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ECOS DA CAMPANHA ELEIÇÕES NO RS Walter Karwatzki Chagas (*) Cadê o direito à igualdade? Como cidadão, eleitor e leitor de jornais, espero que todas as empresas jornalísticas do Rio Grande do Sul, e não apenas uma parte delas, dêem ao futuro governo estadual – eleito democraticamente – o que não foi dado ao governo atual: um tratamento balizado na premissa da parcialidade. Sabemos que a imparcialidade só destrói e é nociva para toda a sociedade. A imparcialidade encobre interesses, anula o censo crítico, excluí a razão e desaloja a verdade dos fatos, ocasionando, assim, a desarmonia, a desarticulação, a insegurança e a incredibilidade. Ou seja, o caos! E a paz, tão desejada por todos e para todos, é alijada do seio da sociedade. Esta paz só é possível sob o manto da verdade. Afinal, só sob o manto da verdade acusação, defesa, sucesso e insucesso recebem o mesmo tratamento. Sem espaço para a imparcialidade. Preservando-se assim, a verdade! A informação dada deve ser para todos – jornais, leitores, eleitores e governantes –, pautada na verdade, pois só pela verdade se obtém credibilidade. A credibilidade não pode ser imposta, ela deve ser conquistada. O jornal não deve dizer que é merecedor da credibilidade do leitor, este é que deve dizer isso do jornal. O número de anunciantes e assinantes de um jornal deve ser apenas um dado contábil, e não um dado da credibilidade deste. Hoje nos orgulhamos de nossa imprensa livre e, como tal, esta deve ser isenta. Isenção resulta em credibilidade. Assim, o maior comprometimento da imprensa deve ser com a verdade! Sob um jornal sério não pode recair qualquer suspeita de simpatia por qualquer segmento da sociedade, seja ele econômico, religioso, étnico, institucional e, muito menos, partidário. Não é ético! Não é papel de um jornal fazer doutrinação política – este papel já é executado pelos boletins e os informativos partidários. Não cabe a nenhum jornal desencadear e apregoar qualquer antipatia partidária. Tal fato não atinge exclusivamente um determinado partido político, atinge a todos e a tudo. É perigoso para a sociedade, para as instituições e para a democracia. É uma postura irracional, geradora de uma polarização que resultará, obviamente, na intolerância! E a história já nos mostrou como isso termina. Apenas a verdade Os jornais são nossos companheiros diários e em momento algum as informações que recebemos destes devem ser passíveis de suspeitas. Estas informações são formadoras de opinião, e devem ser verdadeiras. Não podemos ser reféns da verdade de um jornal – o jornal é que deve ser refém desta. Somente a verdade deve ser a matriz forjadora das opiniões. O que pode ser maior do que o direito de saber a verdade? Até quando algumas empresas jornalísticas usarão seus profissionais – editores, colunistas, cronistas e repórteres – como escudos na defesa de seus ocultos interesses particulares, ou, o que é pior, no interesse de terceiros? Até quando estas empresas faltarão com a verdade? Quantos jornais diferentes teremos que ler diariamente para se ter acesso à verdade? A cada novo processo eleitoral a cidadania é a grande vitoriosa. No Brasil, somos todos – independentemente de classe social, escolaridade, gênero, ideologia ou etnia – usuários do melhor que há na democracia: o voto livre. E, para uma cidadania vitoriosa, a verdade é a grande aliada. Então, qual é o grande compromisso de um jornal na construção de uma sociedade livre e soberana? Empresas jornalísticas do Rio Grande do Sul, respondam-me apenas com a verdade. (*) Professor de Geografia da Escola Técnica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul | ||