ASPAS
Miriam Leitão

"‘Foi uma bomba que explodiu na cara dos jornalistas’", copyright O Globo, 24/8/00

"‘Isso foi uma tragédia, a interrupção da vida de uma jovem, bonita, inteligente, uma bomba que explodiu na cara dos jornalistas. A cobertura da imprensa foi prejudicada por uma certa paralisia, os jornalistas ficaram abalados, um pouco sem saber lidar com um caso tão próximo.

Conheci o Pimenta há vinte anos, trabalhei com ele na ‘Gazeta Mercantil’ e tinha muito contato quando ele estava no Banco Mundial. Como eu, acho que ninguém suspeitou de algo assim. A cobertura foi influenciada pela perplexidade, a dificuldade de saber como dar a notícia do que aconteceu dentro da redação. Os jornais ficaram tímidos na hora de explicar por que alguém bem-sucedido chega a esse ponto, e faltou mostrar que a personalidade dele vinha desmoronando aos poucos.

Pimenta estava incapacitado para dirigir um jornal e ninguém fez nada. A questão central, o tema para ser discutido pelos jornalistas, é a tolerância com as pequenas tiranias nas redações. A possibilidade de decisões como a proibição do noticiário sobre a série ‘Aquarela do Brasil’, da TV Globo, por motivo fútil (porque amigas da ex-namorada trabalhavam na divulgação do
programa) é censura. Igualzinha à dos militares. Por que a redação não se revolta? É a aceitação das pequenas tiranias, aceitar que razões não jornalísticas determinem se vai se dar ou não dar uma notícia.

Antes do crime Sandra Gomide vinha sofrendo represálias e injustiças na redação, até seu desempenho profissional foi questionado. Neste ponto, me identifiquei com ela, lembrando dos momentos em que fui vítima de arbitrariedades de chefes. Uma vez, fui demitida do próprio ‘Estadão’ por motivo fútil, pelo Augusto Nunes (hoje diretor de ‘Época’). Depois, sempre se encontra um motivo para justificar aquilo, o que no caso dela foram denúncias de favorecimento pela Vasp e de incompetência, o que é contraditório, por ter sido promovida.

A Justiça brasileira também costuma tratar com muita delicadeza o criminoso. É preciso saber até onde se mantém a reserva da mera suspeição. Esse assassino de uma brasileira nos Estados Unidos, por exemplo, não foi flagrado nem confessou, mas foi algemado e arrastado em público. Já as empresas, como as pessoas, têm personalidade, têm caráter, e não se pode aceitar que pessoas façam mau exercício do poder em nome de uma empresa. A lição desse episódio é discutir a conivência com as pequenas tiranias do cotidiano dos jornalistas’."



Carla Gullo

"De perto ninguém é normal", copyright IstoÉ, 27/8/00

"No momento em que você terminar de ler esta frase, um tiro de revólver será disparado em algum canto do mundo. Dezenas de assassinatos acontecem a cada instante, mas pouquíssimos ganham tanto destaque quanto o de Sandra Gomide. As razões, teoricamente, são óbvias. Seu algoz é um influente jornalista, diretor de jornal, com um currículo invejável. A primeira pergunta que vem à cabeça: o que leva uma pessoa como essa a cometer homicídio? Especialistas são unânimes na resposta: é um tremendo desequilíbrio emocional, geralmente provocado por sentimentos que rondam as relações amorosas: ciúme, rivalidade, perda. ‘Na maioria das vezes se mata por ciúme. O apaixonado não tolera ser rejeitado, não consegue lidar com a frustração de ter sido posto para trás’, diz a psicóloga Magdalena Ramos, da PUC de São Paulo. ‘Neste caso ainda havia o ingrediente da diferença de idade. Não se pode desprezar 30 anos’, completa.

A tese parece correta, mas gera outra dúvida: por que alguns lidam melhor com a perda, a traição, o ciúme? Ou seja, por que só alguns apaixonados matam, agridem enquanto outros simplesmente se recolhem ao seu sofrimento? Segundo o psiquiatra José Alberto Del Porto, da Universidade Federal de São Paulo, esse comportamento é, de fato, um ponto de interrogação. ‘Por incrível que pareça, o doente mental é pacato. Paradoxalmente, as pessoas normais são as que mais cometem homicídio’, afirma ele.

Ações irracionais e apaixonadas como esta, portanto, inquietam a alma. Afinal, se alguém como Antonio Pimenta Neves foi capaz de matar, qualquer um de nós também seria. ‘Foi como disse Caetano: de perto ninguém é normal’, compara o psicanalista Jorge Forbes, de São Paulo. ‘Nada garante o bom comportamento humano. Mas quando um crime é cometido por alguém diferente da maioria, seja por atitudes anteriores ou pelo nível social e econômico, isso choca. Costuma-se, preconceituosamente, dizer: ele é um animal’, completa Forbes. Ele vai mais longe. ‘Se uma pessoa importante vira, de um dia para o outro um assassino, para se justificar a sociedade tenta encontrar uma explicação para essa atitude. A loucura é uma delas.’ Forbes acredita ainda que ninguém, a não ser um especialista que acompanha o paciente de perto, é capaz de prever que a pessoa vai matar. ‘O eu previa, eu sabia não existe. Se sabia e não tomou atitude, é cúmplice’, sentencia o psicanalista.

