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DIRETÓRIO ACADÊMICO

 

CURSOS
Reunir experiências e avançar

J. S. Faro

Tenho sido procurado, na condição de membro da Comissão de Especialistas de Ensino de Comunicação do MEC (CEE-COM), por várias instituições de ensino interessadas em saber como devem agir para a implantação ou reforma de seus cursos. Ou porque são projetos novos, ou porque são reformulações curriculares que entrariam em vigor a partir do próximo ano, o que há em comum nessas interpelações é a mais absoluta insegurança sobre o caminho a ser seguido. Afinal de contas, o que está valendo? As Diretrizes Curriculares encaminhadas pela CEE-COM ao Conselho Nacional de Educação estão disponibilizadas no site do MEC, mas elas já estão em vigor? Existe uma Comissão de Ensino de Jornalismo (CO-JOR) à qual devem ser encaminhados os projetos de novos cursos? Ou o que existe é uma Comissão de Avaliação das Condições de Oferta cujos parâmetros devem ser seguidos juntamente com os Padrões de Qualidade da CEE-COM? O parecer da conselheira Silke Weber, que negou a criação de uma CO-JOR, já foi homologado pelo ministro? Ou é desnecessário que o seja para fins de balizamento do ensino de Comunicação?

A todas essas perguntas – inevitavelmente difíceis de obter respostas positivas e categóricas – tenho oferecido evasivas, e nem poderia ser de outra forma. Recomendo o bom senso e... paciência, pelo menos até que a situação se torne mais clara. Mas ninguém pode reclamar: esse é o resultado da mais intensa, mais longa e mais rica polêmica que nossa área jamais viveu. O ano de 1999 pode muito bem passar à história do ensino de Comunicação no Brasil – e do ensino de todas as especificidades profissionais que a área engloba – como aquele que permitiu que viesse à tona uma variedade inumerável de concepções sobre a sua prática, aparentemente colocando em campos opostos duas grandes correntes que, de forma simplificada, podem ser reunidas entre aqueles que se puseram pela preponderância de um campo de "múltiplas linguagens" e entre aqueles que advogaram a autonomia de uma dessas linguagens, a do jornalismo, cujo arcabouço teórico-conceitual o configuraria como um campo específico.

Novo consenso

No confronto entre estas duas interpretações, assistimos de tudo, e não faltou nem mesmo momentos em que a polêmica ganhou o perfil da desafeição pessoal, ou foi entendida assim pelos que se desacostumaram do uso do argumento. Sobrou para todos os gostos, inclusive para o autor deste texto que foi acusado de querer, autocraticamente, autorizar e desautorizar cursos; e até para o editor da área acadêmica do Observatório da Imprensa, Victor Gentilli, que tem dignamente mantido espaço aberto para que o debate frutifique.

Agora mesmo, como resultado da persistência desse quadro – não o do desafeto, mas o da divergência – é a Fenaj que resolve interpelar diretamente o próprio ministro Paulo Renato a respeito de suas demandas, segundo ela não contempladas no documento que a CEE-COM enviou ao CNE. Não demora muito, e vem por aí uma réplica – com o mesmo endereçamento – afirmando justamente o contrário. E é bom, porque não há neste conjunto todo uma única voz que não mereça reparos, venha de onde vier.

Exemplifico. Já no final do Congresso da Intercom, realizado no início de setembro, no Rio, pude participar do Encontro Nacional de Professores de Jornalismo. Como era de se esperar, o tema central das discussões foi a questão das Diretrizes Curriculares, e chegamos ao seu final sem nenhuma perspectiva. Não houve arrazoado que fizesse qualquer um dos dois lados da mesa dobrar o discurso. Foi em torno desse quadro que fiz a única proposta apresentada e aprovada ali: a de que houvesse o início de um processo de consultas mútuas que visassem a superação do impasse. O documento da Fenaj é posterior ao Encontro do Rio, mas não há nada nele que faça menção à proposta contra a qual ela mesma não se opôs. É nessas condições, debaixo de um ensurdecimento de lado a lado que não abre espaço para qualquer alternativa que predomina a desinformação e – o que é pior – a estagnação que já começa a desarticular o ensino.

Estou convencido de que é preciso romper essa situação, e que a iniciativa desse rompimento, se não basta a proposta apresentada no Rio, deve vir da própria Secretaria de Ensino Superior do MEC (SESu), responsável, em boa medida, pelo fracionamento da CEE-COM, já que partiu dela, de forma extemporânea e precipitada, sem fundamento nas próprias normas do Ministério, a criação de uma Comissão de Ensino de Jornalismo. É à SESu, portanto, que cabe a responsabilidade de reunir as duas Comissões – a que existe e a que não existe para o fim que lhe foi anunciado – para que se chegue a um novo consenso sobre as Diretrizes Curriculares dos cursos de Comunicação, um consenso que reconheça as bases que foram consolidadas em cada uma das duas vertentes de toda a discussão que assistimos em 1999. Do jeito que está é que não pode ficar.

