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ASPAS
GRAMPOS
Luiz Maklouf Carvalho
"Frota pede apuração
de fita", copyright Jornal do Brasil, 30/7/01
"O deputado estadual Mário Frota (PDT-AM) enviou ontem ‘aos editores
da revista IstoÉ’ uma carta em que os desafia a provar que é sua
a voz da gravação veiculada na edição da semana
passada. Na gravação, uma voz que a revista afirma ser de Frota,
negocia uma propina de U$ 5 milhões para o senador Jader Barbalho (PMDB-AM),
presidente licenciado do Senado. O deputado afirma que a voz não é
dele -e sim de um imitador, que seria seu ex-assessor Nivaldo Marinho. Ele pediu
ao Ministério Público Federal do Amazonas, em representação,
que apure a responsabilidade criminal pela publicação.
Na edição desta semana, a revista publica entrevista com o próprio
deputado, feita na última quinta-feira. ‘Desafio IstoÉ a submeter
ao mesmo laboratório e ao mesmo fonoaudiólogo as duas fitas, a
que teria sido gravada ao meu lado enquanto eu telefonava, e a da entrevista
que dei, sobre a qual não há dúvidas ou questionamentos’,
diz a nota.
‘Desafio, também, que se publique o resultado’. Ouvido pelo Jornal do
Brasil, o jornalista Mário Simas Filho, um dos editores de IstoÉ,
e um dos que entrevistaram o deputado na quinta-feira passada, disse que a revista
‘mantém tudo o que disse até agora’. Segundo Simas, ‘as duas fitas
serão levadas a perícia pela própria revista ainda esta
semana’. ‘Não foram antes por falta de tempo já que a entrevista
com o deputado foi feita na quinta-feira.’
Na edição desta semana, com a entrevista de Frota, a revista
afirma que ele ‘confirma’ a participação do senador Jader Barbalho
e do ex-superintendente da Sudam, José Arthur Tourinho ‘no esquema de
propina da Sudam’. Diz, ainda, que ‘o diálogo’ publicado na semana passada
‘mostra que Frota também se beneficiou do esquema de propinas da Sudam’,
o que ele nega. À época da gravação, Frota era o
coordenador do escritório da Sudam em Manaus.
Na edição em que publicou a gravação - só
a voz atribuída a Frota, e não um diálogo - IstoÉ
omitiu o nome de quem a teria gravado. Na edição desta semana
está dito que a fita foi gravada por Nivaldo Marinho - o mesmo que Frota
acusa de tê-lo imitado. Marinho disse à revista que gravou a fita
em agosto de 1998. ‘Coloquei o gravador ao lado um fax sobre a escrivaninha.
Saí da sala e voltei quando percebi que ele já havia terminado
a conversa’, disse a IstoÉ. ‘O Marinho, que imitou a minha voz
está desaparecido de Manaus e ninguém o encontra. É incrível
que só a IstoÉ tenha conseguido’, disse Frota.
Na edição desta semana, a revista não esclarece como obteve
a fita. Frota afirma que quem a fez chegar na revista foi o empresário
Egberto Baptista, assessor informal do governador do Amazonas, Amazonino Mendes,
inimigo político de Frota. Egberto nega. A assessoria do governador também.
‘Faço o desafio, para que revista demonstre definitivamente a minha
culpa ou repare o terrível mal que me foi causado’, diz Frota. Na nota,
ele se dispõe a atender ‘o que a revista considerar necessário’
para fazer os testes - ‘incluindo o meu deslocamento a qualquer laboratório
do país ou do exterior’."
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"Deputado acusa Egberto de vazar fita para revista", copyright Jornal
do Brasil, 28/7/01
"O deputado estadual Mário Frota (PDT/AM) disse ontem ao Jornal do Brasil que o empresário Egberto Baptista, assessor informal do governador de Manaus, Amazonino Mendes, ‘é o responsável pelo vazamento da gravação publicada esta semana pela revista IstoÉ’. Na gravação, uma pessoa cuja voz a revista afirma ser de Frota, aparece intermediando um suposto pagamento de uma propina de US$ 5 milhões ao senador Jáder Barbalho (PMDB/PA), presidente licenciado do Senado. ‘O Egberto é a ponta entre o Amazonino e a revista IstoÉ. Não tenho dúvida de que foi ele que fez a fita chegar á revista’. Frota nega que a voz seja a sua.
Ouvido pelo Jornal do Brasil, Egberto disse que a acusação ‘é absurda’ e que pode ‘processar o deputado’. ‘Eu teria muita honra de ser a ponte entre o Amazonino e a revista, mas não sou’, disse. Ex-secretário regional do governo Collor, Egberto dá assessoria ao governador Amazonino Mendes. A Editora Três, que edita a revista IstoÉ, é cliente da empresa de Egberto, a Agência Estratégia e Inteligência. ‘A voz é dele, que está desesperado, porque foi pego’, afirmou.
