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ASPAS

SIGILO NA REDE
Assimina Vlahou

"Reunião aprova direito ao sigilo na Internet", copyright O Estado de S.Paulo, 02/10/00

"Preocupados em assegurar a segurança e privacidade dos milhões de dados transmitidos diariamente pela Internet e outros sistemas digitais de transmissão de informações, representantes de 40 países reunidos em Veneza esta semana aprovaram a Carta do Direito à Privacidade e à Tutela dos Dados Pessoais. ‘A Internet e as redes de computadores são tecnologias de liberdade, mas há um desvio perigoso’, alerta Stefano Rodotá, presidente do instituto que tutela a privacidade dos italianos, referindo-se ao tráfico de dados pessoais on-line por empresas e seguradoras de saúde, por exemplo.

O cenário que se desenha, segundo o jurista italiano, é a divisão da sociedade em castas onde as pessoas são classificadas por gostos, estado de saúde e até estrutura genética, o que pode criar situações de discriminação.

Rodotá citou como exemplo o fato de 30% das mulheres nos Estados Unidos terem evitado o teste de prevenção do câncer de mama por temerem que as informações fossem difundidas via Internet, podendo chegar às mãos de patrões ou companhias de seguro.

Outra fronteira preocupante diz respeito aos dados genéticos. ‘Informados sobre predisposições a doenças de seus clientes, institutos financeiros podem decidir sobre juros e concessão de empréstimos, e multinacionais podem definir contratações’, disse Rodotá.

Nesse cenário, os cookies (cadastros digitais com informações de clientes) são mais perigosos que os hackers, segundo o escritor e semiólogo Umberto Eco. Ele diz que as regras da nova carta são urgentes e devem ser aplicadas em todo o mundo, pois entende que ‘a Internet colocou em risco o conceito de fronteira e até a noção de estado nacional’."



GUERRA DE AUDIÊNCIA
Folha Online

"Conar manda Terra suspender publicidade que contesta IVC", copyright Folha Online, 28/09/00 # 12h07

"O Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária) decidiu que o portal Terra deve suspender a publicidade intitulada ‘Ghost Mídia’. A decisão, de caráter liminar, foi tomada em processo movido pelo UOL e pelo BOL.

No comercial, Terra tentava contestar números de auditoria do IVC (Instituto Verificador de Circulação) de julho, que apontaram o portal em terceiro lugar no ranking brasileiro, com média diária de 271 mil visitantes únicos por dia e 16,6 milhões de page views (páginas vistas).

O portal Terra tentou sustentar a idéia de que estaria na vice-liderança, sob o argumento de que UOL e BOL – em primeiro e segundo lugares, respectivamente – fariam dupla contagem do tráfego entre os dois portais.

A última medição do IVC, divulgada em agosto, aponta que o BOL tem 308 mil visitantes únicos por dia e 18,4 milhões de page views por dia. O UOL tem média diária de 415 mil visitantes únicos e 32,7 milhões de page views.

No mês de agosto, Terra registrou queda no números de page views (caiu para 15,6 mil por dia) em relação a julho e manteve a média de 273 mil visitantes únicos.

A partir de agora Terra deve recolher a publicidade considerada pelo Conar como causadora de ‘dano irreparável’ ao UOL e BOL.

Íntegra da decisão do Conar

Autor: Universo Online - UOL e Brasil Online – BOL

Objeto: Anúncio ‘Ghost Mídia’

Responsáveis: terra Networks do Brasil

A presente representação contém pedido de concessão de liminar de sustação de veiculação de publicidade, com base nos artigos 1º, 3º, 4º, 23, 27, $ 1 e 32, alíneas ‘c’ e ‘g’ todos do código de
Auto-Regulamentação Publicitária, além de artigos 29 e 30 do regulamento Interno do Conselho de Ética. dessa forma passo a decidir especificamente sobre a concessão da liminar solicitada.

A grande questão que se impõe com a presente Representação são os números de acessos que os sites UOL/BOL possuem em relação ao site de TERRA.

Existe no pedido o fundamento (funus boni juris) e o dano irreparável (periculum in mora) que são requisitos à concessão de Liminar.

Desta forma, com base nos artigos 4º e 32 do CBARP, concedo a liminar, solicitada com propósito de suspender a veiculação de publicidade da Representada TERRA NETWORKS SA intitulada ‘Ghost Mídia’.