Hábito secular

Esta minha sugestão tem cunho absolutamente pessoal, e nem poderia ser de outra forma. Mas ela se funda numa dupla constatação. De um lado, ainda que a CEE-COM tenha levado a cabo sua tarefa de formular a proposta das Diretrizes Curriculares com base em ampla e inédita consulta feita a todos os segmentos acadêmicos e profissionais da área, é um equívoco supor que o próprio debate que ela gerou não tenha feito emergir um espectro de projetos que vai além do resultado a que chegou, e isto é da própria dinâmica das idéias. Supor que este resultado é, de alguma forma, algo em que não se deve mexer é desconhecer a realidade criada ao cabo de todo o debate a que assistimos.

De outro lado, segmentos que não se sentem contemplados com as Diretrizes já encaminhadas ao Conselho Nacional de Educação – como é o caso da Fenaj – estão transferindo para a órbita da avaliação da oferta dos cursos de Jornalismo exigências que se colocam no campo da compreensão de seu projeto pedagógico e de sua estrutura curricular. A persistir tal situação, teríamos a curto prazo o maior dos paradoxos: o de ver concebido como fim o instrumental que não deve ser mais que meio de capacitação no ensino universitário, uma situação que ninguém quer, ou querem apenas aqueles que torcem indiscriminadamente pelo êxito dos cursos seqüenciais.

A hora, portanto, é de ensarilhar as armas. Venha da SESu – como me parece que é de sua responsabilidade – ou venha desses dois grupos que se formaram ao longo de toda a polêmica instaurada este ano, é preciso retomar a iniciativa do debate – e do entendimento, se houver fôlego. Mas sem o ministro, sem o CNE, sem esse hábito secular do recurso às demandas, ao cochicho do gabinete, à expectativa de uma pequena vitória amanhã para compensar a pequena derrota de ontem. Crescemos muito e podemos perfeitamente articular neste nosso plano civil uma nova etapa da vida acadêmica da nossa área.

 

Por um jornalismo crítico e cidadão

 

Graça Caldas

Estamos vivendo um momento sem precedentes para os cursos de Jornalismo das universidades brasileiras, que chegam a quase uma centena em todo o país. A nova Lei de Diretrizes e Bases (LDB), resultado da Constituição de 1988, permite, finalmente, acabar com as amarras do currículo mínimo determinado pelo Ministério da Educação e possibilita às instituições de ensino superior autonomia plena na elaboração de seus conteúdos programáticos.

O clima é de liberdade e responsabilidade. Finalmente as instituições poderão escolher seus próprios caminhos sem as desculpas freqüentes do controle institucional. Entretanto, o que observamos? De um lado temos a Comissão de Especialistas do MEC, que concluiu sua proposta de Diretrizes Curriculares traçando um perfil para o ensino de Comunicação em geral e em particular para o Jornalismo, incorporando em quase sua totalidade as propostas surgidas do debate realizado pelos profissionais da área, em Campinas, em abril deste ano. É sempre bom relembrar que tais propostas são resultado de discussões da categoria em diferentes congressos, há vários anos.

Paralelamente observamos, desde o início do ano, uma discussão estéril entre jornalistas e comunicólogos. Qual a razão de tanta insensatez? Afinal, qual é o interesse de todos? Não seria a melhoria dos cursos? A formação de profissionais competentes e éticos? Ou será que estamos diante de duelo de egos? A quem cabe dizer o que é melhor para a profissão? Todos têm a contribuir para o debate. Entretanto, somente aqueles que já passaram por uma redação poderão, de fato, entender o significado do sufoco no exercício cotidiano do processo de produção e fechamento de uma página. Somente estes poderão entender as pressões diárias na seleção da informação. Somente estes poderão compreender os limites claros do jornalismo-indústria em contraposição ao jornalismo-cidadão.

Creio, porém, que apesar de todos os problemas enfrentados não apenas por jornalistas, mas por todos aqueles genuinamente preocupados com a melhoria da profissão, cuja responsabilidade social é grande na formação da opinião pública, é hora de uma mudança de atitude. Já é hora de nos unirmos, jornalistas, historiadores, sociólogos, antropólogos, e todos os estudiosos que têm real interesse no aprimoramento da área. Caso contrário, estaremos contribuindo para que "o jornalista respeitado seja uma espécie também ameaçada de extinção", como criativamente afirma o folder do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, realizado em colaboração com a FENAJ e a CUT.