Quem pelo menos desconfiava que Pimenta poderia se tornar um assassino, com certeza hoje está arrependido. Mas não tanto quanto ele. ‘Em geral quem comete um ato desses se arrepende depois. Antes de matar, ele não pensa’, atesta a psicóloga paulista Renata Aleotti. O maior sintoma de arrependimento seria o desejo de morrer. Para os especialistas, a tese de que ele teria tentado se matar com uma dose excessiva de calmantes é perfeitamente aceita. A psiquiatra Alexandrina Meleiro conta que 30% das pessoas que cometem homicídio tentam se matar logo após o assassinato. Outros 30% querem acabar com a vida quando ‘cai a ficha’. Em geral, eles usam o mesmo método do assassinato. Mas talvez Pimenta não soubesse que a dose ingerida de calmante (três caixas) não é suficiente para matar. Para morrer é necessário muito mais do que isso."



Gilberto Dimenstein

"Sem limite", copyright Folha de S. Paulo, 27/08/00

"Antes de se empanturrar com três cartelas de calmantes, terça-feira passada, o jornalista Antônio Pimenta Neves escreveu carta às duas filhas explicando por que tentaria o suicídio.

‘Cometi uma insensatez pela qual tenho de pagar’, contou Pimenta, que matou pelas costas e com tiro de misericórdia Sandra Gomide, a ex-namorada.

A insensatez de Pimenta, profissional de um currículo notável e raro, abalou os jornalistas, desacostumados, exceto pela leitura dos jornais, com esse tipo de crime.

Os jornalistas estão, há muito, habituados a crises conjugais, tamanho o número de profissionais já no segundo, no terceiro ou mesmo no quarto casamento. Mas crimes passionais acontecem com os ‘outros’, capturados nas páginas ou câmeras de TV, não por quem embala notícia.

O caso Pimenta trouxe para dentro das redações uma dimensão trágica da crise conjugal. Ainda mais por ele ter trabalhado no topo da imprensa; da Folha, passando pela Gazeta Mercantil, Banco Mundial e, enfim, O Estado de S. Paulo – nessa trilha, ele frequentou cenários como Harvard.

Esse exemplo de insensatez é, entretanto, a rotina dos assassinatos.

Quando se fala em assassinato, a população tende a imaginar o ladrão, sequestrador, marginal, traficante, crime organizado. Não é bem assim. É menos, aliás, do que se imagina.

Os chamados conflitos interpessoais (vinganças, discussões privadas, brigas nos bares, guerra entre torcidas) são as principais causas dos homicídios. São os momentos de insensatez, quando o indivíduo perde a cabeça, não mede as conseqüências; segundos fatais em que o revólver dispara.

Os números da insensatez e sua importância na violência urbana foram apresentados, segunda-feira passada, um dia antes daquela carta de Pimenta, na Universidade de São Paulo, pelo pesquisador Renato Sérgio Lima.

Pesquisador da Fundação Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados), Renato Lima divulgou estudo com análise dos homicídios na cidade de São Paulo em 1995 – esse tipo de dado é o que coloca o tema segurança na agenda dos candidatos à prefeitura, detonando promessas impossíveis, demagógicas ou ilusórias.

A preocupação de Renato Lima era saber até que ponto o tráfico de drogas impulsionava a criminalidade. Ele dividiu as causas em três categorias: conflitos interpessoais, crime organizado e criminalidade não-organizada (latrocínio).

Entre os crimes que tiveram os motivos claramente definidos (os demais faltavam dados por problemas de inquérito e investigação), observa-se a força dos conflitos pessoais. Nada menos que 56%.

Tradução: de cada 100 assassinos, 56 poderiam escrever cartas semelhantes à de Antônio Pimenta. Perderam a cabeça, foram guiados pelo desespero, pânico, desequilíbrio, loucura.

Dos homicídios contra mulheres, segundo a pesquisa de Renato Lima, 40% foi praticado no âmbito das relações familiares.

O crime organizado respondeu, em segundo lugar, com 23% e, em último, latrocínio, 21%.

Aquele crime que mais tememos – alguém matar depois de roubar – está em terceiro lugar.

Não significa, claro, que não seja grave. Longe disso. Significa apenas que a questão da violência é, majoritariamente, provocada pelo crime organizado e conflitos interpessoais.

Dados semelhantes foram encontrados em pesquisas americanas e indicavam que a maioria dos homicídios ocorre entre pessoas que se conhecem.

Vemos, assim, a complexidade da questão da violência que, óbvio, passa a quilômetros de distância das análises dos candidatos, a maioria deles interessada em enredar o eleitor com soluções milagrosas.