Intime-se,

Paulo Henrique do A. S. Montenegro, Relator"



MAIS DEMISSÕES
Daniela Braun

"Mais um portal Internet demite e enfrenta problemas", copyright Computerworld <www.computerworld.com.br>, 26/9/00

"Mais um portal de Internet enfrenta problemas. Dessa vez é o Polistar, que trata de política. Ele demitiu 22 funcionários e está com os salários atrasados há 90 dias, de acordo com um ex-empregado do portal, que não quer ser identificado.

Um dos diretores da operação, José Fabbri, confirma as demissões, mas alega que se trata de uma reestruturação do portal. ‘Dispensamos algumas pessoas, pois estamos em final de campanha’, alega o executivo. Atualmente, segundo ele, o Polistar tem 14 funcionários.

Sobre os salários, Fabbri afirma que há negociou com os funcionários de que forma será feito o pagamento. ‘Devemos efetuar dois pagamentos: o primeiro ocorre em 06 ou 07 de outubro’, informa o executivo.

O Polistar está em processo de nova capitalização, argumenta Fabbri. De acordo com ele, representantes do fundo de investimentos norte-americano WorldCap encerraram auditoria no portal na semana passada.

‘Estamos no portfólio de ativos deste grupo’. O portal, que começou a operar em outubro de 1999, demandou investimentos de US$ 1 milhão em investimentos próprios e provenientes do fundo brasileiro Mídia Investimentos, adquirido pelo WorldCap há cerca de 30 dias. ‘Tínhamos um planejamento de US$ 5 milhões’, informa Fabbri.

Segundo ele, a empresa aguarda um período de dez dias úteis, a começar por esta segunda-feira, dia 25, para definir seu investidor entre o WorldCap — com presença em outros países latino-americanos — e uma empresa paulistana prestadora de serviços. ‘Vale à pena esperar’, avalia Fabbri.

No dia 15 de outubro, segundo Fabbri, o portal pretende lançar uma simulação de eleições online, seguindo o modelo norte-americano, além de oferecer serviços municipais online. Em 2002, o Polistar.com planeja retomar o B2B de material de campanha que não vingou no ano passado."



WEB CONTRA CENSURA
Valor Econômico

"Árabes driblam censura com portais de internet", copyright Valor Econômico/Cox News, 02/10/00

"Os árabes correm o sério risco de se meter em encrenca caso resolvam criticar seus líderes publicamente em muitas capitais do Oriente Médio. Mas agora eles encontraram uma maneira de cometer essa ‘ilegalidade’: acessar a internet e participar do ‘Ridicularizem o Governo’.

Essa é uma das possibilidades oferecidas pelo portal Al-Bawaba, que lembra em muito o americano Yahoo!.

Os internautas do Al-Bawaba (‘portão’, em árabe) podem ainda entrar nas salas de bate-papo para discutir assuntos tabus na sociedade árabe. Ali, uma usuária contestou recentemente: ‘por que os homens árabes podem ter relações sexuais antes do casamento e as mulheres não?’

Ainda incipiente, o portal veio engrossar o clube dos pioneiros Arabia.com e do Planet Arabia, voltado ao público jovem.

Juntos, contribuem para a liberdade de expressão numa região onde dissidentes políticos e religiosos acabam na cadeia. ‘É uma válvula de escape poder dizer na internet o que não podemos publicamente’, diz o palestino Daoud Kuttab, da Universidade Al-Quds, em Jerusalém.

Os novos provedores, no entanto, estão arriscando-se em um setor considerado volátil até mesmo nos EUA. No Oriente Médio, os computadores ainda não chegaram às massas. Para isso, é preciso uma combinação de tecnologia, planejamento estratégico e impulso empreendedor.

O escritório editorial do Al- Bawaba, por exemplo, situa-se no moderno prédio da corretora Merrill Lynch, na capital jordaniana, Amã. Mas a empresa está registrada em Delaware e seus diretores trabalham em Nova York – o que dá à companhia condição de driblar as tentativas de controle do seu conteúdo.

Além da satírica página contra o governo, o Al-Bawaba pretende publicar literatura e artigos banidos em outros países. Os executivos dos websites dizem que os governos começam a perceber que a internet é um veículo duro de controlar, e os ‘hackers’ aprendem a burlar o cerco.

‘Não seremos nós que mudaremos, mas sim a maneira como as autoridades vêem as coisas’, diz o editor do Arabia.com.

Os computadores domésticos ainda são caros para a maioria dos árabes, mas os cibercafés pululam na Jordânia, Egito e Líbano. E o mercado é promissor: a expectativa é de 12 milhões de novos internautas– o número atual é de 33 milhões – na região nos próximos dois anos.



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