Postura profissional

Face à importância do folder, que vai ao encontro das discussões insanas que vivenciamos desde o início do ano, vale a pena transcrever aqui seu texto para refletirmos sobre o seu conteúdo:

"Várias espécies ameaçadas de extinção lutam pela sua sobrevivência. É como se tivessem consciência da importância que elas têm para o meio ambiente. E com todas as garras, brigam para manter seu lugar ao sol e fazer um planeta melhor. Jornalista, preserve uma profissão. Porque o direito democrático à informação não pode ser extinto e você é fundamental neste processo. Sinta orgulho de ser jornalista. Só assim você estará lutando para que a sua ‘espécie’ também não seja ameaçada de extinção. Jornalista respeitado é aquele que: Tem seus direitos respeitados pelas empresas. Conhece e respeita seu código de ética. Respeita o espaço profissional dos colegas. Quando faz hora extra, exige o pagamento. Está por dentro do acordo coletivo. Consegue trabalhar e conviver com a família. Está sempre checando a informação das fontes. Procura fazer cumprir a jornada de trabalho. No seu trabalho, coloca sempre em pauta a defesa da sociedade. Respeita o crédito. É contra qualquer tipo de preconceito. Está sempre procurando a verdade. Tem o maior cuidado com as versões. O seu trabalho é valorizado pela empresa e pelos colegas."

Quem já trabalhou em qualquer redação, principalmente em veículo de circulação diária, sabe exatamente a importância do texto contido no folder do Sindicato. Trata-se de uma belíssima peça de marketing sobre a postura profissional do jornalista e deve ser objeto de reflexão na sala de aula pelos jornalistas-professores e comunicólogos-professores.

Mas, voltemos ao debate estéril entre jornalistas e os chamados comunicólogos (historiadores, sociólogos, filósofos etc.). A disputa tem ocupado muito espaço no Observatório da Imprensa. No 2Ί Encontro Latino-Americano de Ensino de Jornalismo, realizado em São Paulo, no início de agosto, o debate foi reeditado, desta vez de forma mais civilizada. Não pude ir à Intercom, este ano, no Rio de Janeiro, e fiquei sabendo, pelos colegas, que lá a discussão também foi quente. O tema parece não ter fim. A cada nova edição do Observatório o assunto é retomado. Tentando contribuir com o debate, reedito aqui parte de uma palestra que fiz na Semana de Comunicação do curso de Jornalismo da Universidade do Vale do Paraíba (Univap), em 19 de agosto deste ano.

A questão é o perfil

A grande pergunta que todos fazem gira em torno do perfil ideal de jornalista que as escolas devem formar. Não tenho respostas prontas. Aliás, acho mesmo que ninguém tem. Cada um de nós, de acordo com sua história de vida, suas convicções pessoais idealiza um tipo de profissional. Do meu ponto de vista, os cursos precisam formar jornalistas tecnicamente competentes e com uma sólida base cultural. Neste sentido, não podemos prescindir, é claro, da colaboração dos comunicólogos, desde que imbuídos do espírito jornalístico e com conhecimentos mínimos do processo de produção jornalística para que possam, ao lado dos professores jornalistas, ou jornalistas-professores atuar decisivamente na formação dos jovens jornalistas. É bom que se diga que os professores-jornalistas também são seres pensantes, críticos e reflexivos sobre a realidade contemporânea, e que a eles não cabe apenas a formação técnica, mas também uma perspectiva teórico-crítica. O pensamento crítico não é de domínio apenas das demais áreas do conhecimento. Jornalista também pensa, ou deveria saber pensar...

As empresas jornalísticas, por sua vez, também têm papel importante na formação do profissional. A elas cabe colaborar mais intensamente com as escolas de Comunicação. Quem sabe, talvez, criando programas de reciclagem dos professores e, por que não, participando de Conselhos Consultivos junto às escolas? Não dá mais para ficar em campos opostos: jornalistas, comunicólogos e empresários. O desafio da formação do profissional de hoje e do futuro é muito grande. A responsabilidade é de todos nós.

Numa sociedade cada vez mais complexa, onde a comunicação em seus diferentes formatos determina cultura, valores e crenças do cidadão, como a universidade pode contribuir para uma formação integral dos jovens jornalistas? É possível acabar com a dicotomia entre teoria e prática nas escolas de Comunicação? Não só acho que sim, como muitas escolas estão neste caminho. Precisamos, no entanto, ampliar as relações entre escolas e empresas. As experiências dos jornais O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e do Grupo Abril, entre outras, são, sem dúvida, exercícios importante, mas de longe insuficientes na relação escola-empresa. Não podemos, por outro lado, imaginar que a universidade deva formar apenas para o mercado que aí está. Seu papel é muito mais amplo. Precisamos formar jornalistas críticos e cidadãos, convictos de seu papel social na formação da opinião pública.

