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ASPAS
CAPITAL DE RISCO
Silvio Ribas, Rosi Rico e Carla Dazzi
"Chega a hora da gestão na web brasileira", copyright Gazeta Mercantil, 15/8/00
"Lucro só em 2004. Apesar de soar absurdo, esse era, até o primeiro trimestre do ano, o discurso corrente de empresas que se lançavam na internet. Com o fim do dinheiro fácil pós-queda do Índice Nasdaq, que concentra papéis das pontocom, cenários e promessas mudaram. Em bloco. Entre os efeitos imediatos está ‘Os investidores querem receita e clientes, mas não a qualquer custo’, diz Silvia de Jesus, diretora executiva do provedor Terra Networks Brasil.
Ela lembra que o grupo fixou semestre passado meta de alcançar o equilíbrio no balanço financeiro até dezembro de 2001, antecipando em pelo menos um ano a previsão anterior. O Terra, ressalta a executiva, avaliou de forma positiva o surgimento de critérios baseados na visualização de retorno em prazo razoável. ‘Não foi a Nasdaq a causa das mudanças, mas a chegada do realismo ao mercado’.
Segundo Silvia, o Terra Networks, que captou US$ 500 milhões nas bolsas de valores em novembro, acelerou sua consolidação ao fundir-se recentemente com o portal Lycos. No mercado brasileiro, ela prevê concentração em cinco portais de acesso e quatro de conteúdo. E o tamanho dos investimentos mede a velocidade dos ajustes.
Caio Túlio Costa, diretor geral do Universo Online (UOL), atribui a pesados investimentos em mídia o prejuízo de R$ 85 milhões no primeiro trimestre. Os gastos foram exigidos pelo crescimento da concorrência (Terra, America Online e acesso gratuito). ‘Sempre fomos uma empresa enxuta e com operação positiva até meados de 1999’, diz. Sua expectativa é ‘voltar à normalidade’ no próximo ano, graças a gastos mais criteriosos em publicidade. Para ele, são candidatos a investimentos empresas que apresentarem planos de negócios factíveis e conteúdo. ‘Modelos baseados em publicidade só em manterão com escala menor e patrocinadores’, diz.
A maioria dos planos de negócios previa azul após um encontro de investimento e receita, quatro ou cinco anos depois, afirma Luís Roberto DeMarco, diretor da InternetCo, uma das primeiras holdings brasileiras de investimentos em internet. Ele lembra que a idéia era garantir posições num mercado de projeções explosivas. ‘Agora todos correm para pôr a receita abaixo e em paralelo à curva da demanda’, diz.
Condenando ‘projetos que servem apenas ao jogo financeiro’, ele afirma que companhias de sucesso como eBay, Yahoo! e Amazon.com vieram de iniciativas independentes. O executivo recorda ainda que muitas das pontocoms brasileiras lançadas ano passado chegaram a deixar claro a meta de abertura de capital às bolsas norte-americanas, o almejado Initial Public Offering (IPO). DeMarco não aposta na viabilidade dos provedores de web gratuita. ‘Em nenhum lugar do mundo deu certo’, diz.
Questionado desde o lançamento no País, o modelo de negócios dos provedores de acesso gratuito atraiu várias empresas, mas ainda não se provou eficiente. Dois meses depois que o Bradesco lançou seu serviço, em dezembro, cerca de dez novas companhias já estavam nesse mercado. A dúvida era se elas conseguiriam sobreviver sem a receita de acesso que, até então, representava cerca de 60% do faturamento do principais provedores pagos. Os lucros seriam provenientes de publicidade e comércio eletrônico, este ainda incipiente.
Seis meses depois, outras fontes de receita começam a surgir. O iG, um dos pioneiros, lançou a SeliG, empresa voltada para o mercado WAP - tecnologia que permite o acesso sem fio à internet - e prepara-se para oferecer produtos específicos ao mercado corporativo. Nos dois casos, o provedor, controlado pelo GP e Opportunity, abandona o marketing do gratuito para efetivar a cobrança dos serviços.
