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E-NOTÍCIAS
CONSPIRAÇÃO
Censura e vigilância na rede
João da Silva (*)
Já há mais de um ano que a mídia mundial, e especialmente a brasileira, prepara a população para que aceite a censura e vigilância que em breve será implantada na internet. Nas últimas semanas a campanha se intensificou, indicando que em breve um número infindável de leis e restrições a respeito da internet serão impostas à sociedade sem que esta se dê conta da gravidade do acontecimento. Os meios para a vigilância também estão em fase adiantada de implantação, mas em sigilo.
Pode parecer impossível, em uma primeira análise, mas antes do fim tudo estará claro. A liberdade e o direito de qualquer pessoa, por mais humilde e desconhecida que seja, se expressar na internet com grande intensidade e repercussão começaram a preocupar aqueles que detêm o oligopólio dos meios de comunicação (TV, rádio, jornal etc.) e das comunicações pessoa-a-pessoa (telefone, por exemplo) em nível mundial. Assim que a internet, recentemente, saiu dos meios acadêmicos, acelerou sua expansão e demonstrou ser um caminho sem volta, o grupo restritíssimo que detém este oligopólio (façamos justiça, detém este e muitos outros oligopólios) logo percebeu que, para manter a hegemonia na área de comunicações, teria que controlar também a grande rede.
Esta hegemonia, para este grupo, precisa ser mantida por três motivos básicos:
- Para evitar que outros grupos venham a controlar este novo meio de comunicação, e assim passem a competir com os meios de comunicação tradicionais, ou ameaçar os interesses desde oligopólio;
- Para aumentar seus lucros;
- E, principalmente, para continuar a controlar o conteúdo e as informações que chegam às grandes massas populacionais, pois, afinal, os verdadeiros fatos que se passam nos bastidores do poder precisam continuar restritos a poucos, assim como fatos históricos desconhecidos precisam continuar desconhecidos, e outros, tidos pela população como verdadeiros, não percam a credibilidade. É uma corrente de interesses interminável.
Há mais de um ano a imprensa começou a "noticiar" e a "denunciar" (as aspas são absolutamente imprescindíveis) práticas de pedofilia na internet. Era o início da grande manobra. Até aquela data poucos sabiam o que era pedofilia, palavra ausente de vários dicionários. Hoje a palavra e o conceito de pedofilia estão amplamente difundidos.
Drogas e vírus
Praticamente ninguém percebeu, mas esta campanha orquestrada e premeditada foi deflagrada de forma simultânea no planeta. Mas logo em seguida deram um tropeço: autoridades belgas foram flagradas criando sítios (ou sites) de pedofilia para que a imprensa, depois, pudesse "encontrá-los" e "denunciar" que a rede estava impregnada de pedófilos. O fato foi rápida e facilmente abafado e poucos tomaram conhecimento. Afinal, a imprensa também é controlada por este "grupo seleto", e só divulga o que está em conformidade com seus interesses (inconfessáveis).
A partir de então uma série de "denúncias de pedófilos" foi preparada e amplamente divulgada em horário nobre da TV para induzir a população a acreditar que a internet é um local de depravados.
No final do ano de 1999, dentro da estratégia tramada de intensificação gradual das "denúncias" de crimes na grande rede, passaram a ser divulgados boatos sobre ações criminosas de hackers (especialistas em informática), que estariam utilizando seus conhecimentos para roubar senhas bancárias e atos afins. Estas denúncias foram abandonadas, pois a população começou a desconfiar da credibilidade e da segurança das operações bancárias via computador, o que contraria os interesses deste "grupo".
Logo foi criado um novo "conjunto de denúncias", e então iniciou-se uma avalanche de histórias sobre venda de drogas pela internet e vírus de computador. Em grandes "reportagens", os "jornalistas" puderam, então, mostrar que não é só no mundo real que conhecem traficantes e o submundo do comércio de drogas – uma intimidade tão grande que, no Brasil, permite a estes "jornalistas" "taxar" os traficantes Márcio VP e Fernando Beira-Mar de Marcinho VP e Fernandinho Beira-Mar.
Em suas "reportagens" estes "jornalistas" realmente informaram as pessoas sobre como funciona a venda de drogas via internet, denunciaram endereços de sites, procedimentos de compra, preços, como é feita e quanto tempo demora a entrega, os nomes das drogas e os efeitos que provocam (nem todos conhecem!); denunciaram também que alguns destes sites não cumprem o combinado, ou seja, cobram e não entregam o "produto", e parece que até mandaram analisar a droga para verificar a qualidade "da mercadoria"...
As "denúncias" sobre vírus de computador receberam mais "espaço" na "mídia" e serão comentadas aqui com um pouco mais de profundidade. No episódio do IloveYou, a "grande mídia" "denunciou", à exaustão, o "perigo e o prejuízo" que estava provocando. Coincidentemente este vírus praticamente só afetava o software de correio eletrônico Outlook Express, da Microsoft, empresa que tem negócios com a Rede Globo. É claro que este pequeno detalhe praticamente não foi divulgado...
"O I love you se espalhou nesta quinta-feira. Os sistemas da Ford, em Londres, da Casa Branca e do Pentágono, nos EUA, foram alguns dos sistemas afetados." [Jornal Nacional, 4 de maio de 2000]
"Um jovem de 23 anos, morador de um bairro pobre de Manila, nas Filipinas, é o principal suspeito de ter criado o vírus do amor. O prejuízo pode chegar a US$ 2 bilhões." [Jornal Nacional, 5 de maio de 2000]
"Foi preso Reomel Ramones, 27 anos, suspeito de disseminar o vírus do amor, que atingiu 45 milhões de computadores em 20 países. Ele foi preso em Manila, capital das Filipinas." [Jornal Nacional, 8 de maio de 2000]
"Novo tipo do vírus do amor está atacando computadores de empresas americanas. O novo vírus é mais destrutivo do que o original, mas o ataque também é pelo do correio eletrônico." [Jornal Nacional, 19 de maio de 2000]
Utilidades do bichinho
Os vírus de computador, para computadores do tipo PC, foram praticamente criados com o sistema operacional MS-DOS, da Microsoft, no início dos anos 80. Dezenas de milhares já foram criados, talvez mais de 100 mil, é difícil saber. Os primeiros vírus eram realmente muito destrutivos, apagavam todo o conteúdo do disquete. Sim, do disquete, pois os discos rígidos (ou HDs, ou winchesters), devido ao elevado custo, só se difundiram bem depois. Com o passar dos anos os vírus foram diminuindo a severidade dos danos causados, até chegar a este "vírus do amor", que não apaga nem destrói nada, limita-se, caso seja acionado pelo usuário, a se auto-enviar a todos os endereços eletrônicos registrados no Outlook da Microsoft. É difícil imaginar como um vírus tão banal, que no máximo causa um aborrecimento para quem acaba recebendo 10 ou 20 mensagens inúteis e iguais, pode causar um prejuízo de tantos bilhões de dólares em apenas um ou dois dias, como a "imprensa" brasileira e mundial divulgou.