Reforma curricular

Acredito que o papel da universidade é insubstituível porque é o espaço natural da reflexão e do debate, além, é claro, da necessária formação técnica. Reforma curricular? Como poderemos dar conta da liberdade que a nova LDB nos possibilitou? Como enfrentar, com criatividade, este imenso desafio e responsabilidade para a formação dos futuros profissionais? Como falei no encontro de Ensino de Jornalismo, em São Paulo, tenho um sonho que é transformar as escolas de Jornalismo em várias redações. Redações de veículos impressos (jornais e revistas), eletrônicos (rádio, TV), jornalismo on line e também, por que não, observadores críticos da mídia.

Como, porém, quebrar os muros das escolas tradicionais? Como acabar com as amarras da sala de aula? Como flexibilizar os horários dos professores, que na grande maioria são horistas e ainda correm de uma escola para outra? Como acabar com as turmas de 80 a 100 alunos impostas pelas escolas ávidas por lucros, nas quais qualquer pedagogia vai para o brejo? Por mais que tentemos simular situações nos laboratórios das escolas, a realidade da notícia, o laboratório da vida real é muito mais complexo e imprevisível.

A coleta de dados e o tempo escasso na produção da matéria exige um profissional versátil. As dificuldades dos professores são muitas. Temos escolas com laboratórios anacrônicos ou insuficientes para uma formação adequada. Laboratórios que o MEC nunca fiscalizou de fato. As esperanças estão centradas no atual processo de avaliação das condições de oferta dos cursos de graduação. Participei do "treinamento" realizado na ECA-USP para realizar visitas às escolas. Pela primeira vez percebi seriedade nas intenções do MEC. Minhas dúvidas são quanto à força que teremos, avaliadores e/ou representantes de jornalistas e professores para fazermos com que as escolas cumpram os requisitos mínimos para melhorar as condições de ensino. Como investir em qualidade, insisto, tendo professores trabalhando como horistas?

Tempo de teoria e prática

Apesar de todas as dificuldades, ainda acredito que é possível investir em melhoria no ensino de Jornalismo. Ao contrário do passado, quando a maioria dos professores da área eram teóricos, que pouco ou quase nada sabiam da prática jornalística, hoje temos muitos profissionais do mercado buscando o aperfeiçoamento teórico através de cursos de Mestrado ou Doutorado atuando nos cursos de Jornalismo. Enquanto não podemos realizar o sonho de transformar as escolas em grandes redações, vamos pelo menos acabar com aquelas que ainda acreditam na separação entre teoria e prática, entre o ensino básico e o profissionalizante.

Na Metodista, onde assumi, no início deste ano, a coordenação do Curso de Jornalismo, a pedido do professor-doutor Marques de Melo, já estamos praticando jornalismo desde o primeiro semestre do curso. Introduzimos o Jornal Mural da Metodista (semanal), o Jornalismo em Ação (quinzenal), o Jornal da Facom (mensal), a revista eletrônica (mensal). São produtos novos que se somam a uma série de outros já existentes e consolidados, como o Jornal de Bairro Rudge Ramos, que conta com 30 mil leitores. Reeditamos ainda o Telejornal Canbrás. Estamos em pleno processo de reestruturação curricular. Nosso objetivo, professores, alunos e coordenação, é que a teoria e a prática caminhem juntas do primeiro ao último ano. Estamos em pleno processo de mudança.

Muitas são as pedras no meio do caminho. Entretanto, a garra dos professores e alunos, apesar das dificuldades laboratoriais, tem possibilitado aos alunos do primeiro ano um clima o mais próximo possível de uma redação. Queremos aprimorar as experiências e estendê-las aos alunos das demais séries. Só se aprende jornalismo fazendo jornalismo e refletindo sobre o fazer. Esta é a nossa meta.

Jornalismo-cidadão

Tenho a convicção de que o exercício competente do jornalismo, do jornalismo crítico, do jornalismo-cidadão não se aprende apenas nos conteúdos programáticos das diferentes disciplinas ministradas ao longo dos quatro anos de graduação. Jornalismo se aprende no dia-a-dia, no relacionamento atento e crítico dos fatos sociais. A postura diante da vida, a atitude política, no sentido amplo da palavra, é determinante nas ações jornalísticas. O compromisso do repórter é com a informação, seu contexto e impacto social.

Sou de uma época em que a profissão era mais romântica, mais humanizada. A técnica, tão perseguida hoje, era apenas decorrência natural do trabalho do jornalista e de seu comprometimento não necessariamente com a empresa, mas sobretudo, e em primeiro lugar, com sua visão de mundo, com o respeito ao próximo e aos princípios em que se acreditava.

É necessário agir sempre com coerência. Coerência de pensamento, de atitudes, de ação. Sempre que penso em coerência me vem à mente a figura do saudoso sociólogo Florestan Fernandes, a quem tive a honra de entrevistar. Em toda a sua vida pessoal e acadêmica a coerência esteve ao seu lado.

O que dizer aos jovens?

