as mudanças foram para melhor. O afã pelo novo, velha marca brasileira, nem sempre significa progresso. O progresso, em se tratando de Brasil, faz renascer o atraso.
O ensino no Brasil está longe de ser o idealizado pelos educadores. Os números são assustadores. Conforme último relatório do Ipea (Fundação Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o acesso ao ensino médio é de apenas 7%, a escolaridade é de restritos 5 anos (média muito abaixo daquela dos países latino-americanos), quase 4 milhões de crianças entre 7 e 14 anos continuam fora da escola, 30% da população vive com menos de um salário mínimo por mês e, conseqüentemente, um contingente de 20 milhões é analfabeto.
Ainda que o número médio de anos de estudo tenha aumentado nas últimas décadas, passando de 2 para 5 entre 1960 e 1990, muito é preciso ser feito para reduzir a repetência e a evasão escolar. Os novos Parâmetros Curriculares Nacionais, ao abolirem o sistema de repetência nas escolas de nível fundamental e médio da rede pública, procuraram romper com uma ideologia educacional opressora que obrigava o aluno à humilhação da repetência.
A proposta do atual governo é respeitar os limites e o ritmos individuais, dando chance a todos. Entretanto, entre a utopia e a práxis há uma longa distância. A iniciativa só será válida se houver um programa sério de recuperação paralela para que os alunos em dificuldade alcancem o conhecimento mínimo necessário, se o educador receber um salário digno e conseguir recuperar sua autoridade. Esta não se baseia na punição da nota, porque o professor não pode ser um adversário do aluno. Seu respeito será adquirido através da capacidade criativa, dinâmica e atualizada de verificar as necessidades, tornando o aluno sujeito e objeto do conhecimento, conforme a proposta construtivista de Jean Piaget.
No atual contexto, como exigir que o educador seja um showman, um psicólogo, um amigo, um companheiro, um Riobaldo (personagem notável de Guimarães Rosa, que nos ensinou que "professor não é aquele que sempre ensina, mas quem, de repente, aprende") com um salário mísero, com uma sobrecarga de aulas, sem tempo hábil sequer para prepará-las, muito menos para questioná-las? O discurso otimista de Fernando Henrique Cardoso e de seu governo não encontra sustentação na realidade massificadora, desgastante, violenta do cotidiano das escolas públicas do país. Não é preciso provões para verificar que o ensino brasileiro não tem correspondido às expectativas da sociedade.
Se a escola não preparar o aluno para ser um cidadão crítico e um profissional apto para ingressar no mercado de trabalho, não estará cumprindo com seus papéis. Investir na formação do profissional e nos seus instrumentos de trabalho, que não podem mais continuar sendo apenas a escola do giz e lousa, é a mais urgente das medidas.
(*) Jornalista, historiadora, mestranda em Literatura pela USP
Provão ou a vida
em 78 questões
Cristina Laura A. Ribeiro (*)
Nota : Este artigo trata de um questionário que todos os alunos inscritos para fazer o provão na Universidade Estadual da Paraíba receberam antecipadamente, avaliando a situação financeira e cultural do estudante e as condições da instituição. Se o aluno não entregasse o questionário no ato do provão, perdia o direito de fazê-lo.
Ninguém jamais poderá imaginar como me senti ao ter que responder ao questionário referente aos quatro anos de estudo no Departamento de Comunicação da Universidade Estadual da Paraíba. Toda a minha vida acadêmica resumida em 78 questões! Aprendemos com professores, com funcionários, com colegas, sozinhos, passamos por situações que os elaboradores do questionário nunca saberão, perdemos, ganhamos e agora estamos prestes a terminar esse curso: ganhando ou perdendo? Eles também não vão saber.
Ao tentar resolver deficiências do nosso curso, eu e muitos outros colegas enfrentamos dissabores, recriminações, olhares atravessados, insultos até! Fomos acusados por outros colegas, por professores, mas como éramos e ainda somos teimosos e insistentes, continuamos nossa luta. Hoje, somos obrigados a responder de forma honesta a perguntas que requerem respostas dolorosas, porém verdadeiras. Não só eu, mas todos os que participaram das manifestações em prol do curso de Comunicação Social da UEPB, teremos que encarar o produto final do caminho percorrido.
