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INTERESSE PΪBLICO
CENSURA TOGADA Alberto Dines
Há três anos assistimos inermes e apáticos a uma escalada da violência judiciária, pseudamente legal. Alguns casos provocam alguma resposta da imprensa, outros quase nenhuma. O cidadão brasileiro acredita piamente que a censura foi banida formalmente com a Constituição de 1988. Está redondamente enganado. Esta caricatura forense chamada liminar está comprometendo a confiança da sociedade brasileira no Poder Judiciário, o poder dos poderes, aquele que deveria legitimar-se pelo uso da razão. Ao invés de defender uma cláusula pétrea da Constituição a liberdade de informação alguns magistrados enredam-se em formalidades processuais ignorando que desta forma superficial aceitam o mérito de que a censura é justificada. A imprensa, como instituição, não tem sabido reagir a esta homeopatia censórea que está minando nossa capacidade de resistir. Se a reação fosse forte, coletiva, determinada, os magistrados afoitos pensariam duas vezes antes de nos inocular com nova dose autoritária. Na Alemanha, 1933, quando os nazistas tiraram os disfarces e começaram a escalada de terror, os poupados diziam "não é comigo, é com os outros". Esta resignação e esta incapacidade de enxergar as grandes ameaças fazem parte de um fenômeno chamado "não-me-importismo". Enquanto não são vítimas todos seguem suas vidas. Depois é tarde demais. Prova da progressão da perversa terapia são as duas últimas incursões da censura togada. No Correio Braziliense, ano passado, o magistrado determinou que o advogado de uma parte fizesse a censura prévia do jornal escolhendo o que poderia ser publicado. Agora, outro magistrado dá um passo à frente: determinou como a matéria deve ser editada. Como este Observatório já disse mais de uma vez: breve teremos nas redações no lugar de redatores e editores, advogados e juízes. Quem pagará por isto? Você. Leia também O AI-5 está voltando Alberto Dines A escola Garotinho de censura A.D. Imprensa no banco dos réus Luiz Egypto [Entrevista com Luís Nassif] Liberdade e percepção subjetiva Janice Ascari Mídia "amarelou" diante da mordaça A.D. Sobre liberdade e "leis de presunção" Ivo Lucchesi Vai começar tudo de novo? Deonísio da Silva Os limites do estado de direito Gilson Caroni Filho Os riscos do silêncio Mário Augusto Jakobskind Censores togados e arbitrários Muniz Sodré Censura em gotas disfarça e agrada Alberto Dines Eleições, grampos e resistência Luiz Martins |
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