Mas não é nem um pouco difícil entender por que tal vírus recebeu tanta "publicidade": para provocar pânico na população, uma população cada vez mais manipulada, ludibriada e incapaz de reconhecer a realidade e os verdadeiros perigos que a cercam. Com medo dos (desconhecidos) efeitos e supostos perigos deste vírus "super poderoso", conforme a "imprensa" o pintou, a sociedade corre para o lado oposto, onde está o verdadeiro perigo à espera com sua grande e potente mandíbula aberta.
Mas ainda não citei o que torna este vírus particularmente interessante... já retomarei o assunto.
Vamos prosseguir na nossa análise. Vejamos outra notícia:
"FBI adverte sobre novo vírus na internet
Washington – As autoridades federais americanas confirmaram na noite de sexta-feira a existência de um novo vírus na internet, tão perigoso quanto o ‘I love you’, que se propaga por um dos sistemas operativos da Microsoft. O FBI informou que o vírus chega por correio eletrônico com a mensagem de uma pessoa que procura emprego com o nome "Resume (Currículo) – Janet Simons". Uma vez aberta a mensagem, o vírus se propaga pelo diretório e apaga os arquivos. O FBI recomendou aos usuários que não abram a mensagem e a apaguem imediatamente.
A aparição do novo vírus havia sido notificada um pouco antes por um fabricante de antivírus de San Francisco, Califórnia, que revelou que já haviam sido afetadas várias companhias. O gerente de Produtos da Network Associates Inc., Sol Viveros, disse que o vírus é ativado quando se baixa um documento, que pode vir com vários títulos, como ‘resume.doc’ ou ‘explorer.doc’. [Agência Estado, 27 de maio de 2000]
Selecionei esta notícia por um único motivo: no caso do "vírus do amor", a "imprensa" não divulgou "quem" estava fazendo "o alerta". Este novo "alerta de vírus" (isso me lembra o pseudovírus "good times") está sendo feito pelo FBI americano! É para que o "idiota do povo" (royalties para Noam Chomsky) "entenda" melhor que estes problemas na internet são realmente um "caso de polícia", aliás, uma ameaça "tão grande e perigosa" que requer a ação do temido FBI, quando na verdade é um problema tão importante quanto foi o "good times".
No sistema de vigilância da internet que está sendo montado, ou melhor, aperfeiçoado e ampliado, o episódio do "vírus do amor" é particularmente revelador. De tão óbvio ninguém consegue ver. A "notícia" divulgando a identificação do autor do "vírus do amor" foi liberada apenas 24 horas após o anúncio da existência do próprio vírus! A "notícia" da brasileira Rede Globo não deixa dúvidas quanto a isso, pois cita: "O vírus de computador ILoveYou se espalhou nesta quinta-feira (4 de maio)...". No dia seguinte (5 de maio) a mesma emissora de TV já divulgava a identificação do "suspeito", citando idade, cidade e bairro em que este "suspeito" se encontrava. Ou seja, já sabiam quem era, o que foi divulgado em seguida, no dia 8 de maio.
Incrível! Fenomenal! Extraordinário! Fabuloso! Nem tenho palavras... A super-hiper-mega-giga eficiente organização sabe-se-lá-qual identificou a "origem" do vírus em apenas 24 horas! (Note que não foi divulgada qual foi a "organização" que "identificou" o criador do vírus.)
Pouco importava que, nas palavras da própria "imprensa", existissem milhões, talvez bilhões ou mais cópias do vírus, ou seja, de mensagens idênticas, circulando em todas as direções da internet! Esta "organização anônima supercapaz" conseguiu identificar a origem e o criador do vírus em apenas 24 horas!
Só rastreando
Qualquer pessoa com um pouco mais de conhecimento e vivência em internet sabe das dificuldades colossais em identificar a origem de uma mensagem, sobretudo se existirem "zilhões" de cópias idênticas circulando, de tal forma que só há duas formas de tal "fenômeno" ser possível:
- Foi tudo uma grande armação, com o propósito de criar pânico e "convencer" a sociedade da necessidade de "leis duras" para combater estes "criminosos da internet";
- Já existe, de fato, um sistema de vigilância e controle das comunicações eletrônicas de proporções mundiais, que permitiu a identificação da "ameaça". Neste caso o pobre coitado das Filipinas é, individualmente, a maior vítima do episódio. Este sistema seria o Echelon, criado pelos americanos com a participação de aliados (especialmente a Grã-Bretanha), e que está atualmente sob investigação pelo Parlamento Europeu.
Em nenhum momento foi divulgado "como" se chegou ao autor do vírus. Apenas vários dias depois foi divulgada uma versão pela qual o vírus teria sido criado num trabalho escolar, induzindo as pessoas a entenderem que o "aluno" teria sido delatado, mas sem afirmar isso em nenhum momento (a "imprensa" é muito hábil nestas sugestões subliminares.). Só o fato de tal versão ter sido divulgada, novamente, a nível mundial a torna sem qualquer credibilidade, pois é evidente que foi divulgada para "saciar" a curiosidade de alguns e as perguntas dos mais atentos, que já começavam a questionar como a identificação tinha sido possível em tão pouco tempo.