Uma política de segurança pública envolve não apenas caçar e punir criminosos, mas reduzir a tensão de uma sociedade, a ajudar na intermediação de conflitos, cultivar o diálogo. Lugares sem polícia ou Poder Judiciário tendem a estimular justiça com as próprias mãos, justamente pela falta de intermediação.

Basta dizer que, em várias cidades, experimentaram o esporte para ajudar na intermediação de conflitos. Atraíram gangues para torneios esportivos, deixando as armas de lado. Isso, somente, reduziu a taxa de violência em alguns bairros.

Sabe-se, hoje, que o lazer e o esporte se prestam a antídotos contra a violência, assim como programas realizados em escolas e apoio psicológico para percepção precoce de distúrbios -quantas vidas não seriam salvas se pudéssemos, em larga escala, detectar e ajudar pessoas com distúrbios psicológicos.

Na carta que deveria ser a despedida suicida, Antônio Pimenta explica por que se mataria – a vida tinha perdido valor.

Não tinha valor, primeiro, sem a mulher que dizia amar. E não tinha valor, depois, por ter de carregar tamanha culpa.

Estão aí as razões porque uma sociedade é engolfada pela violência. É justamente quando a vida perde valor, fazendo da morte algo banal, corriqueiro e previsível – e a violência fica sem limite.



Clóvis Rossi

"A mídia não matou", copyright Folha de S. Paulo, 31/08/00

"Não pretendia escrever sobre o crime envolvendo dois jornalistas, por absoluta falta do que dizer. O criminoso confessou, está sob custódia policial, foi afastado do cargo que ocupava, diretores da empresa em que trabalhava se prontificaram a ajudar a família da vítima. Enredo completo, não?

O problema é que o noticiário em torno do crime acabou se transformando em mais motivo de comentários do que o assassinato em si. Há três tipos de críticas: o advogado de defesa, previsivelmente, diz que houve sensacionalismo e que a mídia assassinou o caráter de seu cliente.

Passa por cima do fato de que quem mata está destruindo o seu próprio caráter de forma muito mais eficaz do que qualquer informação.

A segunda crítica é sobre um suposto machismo do noticiário. Marilene Felinto, em sua coluna de anteontem, vai ao extremo: a pretexto de criticar o sexismo masculino, pinga sexismo feminino de cada palavra. A ponto de afirmar que a verdadeira história da imprensa só poderia ser escrita por uma mulher, como se as mulheres detivessem o monopólio da sapiência, da acuidade, do bom senso, do equilíbrio, do sentido de justiça.

Mais ridícula do que essa só a tese de legítima defesa da honra, felizmente destroçada no artigo da procuradora Luiza Nagib Eluf, ontem publicado por esta Folha.

Por fim, critica-se o corporativismo. De fato, existe entre os jornalistas, nem mais nem menos do que em qualquer outra corporação.

Mas, no caso, não foi exercido. Se tivesse sido, teria havido uma cortina de silêncio ou ao menos de discrição em torno do caso. Um ou outro veículo pode até ter sido omisso ou discreto, mas o que caracteriza o corporativismo é uma ação mancomunada de todos, não de um ou dois apenas.

Não houve detalhe relevante não publicado. Como não vi detalhe que devesse ter sido ocultado.

A mídia é um poço de defeitos, mas está se escolhendo o caso errado para atacá-la."



Carlos Heitor Cony

"Considerações solicitadas sobre um crime", copyright Folha de S. Paulo, 1/09/00

"Nunca minha caixa de e-mails ficou tão cheia, gente querendo saber o que o cronista achava da morte de Sandra Gomide, assassinada por seu ex-chefe e ex-namorado. Muitas dessas mensagens traziam uma velada suspeita de corporativismo, no pressuposto de que os jornalistas, de alguma forma, tomariam a defesa do assassino. Ou evitariam falar sobre o caso, numa reedição da ‘‘Operação Abafa’ que o governo deslanchou recentemente, minimizando os escândalos do esquema EJ.

Apesar da delicadeza do assunto, vou entrar nele. Antes de mais nada, não está havendo corporativismo, pelo menos até aqui. Tanto a vítima como o criminoso são profissionais da imprensa, embora em categorias distintas. Um caso desses pode acontecer em qualquer ambiente de trabalho, num banco, numa repartição, numa igreja, num time de futebol.

Devemos lamentar a tragédia, mas sem perder o referencial que conta, ou seja, houve uma morta, um cadáver, uma jovem que, por isso ou aquilo, não quis continuar mantendo um caso amoroso com o chefe – e foi morta por ele.

O resto é secundário. Que o crime foi passional, é fora de qualquer dúvida. E crime passional qualquer um pode cometer, sem ser exatamente um monstro.

Mas, no caso em questão, a serem verdadeiras as circunstâncias que estão sendo divulgadas pelo inquérito e pelos testemunhos de familiares da vítima, existem agravantes que podem tornar o crime hediondo – sem prejuízo de sua passionabilidade.

Não houve privação de sentidos na hora do crime, que teve toda a mecânica da premeditação. Privação de sentidos é quando o marido chega em casa, trazendo um docinho para a mulher, e a encontra na cama com o porteiro do prédio. Aí sim, se o sujeito tiver uma arma em casa, pode alegar violenta emoção ou privação de sentidos.