Que dizer a jovens jornalistas em processo de formação? Alguns já exercem a profissão. Outros estão ansiosos por fazê-lo. As experiências são individuais e únicas. O aprendizado acontece na sala de aula, no corredor da escola, na relação professor-aluno, na empresa jornalística, na vida. Não pode ser aferido apenas pelo conhecimento de técnicas de redação, sejam elas para rádio, televisão, jornalismo impresso ou on line. O investimento no aprimoramento da técnica e da cultura pode e deve ser feito a cada dia, continuamente. A curiosidade, a postura científica, o interesse pelo conhecimento são inerentes ao trabalho do jornalista.

Mas o importante mesmo, repito, é a coerência de atitudes, a ética na busca de dados e no contato com as fontes. O jovem repórter está sempre em busca de um grande furo – se é que isso ainda é possível com a enxurrada de informações que recebemos a todo o momento por diferentes meios. É preciso ter claro, porém, que o cotidiano de um veículo não é feito de grandes furos, mas de matérias bem apuradas e com a noção clara da responsabilidade social do repórter pela profissão que abraçou. A credibilidade do veículo é fundamental para a fidelização do leitor.

Acredito que o jornalismo ético pode conviver com o jornalismo industrial, exigência dos tempos modernos, da era da globalização. Continuo mobilizada pelo mesmo entusiasmo e energia do primeiro dia em que apurei uma matéria para o extinto Diário de Notícias, no Rio de Janeiro, nos idos de 1969. Claro que não tenho mais a mesma ingenuidade do passado, quando acreditava que através das notícias poderia modificar as injustiças sociais do país. Mesmo assim acredito nas brechas do sistema. Devemos estar sempre atentos a todas elas para aproveitar, com inteligência, as oportunidades.

Contra o vírus do comodismo

Considero muito importante não sermos vencidos pelo vírus do comodismo, de aceitar tudo como vem embrulhado. A principal arma de um repórter, de um jornalista é saber entender as regras do jogo, mas nunca sucumbir a elas. O exercício da dúvida é fundamental para a produção de matérias competentes, bem apuradas. Na reunião dos representantes da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), realizada no Rio de Janeiro, em agosto, foi divulgada uma pesquisa que mostra a opinião dos leitores. Eles querem mais qualidade, melhor conteúdo, melhor texto, buscam a precisão na informação. São contrários às matérias sensacionalistas. Querem mais notícias locais. Será que estamos indo ao encontro de suas necessidades?

A curiosidade, o questionamento, a reflexão, estar sempre alerta, antenado, viver a notícia 24 horas por dia são essenciais no trabalho jornalístico. Precisamos ser também estrategistas. Por que não? Às vezes é necessário saber recuar dois passos para depois dar um à frente. Quando falo de estratégia quero dizer, também, que é sempre possível exercer um jornalismo digno e competente.

O que importa, na verdade, não é apenas trabalhar na Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo, Jornal do Brasil, O Globo, na Rede Globo de Televisão, sonho da maioria dos jovens jornalistas. Todos esses veículos e muitos outros, por mais importantes que sejam para nossos currículos, representam apenas uma passagem na nossa vida, seja ela duradoura ou não. O mercado, excessivamente competitivo, não se resume à grande imprensa, aos veículos tradicionais. Com criatividade, garra, seriedade profissional e competência poderemos exercitar nossa sensibilidade para encontrar novos nichos de trabalho, que pode ser num jornal de bairro, por que não? Emissoras comunitárias, de rádio ou TV, assessorias de comunicação, entre tantas outras possibilidades.

Em paz com a consciência

As novas tecnologias, que durante algum tempo assustaram os profissionais mais velhos, apontam para o surgimento de novos mercados. O fundamental é traçarmos para cada um de nós uma trajetória íntegra e competente, independentemente do veículo ou da empresa em que estejamos provisoriamente vinculados. O que interessa mesmo é o nosso projeto de vida e a forma como trilhamos o caminho escolhido. Devemos estar em paz com as nossas consciências. Saber voltar atrás, engolir sapos – tudo isso faz parte do dia-a-dia de qualquer profissão. Podemos abrir mão de muitas coisas, mas de princípios. Isso nunca, jamais.

O mercado competitivo exige a formação permanente e continuada. Não pensem que poderão parar de estudar. Se em qualquer outra profissão a reciclagem é necessária, em jornalismo é vital. É uma das profissões mais difíceis do mundo, se exercida com seriedade. É preciso ter claro que antes de jornalistas somos cidadãos, e como tal só podemos cobrar de nós mesmos uma vida marcada pela coerência, nosso maior legado. Esta coerência deve ser mantida na função de repórter ou em posto de comando. Ao sentar do outro lado da mesa, e isso quase sempre é inevitável em algum momento de nossa trajetória profissional, não podemos nos esquecer de que um dia começamos, fomos inseguros, razão pela qual devemos estar sempre prontos a ajudar o colega. A construção do conhecimento é um esforço coletivo e o trabalho jornalístico, por natureza, de equipe, onde todas as peças são importantes, para que o processo de comunicação se complete.