Além disso, se o "aluno" teria capacidade e conhecimento para criar um vírus com certeza conseguiria ocultar sua verdadeira identidade, algo muito mais fácil... exceto se foi rastreado por algum sistema de vigilância realmente de porte mundial.
A hipótese do sistema de vigilância é reforçada pelo fato de uma jovem da Europa (da Suécia, salvo engano meu) ter sido considerada suspeita de criar o "vírus do amor", tendo sido acusada logo em seguida de intencionalmente redistribuir o tal vírus. Quanta incoerência! Como esta "entidade anônima", que coordenou a divulgação do alerta a nível mundial, conseguiu distinguir se esta jovem estava agindo intencionalmente ou se era o vírus que estava se auto-redistribuindo?
Já começou...
Resta comentar como está sendo aprimorado e ampliado este sistema de vigilância. Pegarei o Brasil como exemplo, mas os fatos também são válidos para vários outros países.
Em meados de 1999 os integrantes brasileiros deste "grupo seleto", que ora deseja estender seus domínios na internet, reuniu-se em encontro que nem foi tão secreto assim. Decidiram que o número de provedores de acesso à internet seria reduzido de 500 (número existente na época) para apenas 10, isso até o final do ano 2000!
Como efetuar tal proeza era do conhecimento deste "grupo seleto", pois já estava sendo implantado em outros países. Então, no início do ano 2000 iniciaram-se os serviços dos "provedores de acesso gratuito". Algumas pessoas acreditam que estes provedores gratuitos permitem que os usuários se conectem de maneira anônima. Ledo engano, pois eles dispõem de todo o aparato tecnológico para monitorar as ações online de qualquer usuário e, através de identificadores de chamada, sabem o número do telefone conectado e, em conseqüência, o nome do usuário. Mas não são apenas os provedores gratuitos que utilizam identificadores de chamada: todos os grandes provedores pagos têm este recurso.
A legislação para punir "criminosos e depravados" da grande rede também já começou:
"Seminário discute problemas jurídicos criados pela web
Sites de pedofilia, produtos comprados pela internet com defeito e roubo de senhas. Esses são apenas alguns dos problemas que nasceram com a rede mundial de computadores. Os problemas surgiram, mas as soluções ainda são procuradas. Para discutir questões jurídicas e apresentar meios de normatização na web será realizado, no dia 29, o I Seminário Carioca de Direito e Internet, no Colégio Brasileiro de Cirurgiões, que conta com o apoio da Ordem dos Advogados (OAB-RJ) e patrocínio do Centro de Estudos Jurídicos (Iuris).
Uma das barreiras para o trabalho de advogados na internet é a falta de leis que possibilitem enquadramento de crimes e sua devida punição. O advogado Roberto Roland Júnior, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e coordenador do seminário cita..." (...)" [ Tribuna da Imprensa online, 15 de maio de 2000]
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"Ciberterrorismo preocupa países industrializados
Paris – Os hackers (piratas da internet) podem matar através da rede amanhã? Esta é uma das perguntas da reunião inaugurada ontem, em Paris, sob os auspícios do G8. Os especialistas demonstram preocupação com o alcance do denominado ciberterrorismo.
Na abertura da reunião dos sete países mais industrializados, representantes das principais empresas da internet, e a Rússia, o ministro japonês das Relações Exteriores, Yohei Kono, não descartou que a ‘cibercriminalidade’ possa atentar algum dia contra a vida humana. As novas vias de criminalidade através da internet poderiam ‘acarretar uma ameaça incomensurável à propriedade, à vida privada e à vida humana’, disse Kono, em discurso lido por um membro da delegação nipônica aos outros participantes.
A diplomacia japonesa demonstra assim os temores das grandes potências quanto à existência de um ‘ciberterrorismo’, que supere as barreiras de segurança e as transações comerciais na internet, o primeiro tema de debate nas conversações, ontem, em Paris.
Segundo Colin Rose, especialista em cibercriminalidade na empresa escocesa Buchanan International, trata-se da terceira grande ameaça..." (...) [Tribuna da Imprensa online, 16 de maio de 2000]
Desde a primeira, digamos, "denúncia", este analista percebeu a manobra e passou a ficar atento aos acontecimentos. Estas "denúncias" sobre venda de drogas, pedofilia e outras que ainda virão são para que a população "se conscientize" de que a internet é um local "perigoso", freqüentado por "depravados". As "denúncias" sobre vírus são para provocar pânico nas pessoas, que assim "exigirão" leis para punir "estes crimes" e, é claro, os meios de vigilância necessários para que estes "criminosos" possam ser identificados. Ou seja, tudo o que "eles" querem.
A publicação deste artigo estava prevista apenas para o final do ano de 2000, mas optei por antecipá-lo para que as pessoas que ainda preservam a sua capacidade de raciocínio possam acompanhar com especial atenção os desdobramentos que ainda estão por vir.
1984 é hoje!
(*) Pós-graduando em Engenharia Civil, consultor em informática, internet, engenharia auxiliada por computador. E-mail: <tchedopampa@mail.com>
CARTAS
O muro virtual
O muro tem sido na história mais recente (não tão recente assim) o veiculo de comunicação mais democrático. Hoje a internet assume esse papel, e pichar muros é impossível em quase todo o Brasil.
O argumento para a proibição é de que as pichações criam uma cidade suja, mas onde ficam as sujeiras que entram em nossas casas pela TV, o rádio e alguns jornais? O mesmo argumento da "sujeira" vem sendo usado agora para limitar o uso da internet.
Toda liberdade é pouca quando estamos sendo extremamente vigiados no dia-a-dia, até mesmo na rede.
Cesar Carneiro
Relevância da informação
Nada contra seu Observatório, acho-o muito crítico e espertíssimo nessa de não entrar na onda maria-vai-com-as-outras da mídia brasileira, curvando-se dia-a-dia ao pensamento de suas elites... Mas esses textos sobre web, putz, arcaicos! Explicar de onde ela veio, para
onde ela vai é meio idiota!