Não foi o caso de Ibiúna. Tampouco se deve discutir o grau da competência profissional e moral do criminoso e da vítima. Tanto faz se o jornalista era um gênio das redações ou um burocrata do jornalismo. Tanto faz se a vítima era uma reles protegida dele ou uma talentosa profissional em início de carreira.

De minha parte, em meus 53 anos de profissão, nunca ouvira falar no nome dele. Isso não representa uma restrição ao ex-diretor de redação do Estadão. Sou desligado, não leio expedientes dos jornais e revistas, aliás, não sou mesmo homem de expedientes. É possível que também ele nunca tenha ouvido falar de mim, ou tenha ouvido muitas e boas contra mim.

Fiquei sabendo pelo noticiário que ele exercera funções burocráticas em redações importantes, mas o fato de ter dado um aumento substancial à namorada não conta ponto a favor de sua seriedade profissional. Ele próprio reconheceu que ela não merecia esse aumento – e na certa, na mesma redação, deveria haver profissionais que mereciam esse aumento e não o tiveram.

E, do ponto de vista do jornal, também não é confortável saber que um diretor aumenta um funcionário por critérios tão pessoais, sem qualquer conotação com a produtividade e a qualidade da redação.

Numa fase em que a imprensa é obrigada a ser competitiva, com veículos novos no mercado, novos meios de comunicação tecnologicamente mais avançados, um jornal com o passado do Estadão não podia se dar ao luxo de aumentar o salário de uma profissional unicamente por uma questão de cama de um de seus diretores.

A ser verdadeira a afirmação do criminoso de que o aumento dado à sua namorada não fora merecido, fica em suspeição a honestidade profissional do ex-diretor de redação do Estadão. Quais os critérios que adotava para promover seus funcionários? Na outra ponta da corda, temos o fato, também confessado por ele, de que, após o rompimento do namoro, mandou demiti-la. Tanto num caso como no outro, agiu contra a ética da profissão, prejudicando acima de tudo o próprio jornal que nele confiava.

Faço essas reflexões de forma bastante impessoal. Não conheço os envolvidos, não os admiro nem os desdenho. Fico no conceitual. Há um cadáver na história. E quando se mata alguém, viola-se o mais intransponível preceito moral da civilização humana. Tirando-se os casos de legítima defesa, o crime de morte é o limite mais limite da consciência de cada um.

Sei que muitos leitores continuam cobrando de nós, jornalistas, uma opinião sobre o caso. Não creio que esteja havendo corporativismo. É possível que haja opiniões divergentes da minha, achando que o criminoso estava transtornado, ferido em sua honra ou contrariado em sua noção de poder que ele pensava possuir.

Fui cobrado a dar esta opinião. Omiti-la, seria covardia. Ao mesmo tempo em que lamento o crime de Ibiúna, faço dele um exercício de humildade para uma profissão que, de tempos para cá, tem se marcado por uma truculência que às vezes me envergonha."



Luís Nassif

"O caso Pimenta Neves", copyright Folha de S. Paulo, 2/09/00

"É curioso o caso Pimenta Neves. Pela primeira vez a imprensa conferiu a um episódio dessa natureza um tratamento absolutamente profissional. Do conjunto de reportagens sobre o tema foi possível compor todas as facetas de sua personalidade, do profissional competente ao chefe que beneficiava a namorada, do pai de família amoroso ao amante possessivo, da pessoa solitária e fechada ao chefe de redação arrogante.

Fugiu-se do estereótipo primário do vilão consumado, o sujeito que só tem defeitos e nenhuma qualidade, mais propício a histórias em quadrinhos do que a reportagens de nível.

É evidente que, expostos todos os ângulos, houve quem se desagradasse com partes do perfil. Houve também quem lembrasse que uma pessoa humilde não receberia o mesmo tratamento, logo seria acusada de assassina.

Incorre-se em uma deturpação do conceito de igualdade. Todos devem ser iguais perante a lei e a opinião pública no respeito aos seus direitos, não no desrespeito. Além disso, nos últimos anos, mercê dessa mistura de sensacionalismo e populismo, em geral nesses episódios não se respeita ninguém. Mas é mais fácil respeitar os direitos do humilde (nas raras ocasiões em que aparecem na mídia, porque no seu habitat o desrespeito é parte intrínseca de sua vida) do que das pessoas mais influentes, porque aí já se abre espaço para o patrulhamento primário que surge em períodos de linchamento: fulano está sendo defendido porque há algum interesse oculto em jogo.

No caso Pimenta ocorreu algo inédito na imprensa recente. O autor do assassinato era conhecido de grande parte dos jornalistas, tinha nome, era um profissional de reputação ilibada (apenas comprometida pelos privilégios profissionais concedidos à namorada). Até o crime nada havia em sua vida que explicasse sua conduta. Portanto ficou impossível recorrer-se aos velhos modelos do vilão de história em quadrinhos.