No WAP, os dois primeiros meses serão gratuitos. Depois desse período, os usuários pagarão taxa de R$ 4 por mês. A expectativa é alcançar faturamento de US$ 10 milhões em 2001. Além do acesso, entram na composição da receita, serviços e patrocínio. ‘O público-alvo é diferente e as empresas são separadas’, justifica o CEO da SeliG, Fabian de la Rua. Segundo o executivo, até o final do ano o iG deve lançar outra empresa, a BbiG, que também vai cobrar pelo serviço. Nesse caso, os produtos serão voltados para o mercado de banda larga, que permite acesso rápido.
Além do iG, o Super 11 afirma ter planos de oferecer serviços pagos em 2001. Do mesmo grupo do líder UOL, o Brasil Online, não descarta a opção. ‘Mas não está nos nossos planos atuais ‘, diz a diretora de produtos, Maria Ercília Galvão Bueno.
Nem todos pretendem seguir esse caminho. É o caso do Tutopia, que deve concentrar suas forças no desenvolvimento do comércio eletrônico e publicidade. Terra Livre, do grupo Telefónica, descarta a possibilidade. ‘Temos a vantagem de o Terra Livre ser apenas mais um serviço do Terra e, portanto, não precisar ser auto-suficiente’, diz Silvia, do Terra. Segundo ela, o provedor, que cobra R$ 7,90 pelo suporte ao usuário do acesso gratuito, adota a estratégia de migração. ‘O grátis é para quem está experimentando a internet. Para os mais maduros, a idéia é mostrar as vantagens dos serviços pagos’.
A nova ordem inclui desde simples corte de gastos e acordos entre concorrentes para partilhar público até pedir ajuda às fontes originais de capital. Orgulhosa de não ter levantado recursos nas fases iniciais, a Virtual Case planeja usar do seu perfil para atrair sócios. ‘Aqui não tem fliperama, garotada de tênis e propaganda na televisão’, diz o diretor Ernesto Simões. Criada há dois anos, a holding de capital exclusivamente brasileiro apóia 12 pontocoms que se caracterizam por associação com grupos tradicionais de forte presença nos segmentos de publicidade virtual, educação à distância e comércio eletrônico.
O sócio Daniel Faccini Castanho explica que, pelo modelo adotado, a empresa está atuando em 100% de quatro projetos, do conceito à administração geral, e com participações entre 10% e 15% no capital das demais, assumindo funções específicas. Com apoio da Arthur Andersen, a Virtual Case procurou obter a infra-estrutura mais economicamente viável para tocar seus projetos, do aluguel à contratação de pessoal.
‘Ao contrário da onda geral, não inflacionamos o mercado’, diz. Também orientado pela consultoria, a empresa prepara para receber um sócio estrangeiro. O próprio formato das equipes mudaram nos tempos atuais. ‘Colocar gente grisalha passou a virar uma regra para ‘start-ups’ tanto no Brasil quanto no exterior’, comenta Carlos Mariano Gomide Ribeiro, presidente do Miracula.com. Ele admite que as empresas que foram fortemente capitalizadas na chamada ‘primeira fase da internet brasileira’ são entre as com maiores dificuldades. ‘Muitos projetos foram estimulados a gastar milhões sem critério’.
Roberto Waddington, CEO da InVente Internet Ventures, ressalta que outra situação criada pelo recuo dos capitalistas de Nova York é o abandono das idéias baseadas apenas na novidade. ‘O capital não está apenas mais seletivo, mas tem dificuldades de responder a um terceiro aporte em algo insustentável’, diz. Mas ele acredita que ainda há espaço no Brasil para novos ‘jogadores’, como o banco suíço UBS, para participar de um pequeno grupo formado pelo GP Investimentos, Opportunity e Chase Capital Partners. A prioridade das incubadoras parece ser ‘business-to-business’ (B2B).