A apuração de uma matéria, por mais simples que seja, de um buraco de rua a uma grande denúncia de corrupção, exige persistência. É preciso tirar leite de pedra. Não podemos ser preconceituosos com esta ou aquela matéria, esta ou aquela cobertura. Cada uma delas tem seu público, seu objetivo. Se formos bons apuradores, certamente saberemos dar nosso recado.

Ler, ler, ler

Entretanto, para ser bom apurador, bom contador de histórias é preciso ler, ler, ler. Ler livros e jornais. Como ser jornalista sem o saudável vício de estar antenado com as notícias? É imprescindível ter cultura geral, estar atento a tudo. Procurar fazer um arquivo pessoal. Não se pode depender apenas da empresa. O bom texto é decorrência de uma apuração cuidadosa, e o aprimoramento da linguagem uma busca permanente. Afinal, o nome de cada um, o conceito profissional é construído dia após dia, reportagem após reportagem. É preciso estar alerta para não deixar que a ideologia do consenso fabricado, da banalização da informação, da informação como mercadoria deturpe as nossas mentes e os nossos ideais.

É da diversidade, do debate, da apresentação das diferentes versões, da contextualização, da observação atenta dos fatos e das circunstâncias e causas que levaram ao fato que se pode contribuir para a formação da opinião pública. Chega de jornalismo declaratório e oficial. Por mais que um telefone seja útil na apuração de uma matéria, principalmente no sufoco do fechamento, nada substitui a observação direta dos fatos, que ainda assim se constituem, não podemos nos enganar, numa versão da realidade. Nosso compromisso com o "leitor" é oferecer múltiplos olhares, para que ele, o "leitor", consiga formar sua própria opinião e atuar como sujeito da história.

Só assim será possível o exercício de um jornalismo crítico, analítico, interpretativo e cidadão. A consciência e a responsabilidade do jornalista imbuído de seu papel de historiador do presente é imprescindível para que a leitura da história seja a mais próxima possível da realidade, para que no futuro os historiadores possam utilizar cada vez mais os veículos de comunicação como fonte de documentação histórica. Sejamos, pois, cuidadosos com o tempo presente.

 

PROVÃO
Acusações despropositadas,
fontes imprecisas

 

Sylvia Moretzsohn

Alberto Dines me acusa de praticar "denuncismo solerte" e "agressão à ética" no artigo "Jornalismo imaginário", publicado na revista laboratório que coordeno em nosso curso de Comunicação Social na UFF e reproduzido na edição de 20 de setembro deste Observatório [veja remissões abaixo]. Tudo porque me refiro ao jornalista como membro da comissão do provão, ao comentar o enunciado de uma pergunta que, entre outras coisas, apresenta, "como se fosse um depoimento", trecho de um livro do próprio Dines. "Falta de cuidado em investigar", diz ele. De fato. Dines foi membro da comissão de especialistas responsável pelas linhas gerais que orientaram o primeiro provão. Como declara, foi honrado com o convite para continuar participando, mas não pôde aceitar, "em função de compromissos profissionais".

No entanto, a informação de que ele seguia sendo membro da referida comissão foi retirada de texto veiculado no próprio Observatório, de autoria de uma fonte aparentemente segura como o professor Nilson Lage, também membro da comissão. No texto sobre "A criação da comissão de especialistas em jornalismo", veiculado na edição de 5 de julho, lê-se: "Na sua primeira reunião, após o exame, mesmo superficial, de perfil e habilitações, a comissão constituída para os critérios e normas do segundo provão, de 1999, (...) constituída pelos professores Alberto Dines, Gerson Moreira Lima, José Salomão Amorim..."

No texto em que me acusa de praticar "baixo jornalismo", Dines afirma que jamais participou de qualquer das reuniões após o primeiro provão. Se é verdade, vale o alerta: definitivamente, precisamos selecionar melhor as nossas fontes.

Victor Gentilli, editor do Diretório Acadêmico, responde: Lamento que a professora Sylvia Moretzsohn fique se pegando em coisas miúdas. No texto do Dines, que apenas se defende de acusações, o fundamental é o esclarecimento – desnecessário, posto que óbvio – de que um membro da Comissão do Provão não conhece quem faz a prova. Aliás, apenas a Fundação Cesgranrio conhece. Ninguém afirmou que Alberto Dines não fazia parte da segunda Comissão, nem ele próprio nem Nilson Lage. Afirmou-se apenas que ele jamais compareceu a qualquer reunião.