A partir daí, deu-se consistência a um personagem de carne e osso, com virtudes e fraquezas, tomado de um sentimento – o ciúme – conhecido e analisado desde tempos imemoriais. Uma pessoa solitária, com poucos amigos, cuja rede de afetos era estritamente familiar – as irmãs, as filhas, a ex-mulher –, que, de repente, envolve-se com uma outra mulher, vê o antigo círculo de afetos desfazer-se e passa a canalizar todo seu afeto para uma só pessoa. É uma aposta pesadíssima. E seu mundo começa a desmoronar quando percebe que perdeu a aposta.

A partir daí, ocorreu a tragédia, com todos os componentes de dramaticidade e de imprevisibilidade que caracterizam as tragédias. E, quando ocorrem as tragédias, o respeito humano sugere que ninguém deva tirar proveito.

Para alguns, a explosão autoritária era previsível devido a suas posições políticas simpáticas ao governo. Houve quem o julgasse a partir de um único contato em um jantar – um perfil corajoso se tivesse sido publicado antes da tragédia, quando Pimenta ainda mantinha seu poder de contratar e responder. E houve uma publicação que, a pretexto de não incorrer em práticas corporativistas, cumpriu o papel do soldado incumbido de executar moribundos em campos de batalha, atropelando fatos, diagnósticos e bom senso e levando seu advogado Antônio Mariz a identificar o uso da tragédia para acertos de contas pessoais.

No geral, no entanto, o tratamento dado ao caso foi dos mais completos e isentos. Não há nada que possa absolver Pimenta desse crime. Mas não há nada que possa livrar a imprensa da enorme tristeza de ver dois dos seus, vítima e réu, em uma tragédia dessa proporção, que só tem explicação no mais recôndito da alma humana."



Marcelo Coelho

"Mata o homem", copyright Pensata, 1/09/00

"Gostaria de saber quem defende o jornalista Pimenta Neves. E gostaria de entender melhor a fúria que se volta contra ele. Claro, ele matou. Claro, ele deve ser condenado. Não me convencem argumentos de que Pimenta Neves deveria pegar uma pena leve, por se tratar de um crime passional, de um ato impulsivo, etc.

Mas as reações ao caso – que me perdoem as mulheres, especialmente indignadas – vão se tornando exaltadas demais. Uma carta, publicada ontem na Folha, chama Pimenta Neves de ‘hipócrita sanguinário’; outra reclama do tratamento dado pela imprensa ao assassinato de mulheres, dizendo que andam acobertando o criminoso.

Os responsáveis pelo massacre da Candelária – alguém se lembra do rosto deles? Os policiais da Favela Naval de Diadema – apareceram na capa das três principais revistas do país? O assassino de Sandra Gomide inspira, entretanto, uma indignação maior do que a de todos os matadores de crianças, índios e sem-terras juntos. O que está em jogo? Muitas coisas.

1) Houve, sim, perplexidade e comiseração por parte dos jornalistas homens que conheceram pessoalmente Pimenta Neves. De muitos ele foi amigo. Há, no mínimo, uma coisa que passa pela cabeça do jornalista: ‘nunca acreditei que ele fosse capaz de fazer isso’. E outra, logo em seguida: ‘será que eu seria levado também a fazer isso numa crise de loucura, de ciúmes, de narcisismo ferido?’ A proximidade – etária, social, profissional – com o criminoso não leva a considerá-lo inocente, e ninguém o considera inocente; mas leva o jornalista homem a se colocar mais facilmente na situação do criminoso. Torna-o hipoteticamente mais próximo do crime.

2) É uma mesma proximidade etária, social e profissional que faz a jovem jornalista mulher identificar-se de imediato com a vítima.

‘Poderia ter sido eu a assassinada’. O deputado da moto-serra é sem dúvida mais sanguinário que Pimenta Neves. Mas suas vítimas não são ‘como a gente’.

3) E não morreram ‘por amor’. Surge como uma traição extrema o fato de declarações apaixonadas se transformarem em homicídio. O julgamento de Pimenta Neves se desloca para um julgamento do sexo masculino, por várias razões. A mulher é a seduzida, a enganada, a que acreditou nas juras do homem. Muitas mulheres são abandonadas por seus namorados e sofrem, sem matar. O homem, velho, feio e poderoso, se serve da mulher como bem entende. É assim que o caso se torna odioso quando a mulher, exercendo uma prerrogativa masculina – o popular ‘pé-na-bunda’ –, é assassinada. Parece que com isso se está negando o direito de toda mulher de largar de um sujeito; e o caso soa, não só como um crime, mas como um ato lesivo à independência de toda mulher.

4) A indignação tem outro aspecto, mais sombrio. Sandra Gomide foi promovida, recebeu excelentes salários, foi certamente protegida por Pimenta Neves. Sua ascensão pode ser vista como fruto da pura competência profissional, mas parece claro que o romance ajudou em sua carreira. O fato não é incomum. No ódio a Pimenta Neves, pode-se perceber também o ódio a essa situação. Uma jornalista jovem pode ascender na carreira por merecimento, sem nunca ter-se envolvido com seus superiores; há também a que subiu graças a um envolvimento amoroso, e a que não subiu porque nunca teve envolvimento amoroso – em qualquer caso, a sombra do poder masculino se projeta sobre a atividade profissional da mulher, esta se vê de imediato contestada, o assassinato contesta-a mais ainda e a indignação se reforça por amor-próprio.