As discussões sobre para onde a web está nos levando estão definitivamente mais avançadas que isso. Aconselho o site <www.spark-online.com>, com teorias sobre a nova mídia.
O DeCSS, o programinha do moleque norueguês que deixou Hollywood desesperada, quebra na verdade a separação por áreas que arbitrariamente criaram para uma escassez artificial de títulos. Um esqueminha estilo Pal-M-NTSC, com a diferença de que não foi por ingenuidade (esses padrões foram arbitrários, pois começaram de baixo para cima, cada um fazendo o seu, e por falta de histórico de tecnologias incompatíveis), mas por ganância (padrões que separam o mundo em fatias, de cima para baixo, escassez artificial).
Isso não mostram na TV, revolution won´t be televised, até porque são os donos do mundo que controlam os meios de comunicação... e esse é o melhor do Observatório da Imprensa. Noticiar o que o esquemão tenta omitir do seu paradigma.
Leiam Guy Debord (Sociedade do Espeáaculo) para entender por que essa celeuma sobre direitos autorais, o famigerado controle da imagem, onde o símbolo é maior que o fato, ou o símbolo cria o fato.
Please, parem com essa de "o público de internet é mais exigente". Se não podem controlar nossos passos, tentarão controlar nossas vontades para não andarmos. A autocensura é mais barata a longo prazo, pois as próprias pessoas se vigiam. Veja o caso da igreja, eficaz até hoje.
Estão processando sites por linkarem péginas! Imagine, se você se torna responsével pelo que você linkou, obviamente a estupidez humana cortaria todos os links possíveis, idiotizando a web (a inteligência é medida pela ligação entre os neurônios) e nos fazendo novamente vitimas da escassez artificial do mass media ("odeio Faustão, mas só tem isso para ver...").
Dêem uma lida em <www.nonlinear.art.br/web/copyleft.html> para ter uma idéia, passeie por <www.slashdot.org> para ter informações, e please, saiam dessa euforia com o mundo digital. Tecnofilia ou tecnofobia são polarizações imbecilizantes. Já estamos aqui, arregacemos as mangas. Há muito o que ser feito. Na fé,
Nicholas Frota
MÚSICA DIGITAL
Sem links para MP3
O site SomBrasil informa que desativou sexta feira, dia 28 de julho, os links para músicas MP3 dos artistas das maiores gravadoras do pais (Sony, EMI, Warner, Som Livre). Há cerca de seis meses a Apdif, associação que congrega estas gravadoras, vem pressionando a empresa a desativar seus links para músicas de seus artistas. A data-limite imposta pela Apdif foi o dia 28 de julho.
SomBrasil informa que não oferece as musicas para download, apenas indica links para outros sites que disponibilizam esses arquivos. Mesmo assim, o maior site de música na internet não vai sair do ar, confirmando com isso a qualidade do serviço prestado aos navegantes. SomBrasil lançou no dia 29/7 novo serviço, que possibilitará aos usuários escutar as músicas, mas sem download do arquivo.
As músicas dos artistas independentes que autorizaram a divulgação das obras continuarão disponíveis no site <www.sombrasil.com.br>. Os usuários vão continuar podendo baixar esses títulos para o computador.
Vale lembrar que o site SomBrasil oferece ainda outros serviços, como cartões musicais, videokê, músicas em formato MIDI, letras, cifras, divulgação de novos artistas da música brasileira, e o que promete ser uma revolução nas telecomunicações: a tecnologia WAP, que vai levar as novidades sobre música direto para o celular, em qualquer lugar onde o usuário esteja.
O site do SomBrasil foi o vencedor do iBest 2000 e tem mais de 100.000 pageviews todos os dias, sendo considerado hoje um dos maiores e melhores sites de música da internet nacional.
Américo Amorim, Curitiba
ASPAS
NAPSTER
Gilson Schwartz
"Lobby da velha economia dos EUA ameaça o Napster", copyright Folha de S. Paulo, 30/7/00
"A Internet produz cada vez mais questões sociais e estratégicas, ainda em aberto. A nova economia está acumulando um repertório impressionante de problemas judiciais, conflitos regulatórios e mobilizações políticas.
Jeremy Rifkin, um dos mais ágeis pensadores contemporâneos sobre economia e novas tecnologias, abre seu livro mais recente, ‘The Age of Access: the new culture of hypercapitalism, where all of life is a paid - for experience’ (A Era do Acesso: a nova cultura do hipercapitalismo, onde tudo na vida é uma experiência paga), sentenciando: ‘Está em jogo nada menos que o conceito de propriedade’.
A Internet é uma rede pública. O acesso a ela e as formas em que é utilizada, no entanto, são motivo de sérios conflitos, em geral relativos ao exercício de direitos de propriedade.
O caso Microsoft é, sem dúvida, exemplar, mas está longe de ser o único e talvez nem seja o mais complicado nessa seara.
Na quinta-feira passada, a Justiça dos Estados Unidos determinou o fechamento temporário do site Napster (mecanismo de busca na Internet que permite aos usuários compartilhar músicas gravadas em seus computadores, usando uma codificação digital conhecida como MP3).
Alegou violação de direitos autorais. Imediatamente, grupos de usuários que apóiam o Napster se mobilizaram e convocaram um boicote às grandes gravadoras. Dois dias depois a Justiça voltou atrás.
O que é grátis, o que não pode ser distribuído gratuitamente? O que ocorre quando, em boa medida como fruto da inovação tecnológica, mudam as bases comerciais e financeiras de atuação em mercados de massa?
Proliferam comunidades de usuários. Por que a lei defende o CD contra comunidades que trocam CDs entre si sem fins comerciais? Até onde vai o direito do usuário, onde começa o do produtor e o do distribuidor?
A questão (quais os limites da propriedade privada) está reaberta, não por obra de anarquistas ou socialistas, mas por uma nova revolução tecnológica.
É semelhante à questão que surgiu em vários países quando houve a disseminação de serviços gratuitos de acesso à Internet. No Brasil, os provedores pagos se mobilizaram contra.