 

CARTAS
Avaliação do MEC

É no mínimo lamentável que um professor como o Sr. Victor Gentilli, que faz parte do colegiado de professores de um curso de Comunicação que possui outras habilitações além de Jornalismo (UFES), divulgue critérios divisionistas e arcaicos. Pequena mostra do que podem fazer senhores de mente curta e muita ambição. Lamento profundamente ter sido aluno de tal senhor, mas como parece que agora "são eles" que dão as cartas em tal comissão, pergunto: o que fazer em unidades de comunicação que têm mais de uma habilitação? Segregar publicitários, relações públicas (sem falar nos professores com formação fora da área) como incompetentes de antemão, ou dividir ainda mais a extensa burocracia universitária criando um colegiado para cada habilitação????

Um coordenador de curso que não seja jornalista desqualifica o curso de imediato?

Jeder Janotti, profissão comunicólogo, habilitação Jornalismo (formado por pessoas como o senhor supracitado, unfortunately...) [[jedernight@allways.com.br]]

Victor Gentilli responde: Caro Jeder, se você desejasse respostas às suas perguntas, enviaria esta carta ao Observatório. Como não o fez, mas apenas dirigiu críticas numa lista de discussão, dispenso-me de responder. O leitor do Observatório que acompanha meus textos conhece minha posição. Mesmo discordando de suas opiniões, eu o tenho como um dos meus bons ex-alunos.

 

ENECOM
Mar sem rosas

Estou completamente de acordo com o amigo Leo Ayres. Afinal de contas, qual é o principal objetivo do Enecom? Seria o de promover uma grande colônia de férias para os estudantes de Comunicação? A maioria dos estudantes que vão a estes encontros só quer saber de farra. Não tenho nada contra a diversão, apenas acredito que haja hora para tudo.

O amigo Buongermino me pareceu um pouco frustrado com a profissão. Talvez ele fosse um desses pobres estudantes que cursam faculdade de Jornalismo pensando que após formados poderão vir a ser o novo âncora do Jornal Nacional. Talvez a realidade tenha sido um pouco cruel com você, amigo, mas não se espante, esta é a vida, não há mar de rosas (principalmente para os profissionais de nossa área), e sim uma guerra diária que devemos vencer a cada dia para sobreviver.

Em tempo: quem financia este encontro? Estes recursos não teriam uma aplicação mais justa se fossem usados para ajudar estudantes que muitas vezes deixam de estudar por não ter como pagar a escola? Um abraço,

Carlos Alberto

 

Apoio a Leo Ayres

Estudo Jornalismo em Maceió, ainda estou no primeiro ano e começo agora a me inteirar do curso, saber de meus direitos e deveres e a usar isto para não ficar parado. Participei do Enecom, li e reli várias vezes o artigo de Leonardo Ayres. No começo achei que ele era um revoltado com o curso. Mas agora decidi dar meu apoio ao Ayres e meu repúdio ao Buongermino, que não fala coisa com coisa. Com jornalistas como ele é que nossa imprensa vai ficar se "imprensando". Também sou de BH, e acho aquela cidade o máximo. O problema é que ele tem mau gosto até na hora de se divertir!

Alexandre Henrique, 1Ί ano de Jornalismo da UFAL

 

O Sul espera por vocês

Li os comentários sobre o Enecom, e como pessoa e estudante de Comunicação resolvi dar meu parecer. Concordo com Carolina Ribeiro, acho que o encontro é o que fazemos dele. Fui a dois encontros: o de Curitiba em 98 e o de Maceió em 99 (e pretendo, é claro, aproveitar meu último Enecom aqui no meu estado). Para mim, os encontros foram completamente diferentes. E de toda forma maravilhosos. Se no de Curitiba estive mais interessada em toda a programação cultural e científica proposta (sem deixar de fora festas e afins), no de Maceió não foi a mesma coisa. Me entreguei completamente ao astral do lugar e aproveitei do início ao fim da forma que achei melhor. E não me arrependi em nenhum minuto.

O encontro é para isso mesmo: para aproveitarmos do jeito que quisermos, seja debatendo política, futuro, problemas acadêmicos e estudantis, seja para conhecer pessoas e opiniões, para dar um passo à frente em nosso preconceito em relação às diferentes culturas, para amar toda essa gama de diferenças lindas e maravilhosas deste Brasil e aprender muito com isso. Para saber que longe, em outro canto do país, há cabeças que podem pensar como as nossas e tentar com isso eliminar barreiras e diminuir distâncias.

De que adianta ficar discutindo em plenárias, se dizendo preocupado e engajado se se continua com preconceito em relação ao outro? Comunicar é também saber ouvir.

Este encontro, mais que tudo e antes de tudo, pode ser visto como uma oportunidade de humanizar e integrar nosso enorme país. Estamos todos no mesmo barco, e nesta hora o melhor que podemos fazer é andar juntos! Para todos que sonham em mudar o mundo, penso que este é o primeiro passo.

