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MÍDIA vs. JADER
Não é final de
campeonato
Chico Bruno (*)
Popularidade em baixa, economia estável, críticas em alta e aliados em crise. Esta é a primeira linha da coluna de domingo, dia 24 de junho, da jornalista Teresa Cruvínel, em O Globo. Desde janeiro de 1999 que a imprensa brasileira diariamente adjetiva desta forma o governo Fernando Henrique Cardoso. A certeza de encontrar diariamente estes adjetivos em jornais, revistas e noticiários da mídia eletrônica é tão patente que, entre uma notícia e outra, cresce a vontade de interromper a leitura. Já lá se vão dois anos e meio e nem uma pista de mudança. Ao contrário, cresce dia a dia esta perigosa tendência catastrófica.
Todos os dias somos massacrados com novas denúncias e mais notícias negativas, sempre em grande destaque. Será que o Brasil não produz notícias positivas? Claro que produz, mas infelizmente não interessam aos editores, que cultivam a idéia mesquinha de que notícia ruim é que vende jornal e revista e dá audiência aos informativos da TV. Nos anos 50/60 a grande imprensa acompanhava o cotidiano dos grandes feitos nacionais, tipo construção de Brasília, de novas hidrelétricas, de novas estradas e o surgimento de novas indústrias.
Naqueles anos, quem dava destaque a notícia ruim eram alguns jornais, como O Dia, Luta Democrática, A Notícia, Notícia Populares e outros menos votados, que tinham no noticiário policial sua principal fonte de manchetes, e a Tribuna da Imprensa, considerado o porta-voz da UDN (partido político que fez oposição a Getúlio, Dutra, Juscelino e Jango e que conseguiu chegar ao poder com Jânio), era o exemplo mais bem acabado de jornalismo de denúncia da época, que ajudou a provocar o suicídio de Vargas, em agosto de 1954.
Hoje, acontece um fenômeno interessante. O noticiário policial perdeu completamente sua força. O Dia, um dos principais jornais daquela corrente existente nos anos 50/60, reformulou-se e tem outro perfil. Infelizmente, nos tempos atuais, cresce o número de veículos que se assemelham ao perfil da Tribuna da Imprensa. Hoje é raro poder ler ou ouvir manchetes positivas, a maioria esmagadora dos títulos é negativa. Não existe parcimônia na pauta, os noticiário políticos e econômicos raramente trazem matérias positivas.
A imprensa, que tanto influenciou nas cassações de Collor, de alguns anões do orçamento, na renúncia de outros anões, na cassação de Luís Estêvão, nas renúncias recentes de ACM e Arruda, na elucidação de maracutaias – como as de Georgina, Lalau, Cacciola e tantos outros –, precisa, também, ser lembrada com divulgadora de notícias positivas. Não pensem que estamos querendo que a imprensa atual se espelhe nas revistas dos anos 50/60 – O Cruzeiro ou Manchete, que exageravam nas notícias chapa-branca. Queremos parcimônia no noticiário, tão somente isso.
Queda-de-braço
Desde abril de 2000 que a quase totalidade da imprensa vem suspeitando da conduta do senador Jader Barbalho. O senador é o prato principal do cardápio jornalístico há um ano e dois meses. É uma interminável disputa que não consegue ter um vencedor, por morte súbita ou gol de ouro: continua sempre empatada. Esta queda-de-braço entre imprensa e senador, que afirma ter contraído malária por sete vezes, daí ser duro na queda, já fez várias vítimas, entre elas o principal desafeto de Jader, o ex-senador Antônio Carlos, principal abastecedor das denúncias veiculadas pela imprensa contra o hoje presidente do Congresso Nacional.
A condenação de Jader será uma vitória pela consistência das denúncias e a persistência da imprensa. A absolvição de Jader trará sérios prejuízos à imagem da imprensa, que será responsabilizada por estar a serviço de A ou B, fazendo do denuncismo inconseqüente a sua maior fonte de circulação paga. Nunca é demais lembrar casos semelhantes, como o da Escola Base, que arranharam a reputação da imprensa brasileira.
Devagar com o andor que o santo é de barro – este ditado se encaixa como luva nesta queda-de-braço. A dosagem no noticiário é de fundamental importância. O noticiário não deve despertar no leitor a torcida pela derrota do suspeito e a vitória da imprensa ou vice-versa. Nós jornalistas não somos protagonistas de uma final de campeonato.
(*) Jornalista

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