5) Não só o poder, mas a arrogância masculina nas redações é um fato. Pimenta Neves merece ser condenado pelo crime que cometeu. Serve como um Judas em sábado de aleluia, entretanto, para todas as pessoas, homens e mulheres, que sofreram humilhações e broncas injustas nas salas de redação.

Falei, no começo do artigo, da ‘fúria’ contra Pimenta Neves. Usei o termo de forma antipática, como se dissesse: ‘ora, ora, acalmem-se, que histeria toda é essa?’ Termino pensando de modo diferente. Há muitas razões para a fúria. Esta se volta contra a desigualdade de poder entre homens e mulheres, entre velhos e jovens, contra a discriminação e o machismo que persistem na sociedade brasileira. O que não me parece adiantar muito, ou pelo menos não avança no debate, é personalizar toda a fúria em cima de Pimenta Neves. Podem condená-lo a mil anos de cadeia; não irei defendê-lo; mas o destino de Pimenta Neves não é o que realmente mobiliza nesse caso."



Vaguinaldo Marinheiro

"O perigo pode estar a seu lado, num rosto conhecido", copyright Pensata, 27/08/00

"A jornalista Sandra Gomide, 32, provavelmente tinha medo de parar em semáforos. Como muitos paulistanos, devia evitar sair à noite por causa da violência. Temia estranhos e devia ter pânico de morrer em um dos muitos assaltos que acontecem todos os dias na cidade.

Foi morta pelo também jornalista Antônio Pimenta Neves, um homem sem antecedentes criminais, com emprego e currículo invejáveis.

Os dois foram namorados por mais de três anos e, antes do crime, ninguém diria que ele era alguém perigoso.

Lillian D´Ascanio, 25, estudava em São Paulo. Devia ser outra a engrossar as estatísticas de pessoas que temem viver nesta cidade, que é uma das mais violentas do Brasil.

Lillian acabou sendo morta numa pequena cidade no sul dos Estados Unidos, Plano, onde haviam sido registrados apenas dois assassinatos este ano. O que equivale a um trinta avos do que ocorre num único final de semana em São Paulo.

Até sábado, a polícia não havia solucionado o caso. Não há sinais de arrombamento no apartamento e, aparentemente, nada foi roubado, o que pode indicar que ela tenha sido morta por algum conhecido.

Patrícia Ramos Gallego, 29, havia se mudado para os Estados Unidos em 1997. Aquele é o país onde brasileiros com medo da violência, como o comerciante Saleh Hage, pedem asilo devido ao medo de viver no Brasil. Mas foi lá que Patrícia foi torturada, estuprada e morta. O principal suspeito é seu companheiro de apartamento, alguém que ela conhecia.

Por que alinhavar esses três casos? Porque eles trazem um dado que foge da análise fria das estatísticas de violência exploradas pelos candidatos a prefeito.

Mostra que as pessoas podem tomar todos os cuidados do mundo e mesmo assim acabar na listagem das vítimas da violência.

Isso ocorre porque dos 59 assassinatos que ocorrem por ano em São Paulo em cada grupo de 100 mil habitantes, poucos são latrocínios (homicídio que ocorre durante um assalto), o crime mais temido pelo paulistano.

Na maioria dos casos, a vítima conhece o assassino, e o crime é cometido por razões passionais ou fúteis, como briga de vizinhos.

Não se trata de propor que todos fiquem com medo das pessoas que estão ao redor, seja em São Paulo ou em cidadezinhas americanas.

Não adianta procurar na pessoa ao lado algo que sinalize um possível homicida. Mas é preciso saber que muitas vezes, por razões pouco explicáveis, o perigo está a uma distância ainda menor que a existente entre os meninos do farol e o vidro do carro."



Ignácio de Loyola Brandão

"Quem entende e quem não quer entender", copyright O Estado de S. Paulo, 27/08/00

"O artigo que amigos, conhecidos, araraquarenses, leitores pediam sobre Pimenta Neves e estava pronto para este domingo, saiu quinta-feira, na página 2 deste jornal. Mal publicado, começaram telefonemas para minha casa.

Uns a favor, outros contra. Pessoas que, sem se identificar, garantiam que era o último texto meu que liam, defendi um criminoso lembrando cenas emocionais. Acho ótimo que, aqueles que não lêem as coisas como elas devem ser lidas, com atenção e concentração, que não me leiam. Não defendo um crime, jamais defenderei a morte de alguém. Meu artigo foi em torno da perplexidade, das razões, circunstâncias e comportamentos do ser humano. Do inesperado e do absurdo. Aliás, imagino esses que me leram lendo "O Estrangeiro", de Albert Camus. Obra-prima sobre o absurdo, premiada com o Nobel. Não iam entender. Ninguém admite o absurdo, tudo é pautado por uma lógica rasteira, rápida. E pensar que absurdos ocorrem diariamente nesse Brasil, somos o país do absurdo, mais do que nenhum outro, e a mídia está repleta deles. E ele, o absurdo, torna a vida difícil, triste, amargurada.