Sobre o que Buongermino defendeu, não posso ficar calada. Falar que BH é chata e que os mineiros não são solidários é uma grande bobagem. Conheço BH e posso dizer que é uma cidade maravilhosa, que exala cultura por todos os lados e que tem tanta coisa para se ver e fazer que eu, que já fui quatro vezes lá, não consegui conhecer tudo que queria. Com toda a certeza, tu é que não soubeste aproveitar.

Os mineiros são pessoas queridas e simpáticas que sempre me ajudaram quando precisei, desde o cobrador de ônibus (ou como eles dizem lá "trocador") até as pessoas nas ruas às quais pedi informação, sem falar das pessoas que conheci no Enecom e fui visitar. E não só mineiros. Conheci baianos, cariocas, enfim, pessoas maravilhosas de diversos estados com quem mantenho contato, troco idéias e aprendo muito. Posso dizer que muito disso devo a encontros como o Enecom, que fizeram com que eu prestasse mais atenção à minha cultura, conhecesse e amasse outras tantas e visse que tudo faz parte de uma coisa só!

Outra coisa: o fato de muitos estudantes não comparecerem às plenárias, como reclama Leonardo Ayres, não quer dizer que eles não se preocupem com o futuro, com a realidade do país e com as demais causas. Há muitos que pensam que não há lugar específico para se discutir esse tipo de assunto, outros simplesmente encaram o encontro como curtição, integração e humanização.

O importante é tirar proveito destas oportunidades únicas que nos são dadas, da forma que quisermos e que acharmos melhor, pois de nada adianta ser obrigado a fazer coisas só para provar algo a alguém.

Aos que nunca foram, não percam a oportunidade. Aos que já foram, venham repetir a dose aqui neste pedacinho do Sul do país, que os espera no próximo Enecom com um baita frio, mas com uma recepção acolhedora dos gaúchos e gaúchas!

Carolina Alves Cozzatti, 20 anos, Famecos/PUCRS

 

Absurdo, absurdo

É um absurdo o que alguns profissionais de comunicação (?) dizem sobre o Enecom. Uma pessoa que vive de debates, investigações e pensamentos critica pessoas que se reúnem para praticar essas coisas, além, é claro, de conhecer lugares e realidades diferentes. Ou será que tudo isso é descartável para que se forme um bom comunicador? Certamente quem critica nunca participou.

Mohamad Hosn, estudante de Jornalismo da Faesa/ES

 

Triste mediocridade

Meu nome é Kelly Machado e curso o oitavo período de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais. Li o texto do "caríssimo" Sr. Buongermino e posso dizer sem nenhuma preocupação: é a pessoas mais estúpida que já tive o desprazer de ler e espero, sinceramente, que ele continue feliz vivendo sua triste mediocridade.

Não gosto de pessoas que desmereçam minha cidade (ou qualquer outra) sem um motivo plausível. Apenas demonstrou ser um jornalista que tira conclusões sem antes averiguar realmente os fatos. Foi ridículo. Já a menção que fez ao Atlético Mineiro foi pobre e de péssimo gosto.

Não faço questão de que minha opinião seja publicada, mas gostaria que ela chegasse ao conhecimento do Sr. Buongermino.

Kelly Machado

 

Ainda o diploma

Absurdo haver apenas uma opinião na discussão sobre a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão. O pior é que a opinião defende a tese corporativista do Sr. Orlando Lemos – e de muitos outros nomes importantes do jornalismo brasileiro – pela obrigatoriedade do diploma e a reserva de mercado para os diplomados. Esta lei é uma lástima porque impede outros excelentes profissionais de diversas áreas de contribuírem para a informação – e formação – de nossa pobre sociedade. Em países em que o corporativismo é posto em segundo plano prevalece sempre o interesse maior, o bem-estar de toda a sociedade. Muitos profissionais – médicos, advogados, engenheiros, sociólogos, filósofos e outros investigadores natos – trabalham para informar aos cidadãos da forma mais clara e precisa sobre a coisa pública. Há comunicação entre um médico e um leitor, assim como num consultório. Já muitos jornalistas brasileiros poderiam matar seus leitores pela má qualidade das informações chulas, imprecisas e desqualificadas concentradas numa mesma matéria sobre saúde.

Acredito que o Sr. Gustavo Franco, exímio economista, é melhor jornalista que 80% dos jornalistas que cobrem economia hoje no Brasil. Não há cristão em nenhuma redação que possa dar mais informações, com mais qualidade e utilidade que Gustavo Franco. Ele é mais que jornalista, é um comunicador útil, peça rara entre nós hoje em dia.

O que interessa é a informação pública – e publicada – de forma clara, objetiva, direta etc. Tudo o que manda a cartilha do jornalismo. Isso os especialistas fazem, a diferença é que eles têm conteúdo para colocar nesse formato (lead, desenvolvimento, conclusão), que qualquer débil mental pode aprender.

Alexandre Martins, jornalista não-formado, 10 anos de profissão

 

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Sobre o Enecom 1,. 2 e 3



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