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INTERESSE PUBLICO
SANTO ANDRÉ, SP Mauro Malin O Observatório da Imprensa recebeu por correio eletrônico, no início de novembro, assim como outros vinte destinatários, texto do jornalista Célio Franco, que foi editor-chefe e editor-executivo do Diário do Grande ABC, intitulado "PT – censura e terrorismo do Exército Vermelho". O autor apresenta-o como "relato de um jornalista que viu como um partido que sempre pregou a moralidade na política comprou, a peso de ouro, representantes da oposição de Santo André, parte da mídia regional e entidades da sociedade civil para implementar seu projeto de poder, destruindo a liberdade de expressão e de imprensa", e afirma que sua vida e as de familiares seus correm risco. Menciona, além disso, operação que transferiu o comando do Diário do Grande ABC para novos donos. Em nome do Observatório, expliquei a Célio Franco que o OI não é um veículo de comunicação stricto sensu, e sim uma tribuna para a avaliação do trabalho da mídia. O texto do jornalista menciona, em suas 12 páginas, dezenas de pessoas e instituições. Submetê-lo a todos os mencionados e receber as respostas (ou deixar passar um prazo razoável para ter certeza de que os interessados não quiseram responder) seria uma operação extremamente lenta. Para acatar a urgência de um jornalista que se sente ameaçado, publicamos o presente tópico. Do conteúdo do texto extraem-se ou resumem-se passagens que caracterizam a denúncia mas não infringem a conduta que consideramos correta: 1. "Pelo pouco que revelei e falei durante os doze anos em que trabalhei no Diário do Grande ABC – oportunidade que tive de viver por dentro as muitas mazelas administrativas e o terrorismo político implementado pelo PT no Grande ABC", escreve Célio Franco, "tive os telefones de minha residência grampeados, meus filhos ameaçados de morte, enfim, minha vida sustentada por um fio muitas vezes." 2. O jornalista afirma que o momento em que mais intensamente foi ameaçado ocorreu no final de 2001, após publicar denúncias contra autoridades municipais de Santo André. 3. Acrescenta que, em outubro do corrente ano, um executivo de agência de propaganda a serviço da prefeitura de Santo André relatou que uma de suas filhas (de Célio Franco), estagiária naquela agência, poderia ser dispensada devido a pressões da prefeitura, o que causou pânico em sua família. 4. A maior parte do texto historia um processo de 20 anos no ABC, começando pela conquista da prefeitura de Diadema pelo PT e, em seguida, das prefeituras de São Bernardo, Santo André, Mauá e Ribeirão Pires, apresentando-o como uma escalada que compreendeu atos gravíssimos de agressão à moralidade da coisa pública e à liberdade de expressão. Célio Franco afirma que foi ouvido pelo Ministério Público e que suas denúncias foram formalmente registradas. O leitor entenderá a necessidade que tivemos de, também neste caso, cumprir o dever de editar, no sentido cívico e técnico da palavra, o material recebido para publicação. | ||