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Pesquisadores de Israel estudam relação
entre televisão e agressividade na escola

 

Nahum Sirotsky, correspondente da RBS no Oriente Médio, de Tel-Aviv

 

A


Organização Mundial de Saúde classificou as crianças israelenses em sexto lugar do mundo em hooliganismo, ou violência no ambiente escolar.

Todos os garotos e garotas israelenses, excetuados os doentes e os ultra-ortodoxos, servem obrigatoriamente nas Forças Armadas, ou, no caso das meninas, com a opção do que chamam de Serviço Nacional, período em que prestam serviços gratuito como professoras ou assistentes sociais em áreas carentes do país. Os garotos são vistos indo para suas casa levando suas próprias armas. Até recentemente, e mesmo agora, têm sido muito raros os casos de uso indevido da arma. Israel vive em estado de guerra desde que renasceu, há cinqüenta anos. E há a ameaça constante de ações terroristas. Até hoje não se entra em lugar algum público, ou fechado, sem que as bolsas das mulheres sejam examinadas, assim como qualquer objeto suspeito carregado por homens.

Mas o crescimento da violência na escola é fenômeno relativamente recente. Parece coincidir com a implantação de um segundo canal de televisão, este comercial, e televisão a cabo. E isto alimenta um debate permanente sobre a influência do que se vê na telinha sobre o caráter e o comportamento da meninada e, num sentido amplo, dos adultos.

A preocupação cresceu muito depois do que vem acontecendo com a criançada nos Estados Unidos. Um jovem americano terá visto 16 mil crimes de morte ao chega aos 18 anos de idade. O cálculo traduz o número de horas que permanece vendo tevê e o tipo de programa visto. Ainda não se conhece quantos são vistos pelos meninos locais. Mas é uma proporção grande demais.

Os defensores deste tipo de programação alegam que é positiva pois que implica num tipo de catarse. A violência vista "limpa" a sentida. Mas o número de pesquisas apontando para o contrario é cada vez maior. A professora Dafna Lemish, da Universidade de Telavive, cita num artigo jornalístico a respeito da questão que foram utilizadas diferentes técnicas de pesquisa para se minimizar a influência do preconceito. E todas indicam uma relação direta entre o crescimento da violência de fato e a da realidade virtual da televisão.

Verificou-se, num estudo de 1997 abrangendo mil crianças de 900 escolas que, sim, a criança tende a imitar a violência observada. "Também se revelou negativa a influência de cenas de sexo explícito como, por exemplo, a cena em que Sharon Stone mostra tudo e se torna famosa e rica.

Quanto a violência, "A Volta de Batman", por exemplo, pela forma horrível em que o Pingüim é morto pelo herói, E difícil tipificar a glorificação da violência mais sádica pela tela que se torna atração e exemplo para a meninada. É difícil comparar objetivamente. Mas, ao que parece, a televisão a cabo, aqui, é a mais violenta. E não raro os chamados filmes para adultos são exibidos em horários para crianças. Até publicidade que oferece os serviços de lindas jovens, com telefone tipo 0900, acaba visita pela garotada.

Como se aparência bastasse

São o pior exemplo para as meninas e meninos, pois mostram que o caminho para o luxo não implica um diploma universitário ou de escola profissional. Basta a aparência. No seu "Violência na Televisão", Wendy Josephson, da Universidade de Winnipeg, verificou o seguinte, com relação a crianças:

1. Até 18 meses têm pequena capacidade de concentração e não prestam muito atenção à televisão;

2. Dos 2 aos 3 anos começam a prestar atenção e a retirar algum sentido do que observam;

3.De 3 a 5 inclinam-se ao mais movimentado, o que significa que são mais atraídas pelas cenas mais violentas;

4. Do 6 aos 11 anos de idade começam a se viciar na telinha. Aos 8 começam ficar mais violentas se entendem que a televisão reflete a vida verdadeira. Não poucas se viciam em filmes de horror. Recomenda-se que os pais providenciem atividades alternativas, como esportes e outras, para evitar que os filhos fiquem sob o encanto da televisão e seus maus exemplos;

5. Dos 12 aos 17 consideram ver televisão atividade muito passiva. E começam a preferir filmes sobre atividades violentas, drogas, sexo, etc.

Considera-se recomendável, se puderem, que os pais tentem afastar a criança e o jovem do que pode ser uma péssima influência no seu período formativo. Mas não se chegou à formula mágica. Nem a Net ,com tudo o que oferece, tal como os jogos, tem sido resposta. Há, por exemplo, um número muito grande de games violentos e de sexo explícito.

Desligar o botão

Já se tentou tudo, inclusive o chip que desliga o aparelho quando entram programas desaconselhados. E a ridícula recomendação, via tela, de que tal filme não é recomendável antes de tantas anos de idade, tornando-os ainda mais irresistíveis. A melhor censura, se concluiu, é o botão de desligar o aparelho. A dra. Riva Bachrach, do Colégio Berl, e o prof. Simcha Landau, da Universidade Hebraica de Jerusalém, são os membros israelenses de um estudo internacional sobre os efeitos da violência da televisão na formação da criança. Os resultados ainda não foram divulgados. Mas eles, ambos, sugerem, por exemplo, que pais vejam programas junto com os filhos, aos quais devem mostrar que são exemplos e visões do mundo cruel lá de fora.

E isto num país em que o noticiário, por rádio e televisão, é preocupação de todos - no caso do radio, de hora em hora o país se concentra nas últimas, sempre sob o receio de que virão com informações de atos terroristas, ou coisas assim.

Não raro, a televisão, que hoje mostra o pior e o melhor na hora em que acontece, exibe as horríveis cenas de corpos despedaçados por bombas. O hábito de ver o violento torna o violento rotineiro e aceitável. O ato é julgado segundo quem o pratica. A violência do herói é admissível e imitada. A questão é sobre o uso da censura - inaceitável em democracias - ou o senso de responsabilidade das emissoras, que, se afirma, na disputa de audiência se orientam mais pelo mercado.

O resultado são crianças matando, se desinteressando da escola e dos chamados valores tradicionais, cada dia mais imitando o pior na natureza humana, mesmo o exagerado e imaginado apenas pelos autores e realizadores dos programas. E enquanto se avança com informações cientificamente recolhidas sobre a influência negativa da violência rotinizada na formação da criança, nada se progride quanto a o que fazer. O que a TV esconderia, ver-se-ia nas manchetes dos jornais e nas capas e interior das revistas de hoje, nas bancas, ao alcance de qualquer infante.

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