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DIRETΣRIO ACADΚMICO DIPLOMA EM XEQUE Alberto Dines O diploma de jornalismo para a qualificação do jornalista era questão fechada para a maioria dos profissionais mais experientes, capazes de manter uma atitude de independência frente ao patronato e comprometidos com a questão da formação. Agora a palavra obrigatoriedade ou regulação está sendo substituída por flexibilização. A mudança ficou evidente na ultima edição televisiva do Observatório da Imprensa (terça-feira, 13/11): dos cinco convidados, dois eram e sempre foram contra a obrigatoriedade (Mauro Santayana e Moisés Rabinovici) mas os outros três (Jair Borin, Muniz Sodré e Hélio Doyle) sempre ligados ao ensino do jornalismo e, alguns, até com militância sindical agora favorecem fórmulas menos rígidas. Isto sem contar este Observador, que, na qualidade de apresentador, limitou-se a estimular e conduzir o debate. Qual a razão ou razões que provocaram tão visível mudança? Uma foi decisiva: o ensino do jornalismo virou uma enorme bagunça. Favorecidos pela legislação, ao longo de quase duas décadas (desde que começou o debate público sobre o assunto), as escolas de jornalismo preocuparam-se apenas em tirar partido deste fabuloso privilégio. Estão interessadas em entregar o canudo a um número cada vez maior de ingênuos e ingênuas que vêem nele a chave para abrir os portões do mercado de trabalho. O triste é que abre mesmo. Em compensação, os diplomados pelo privilégio foram cúmplices de um dos mais concentrados processos de degradação da história do nosso jornalismo. É claro que há exceções nas universidades públicas e em certas universidades ligadas a entidades confessionais. Mas a maioria das escolas de jornalismo e as que despejam mais diplomados no mercado fazem parte do ensino privado. E este pode ser aquilatado em toda a sua dimensão por duas recentes entrevistas concedidas pelo proprietário da Universidade Estácio de Sá, uma das maiores do país [veja a íntegra em Entre Aspas, nesta edição]. E por todas as matérias que este Observatório vem publicando desde a sua fundação sobre a Indústria do Canudo, inclusive as polêmicas com a própria Estácio de Sá e esta "coisa" que não ousa classificar-se como universidade preferindo esconder-se como UniverCidade [veja remissões abaixo]. O caso da regulamentação do exercício do jornalismo é um caso de estudo sobre a incapacidade do setor privado em aproveitar oportunidades e enfrentar desafios oferecidos pela sociedade. Mas é também um caso de estudo sobre o desgaste ou obsolescência das corporações sindicais hoje mais preocupadas em seguir a linha justa ditada pelas centrais de trabalhadores do que com os graves problemas do jornalismo e da imprensa no Brasil. Nunca é demais relembrar o caso do provão que, evidentemente, não resolve todos os problemas da formação de jornalistas mas pode acabar com as aberrações. A Federação Nacional dos Jornalistas (depois de apoiá-lo inicialmente) não apenas ficou contra e mobilizou as bases para impedir a sua adoção mas, por causa disso, ficou impossibilitada de pressionar o Ministério da Educação para punir as escolas de jornalismo desqualificadas nas avaliações. Ou forçar a mídia para obrigar a autoridade a cumprir com as suas obrigações. Resultado: temos um sistema de fiscalização mas não temos a coragem para levá-lo às últimas conseqüências. Qualquer que seja a decisão final da justiça, está claro que a obrigatoriedade do diploma autocondenou-se. Não obstante, o quadro atual não deve mudar substancialmente: ** As escolas não vão fechar;** Ao contrário, continuarão como um grande negócio engabelando uma classe média legitimamente ansiosa para ascender socialmente mas desatenta para os estímulos culturais produzidos pela família, pelo meio ambiente e, principalmente, pela escola secundária e sem os quais o diploma é apenas um canudo;** Os professores continuarão a ser mal remunerados e, por isso, cada vez serão menos oriundos das redações;** Os alunos continuarão recebendo um certificado profissional sem que a maioria tenha condições de habilitação;** E, o pior, a troca geracional dentro das redações continuará sendo comandada pelos piores instintos do mercado num conluio entre o lobby do ensino privado, a mídia que não denuncia seus abusos e os sindicatos mais preocupados com as assessorias de comunicação do que com a qualidade da imprensa.A obrigatoriedade do diploma já não é a questão. A questão é saber o que deverá substituí-la ou desenvolvê-la. (continua)
A fuzarca das universidades privadas Alberto Dines 51% das escolas de jornalismo reprovadas: Quem foi que errou? Alberto Dines UniverCidade ou Univer$idade A.D. Carta aberta aos alunos e professores da Univer$idade UniverCidade A.D. Ataque do capadócio [texto de anúncio da UniverCidade publicado à página 5 do Jornal do Brasil, domingo, 24/6/01] Peter Arnett, quem diria, acabou na Estácio de Sá A.D. Nada de novo. E brigas de foice Victor Gentilli ccc Para compreender o trombone da ética Felipe Pena Logro e simulação na indústria do ensino Carlos Eduardo Palhano Uma barriga de três meses V.G. O mercado nos guia Raphael Perret Leal Levinsohn vs. Veja V.G. O player agora quer ensinar jornalismo V.G. Faltou o dever de casa Raphael Perret Leal A qualidade da formação jornalística Gerson Luiz Martins Fábricas de diploma V.G. O fim do preconceito contra as particulares F.P. UniverCidade: professores ameaçados de demissão V. G. | ||