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NOTÍCIA DE NOVO SEQÜESTRO
Mídia espremida entre barulho e silêncio

Alberto Dines

Nova celebridade seqüestrada em São Paulo e nova exibição de irresponsabilidade do grosso da mídia brasileira. Tanto da parte daqueles que autocensuraram-se como da parte daqueles que precisaram exibir sua "independência" e exageram no barulho em torno do fato.

O saldo do seqüestro do publicitário Washington Olivetto ocorrido na terça-feira, 11/12, está sendo desastroso para a mídia.

Se, por um lado, a divergência de comportamentos aponta para uma salutar ausência de unanimidade, por outro, os exageros das duas partes revelam perigosa incapacidade para encontrar o ponto de equilíbrio. Mídia desprovida de senso de medida é mídia tonta, desnorteada.

Os autocensurados – tendo à frente a Folha e o Estadão – assumiram publicamente que a confiabilidade da mídia não pode ser irrestrita: há notícias que podem ser surrupiadas do conhecimento do leitor, dependendo das justificativas, pretextos e pressões.

Já os "liberados" – representados pelo Grupo Globo – exibiram sua insensibilidade adotando sensacionalismo descabido. Desta vez, o Jornal do Brasil foi mais cauteloso. A manchetinha de oito colunas na primeira página do Globo (quarta, 12/12) e o noticiário da Rede Globo no mesmo dia dando conta das diligências policiais na periferia paulistana foram desastrosos.

A pressão para a supressão total das informações tornou-se tão forte que até os sites informativos do iG e UOL, Último Segundo e Folha Online, inicialmente dispostos a acompanhar o caso moderadamente, foram obrigados a silenciar.

Entre esses dois fundamentalismos existe uma gama infinita de alternativas. O registro discreto atende perfeitamente à necessidade de manter o público informado e elimina a possibilidade da bulha. Mais uma vez evidencia-se que o problema do mundo moderno é a incapacidade de combater os extremos.

 

Quem divulga, quem não publica

[ Informações de 17/12/01, às 18h ]

Jornais e revistas

Até segunda-feira, 17/12, o quadro era o seguinte:

Os jornais de São Paulo nada publicaram, exceto o Diário de S. Paulo, do Grupo Globo.

No Rio, Jornal do Brasil e O Globo deram matéria.

Entre as revistas, Veja e IstoÉ ignoraram o assunto e Época, deu.

Emissoras de TV

Rede Bandeirantes – não deu

Rede Record – não deu

TV Gazeta – não deu

SBT – não deu

Rede Globo – divulgou a notícia

Emissoras de rádio

Rádio Bandeirantes AM (São Paulo) – não deu

Jovem Pan AM (São Paulo) – não deu

Rádio Tupi (Rio) – Repórter em São Paulo fazendo a cobertura. Não tem divulgado nada porque "não há nada de positivo sobre o caso".

Rádio Globo (São Paulo) – Acompanha mas não divulga nada sobre o caso.

Rádio Eldorado (São Paulo) – Não está nem cobrindo nem divulgando.

Rádio CBN (rede) – A cobertura é feita em São Paulo e a unidade paulista da emissora entra em rede ao longo da programação.

Rádio Gaúcha (Porto Alegre) – Não estão divulgando.

Rádio Guaíba (Porto Alegre) – Acompanha o caso repassando informações de agências de notícias.


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