E até que ponto o produto CD é de fato idêntico a uma música distribuída em formato MP3? Há gravadoras, por exemplo, que estão produzindo CDs interativos em que, além da música, há acesso a outros conteúdos multimídia.
A resposta da indústria fonográfica não estaria também na busca de inovações tecnológicas e mercadológicas, em vez de se restringir à defesa intransigente das regras da velha economia?
E os artistas? No Brasil, há poucos meses, o cantor e guitarrista Lobão lançou-se ao mercado sob um formato organizacional inovador, independente das grandes gravadoras. Faturou mais por CD, incluiu no produto um encarte enorme, foi vender CD em bancas. Quem gosta de Lobão foi atrás do pacote, não da versão MP3. O MP3 pode até ter servido como ‘aperitivo’ do produto completo.
Há muitas outras questões pendentes no campo da regulamentação da economia virtual, das novas tecnologias às novas formas de organização entre usuários e membros de comunidades de interesse.
A Justiça dos Estados Unidos, ao proibir temporariamente o Napster, quase deu uma vitória aos poderes instituídos.
Mas essa é apenas uma batalha a mais numa guerra global que está apenas começando."
FUSÕES & AQUISIÇÕES
Marcelo Billi e Ney Hayashi da Cruz
"Fusões e falências vão enxugar mercado da Net no país", copyright Folha de S. Paulo, 30/7/00
"A rede vai encolher. Nos próximos meses, o mercado brasileiro de empresas de Internet deve passar por um processo de depuração em que muitas empresas serão engolidas pela concorrência e não poucas simplesmente desaparecerão.
Processos de consolidação como o que está por vir sempre assustam. Empregos são extintos, investidores perdem dinheiro, fortunas desaparecem da noite para o dia. No entanto quem está no meio da tempestade e espera enfrentar os próximos meses ileso acredita que eles serão benéficos para o mercado brasileiro.
Fernando Espuelas, da Starmedia, é um deles. ‘Está ocorrendo um processo de depuração. Isso sempre acontece em qualquer indústria que cresce rapidamente. Ele não deve assustar porque tira especuladores do mercado.’
Ele recorda que, há seis meses, qualquer site que conseguisse um pouco de audiência levantava boas somas de capital. ‘Os investidores consideravam que a Internet era um bom negócio. Hoje não é assim. Agora eles analisam a empresa, não mais o setor.’
Ibsen Spartacus, presidente do Super11.net, lembra que algumas empresas gastaram fortunas em publicidade para atrair usuários. ‘Elas devem sofrer, principalmente porque têm de provar que, no futuro, poderão gerar receitas e remunerar seus acionistas.’
Pedro Cordeiro, da Eccelera, empresa do Grupo Cisneros, é mais taxativo. Ele afirma que muitas empresas estão na beira do abismo. ‘A febre de investimentos começou com o business-to-consumer (venda ao consumidor) e esse tipo de negócio exige grandes investimentos em propaganda e marketing.’
Ele lembra que, apesar de ter gasto muito com anúncios, muitas empresas não conseguiram bons resultados. ‘Ninguém é lucrativo, e poucos sabem quando seus negócios vão dar dinheiro.’
Cada vez mais os investidores cobram resultados, mas poucas empresas têm números para mostrar. Pesquisa feita pelo Forrester Research, instituto norte-americano, mostrou que 32% dos entrevistados, todos executivos de empresas virtuais, não souberam dizer quando suas companhias se tornariam lucrativas.
‘Os investidores perguntam às empresas virtuais aquilo que já perguntavam a qualquer empresa da velha economia, e muitas não sabem como responder’, diz Paulo Mozart, da Globo.com.
Para as empresas, a regra agora é gerar receitas. ‘O grande desafio é transformar a base de usuários em dinheiro’, diz Nizan Guanaes, sócio do iG (Internet Group).
Muitas não conseguirão. ‘As que tiverem uma boa base de usuários serão compradas. Outras simplesmente desaparecerão’, diz Espuelas.
Negócios que, até hoje, pareciam promissores, devem praticamente desaparecer em um período de tempo não muito longo.
Os provedores de acesso são um exemplo. Segundo Rui Campos, consultor da Surftrade, em 2005 essas empresas vão responder por apenas 6% da receita gerada pelas empresas da Internet. Hoje, 46% da renda das empresas ‘pontocom’ vem desse tipo de serviço."
BANDA LARGA
André Siqueira e Carla Jimenez
"Começa a corrida do conteúdo em banda larga", copyright O Estado de S. Paulo, 30/7/00
"Dois nomes de peso da televisão começam a dar cara à chamada banda larga, que permite o acesso à Internet em alta velocidade. O jornalista Paulo Henrique Amorim estréia amanhã o programa UOL News, no Universo Online, que poderá ser visto com som e vídeo por meio do portal do provedor.
Em setembro, é a vez de Lilian Witte Fibe aparecer na tela do computador com seu programa de notícias no provedor Terra. Na prática, dois jornalistas famosos começam a dar mais consistência e visibilidade à tecnologia distribuída por meio de serviços como o Vírtua, da GloboCabo, e
Speedy, da Telefonica, fortalecendo ainda a convergência entre as duas mídias -TV e Internet - que passam também a ser concorrentes.
A criação de programas de notícias diários, nos moldes dos telejornais, é também uma tentativa de fidelizar a audiência. Até hoje, os provedores experimentaram os recursos multimídia para temas de entretenimento, como a exibição de videoclipes, shows e até salas de bate-papo pela rede. Com o jornalismo, os provedores ampliam a gama de produtos multimídia e abrem mais campo para expandir o serviço, já que o custo da assinatura do sistema de banda larga é mais alto do que o acesso tradicional por linha telefônica.
Enquanto é possível acessar a rede até gratuitamente por meio de empresas como iG, Grátis1 ou Tutopia, serviços como o Vírtua exigem o desembolso de R$ 599,00 pelo modem que acelera a transmissão de dados e mensalidade de R$ 68,00. Além disso, é preciso assinar o provedor, num custo que vai de R$ 35,00 a R$ 68,00 mensais.
