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BIG BROTHER BRASIL
Os meninos de Marisa

Spacca (*)

A façanha da Globo será provar ao público que Big Brother, o verdadeiro e original, é melhor que o "clone" desenvolvido pelo Sistema Seu Sílvio de Televisão.

Bobagem. Apesar do molho inconfundível do SBT, é tudo a mesma coisa e o público já estava vendo reality shows bem antes dessa guerrinha (que vença o pior!).

Esse tipo de teleteatro distingue-se da novela por trocar atores por convidados e substituir o roteirista por uma equipe que planeja os estímulos que desencadearão disputas, alegrias, frustrações, romance. Os novos "atores" realizam espontaneamente o que muito ator só consegue depois de muito laboratório e Stanislawski.

Não é muito diferente, para o espectador, do que assistir a uma pegadinha, a um teste de fidelidade e aos coitados que se estapeiam no programa do Ratinho e assemelhados. É quase hipnótico, seqüestra nossa atenção voyeurista como uma briga na rua ou no vizinho (sim, eu confesso, assisti com interesse; interesse mau e sádico, mas interesse...).

Se o objetivo é manter os espectadores de olhos grudados no vídeo, a fórmula BB é tão eficaz como a tradicional telenovela, e se não substituí-la no futuro, os dois formatos vão ter que conviver e se aturar. O mesmo se pode dizer dos neo-atores.

No programa da Globo, a atriz e mestre-de-cerimônias Marisa Orth chama de "meus meninos" os marmanjos sarados do teledrama real.

Ocorreu-me uma comparação cruel. Nos ônibus em São Paulo, existem catracas automáticas a cartão ou ticket, semelhantes às do metrô, mas o cobrador ainda continua próximo, quase supérfluo, trocando o dinheiro e entuchando notas amarfanhadas numa pochete. Nem gaveta ele tem. Alguns passageiros já trazem o ticket e dispensam o trocador, que apenas assiste a operação.

Como Marisa, ensinando o Brasil a adotar os "seus meninos"...

(*) Cartunista e ilustrador

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