DIRETÓRIO ACADÊMICO

ESTÁCIO DE SÁ
Ministério Público, já! MEC, já!

Victor Gentilli

É de espantar a sinceridade com que fala o sr. João Uchoa Cavalcanti Netto, fundador e dirigente maior da Universidade Estácio de Sá. É de arrepiar.

O comentário de Marcos Sá Correia, publicado na revista eletrônica no. <www.no.com.br> e no Jornal do Brasil bastam para apresentar um quadro crível do que pensa este homem.

O Ministério Público, instituição que tantos serviços já prestou à sociedade brasileira, tem agora a obrigação de tomar todas as providências cabíveis para que os 30 mil jovens que pagam mensalidades para este homem tenham uma contrapartida digna para os recursos que oferecem à instituição, brindada pelo Conselho Nacional de Educação do MEC com o credenciamento como Universidade.

Nos documentos que o senhor Uchoa – ou seus prepostos – encaminhou ao MEC para receber as credenciais de Universidade, havia compromissos com a pesquisa, com a extensão e com o ensino de qualidade.

Agora o sr. Uchoa confessa, com uma brandura surpreendente, que pesquisa acadêmica não tem importância, que o ensino superior é dispensável.

Das duas, uma.

Ou o senhor Uchoa mentiu para o MEC – então é urgente que o MEC lhe retire o direito de exercer o ensino superior universitário; ou mentiu para a Folha Dirigida, que originalmente publicou suas declarações sob o caudalosa chamada "Fundador da Universidade Estácio de Sá, João Uchôa Cavalcanti Netto aborda com franqueza temas polêmicos e diz que ‘A ignorância pode ser uma opção que tem de ser respeitada’". Em ambos os casos é forçoso que ele esclareça a verdade aos seus 30 mil alunos, aos pais e à sociedade que emprega estudantes-vítimas oriundos da arapuca da Estácio de Sá.

Se o MEC e sua Procuradoria foram tão ágeis para pedir na Justiça – e perder – que os professores grevistas das universidades federais pagassem 50 mil reais de multa por dia parado, deve ser fácil fazer o sr. João Uchoa Cavalcanti Netto devolver o dinheiro que tomou indevidamente de todos os estudantes que passaram por sua instituição(?) de ensino(!).

Não há outra alternativa.



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GREVE NAS FEDERAIS
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V. G.

A greve das universidades federais continua – e mostra que o fundamentalismo, lamentavelmente, não é privilégio apenas daqueles que estão do outro lado do mundo. Esta greve está sendo comandada pelos fundamentalistas de ambos os lados (MEC e Andes) e nem isso sequer a imprensa é capaz de perceber e informar à sociedade.

Registremos algumas exceções:

** Artigo de Daniel Aarão Reis, publicado no Jornal do Brasil aponta sinais do bom senso que falta aos lados em questão. Mostra a intransigência do ministério da Educação, mas sugere a falta de legitimidade das assembléias de docentes apontando outras instâncias como capazes de decidir um eventual retorno às aulas.

** A Folha de S. Paulo de sábado (17/11) apresenta a realidade do ensino público federal. No momento em que a greve atinge quase três meses, mostrar que de 1998 a 2000, sem aumento nos recursos (pelo contrário, sequer a perdas de docentes são repostas), as universidades aumentaram em 18% a oferta de vagas.