Isso o que quis dizer. Mas, quantos sabem ler? Sabem ver TV e achar que ali está a verdade, essa coisa que ninguém sabe o que é.

Dito o que deveria dizer, ante meu assombro com essa história toda que continua a incomodar, volto ao meu espaço e, confesso, sem saber o que dizer, hoje. Sinto-me vazio. O que os leitores têm com isso? Com os problemas existenciais do colunista? Nada. O jornalista deve vir aqui e contar um fato, comentar uma situação, esclarecer uma notícia, inventar alguma coisa. Teóricos de literatura adorariam essa declaração. Ajuda a definir o colunismo. Há décadas existe uma pendência: o que é conto, o que é crônica. Cada um tem uma opinião, de modo que há milhões de definições diferentes.

Mas nós, criadores de contos e crônicas, não estamos preocupados com limites, catalogações. Escrevemos. Nosso ofício é produzir textos que surgem de nosso interior, memória, observação, inspiração. Ah, a decantada inspiração!

Quanta gente nos pergunta sobre ela, principalmente em conversas com estudantes. A poética inspiração, sempre vista como luz que desce sobre nós no momento em que nos sentamos diante do computador. A única luz que desce sobre minha cabeça é a da luminária que acendo, porque costumo escrever bem cedo, dependendo da estação, o Sol ainda não nasceu. Uma luminária que quero trocar há tempos é antiquada e obsoleta, comprei numa ponta de estoque na Rua da Consolação. Igual a daqueles escritórios antigos, anos 50/60. Mas o meu ‘luminarista’ (existe a palavra?) predileto, o Pê Rolfsen, ainda não decidiu o que fazer, esboçou mil projetos, desistiu de todos. Enquanto isso, vou me afeiçoando a velhos objetos. Se trocar esse aqui, guardo e daqui a anos ele será vendido como design de época, vai valer dinheiro, entrego ao João Pedrosa, um especialista, e obteremos lucros, os dois.

Caminho por atalhos. Conto a crônica. Inspiração. A mais perfeita definição foi dada por Luis Fernando Verissimo, certa vez, em que o entrevistador queria dele uma resposta iluminada. ‘Inspiração?... Inspiração?... Para mim é o prazo’. Ou seja, existe o dia ou o horário de entrega do texto. O editor do jornal ou revista, ou seja lá o que for, não quer saber de problemas íntimos, existenciais, conjugais, de trânsito, ou de pane no computador. Ele quer o texto. Precisa. O leitor quer o texto. Então, aqui sim entra a mágica, inexplicada. Sentamos, olhamos o relógio, colocamos a mão no teclado e o texto sai. Nunca vi o espírito santo rondando, silenciosamente. O que ouço é o editor do caderno Cidades no telefone: pode mandar. Se ele pede, tenho de mandar. É um prazer esse processo.

Uma vez, nos anos 80, Analdino Paulino coordenou uma edição de crônicas de amor para um livro que seria brinde da Credicard. Convidou dez autores, eu entre eles. Escrevi a minha. Foi devolvida pelo então diretor de marketing do cartão de crédito. ‘Estava ruim?’ Não, disse o coordenador. Estava boa, ele até gostou. ‘E por que recusou?’ Porque ele pediu crônica e você mandou um conto. ‘Ah, e o que é conto e o que é crônica para ele?’ A resposta serviu para os milhares de teóricos que queimam cabeça. Porque, disse o marketeiro culto, uma crônica não tem diálogos. E como a sua tem, é conto. E ainda dizem que cartões de crédito não servem à cultura! Mas, ao terminar, me veio uma dúvida. Fiz crônica até o final, mas, de repente, virou conto, porque tem diálogos. Como escrevo na quinta-feira, resta esperar até domingo. Se for publicada, é crônica. Se o espaço estiver em branco, é conto. Um conto sobre o nada, o vácuo."



Painel do Leitor

Cartas de leitores, copyright Folha de S. Paulo, nas as respectivas datas:

2/09/00

"Excelente o artigo publicado pelo imortal Carlos Heitor Cony na Ilustrada de ontem sobre o caso do ex-diretor de Redação do jornal O Estado de S. Paulo. Parabéns, Cony, espero que continue brilhando com seus artigos na Folha por muitos anos. Ismael de Oliveira Mota (São Paulo, SP)"

"Em resposta a Rosângela Galvão (‘Painel do Leitor, 1º/9), gostaria de dizer que muito me admira alguém que imagine que todos nós somos iguais, capazes de atrocidades como a do jornalista Pimenta Neves. Não é bem assim, sinto muito em desapontá-la, mas eu jamais mataria qualquer pessoa por qualquer motivo, muito menos por ciúmes ou perda. O que muitos deveriam fazer é repensar sua mentalidade machista e retrógrada que move indivíduos a desatinos bárbaros. Cristina C.C. van Wanrooij (São Paulo, SP)"

