Indice A imprensa em questao O circo da noticia Caderno da cidadania Entre aspas Caderno do leitor

PAUTA FÚTIL
Extra! Extra! Notícia!

 

Teresa Barros (*)

Até quando, Caras, abutere patientia nostra? Lendo o show de noticiário inútil que abunda, desculpem, em nossa imprensa, me dei conta de quanta notícia sem a menor importância nos empurram goela abaixo, e não apenas naqueles antigos espaços reservados aos chamados faits divers, como colunas sociais e segundos cadernos. Quando tudo é notícia, nada é notícia. E pasmo, do jeitinho como antigamente as pessoas pasmavam, diante do possível interesse dos digníssimos leitores em relação ao novo aplique de cabelos na ex-paquita de tal, em quantas abdominais aquele aspirante ao segundo time das novelas vem fazendo para estudar interpretação em Nova York e quanto oscilou a gangorra ibopeana do domingo que nada tem de legal.

Unha quebrada da Tiazinha ou o novo namorado-empresa de uma moça que entrou na banheira do Gugu durante dez minutos. Isto é notícia? Pode até ser em publicações dedicadas a vidiotas e viciados em celebridades de pequeno e microporte; mas em jornalões tradicionais, cujo público, supõe-se, não passe o dia fofocando com a vizinha, é inacreditável. É acreditar que a imprensa presta um serviço público informando tal gama de não-notícias. Que só interessam aos promoters, uma turma que cresce em progressão geométrica ao número de promovidos, e aos próprios, que buscam um lugar ao sol dos refletores à custa do generoso espaço que lhes reservam.

Rabo irresistível

À falta de coisa melhor, pelo visto. E assim o cachorro marqueteiro vai mordendo seu próprio rabo. É o povo da moda, é o povo festeiro, é o pessoal que ainda não é mas quer ser qualquer coisa que valha uma notinha ou um contratinho. E aí entra o cachorro de novo. Quem sabe a notícia da unha da Tiazinha não renda um merchandising de esmalte, que será comprado não pelos tradicionais leitores dos jornalões mas pelas aspirantes a um quarto de página qualquer dia desses no jornal de bairro? Ora, dessa não-notícia é um pulo para o jornalão que venderá esmalte da agora Tiazona, que será clonada virando outras milhares de Tiinhas, aspirantes a quatro linhas na coluna da TV e na página de Gente ou Pessoas ou sei mais o quê.

Gente, sei não. Mas notícia inútil tem tanto espaço fora das Caras manjadas e seus derivados que gostaria de pedir aos ilustres editores dos tradicionais (?) jornalões que fizessem uma enquete diária perguntando qual a notícia mais inútil que o leitor leu naquele dia. Não vale noticiário do governo nem de economia! Se todos os leitores lembrarem a notícia, mas não exatamente o que aconteceu com aquele ator (como é mesmo o nome dele?) que foi não sei aonde encontrar não sei quem e pintou o cabelo de louro para assinar contrato com aquela emissora, que está fazendo um teste com aquela ex-modelo, já valeu a pesquisa. Era notícia inútil, mesmo.

Deuses da informação, um apelo: tragam de volta aquele menino jornaleiro, aqueles do cinema, lembram, andando de bonezinho em altos brados pela rua, só que desta vez, por favor, gritando: Extra! Extra! Notícia!

(*) Jornalista e tradutora

 

FUTEBOL
Galvão, acorda, Galvão!

 

Paulo Ferro

Como apaixonado por futebol que sou, não poderia deixar de falar sobre um dos narradores de TV mais ouvidos – e o mais chato deles: Galvão Bueno. Quem assistiu no dia 4/9 ao patético jogo da Seleção contra a Argentina pela Globo teve que engolir (expressão do Zagallo, lembram?), além do baile (ou melhor, do tango) que levamos de nossos hermanos porteños, o Sr. Galvão Bueno bancar mais uma vez o super-entendido.E o inconveniente.

Em primeiro lugar, ele tem que parar de defender os supermilionários atletas da nossa Seleção, que há meses não estão jogando rigorosamente NADA, como Ronaldinho (que de fenômeno NADA mais ostenta) e Rivaldo.

Enquanto estes e outros boleiros de nosso escrete desfilam suas fases negras e irritam o torcedor brasileiro, o Sr. Galvão os superprotege, quando nem merecem vestir nossa gloriosa camisa amarela.

Resumindo: será que ninguém pode dar um toque no Galvão Bueno? "Galvão, pára de encher o saco do telespectador e a bolinha destes craques perninhas-de-pau que vêm fazendo papelão em cima de papelão. Só narra o jogo, vai!"

O ouvido do povo brasileiro agradece. Com certeza, Falcão e Casagrande também, pois do jeito que anda o nosso locutor "Magda" estes dois comentaristas devem estar cansados.



Mande-nos seu comentário

Início do Feitos e desfeitas





Observatório | Índice da edição | Busca | Objetivos | Purposes
Caderno do Leitor | Edições anteriores | Observatório impresso
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe | Quem é você