Os próprios fornecedores do serviço vinham detectando a necessidade de ampliar conteúdo para agradar a clientela. ‘Nossos assinantes ficam encantados com a velocidade de acesso nos primeiros meses, mas o próximo passo é esperar por variedade de conteúdo’, explica Eduardo Barrieu, diretor de Produtos do Vírtua.
De acordo com a consultoria Yankee Group, especializada em tecnologia da informação, até o final do ano a previsão é de o Brasil chegar a 315 mil usuários de banda larga. Uma perspectiva até mais otimista que a dos próprios fornecedores do serviço, que evitam falar em números por receio dos passos da concorrência. A Telefônica, por exemplo, deve investir R$ 150 milhões este ano para tornar o serviço de Internet de alta velocidade Speedy disponível em cerca de 8 milhões de terminais telefônicos no Estado de São Paulo, na esperança de fechar o ano com 100 mil assinantes do novo serviço.
‘Temos contratos assinados com oito novos provedores, alguns estreantes no mercado de banda larga, para fornecer conteúdo a nossos assinantes a partir de agosto’, revela o gerente de Marketing do Speedy, César Jens.
O fato é que, mesmo deficitários em seus balanços, os provedores passaram a investir pesado na nova mídia. O Terra já anunciou ter gasto entre R$ 3 milhões e R$ 4 milhões no programa de jornalismo comandado por Lilian Witte Fibe.
De acordo com o diretor do portal Terra, Marcelo Lacerda, os gastos se dividiram entre montagem de estúdio, contratação da âncora do programa e de uma equipe de cinco jornalistas e aplicação de tecnologias de tratamento de imagem para uso na Internet. O noticiário, que começará a ser produzido no início de setembro, vai abranger áreas de interesse geral, com ênfase para economia e pesquisa.
O UOL não revela seus gastos com o UOLNews, mas entra no ar com um patrocinador: o Banco1Net. O concorrente Terra ainda não definiu os contratos publicitários, mas deve trabalhar com cotas anuais de patrocínio que, garante Lacerda, devem encontrar compradores rapidamente. ‘Já temos mais de um candidato’, afirma. ‘O preço do espaço publicitário em banda larga não será muito diferente do praticado nos sites de banda estreita.’
Apesar da alegada facilidade em levantar verbas publicitárias para os novos programas, os sites ainda convivem com a disparidade entre as curvas de crescimento do número de clientes dos serviços de banda larga e dos custos da produção de conteúdo. O diretor do Terra explica que o mais caro não é a montagem de estúdios, mas o desenvolvimento de softwares que explorem todas as possibilidades da nova tecnologia de transmissão de informação.
‘Os custos de produção de conteúdo são muito elevados e devem continuar altos, porque os recursos se renovam constantemente’, diz Lacerda. ‘A banda larga é jogo para poucos.’
Num primeiro momento, os programas poderão ser assistidos por todos os internautas - o do Terra poderá ser visto, ainda que sem a mesma riqueza de recursos, também pelos usuários da banda estreita - numa tentativa de aumentar a audiência. Mas os provedores têm planos de, a partir do fim do ano, começarem a restringir o acesso aos assinantes. ‘A interatividade permite aos provedores oferecerem serviços personalizados aos internautas, certamente com um custo adicional para os que não sejam assinantes’, diz o diretor-geral de Operações do Ajato, provedor de banda larga da TVA, José Carlos Alves.
Como sempre, o setor se espelha no mercado americano, onde já existem mais de 2,4 milhões de usuários da banda larga. Lá, a mensalidade dos serviços de banda larga também é relativamente elevada: em média US$ 50 mensais. Mas o setor aposta que haverá redução de custos, que devem popularizar no futuro a banda larga. O Vírtua, por exemplo, negocia com o fabricante do seu cable modem, Terayon, a produção do equipamento no País para tentar barateá-lo. De acordo com um estudo do banco Goldman Sachs, a banda larga será ulitizada em 73% das residências americanas em 2008. Hoje esse índice é de 5%."
SELF-MÍDIA
André Siqueira e Carla Jimenez
"Liberdade de escolha é trunfo da Internet na disputa com a TV, copyright O Estado de S. Paulo, 30/7/00
"O consultor do Yankee Group Dario Dal Piaz gosta de assistir diariamente ao noticiário Bom Dia Brasil, da TV Globo, em seu escritório. Mas Dal Piaz não assiste ao telejornal às 7h15 da manhã. Vê no horário que puder a partir da tela de seu computador, acessando ao Globo.com. ‘É melhor ainda, eu escolho a ordem das matérias que desejo ver primeiro’, conta o consultor.
Essa liberdade de escolha é exatamente o diferencial da Internet. É com ela que os provedores estão contando para roubar audiência da TV, uma vez que os programas passam a ser arquivos que podem ser acessados através de um simples clique no mouse na hora e ordem que o internauta desejar.
Todos os provedores estão preparando seus programas de banda larga. Em parceria com o Terra, o portal estadao.com.br, por exemplo, vai produzir debates às vésperas das eleições com os candidatos a prefeito em diversas cidades. O portal também deve abusar da interatividade: os internautas poderão enviar e-mails fazendo perguntas durante os programas e conversar com outros espectadores dos debates.
A Starmedia também prepara um canal de notícias de esporte para breve, assim como o iG vem investindo na infra-estrutura para produzir conteúdo em banda larga, além de contar com uma parceria com a TV Bandeirantes para a produção de programas multimídia.
Nesse sentido, o portal Globo.com conta com a vantagem de ter produção farta de conteúdo televisivo por causa da rede Globo. Mas o concorrente Ajato fechou um acordo com a empresa americana Akamai, distribuidora de conteúdo de banda larga, que permitirá ao provedor utilizar o material de 38 canais de vídeo digital, como ESPN, Disney On Line, Bloomberg.com e MTV.