Há quatro anos tivemos motivos para iniciar uma trajetória permeada de batalhas acadêmicas que nos transformou num grupo coeso, unido e, desculpem os opositores, imbatíveis - sobrevivemos até às tentativas de agressão física. Já estamos de saída e, atrevo-me a falar também pelos meus companheiros, iremos de coração partido. Deixaremos nessa instituição nosso suor, nosso grito, nossa alegria, nosso desejo insuperável de melhorias e, principalmente, a nossa marca. Em cada sala existe um pouco dessa turma querida e odiada. Difícil definir.
Deparei-me com uma pergunta interessante: "Qual das atividades artísticas abaixo você desenvolve ou já desenvolveu por mais tempo? a) teatro; b) artes plásticas; c) música; d) dança; e) nenhuma. Adivinhem qual eu assinalei? Nenhuma. Mas e se a pergunta fosse: "Qual das atividades artísticas abaixo você colaborou para que existissem?" Ah, como eu responderia com prazer, prazer de quem já foi responsável por muitos eventos viabilizados por nossa equipe em anos, considerados por mim áureos, e que jamais voltarão. Nossos saraus, nossas calouradas recheadas de atividades artístico-culturais, de bom humor e trabalho, muito trabalho, mas com tanto amor às causas que defendíamos tão ferrenhamente! Para quem não sabe, porque está chegando agora, até sala de aula nós reformamos. Consertamos telhado, para que não desabasse na cabeça dos alunos, pintamos, varremos, lavamos e de pires na mão pedimos ajuda a quem estivesse disposto. Não tenho como escrever sobre algo de tal natureza sem derramar o saudosismo, sem suspirar, porque nesse instante estou suspirando. Quem acompanhou, próximo ou distante nossa caminhada, pode avaliar as minhas palavras.
Estamos a um passo de deixar o DECOM. Muitos, como eu, são de outras cidades e estão em conflito interior: ir ou não ir? Como voltar para casa depois de tantas voltas e reviravoltas do nosso destino? Será que quem elaborou o questionário se questiona sobre isso? Querem saber de outra questão? Pois olhem só essa: "Qual você considera a principal contribuição do curso de graduação que está concluindo? a) a obtenção de diploma de nível superior; b) a aquisição de cultura geral; c) a aquisição de formação profissional; d) a aquisição de formação teórica; e) melhores perspectivas de ganhos materiais.
Dá para acreditar? Ganhos materiais - um jornalista? Só se for depois de uns dez anos de profissão e na TV Globo, do Rio ou São Paulo, lógico! Pensem em como estão levando este "famigerado" curso e respondam.
Segundo os elaboradores, esse questionário tem como objetivo "não só levantar informações que permitam traçar o perfil do conjunto de graduandos, mas também ouvir a voz dos graduandos sobre as condições de ensino do seu curso". Não sei como encarar isso de forma sensata. Para quem puder ler o dito questionário, não faltará chance de observar as armadilhas, tão bem mascaradas que se desenrolam à sua frente. Só posso imaginar que subestimar a inteligência de alunos universitários é, na pior das hipóteses, uma loucura. E do curso de Jornalismo então, piada! São levantadas questões de cunho administrativo, docente, discente etc. etc. E aí? Responder de forma "conscienciosa e independente", já que a fidedignidade das respostas é fundamental? Quem será sincero o suficiente quando tiver que responder quantas horas dedicou por semana ao estudo extra-classe, ou quantas desenvolveu durante o período de realização de seu curso de graduação? Poucos, na verdade pouquíssimos! É dessa maneira que nossas instituições de ensino serão avaliadas e fatalmente fechadas. Como aplicar a ética na profissão, se não nos dão chance de considerá-la no teste de capacidade e idoneidade final?
Bom, respondi aqui a todas as perguntas do Provão. Com certeza quando chegar a hora de realmente ir embora o meu suspiro será bem maior do que os que já soltei hoje. Sabem qual é a septuagésima quarta pergunta? "Quais são as suas perspectivas para logo após a conclusão do curso?"...
(*) Concluinte do curso de Jornalismo da UEPB
ASPAS
Marcelo Ferroni
"O provão para o curso de jornalismo procurou avaliar questões práticas da profissão, mas deixou de lado um fator importante: os conhecimentos gerais que o repórter precisa ter.
Uma faculdade, por melhor que seja, dificilmente poderá competir com um jornal diário ao ensinar ao formando questões práticas da profissão. Mas ela pode dar ao aluno uma boa base cultural, de forma que ele consiga se adaptar às diferentes exigências de veículos de comunicação e saber analisar as informações para produzir a reportagem. E esse parece ser um dos piores defeitos das faculdades: a base de conhecimentos gerais é fraca.
Ao dar pouca ênfase a essa área, o provão não avaliou um fator importante de formação jornalística. Quando não eram práticas, as questões se referiam a conhecimentos específicos de jornalismo.
As exceções ocorreram nas questões um e quatro, que exigiam um conhecimento adicional sobre os temas tratados. Na primeira, era pedida o planejamento, para uma rede nacional de rádios, de uma cobertura jornalística para o bug do milênio. Para tanto, o aluno precisava saber exatamente o que era o bug (pane em computadores que poderá ocorrer na mudança do calendário para o ano 2000) e em que locais os jornalistas deveriam estar durante a virada do ano. Na outra, era pedido que se montasse uma reportagem para a televisão a partir de dois textos sobre a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Mais uma vez, era preciso saber algo sobre o assunto.
A prova foi dividida em duas partes. Na primeira, o estudante precisava criar pautas, redigir uma reportagem e discutir uma questão ética. A segunda parte trazia questões teóricas sobre o jornalismo. Apesar de a maioria tratar de assuntos pertinentes, uma delas pedia para o aluno analisar a imagem do jornalista a partir de filmes e a comparar essa impressão com a que ele tinha da profissão. Além de a questão não avaliar os cursos, alguns dos filmes apresentados não chegavam a tratar do perfil do profissional. Afinal, o que é que Superman, além de se fantasiar de jornalista, tem a ver com a profissão?"
"Cultura fica em 2º plano", copyright Folha de S.Paulo, 14/6/99. O repórter Marcelo Ferroni, formando em jornalismo, fez o provão de Jornalismo em 13/6/99.
DIPLOMA
O Globo
"BRASÍLIA. O Senado aprovou ontem, por votação simbólica, projeto de lei que tira do Ministério do Trabalho e transfere à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) a competência para conceder registros profissionais. Agora, o projeto vai à sanção do presidente Fernando Henrique Cardoso. A proposta foi feita pelo senador Carlos Bezerra (PMDB-MT), atendendo sugestão da Fenaj. A mudança da competência para os registros foi uma deliberação de um congresso de jornalistas realizado em Curitiba, em 1994.
A concessão de registros para jornalistas pelo Ministério do Trabalho já acabou em um escândalo em 1995. Na ocasião, foi descoberta a existência de irregularidades na concessão de licenças profissionais com o objetivo de obter aposentadoria especial na Previdência.
Mas a entrada em vigor da lei não alterará as exigências para a concessão do registro. Como ocorre atualmente, a licença será dada pela Fenaj a partir da apresentação de carteira profissional e diploma de curso superior de Jornalismo, oficial ou reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC). Se o jornalista for estrangeiro, terá de mostrar a prova de sua permanência definitiva no Brasil ou autorização legal para trabalho no país e diploma de curso superior. Para o registro de ilustrador, vai ser necessário apresentar, no mínimo, o diploma de Segundo Grau ou o certificado de aprovação em exame de capacitação técnica."
"Fenaj vai passar a conceder registros a jornalistas", copyright O Globo, 17/6/99
CARTAS
Proposta da Unicamp
Com muita surpresa encontrei, na seção Diretório Acadêmico da edição número 67 do Observatório, manifestação do professor Fernão Ramos sobre proposta de criação de um curso de graduação em audiovisual no Instituto de Artes da Unicamp.
