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BORIS CASOY
Desfile de mentiras
Carlos Knapp
Há dias, eu olhava distraído para Boris Casoy encerrando o seu noticiário quando o ouvi proferir algo como: "Veja a seguir a novela ‘Marcas da Paixão’. Mas antes teremos o Horário Eleitoral Gratuito, esse desfile de mentiras". Eu não quis acreditar nos meus ouvidos e por isso passei a gravar o Jornal da Record nos dias subseqüentes. Na segunda-feira, 28 de agosto, obtive a confirmação. Ao terminar a leitura de uma nota sobre um propalado aumento do IPTU, ele comentou: "Seria bom que os candidatos a prefeito se manifestassem sobre isso, nem que fosse nesse horário pinóquio que é o Programa Eleitoral".
Boris Casoy é o cúmulo do formador de opinião. Onisciente, ele pontifica sobre qualquer assunto, de política internacional à pecuária, do celibato clerical à moda de inverno ou macroeconomia. Discerne claramente o bem do mal e é capaz de proferir julgamentos instantâneos. Uma porção significativa da nossa grande pequena classe média identifica nele seus próprios valores. Casoy comunica e reitera a ideologia dessa porção da sociedade e, no exercício do papel, deveria ter mais cuidado.
O pecado é praticado por muitos dos chamados comunicadores na mídia: querem atacar pessoas mas atingem instituições. Esquecem que a própria liberdade de expressão que possuem pertence a uma democracia ainda imperfeita. Nós somos o Brasil e por isso os nossos governantes, juízes, deputados, sindicalistas, empresários e candidatos não poderiam se comportar como suecos ou canadenses. Eles são uma amostra do todo e a amostra passará a ser melhor na medida em que o todo – a cultura, os costumes, a educação – se aperfeiçoar. Condição para essa melhora geral é o fortalecimento das instituições democráticas.
Com seu sarcasmo, Casoy não está desmerecendo os candidatos que mentem. Está agredindo a Justiça Eleitoral e induzindo seus ouvintes a desprezá-la igualmente. Isso implica reforçar a alienação política da pequena classe média e o seu preconceito contra os políticos: todos os políticos mentem, todos os políticos são ladrões etc.
Os programas eleitorais compulsórios e gratuitos são uma droga, mas são melhores do que nada. Enquanto não tivermos uma legislação que estabeleça as formas de custeio das campanhas eleitorais (uma conquista que virá com o aperfeiçoamento da nossa democracia), é preciso zelar pela existência desse veículo institucionalizado que, embora contrarie os interesses das emissoras de rádio e TV, busca criar certa eqüidade na comunicação dos candidatos com o eleitorado, reduzindo a influência do dinheiro.
Ou Boris Casoy, na sua profunda sabedoria, teria talvez uma alternativa a oferecer ao nosso Congresso e ao nosso Judiciário, capaz de substituir o atual "desfile de mentiras"?
PÉROLAS
Saddam, o "iraniano"
Maura Paoletti
O Jornal da Tarde ataca novamente, em <www.jt.com.br/editorias/2000/08/25/var623.html>, na matéria "Cinema é território livre para garotos do ‘South Park’":
"Um dos alvos preferidos da mordacidade de Parker e Stone é o iraniano Saddam Hussein."
Sem comentários.
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