| ||
|
FEITOS & DESFEITAS BIG BROTHER BRASIL Spacca (*)
Esse tipo de teleteatro distingue-se da novela por trocar atores por convidados e substituir o roteirista por uma equipe que planeja os estímulos que desencadearão disputas, alegrias, frustrações, romance. Os novos "atores" realizam espontaneamente o que muito ator só consegue depois de muito laboratório e Stanislawski. Não é muito diferente, para o espectador, do que assistir a uma pegadinha, a um teste de fidelidade e aos coitados que se estapeiam no programa do Ratinho e assemelhados. É quase hipnótico, seqüestra nossa atenção voyeurista como uma briga na rua ou no vizinho (sim, eu confesso, assisti com interesse; interesse mau e sádico, mas interesse...). Se o objetivo é manter os espectadores de olhos grudados no vídeo, a fórmula BB é tão eficaz como a tradicional telenovela, e se não substituí-la no futuro, os dois formatos vão ter que conviver e se aturar. O mesmo se pode dizer dos neo-atores. No programa da Globo, a atriz e mestre-de-cerimônias Marisa Orth chama de "meus meninos" os marmanjos sarados do teledrama real. Ocorreu-me uma comparação cruel. Nos ônibus em São Paulo, existem catracas automáticas a cartão ou ticket, semelhantes às do metrô, mas o cobrador ainda continua próximo, quase supérfluo, trocando o dinheiro e entuchando notas amarfanhadas numa pochete. Nem gaveta ele tem. Alguns passageiros já trazem o ticket e dispensam o trocador, que apenas assiste a operação. Como Marisa, ensinando o Brasil a adotar os "seus meninos"... (*) Cartunista e ilustrador | ||