O ambiente econômico no qual nascem hoje as chamadas ‘start-ups’ se assemelha aos primórdios da internet comercial, com pequenas empresas criadas com idéias e capitais próprios. Esse é o caso dos sócios Bruno Rampazzo e Carlos Gustavo Albuquerque, que resolveram montar seu site de compras Zerozerozero.com a partir do seu bolso. Estão investindo R$ 500 mil e garantem que podem se manter de pé por até dois anos sem precisar abrir espaço para um sócio estratégico. ‘A retração da oferta de capital não foi proporcional à curva do comércio eletrônico’, diz Rampazzo.
Flavio Sznajde, diretor executivo do Patavina.com, portal de educação para o público universitário no ar há dois meses, acha que o momento deixou o horizonte mais claro sobre que projetos terão prioridade. Mas ressalta que muito dinheiro disponível não está sendo aplicado por indecisão dos gestores. ‘A dúvida é até pior que a falta de capital’."
MENSAGEM ENGANOSA
CNN
"Hoax: quando o e-mail é usado para enganar", copyright CNN, 13/8/00
"Nem sempre o ímpeto de encaminhar e-mails que sugerem uma imperdível oportunidade de ganho sentimental ou financeiro é inofensivo para a saúde da Internet mundial. A mensagem em questão pode ser um hoax.
A palavra inglesa – que significa engano, brincadeira ou trapaça – é usada para definir uma nova categoria de mensagens eletrônicas de conteúdo duvidoso e que vem lesando muitos usuários da Web pelo mundo.
Philip Reitinger, delegado da divisão de crimes eletrônicos do Departamento de Justiça norte-americana, diz que um hoax pode surgir por vários motivos. Algumas vezes, o ímpeto do autor é conseguir publicidade. Outras, a mensagem enganosa pode ser motivada por: insatisfação no trabalho, ativismo político e dinheiro.
A Justiça norte-americana, no entanto, ainda tem uma definição oficial sobre os hoaxes. ‘A polêmica está em decidir se as mensagens enganosas são ilegais ou antiéticas’, disseram dois oficias do Departamento de Justiça.
Jonathan Rusch, oficial do consulado especial para prevenção de fraudes, afirmou que quando um e-mail enganoso tem a intenção de fraudar ou prejudicar é mais sério e pode ser considerado difamador ou criminoso.
Já aqueles que imitam o material de divulgação de empresas podem ser enquadrados como manipuladores de segurança.
‘Há casos, já tramitando na Justiça, em que autores de hoaxes enviaram boletins financeiros falsos, falando da venda de empresas só para afetar o preço do mercado’, garantiu Rusch.
Gigantes como vítimas
Um hoax, que circulou pela Internet há um ano e agora voltou a aparecer, usa o nome de duas gigantes do setor: a provedora America Online e a fabricante de chips Intel.
O e-mail encoraja usuários a encaminharem mensagens para ajudar tanto a AOL quanto a Intel com um e-mail de teste ou beta-tester.
Em troca, o autor da mensagem garante que os usuários receberiam um cheque de pelo menos 4 mil dólares, de acordo com a quantidade de e-mails encaminhados.
A mensagem chega, inclusive, ao limite de afirmar que um representante das companhias checaria a ‘produção’ de cada um.
Também indica um endereço eletrônico, pelo qual é possível se comunicar com usuários já premiados pelo ‘esforço’. Bastaria, para isso, enviar um e-mail para o endereço do remetente, supostamente uma pessoa que trabalha na Universidade de Baylor, em Waco, no Texas.
Mike Hutcheson, administrador de rede da Universidade de Baylor, recebeu tantos e-mails que configurou uma resposta automática. Só no mês passado, a instituição garante ter recebido duas mil mensagens por dia. ‘Nós também recebemos e-mails de pessoas perguntando sobre o dinheiro delas’, contou Hutcheson.
