|
ECOS DA FOLIA
Bahia sai ganhando
Chico Bruno (*)
A Rede Globo começou o ano de 2000 perdendo em audiência para a Rede Bandeirantes durante as transmissões do Campeonato Mundial de Clubes. Não acreditando no potencial da competição, comprou direitos de transmissão apenas para seu canal fechado, SportTV, deixando à Bandeirantes a exclusividade em TV aberta. O evento foi um sucesso para a Band, que atingiu mais de 40 pontos de audiência, superando o Jornal Nacional, a novela das oito e a linha de shows, nos dias de jogos.
Em represália, a Globo não cedeu os direitos de transmissão do desfile das escolas de samba de São Paulo à Bandeirantes, como tradicionalmente fazia. Para assegurar a liderança da audiência durante quatro dias de Carnaval, deslocou para sexta e sábado os desfiles de São Paulo, mantendo no domingo e segunda os do Rio de Janeiro.
A reação da Bandeirantes foi imediata. Anunciou que pela primeira vez transmitiria única e exclusivamente o carnaval de Salvador. Antes, a falecida Manchete e a própria Bandeirantes já haviam transmitido o carnaval baiano, mas dividindo-o com o carioca e o paulista. A emissora paulista enviou toneladas de equipamentos e suas principais estrelas para a cobertura do maior e melhor carnaval de rua do planeta. Com essa atitude, a Rede Bahia, afiliada da Globo, viu em suas barbas uma emissora paulista dar um show de cobertura, com mais de 12 horas diárias de transmissão ininterrupta. A Globo sentiu o golpe, pois a novidade da Band dividiu a audiência com os desfiles das escolas de samba. Mas não pôde reagir.
Queremos bis
Enquanto isso, a Bandeirantes mostrou a todo o Brasil o que a Globo nunca se interessou em mostrar: o maior e melhor carnaval do Brasil, uma festa de miscigenação em que pobres e ricos, negros e brancos, políticos e o povo em geral se irmanam em nome da folia. Um carnaval com grandes shows de música popular de todas as tendências, espontaneamente promovido ao sabor das coincidências.
Apesar de alguns deslizes, como trocar a cabocla do Campo Grande pelo poeta da praça do povo, que poderiam ser evitados com uma participação maior de profissionais baianos, a Rede Bandeirantes está de parabéns, principalmente porque só transmitiu a folia, deixando em segundo plano os discursos que diretores de blocos e afoxés insistem em fazer, todos os anos, para satisfação dos políticos baianos de plantão no poder. Agora, é aguardar que em 2001 a Band repita a dose.
Que sirva de lição para a Globo.
(*) Jornalista
CARTAS
Acadêmicos da Repressão
Devorei o Obsimp Última Hora e, em especial (me deu um misto de riso com profunda frustração) o "Acadêmicos da Repressão". Frustração de ver meu país nesse idiotismo generalizado. A Europa viveu de flashes da carnavalha brasuca, principalmente pelas câmeras dos tarados alemães, mas só o Murdoch mostrou um pedacinho do absurdo do caso da cruz e da pintura na Unidos da Tijuca. E a mulher que teve que lavar a bandeira do corpo!!
A discussão da separação Igreja-Estado tem que continuar, alguma coisa tem que ser feita. Um amigo tcheco andou pelo Brasil, convidado por um festival de cinema, e voltou espantadissimo com o número de carros estampando adesivos com todo tipo de exaltação à Virgem, a Jesus Salvador, a Deus que é pai e sei lá o que mais. Ele disse que não sabia que o Brasil era tão religioso assim. Nem eu.
Fabiano Golgo, Praga
***
A cobertura dos desfiles do Carnaval 2000 pela Globo foi boa, como sempre. Mas só do ponto de vista técnico. No geral, foi muito frustrante - e até irritante - para nós, telespectadores, o estranho puritanismo que subitamente tomou conta das transmissões, evitando, sempre que possível, exibir mulheres em trajes sumários - ou sem traje nenhum. Ficou, mesmo, muito ostensiva a (suposta) determinação interna da Globo de boicotar a nudez feminina. Sinceramente, essa faceta pudibunda da Globo não combina nem um pouco com a linha geral da sua programação, que, em todas as novelas nos últimos anos, vem catalisando a deterioração de valores, com visível reforço para o sexo precoce, a promiscuidade, o adultério, o incesto, a desonestidade e a perversão moral, a pretexto de reproduzir a realidade da sociedade brasileira.
Francamente, essa atitude nas transmissões do Carnaval ficou inversamente análoga ao comportamento da Feiticeira, aquela da Band. Mostrou tudo na avenida, mas para dar entrevista à TV cobriu o rosto com as mãos! Me engana que eu gosto...
Pimenta
|
|