Apesar disso, o diretor-geral de Operações do Ajato, José Carlos Alves, diz, a exemplo de executivos dos provedores concorrentes, ainda não enxergar a Internet como um concorrente direto da TV. ‘O computador ainda não oferece o mesmo conforto que a TV para os usuários, apesar da interatividade’, afirma. ‘A maior parte da programação ainda deve se restringir a resumos, traillers de filmes e aulas, por exemplo.’
Para o analista de Internet do banco Pactual, Bruno Zaremba, os provedores que já dispõem de condições para a geração de conteúdo de imagem e som devem, de fato, sair na frente na utilização dos recursos oferecidos pela banda larga. ‘Os conteúdo precisará ser renovado constantemente, e os custos serão bem inferiores para quem já tiver parcerias com os canais e produtoras de vídeo’, diz.
Na avaliação de Zaremba, o mercado de conteúdo por banda larga pode passar por períodos distintos, de acordo com a evolução tecnológica. ‘No curto prazo, o computador não vai competir com a TV, mas a convergência das tecnologias deve levar a esse quadro daqui a pelo menos cinco anos’, afirma.
Os televisores digitais com links para Internet com velocidades de transmissão de dados cada vez mais altas – a partir de 1 Mbps (Megabites por segundo), ante os atuais 256 Kbps oferecidos pelos serviços de banda larga – devem permitir que os telespectadores tenham acesso a uma série de recursos interativos por enquanto disponíveis apenas aos internautas que navegam via PC, com qualidade semelhante à dos DVDs."
PREVISÕES FRUSTRADAS
Ethevaldo Siqueira
"Previsões enganam até os gênios", copyright O Estado de S. Paulo, 30/7/00
"Que tal rir gostosamente depois de ler algumas previsões, feitas realmente por personalidades dignas da maior credibilidade em suas respectivas áreas? Ei-las:
Previsão 1: ‘O computador não tem qualquer possibilidade de se tornar um produto industrial de interesse para a IBM.’ (Thomas Watson, presidente da IBM, 1939). Faça o seu comentário, leitor.
Previsão 2: ‘Nenhum computador pessoal precisa de mais do que 256 Quilobytes de memória RAM’. (Bill Gates, presidente da Microsoft, 1981). Para contrariar Gates, meu computador Mac G-4 está dotado de uma memória mil vezes maior: 256 Megabytes.
Previsão 3: ‘O telefone celular não tem qualquer possibilidade de se tornar popular nem de atrair milhões de usuários.’ (Conclusão de duas consultorias famosas sobre o novo telefone lançado pela AT&T, em Chicago, em 1983). O Brasil tem hoje quase 19 milhões de celulares e o mundo mais de 500 milhões.
Previsão 4: Um dos criadores da fibra óptica, Charles Kuen Kao, me disse numa entrevista, em 1979: ‘Por volta do ano 2000 poderemos transmitir mais de 30 mil ligações telefônicas simultâneas numa única fibra óptica.’ Na verdade, já podemos transmitir até 800 milhões.
Melhor do que qualquer comentário é a observação de alguém acostumado a prever o futuro: ‘É muito arriscado fazer previsões. Especialmente sobre o futuro.’ (Arthur C. Clarke, 1975).
Longe de nós ironizar figuras tão respeitáveis quanto os autores das profecias não realizadas. Temos, sim, é que sair em defesa dos ilustres visionários citados, lembrando que suas previsões levaram em conta exclusivamente o estágio em que se encontravam as tecnologias ou produtos sobre os quais antecipavam. Talvez esse seja o grande equívoco de quem pensa o futuro: considerar exclusivamente o momento presente e não o seu potencial de evolução.
Assim, as duas consultorias que, a pedido da AT&T, analisaram as perspectivas do telefone celular como produto de massa, partiram de um aparelho ‘transportável’ que pesava mais de 15 quilos e custava algo próximo de 5 mil dólares, num país que já dispunha de mais de 45 linhas telefônicas por 100 habitantes.
O maior risco é que novas tecnologias venham a sepultar ou matar velhas tecnologias ou produtos - fenômeno que, em bom português, chamamos de killer technologies. O fax matou o telex. Agora, o e.mail e a Internet talvez venham a matar o fax.
Mas, mesmo nessas mudanças revolucionárias, é bom não subestimar o potencial de algumas velhas (e magníficas) tecnologias, como muita gente fez com as memórias magnéticas - que se supunha estarem condenadas ao desaparecimento com o advento dos CD-ROMs ou dos CDs graváveis (CD-Rs) e regraváveis (CD-RWs). Ledo engano. As memórias magnéticas continuaram a evoluir de tal modo que hoje podem armazenar mais bits por unidade de área do que qualquer memória óptica. É claro que, as memórias ópticas ainda podem reagir e retomar a vanguarda.
Previsões confiáveis - Antecipações baseadas em tendências tecnológicas já amadurecidas e para períodos máximos de dez anos podem ser muito mais confiáveis.
Pedi a Ben Verwaayen, vice-presidente da Lucent Technologies, que me desse sua visão do mundo das comunicações de 2010. Sua resposta foi a seguinte: ‘A humanidade caminha para tornar-se uma sociedade global conectada por redes de comunicação livres de gargalos e abundância em largura de banda de freqüência, permitindo serviços como atendimento 24 horas para pedidos de transmissão de filmes e TV interativa e várias pequenas estações-base sem fio conectadas com redes de fibras ópticas que irão possibilitar o acesso de empresas e consumidores a redes permanentemente ligadas.’
Para o mundo das comunicações, Ben Verwaayen prevê que, progressivamente, teremos crescente oferta de banda larga de freqüência, seja para dados de alta velocidade, Internet, televisão digital ou videoconferência. E as redes irão operar o tempo todo. Por ser muito mais barata, a distribuição da informação será feita eletronicamente, e não fisicamente.
Para Verwaayen, a Internet de 2010 terá alto nível de inteligência, ou seja, terá alto QI. ‘Será uma Hi-IQNet’, diz o cientista. Essa super-Internet permitirá, por exemplo, que agentes de software encontrem rapidamente qualquer informação desejada pelos usuários, em qualquer lugar do mundo, porque os dados procurados com freqüência serão armazenados em compartimentos de memória facilmente acessáveis.