Nicholas Graham, porta-voz da AOL, disse que ‘esse incidente é um hoax com h maiúsculo e o único local para onde as pessoas podem encaminhá-lo é a lata do lixo!’. Informações adicionais podem ser obtidas diretamente do site da AOL, que mantém links e sua home page para um catálogo virtual de hoaxes.
Não acredite em tudo que lê
Charles Hymes, webdesigner e programador que trabalha em um site dedicado a desfazer mitos sobre e-mail hoaxes, diz que todos os dias vê usuários caindo em mensagens assustadores que prometem dinheiro fácil ou criam lendas urbanas.
‘Não há nada tão escandaloso quanto alguém que acredita em tudo -- uma mensagem pode dizer que alienígenas estão levando a Igreja Católica que eles acreditam’, disse Hymes direto do escritório em San Francisco, na Califórnia.
Hymes lembrou de inúmeros casos de e-mails aparentemente inofensivos, que recentemente circularam pela Internet. Como um que aconselhava os usuários a desligarem seus computadores no dia 1 de abril para um evento chamado Limpeza Anual da Internet. ‘A data deveria ser a primeira pista de que o e-mail era na verdade uma brincadeira’, disse Hymes. Mas, o conteúdo do hoax nem sempre é tão inofensivo.
Um outro e-mail enganoso dizia para se ter cuidado com o consumo das bananas importadas da Costa Rica, pois elas podiam conter uma bactéria carnívora. A mensagem, segundo Hymes, ainda aconselhava as pessoas a queimarem suas peles, caso apresentassem quaisquer um dos sintomas.
A cada cem mensagens, calculou Hymes, apenas uma ou duas são legítimas. ‘Se você receber uma mensagem encaminhada para um punhado de outros usuários, pode saber que não é verdadeira’, ensina."
ARÁBIA SAUDITA
CNN
"Arábia Saudita bloqueia acesso a site de clubes na Yahoo!", copyright CNN, 14/8/00
"Autoridades sauditas bloquearam o acesso ao site de clubes na Internet da gigante norte-americana Yahoo! Inc., devido à página ser repleta de material pornográfico e ofensivo.
‘A decisão de bloquear o acesso ao site clubs.yahoo.com é irreversível. O conteúdo dele ultrapassou o limite do aceitável’, declarou neste domingo Khalil al-Jaddan, um funcionário para a área de ciência e tecnologia do King Abdul Aziz City, o único provedor de Internet do reino.
Alguns clubes, além de mostrar material de conteúdo pornográfico, estavam identificando e insultando sauditas pelos seus nomes, afirmou ele, dizendo que tal decisão havia sido tomada pois a maior parte do material do site era contra os valores políticos, sociais e religiosos do reino.
Na conservadora Arábia Saudita, não há cinemas ou teatros, os restaurantes são diferenciados pelo sexo, e homens e mulheres não podem se misturar em público.
Segundo al-Jaddan, o bloqueio ao site se iniciou na semana passada, após as autoridades terem realizado um trabalho de monitoração durante três meses, antes de tomar a decisão.
‘Quase ninguém consegue montar uma página de clube em dois minutos’, frisou ele, sobre a dificuldade de monitorar o clubs.yahoo.com Há mais de 250 clubes sauditas no site, contando com um número superior a 60 mil membros.
Servidores de Internet somente receberam autorização para começar a operar na Arábia Saudita em janeiro do ano passado. Antes disso, os assinantes tinham de completar chamadas de longa distância para acessar provedores nos Estados Unidos, Bahrain ou Chipre.
Em uma batalha parecida, um juiz francês ordenou na sexta-feira uma equipe de especialistas em tecnologia a encontrar maneiras de bloquear o acesso de usuários franceses ao Santa Clara, site de leilões da Yahoo! com sede na Califórnia, por oferecer material de conteúdo nazista e racista."
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