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INTERESSE PÚBLICO
ASPAS
GLOBO vs. DIRECTV
Julianna Sofia
"TV Globo vence DirecTV por 6 a 1 em disputa no Cade",
copyright Folha de S. Paulo, 21/06/01
"A Rede Globo de Televisão conseguiu ontem o aval do
Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para impedir
que a DirecTV (TV por assinatura transmitida via satélite)
inclua entre seus canais a TV Globo.
Por seis votos a um, o conselho arquivou o processo em que a DirecTV
pedia igualdade de concorrência com sua maior concorrente
no ramo de TV por assinatura via satélite, a Sky - pertencente
às Organizações Globo.
A Sky transmite o sinal da TV Globo em cinco capitais: Porto Alegre,
São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Salvador. Desde 1996,
a DirecTV tenta negociar com a Rede Globo o mesmo contrato firmado
com a concorrente.
Somente o relator do processo administrativo no Cade, o ex-conselheiro
João Bosco Leopoldino, apresentou parecer favorável
à DirecTV. Ontem, o Cade retomou o julgamento -paralisado
há duas semanas por um pedido de vista- e mais três
conselheiros votaram com a Globo.
‘A nossa competência e capacidade nos ajudam a contrabalançar
essa desigualdade de concorrência. A decisão do Cade
nos surpreendeu, mas o interesse da DirecTV em carregar o sinal
da Globo continua. Ainda não sabemos o que vamos fazer agora’,
declarou o gerente-geral da DirecTV, Philippe Olivier Boutaud.
Segundo ele, ainda não há decisão se a empresa
entrará na Justiça. Boutaud destacou, no entanto,
que o conselheiro Celso Campilongo em seu voto (favorável
à Globo) afirmou que, embora no momento o mercado não
mostre a necessidade de a Globo ter de abrir seu sinal para outras
TVs, isso pode mudar no futuro.
Ao votar, Campilongo -o autor do pedido de vista de duas semanas
atrás- disse que esse é um mercado dinâmico
e que precisa ser acompanhado sistematicamente. ‘Essas palavras
são sábias. Em outro momento esse tema voltará
à tona ‘, adiantou Boutaud.
Para o vice-presidente de Relações Institucionais
das Organizações Globo, Evandro Guimarães,
a decisão do Cade é um reconhecimento de que ‘os produtores
culturais devem controlar o seu produto em todos os elos da cadeia.
Isso é necessário para que o país não
seja afrontado em sua cultura.
Elvira Lobato
"Cade decide batalha Globo-DirecTV", copyright Folha
de S. Paulo, 19/06/01
"Está na reta final a batalha iniciada há quatro
anos entre a DirecTV (empresa de TV paga via satélite ligada
à General Motors) e a Rede Globo de Televisão, da
família Marinho. A DirecTV quer incluir a TV Globo no seu
menu de canais e esta se recusa a assinar contrato com os norte-americanos.
A vitória está mais próxima do grupo brasileiro,
que já tem a seu favor os votos de três dos sete conselheiros
do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), contra
um voto obtido pela DirecTV. Para vencer a batalha, os norte-americanos
precisam dos três votos que restam. A votação
foi interrompida no último dia 6, quando um conselheiro pediu
vistas ao processo, e ainda não há data marcada para
o término da votação.
A DirecTV alega que sua principal concorrente no mercado de TV
paga via satélite, a Sky -da qual a família Marinho
é acionista majoritária no Brasil-, transmite a Globo
para as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte,
Porto Alegre e Salvador. A empresa reivindica o direito de assinar
contrato nas mesmas condições acertadas com a Sky.
A DirecTV já transmite dois importantes canais abertos:
Bandeirantes e Record. O SBT não liberou seus sinais, mas,
segundo o grupo norte-americano, nunca fechou a possibilidade de
negociação e, principalmente, não é
seu concorrente no mercado de TV paga.
Há cerca de 1,4 milhão de assinantes das pequenas
parabólicas (TV paga com transmissão direta via satélite)
no país: 53% são clientes da Sky e 41%, da DirecTV.
Os restantes 6% estão com a empresa nacional TecSat. A DirecTV
tinha domínio do mercado (63%) até que a Sky, em 98,
começou a transmitir a Globo e inverteu a situação.
As duas concorrentes entraram em operação na mesma
época, em 1997. A DirecTV começou como uma sociedade
entre o grupo Abril (família Civita), a Hughes Electronics
(norte-americana, ligada à GM) e o grupo venezuelano Cisneros.
A Abril vendeu sua participação para a Hughes em 99
e hoje o empreendimento é 100% estrangeiro.