Eu não duvido."
TELECOM
Seth Schiesel
"Empresas testam novas técnicas para transmissão", copyright The New York Times / O Estado de S. Paulo, 30/7/00
"Para vislumbrar o provável futuro da indústria de telecomunicações, visite o 22º andar do cavernoso centro de ligação de rede na 60 Hudson Street, em Manhattan. Num canto, há uma estante com equipamentos da Lucent Technologies transmitindo 10 bilhões de bits de informação por segundo sobre fibra óptica em um link e 2.5 bilhões de bits em outro para a Deutsche Telekom.
É impressionante. Mas, à distância de apenas alguns metros, está uma pequena caixa cor de púrpura fabricada pela Cyras Systems, uma empresa novata da Califórnia, que transmite 40 bilhões de bits por segundo para a companhia alemã.
Depois, suba até o Rockfeller Center, até a sede da NBC. Ali, no quarto andar, estão roteadores (routers) da Internet, que valem talvez milhões de dólares, fabricados pela Cisco Systems. E, ao lado deles, está um sistema combinado, de menos de 18 polegadas de altura, que usa engrenagens da Lucent e de outras empresas, que custa menos de US$ 100 mil e está transmitindo emissões de TV da Nippon Television, de 750 milhões de bits por segundo, para o outro lado da rua, e da Court TV para toda a cidade.
Estes notáveis exemplos de tecnologia da próxima geração estão sendo trazidos a você por um patrocinador improvável, uma pequena empresa privada de comunicações dirigida por um ex-executivo da Qwest Communications International, com sede em Hackensack, New Jersey.
Chama-se Enkido Inc..
O quê? - Essa é exatamente a reação de muitas pessoas que trabalham em comunicações. Mas, sem alarde ou sem elevado capital de risco, a Enkido - que não fabrica nenhum equipamento próprio, mas é audaciosa na tecnologia - pode fornecer a melhor visão do futuro das redes de comunicações, mostrando como serão dentro de cinco anos: mais baratas, mais simples, mais poderosas.
Naturalmente, a Enkido poderá não sobreviver por tanto tempo. Neste seu abraço da ponta da rede de comunicação mais aguçada do mundo, ela poderá facilmente começar a sangrar. Mas o lugar onde a Enkido e seu chairman, Nayel Shafei, estão tentando chegar hoje é exatamente onde a maioria das companhias de telecomunicações espera chegar.
Hans Hoeterink, principal executivo de tecnologia da unidade da Deutsche Telekom na América do Norte, disse que a Enkido forneceu recentemente à sua empresa uma conexão OC-768 em Nova York. ‘A conexão foi concluída antes do prazo e foi bem sucedida na operação’, disse ele.
OC-768 é em telecomunicações uma fórmula abreviada para 40 bilhões de bits por segundo. Numa época em que os fluxos mais rápidos, apoiados pelas redes civis mais avançadas, são de 10 bilhões de bits por segundo, isso significa que a Enkido pode estar administrando a mais rápida conexão de rede comercial existente.
Em todo o mundo da alta tecnologia, provavelmente não existe um setor mais febril do que o das comunicações ópticas. Ao que parece, toda semana traz a história de uma pequena companhia privada de equipamentos ópticos, desconhecida fora da indústria, que está sendo adquirida por bilhões de dólares pela Lucent, pela Cisco ou pela Nortel Networks, do Canadá. Depois, há também as companhias públicas. No início deste mês, num acordo que parecia ser o maior até agora na área da tecnologia, a JDS Uniphase concordou em gastar US$ 41 bilhões para adquirir a até agora obscura SDL Inc. que fabrica lasers e outros componentes para sistemas ópticos.
O motivo porque a arena óptica está tão quente é simples. O crescimento da Internet e de outras comunidades de informações estabeleceu uma demanda sem paralelos na infra-estrutura de comunicações. Não apenas grandes quantidades adicionais de capacidade deverão ser embutidas nas redes, mas essas redes deverão ser reconfiguradas para carregar o tráfego de comunicações em diferentes caminhos. Uma estrutura de rede que funcione bem para telefonia de voz pode ser horrorosamente ineficiente para transportar dados.
Por isso, as portadoras (carriers), desde as grandes damas, como a AT&T, até as debutantes, como a Level3, estão gastando bilhões de dólares em equipamentos ópticos avançados e outros sistemas freqüentemente destinados a melhorar o uso de suas redes de tráfego.
Mas talvez nenhuma companhia tenha sido tão agressiva na aplicação de tecnologia de próxima geração e na adoção de desenhos futurísticos de rede quanto a Enkido. Para falar a verdade, ela tem o luxo de servir apenas um punhado de clientes que lhe permite usar sistemas menos comprovados. As portadoras maiores precisam preocupar-se mais com a confiabilidade e são mais conservadoras em seu desenho de rede.
Mas companhias como a Deutsche Telekom e a NBC recorreram à Enkido para algumas partes de seu negócio porque a empresa forneceu, mais barato e mais rapidamente, grandes dutos de comunicações. O Laboratório de Pesquisas Navais em Washington, uma agência do Departamento da Defesa, está trabalhando com a Enkido na tentativa de saltar para a próxima geração de redes ópticas em conexão com a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (Defense Advanced Research Projetcs Agency, ou Darpa). ‘Não estamos tentando escolher os vencedores; estamos tentando tratar com alguém capaz de fornecer algum tipo de capacidade’, disse Hank Dardy, cientista chefe do laboratório. ‘Não sei inteiramente para onde está indo Nayel, mas ele ajudou a coordenar várias coisas para nós em termos de conseguir os componentes e conexões apropriados para a faixa de onda que precisamos.’
‘Nosso negócio é este: grandes tubos gordos para grandes e gordos clientes’, disse Shafei, que até a primavera de 1999 era vice-presidente executivo da Qwest.
‘Quando deixei a Qwest, eu disse: `Posso estabelecer uma rede ponta-a-ponta, tanto para longa distância quanto para malha local, que estará competindo apenas com a Fed-Ex, que leva pacotes de porta em porta’."
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