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INTERESSE PΪBLICO
AUTOFAGIA NELA! Alberto Dines
Para escapar do impasse sugere-se uma situação hipotética: quando um juiz desmoralizado e vingativo, um político avacalhado mas doido por uma desforra, ou o policial chantagista resolverem grampear um colunista, diretor de jornal, revista, dono de empresa jornalística, como é que fica? Transcreve-se o grampo a bem da verdade, aciona-se a solidariedade corporativa, denuncia-se o concorrente (quando for o caso), põe-se a boca no trombone contra a invasão da privacidade ou a quebra do segredo de Justiça? Na verdade, a situação está longe de ser hipotética, já aconteceu quando a revista Veja publicou em junho de 2001 um grampo ilegal que acabou envolvendo o então colunista do Globo, Ricardo Boechat [veja remissão abaixo] . O episódio tenderá a multiplicar-se com a crescente participação de políticos na mídia, a intimidade de repórteres e colunistas com círculos "grampófilos" e o vale-tudo que breve será deslanchado quando empresários "barra pesada" assumirem o comando de empresas jornalísticas. É preciso não esquecer que a mídia está passando por maus momentos e, nestas circunstâncias, os escrúpulos são inversamente proporcionais ao tamanho das inadimplências. Magistrados que já foram grampeados terão enorme prazer em autorizar grampos "legais" em jornalistas-desafetos. O recente ataque desfechado contra o Le Monde dá uma idéia de como a antiga disputa nas bancas ganhou novas armas e transferiu-se para outras esferas. O sensacionalismo não tem limites. Uma mídia "grampodependente" cria um público "grampodependente". Como nas rinhas de galos, leitores assim querem ver sangue. No affaire em que foi envolvido o colunista Boechat, os adversários que disputavam o controle de um banco não estavam preocupados com as conseqüências ou respectivas imagens. Arranhada saiu a mídia. Mais um par de casos como este e os jornais brasileiros precisarão encomendar em Miami doses cavalares de credibilidade. Leia também Grampos ilegais na Bahia Compacto do OI na TV de 25/2/03 Ricardo Boechat: o triste fim do jornalismo fiteiro Alberto Dines Máfia do grampo e cumplicidade da mídia A.D. O fim das oligarquias está na mão da mídia A.D. Nem tudo é folclore Chico Bruno Calor para ACM Luiz Antonio Magalhães O rei do grampo: ACM entra em outra fria Alberto Dines A volta triunfal do jornalismo fiteiro A.D. Dora Kramer e Eliane Cantanhêde Entre Aspas Turma do grampo não quer ser incomodada A.D. Isto é uma vergonha Luiz Weis Quando a mídia cala, vestais pintam e bordam A.D. Mídia acuada inventou bode expiatório A.D. O complô do silêncio A.D. A dissecação da tirania A.D. Os segredos do editor Luiz Egypto Como forjar uma manchete A.D. A intriga e o efeito-dominó João Carlos Teixeira Gomes Premeditação é agravante A.D. Teoria da suíte: reiteração da mentira não a converte em verdade A.D. | ||