A operação da Sky no Brasil é controlada pela
Globo (54%) e o magnata mundial das comunicações Rupert
Murdoch é sócio minoritário.
A DirecTV pleiteia o sinal da Globo desde 97, quando entrou com
processo na Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).
A Agência decidiu, em 99, que a Globo não está
obrigada, pela legislação, a ceder seus sinais para
as TVs pagas e encaminhou a questão para o Cade, onde são
tratados os conflitos concorrenciais.
O ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, também
se manifestou a favor da Globo, embora não seja árbitro
na questão. ‘Não me parece correto obrigar uma TV
aberta a ceder sua programação. Estou preocupado com
o conteúdo nacional e irei defendê-lo de qualquer maneira.
Não podemos nos submeter a pressões’, afirmou o ministro.
Conteúdo nacional
O gerente-geral da Galaxy do Brasil (razão social da marca
DirecTV), Philippe Olivier Boutaud, diz que a exclusividade da Sky
na transmissão da Globo desequilibra a competição.
‘Concordamos com o ministro e por isso queremos transmitir o conteúdo
local produzido pela Globo’, acrescenta.
Os canais abertos lideram a audiência até dentro dos
sistemas pagos, como as TVs a cabo. Pesquisa feita pelo Ibope neste
ano mostrou que os canais pagos, somados, têm apenas 26% da
audiência. Ou seja, os assinantes das TVs pagas passam 74%
do tempo assistindo os canais abertos, que estão disponíveis
gratuitamente. A Globo sozinha responde por 43% da audiência,
contra 13% do SBT e 7% da Record.
Para Philippe Boutaud, a pesquisa mostra que grande parte dos assinantes
compra o serviço pago para ter melhor recepção
dos canais abertos, o que, segundo ele, prova que o sinal gratuito
da Globo tem transmissão deficiente.
‘Existem 9 milhões de antenas parabólicas comuns
instaladas no país, recebendo a programação
nacional das emissoras, porque o sinal da TV local é ruim,
mas a Globo parece mais preocupada com os 500 mil assinantes da
DirecTV’, alfineta o executivo.
Segundo ele, a DirecTV só teve vetado seu pedido de acesso
a canais abertos no Brasil (com a Globo) e no México, com
a Televisa. Esta última, não por coincidência,
é a sócia local da Sky.
TV Globo
‘Se a lei não obriga, negocia quem quer’, diz o vice-presidente
de relações institucionais das Organizações
Globo, Evandro Guimarães. Ele refuta a acusação
de que a Globo estaria em concorrência desleal com a DirecTV:
‘O ilícito é cooperar com o concorrente, o que leva
à homogeneização dos conteúdos’.
Segundo Guimarães, a programação da Globo
é um diferencial competitivo, mas está longe de ser
um elemento de aniquilação da concorrência.
‘Tanto é verdade , que a DirecTV tem participação
expressiva no mercado brasileiro’, acrescenta.
O executivo diz que nenhum país que tem radiodifusão
importante abre mão de salvaguardas da produção
cultural e da mão de obra locais.
Dentro da própria Globo houve resistência à
assinatura do contrato com a Sky, em 98. A Rede Globo dizia que
ele poderia prejudicar o faturamento comercial das 116 afiliadas
da TV aberta que é a ‘galinha dos ovos de ouro’ da organização.
O contrato foi assinado com a condição de que as
cinco cidades recebessem a mesma programação transmitida
pela geradora local da Globo,o que obriga a Sky a ocupar o espaço
de cinco canais no satélite."
Cidade Biz
"Cade diz que ter a Globo não é vantagem competitiva",
copyright Cidade Biz (www.cidadebiz.com.br), 20/06/01
"Por 6 a 1, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica
(Cade) do Ministério da Justiça decidiu esta tarde
que a TV Globo não é obrigada a ceder seu sinal de
transmissão ao sistema DirecTV - canais via satélite.
A TV Globo é retransmitida via Sky, empresa controlada pelas
Organizações Globo.
O Cade - organismo destinado a fiscalizar monopólios e operações
cartelizadas - entende que ter a emissora num só sistema
não configura uma vantagem competitiva.
É a segunda vitória das Organizações
Globo junto a organismos governamentais. Antes do Cade, derrotou
a DirecTV junto à Agência Nacional de Telecomunicações,
Anatel, em 1998.
Foi a DirecTV quem recorreu ao Cade, contra o bloqueio dos veículos
da família Marinho. Como informou CidadeBiz, a operadora
chegou a propor um acordo, no qual cederia dois de seus canais exclusivos
- HBO e Disney - em troca do sinal da Globo e dos canais Globosat.
A oferta foi recusada."
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