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FEITOS & DESFEITAS MÍDIA ESPORTIVA Ricardo Wollmer (*) O noticiário esportivo, em boa parte, está se tornando muito chato, além de repetitivo, em relação ao caso Romário. Os meios de comunicação fazem, na cara-dura, um lobby desnecessário para que o jogador vá para a Copa do Mundo de Futebol deste ano. Nos anúncios de convocação do técnico Luiz Felipe Scolari, sempre algum jornalista encaixa o assunto Romário para que Felipão comente o porquê de não incluir o baixinho na lista. Essa insistência, que não é função do jornalismo, está cansando o público-alvo, que quer saber apenas a notícia, o fato que ocorreu. Ou seja, leitores/telespectadores/ouvintes/internautas são bombardeados por matérias enfocando apenas o atacante do Vasco, e deixam de passar a notícia em si – a convocação dos jogadores estrangeiros ou que jogam no Brasil. Os sites de notícia UOL, Terra e Globo.com enfocaram, na semana passada, a não-convocação de Romário em vez de noticiar quais foram os selecionados para o próximo amistoso da Seleção. As manchetes dos três sempre trazia: "Fulano é convocado e Felipão deixa Romário de fora", ou "Nem lágrimas de Romário comoveram Felipão". Esse não deveria ser o enfoque principal das matérias, pois o assunto não era esse. O Globo.com foi mais longe: colocou no topo do site três ou quatro imagens do Romário, numa fotomontagem, as reações dele misturadas às lágrimas, para que o técnico se comovesse com sua situação e o convocasse. Ora, num momento em que crises internacionais se estabeleciam e a política no Brasil "pegava fogo", o destaque do dia não deveria ter sido esse. Além disso, as fotos que ilustravam as notícias quase sempre traziam Romário. Isso mostra como a Globo ainda está preocupada em eleger seus favoritos (e não só no esporte), deixando explícita a ética praticada no jornalismo da emissora. Conta-se até que a Globo entregou um megafone a torcedores que acompanhavam um treino da Seleção para que ficassem gritando o nome do Romário. Uma matéria foi "fabricada" para que o lobby aumentasse a favor do baixinho. Ele, nesse tiroteio de desconstruções da imprensa, pode até estar sendo prejudicado, pois fala-se tanto nele que seu filme pode estar sendo queimado. É a imposição da mídia, que elege e derruba seus ídolos. Com os jornais impressos, a história foi a mesma. Ou seja, a maior parte da imprensa embarcou na onda do "Romário na Seleção", e parece não perceber seu papel (ou então não quer mesmo cumpri-lo) de noticiar com (relativa) objetividade. Concordo em que o trabalho da imprensa seja o de mostrar todos os lados, e não somente os oficiais, mas agora já se trata de erro. (*) Estudante de Jornalismo do Isca Faculdades, Limeira, SP | ||