Como membro da comissão oficialmente constituída pelo Departamento de Multimeios da Unicamp para elaborar uma proposta de curso de graduação na área de comunicação, sinto-me na obrigação de esclarecer que o documento apresentado no site não representa a posição oficial da universidade, tratando, até onde me foi dado conhecer, de proposta isolada do referido professor. Em sentido um tanto diferente da posição apresentada na manifestação do professor, os trabalhos da referida comissão, já aprovados pelo conselho departamental, indicam a formação de um curso de comunicação visando a formação de profissionais de gestão de processos e negócios na área, dirigida ao mercado. É certo que, por força da vocação histórica do Departamento de Multimeios, a proposta de curso tem ênfase nos meios audiovisuais, sem, entretanto, sequer passar perto da idéia de subordinação do "universo da Comunicação (...) à dimensão dos Multimeios".
Ao contrário ainda da manifestação divulgada, a atual proposta de curso de graduação em Comunicação procura se distanciar da linha seguida pelo curso de pós-graduação que atualmente abrigamos. O curso de pós-graduação em Multimeios foi, sem dúvida alguma, uma proposta bastante inovadora e acertada na época de sua criação, mas, infelizmente deve ser dito, seu desenvolvimento trilhou caminhos inadequados, fato seguidamente apontado nas avaliações da Capes, necessitando de imediata e profunda reformulação, não constituindo, portanto, a melhor referência para a criação de um novo curso de graduação.
Sem querer me alongar mais sobre o assunto, aproveito a oportunidade para parabenizar a todos os envolvidos nesta magnífica iniciativa que é o Observatório da Imprensa. Atenciosamente,
Prof. Hélio Lemos Sôlha, DMM/IA/Unicamp
Vamos ver como é?
As polêmicas são sempre enriquecedoras. E quanto mais quente o debate, melhor para todos nós, apreciadores dos usos civilizados da inteligência.
Não sei se cabe nos propósitos do Observatório, mas gostaria de fazer uma sugestão que pode contribuir, no mínimo, para juntar mais alguma lenha à boa fogueira que brilha nesta fria noite junina: que tal contar um pouco da história (ou da experiência acadêmica) do Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina?
Criado em 1979 como Curso de Jornalismo, nunca teve outras habilitações, e sempre inovou (turmas com 12 alunos, mais de um professor por sala, disciplinas práticas já no primeiro ano e tantas outras "novidades"). Antes mesmo de ser reconhecido, já figurava no ranking das dez "melhores" escolas (era feito pela revista Playboy, mas o que fazer...). Apesar da natural mudança em seu corpo docente ao longo dos anos, sempre foi um foco de resistência do ensino do Jornalismo. E sempre teve muitos jornalistas como professores.
Agora, como em tantas outras polêmicas anteriores, professores do Jornalismo da UFSC aparecem e põem a cara a bater. Não seria, portanto, interessante mostrar um pouco mais desse "ninho" de polemistas? O que fazem eles com a escola que têm "nas mãos"? E o que a escola faz com eles, para que defendam tais posições? Quais as atividades jornalísticas a que os alunos têm acesso? Enfim, é possível ensinar Jornalismo?
Esclareço que sou parte completamente interessada e que esta sugestão não tem nada de gratuita: fui professor lá em várias ocasiões (saí da UFSC em 1994) e acompanho interessadamente, embora à distância (moro em São Paulo há quatro anos), o que ocorre no Curso porque meu filho mais velho pretende ser jornalista e escolheu a UFSC para estudar.
Espero que a sugestão seja pelo menos avaliada (ainda que o sugeridor seja completamente suspeito). Um abraço,
Cesar Valente, jornalista
Anedota sem graça
Caro Luís Alberto Scotto:
Sou estudante de Jornalismo e realmente me sinto como uma anedota. A faculdade de Jornalismo roubou um tempo precioso de minha vida. Dia 13/6 farei o provão pensando: "Será que alguma coisa vai mudar?" Termino a faculdade este ano, faltou aprender técnica, faltou aprender teoria. Concordo quando meu diretor, Clóvis de Barros Filho, diz que a faculdade precisa formar cabeças pensantes, e não técnicos em Jornalismo. Mas hoje corro atrás do atraso, para recuperar tudo que não aprendi. Sinto ainda pelos professores que reprimem os alunos por falta de competência; são poucos os que mostram as provas e conseguem explicar as notas, deixando clara a falta de critério. Fico à disposição para debater o tema.
Luciana Melara

Professores de Jornalismo, uni-vos!!!
Diploma de jornalista
Curso de graduação em audiovisual em Campinas
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