A reportagem de IstoÉ não traz laudo comprobatório de que a voz é de Frota. O laudo publicado, do perito Ricardo Molina, afirma, apenas, que a fita não tem montagem. ‘A revista já tem as contraprovas que atestam que a voz é dele’, adianta o empresário. Segundo Egberto, ‘a fita foi passada à revista pela Polícia Federal de Belém’. Ele contou, como indício de que Frota estaria ‘desorientado’, que ‘ainda esta semana’ um ‘amigo de deputado’ ligou para ele, pedindo que ajudasse a descobrir quem vazou a fita.
Na quinta-feira, o deputado amazonense entrou com representação, no Ministério Público Federal do Amazonas, para apurar ‘a responsabilidade criminal’ pela publicação da gravação. Ele afirma que a voz é de um ex-assessor, Nivaldo Marinho, imitando-o. Marinho sumiu de Manaus. O telefone de sua residência não responde.
Ontem de manhã, Frota comprou um gravador mini-system portátil e saiu com ele, mostrando para a imprensa local a gravação que está no site da revista. ‘Eu virei o cacique Juruna’, disse, referindo-se ao deputado que tinha a mania de gravar suas próprias conversas. À tarde, Frota foi, informalmente, à Polícia Federal de Manaus, rodar a gravação para um delegado que é seu amigo. ‘Quem ouve, tem certeza absoluta que é uma imitação’, diz ele. ‘A voz desse imitador está para a minha, como a minha está para o do Pato Donald’. Denúncias de Frota sobre supostos crimes de improbidade administrativa levaram o Superior de Justiça a abrir inquérito contra Amazonino, em andamento. Segundo Egberto, o governador também está processando Frota por calúnia e difamação. ‘ Frota é que era a fonte da revista contra o Amazonino’, afirmou."
Gustavo Alves
"Policial que tentou vender grampo é preso", copyright O Globo, 28/7/01
"Investigado por denúncias de que teria tentado vender fitas de conversas grampeadas no BNDES e na Petrobras, o policial civil Luiz Alberto Moura foi preso ontem pela Polícia Federal. A prisão temporária de Moura tinha sido pedida pelo Ministério Público Federal, que abriu inquérito sobre o caso em abril, quando a tentativa de venda das gravações foi denunciada em reportagem da revista ‘Época’.
Moura foi detido pela Polícia Federal ao se apresentar na Justiça Federal para saber detalhes do inquérito. Segundo a procuradora Mônica Campos, que pediu sua prisão, ele aparentemente não tinha conhecimento da ordem de prisão, assinada pelo juiz da 1 Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, Marcos André Bizo.
Moura ainda vai ser interrogado pela Justiça. Pelo mandado de prisão temporária, o policial vai ficar dez dias preso, mas ele poderá ficar mais tempo na cadeia, segundo a procuradora:
– Dependendo das provas que vierem, é possível transformar a prisão temporária em preventiva – afirmou.
Na reportagem da revista ‘Época’, Luiz Alberto Moura apresentava-se como advogado, com o nome de Jorge Luís Moura. Com este nome, ele teria mandado mensagens por e-mail com supostas transcrições de fitas para destinatários em Brasília. Nas mensagens, ele oferecia as fitas, em troca de dinheiro, dizendo que elas tinham conversas gravadas de diretores das duas estatais, ministros e até o presidente Fernando Henrique.
Moura chegou a mostrar seis trechos das gravações, por telefone celular aos repórteres da ‘Época’. Entre as pessoas que tinham sido vítimas da escuta telefônica estavam o ex-presidente da Petrobras Joel Mendes Rennó, o assessor especial da Presidência da República, Moreira Franco, e o dono da Marítima, empresa que construiu a plataforma P-36 para a Petrobrás, German Efromovich."
Jornal do Brasil
"Suspeito de grampos do BNDES é preso pela PF, copyright Jornal do Brasil, 28/7/01
"A Polícia Federal prendeu, na tarde de ontem, o policial civil Luis Alberto Moura, suspeito de fazer parte do grupo que gravou ilegalmente e negocia fitas de conversas telefônicas entre empresários e políticos, no caso conhecido como ‘grampo do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)’.
Moura foi preso quando estava no prédio da Justiça Federal, no centro do Rio, para saber os motivos por que teria pedido de prisão temporária decretado contra ele, pelo juiz da 1ª Vara Criminal Federal do Rio, Marcos André Bizo. A PF foi avisada e o deteve, sem resistência, segundo o delegado Cláudio Nogueira, responsável pela operação.
Anteontem, policiais federais da Divisão de Crime Organizado haviam feito uma busca no escritório em que Moura mantinha uma empresa de segurança e vigilância, na Tijuca (zona norte do Rio). Foi recolhido material, que seria levado para a perícia. Nogueira não quis detalhar o que foi encontrado.
Um inquérito foi instaurado pela PF após denúncias, publicadas pela revista Época, de que Moura negociaria fitas com gravações telefônicas grampeadas. Uma ex-funcionária do governo da Bahia, Yolanda Santana Lopes, também faria parte do esquema e está sendo investigada pela PF.
Fitas em que aparecem supostas gravações de conversas de dirigentes do BNDES, da Petrobras e até do presidente Fernando Henrique Cardoso estavam sendo negociadas por cerca de R$ 32 milhões."

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