1/09/00

"O artigo de Otavio Frias Filho sob o título ‘Pimenta Neves’ (Opinião, 31/8) é admirável como ensinamento ético de jornalismo. Exercita a humildade, mostra a coerência entre o dever de informar e o respeito aos direitos da cidadania. É lição que deve ser seguida, lição de casa também para muitos da casa que dirige. Mostra finalmente que os sentimentos de amizade e respeito ganham grandeza quando persistem e se exteriorizam, mesmo após um gesto de tanta violência como foi praticado pelo jornalista Pimenta Neves. Se já admirava Otavio como intelectual, jornalista e ser humano, vejo-me no dever moral de enaltecer-lhe a decência do amigo que não rejeita aquele que caiu. José Carlos Dias, advogado (São Paulo, SP)"

"O artigo de Otavio Frias Filho intitulado ‘Pimenta Neves’ mostra que o ângulo da questão depende quase sempre de como a coisa nos toca (‘Assim é se lhe parece'). As relações de amizade e o status da vítima ajudam ou não a refinar a análise. Isenção é uma mercadoria difícil. E Frias mostrou não tê-la no calibre necessário para tecer comentários, muitos, aliás, bastante infelizes. Ainda bem que temos aí nesta mesma Folha um baluarte como o sr. Janio de Freitas, que nos brinda com uma espécie de ‘secular lucidez’. Carlos Augusto (São Paulo, SP)"

"Pimenta Neves não tem culpa se o sistema judiciário é injusto, muito menos de ter dinheiro para ficar numa clínica de luxo. Não é um monstro, mesmo que tenha tido uma atitude bestial. Todos carregam dentro de si o amor e o ódio. Aprendemos a sufocar o mal, mas nem sempre conseguimos. Macho ou fêmea, somos todos seres vivos competindo sempre. Será que se Sandra Gomide estivesse munida de ódio e de uma arma não teria matado, até em legítima defesa? Será que, se as mulheres tivessem armas na mesma proporção que os homens, o número de assassinatos das mulheres estaria nesta escala, como a Folha mostrou? Nós não somos tão vítimas assim. Todos detestam perder. Muitas mulheres podem não matar, mas que causam estragos irreparáveis nas vidas daqueles que as deixam, elas causam. Clinton, Pitta, Luxemburgo, entre outros anônimos, estão aí para confirmar tal fato. Somos todos culpados... Rosângela Galvão (São Paulo, SP)"

"À sra. Ligia Valdrighi (‘Painel do Leitor’, 31/8), só posso responder que, assim como existem homens idosos, acabados, flácidos, que gostam de ‘aparecer’ com jovens fêmeas, existem também nos mesmos círculos as mulheres velhas, nas mesmas condições, que compram seus jovens machos. A diferença entre os dois é você nunca ver essas mulheres querendo ‘aparecer’. São mais espertas. Não se expõem. Laércio Zanini (Garça, SP)"

"Esse caso do jornalista Pimenta Neves só vem reforçar a tese de que há pessoas que não conseguem amar a ninguém a não ser a si próprios e, quando são abandonadas, enlouquecem. Espero que a justiça seja feita e que este homem assassino realmente vá para a cadeia. Maria Lúcia Souto (São Paulo, SP)"

31/08/00

"Infelizmente para todos nós, esse senhor, Pimenta Neves, com esse tipo de pensamento, teve funções de responsabilidade em dois dos mais importantes veículos de comunicação e formadores de opinião do país, a Folha e O Estado de S. Paulo. Concordo plenamente com as palavras da jornalista Marilene Felinto, que soube traduzir tão bem o pensamento desse hipócrita sanguinário. Por que ele, que alega estar tão desequilibrado, não terminou também com sua própria vida? Pelo jeito, seu instinto de preservação funciona bem! Pena máxima para esse hipócrita! Regina Scomparin (São Bernardo do Campo, SP)"

‘O sr Laércio Zanini (‘Painel do Leitor’, 30/8) tenta, mas não consegue, passar a impressão de que não é um dos inúmeros machistas que ainda circulam por aí. Em seu curto texto, usa três vezes a palavra ‘fêmea’ para se referir à mulher, mas para nomear o sexo masculino utilizou a palavra ‘homem’. Lamentável, sr. Laércio, lamentável. Ligia Valdrighi (São Paulo, SP)"

"É triste ver como são tratados os casos de assassinatos de mulheres pela imprensa e mídia brasileiras! A nossa sociedade por meio desse tipo de ação demonstra como ainda é doente e como ainda precisa ser tratada tanto quanto o assassino! Que mundo é esse? Onde será o inferno? Que animal racional é esse? Então o homem não é tão racional quanto se diz! E a mulher não é só emoção, pois pensa e raciocina a ponto de não chegar aos índices masculinos de violência física, sexual e psicológica! É triste saber que os homens ainda se acham donos das mulheres e de seus corpos! É triste saber que ainda existem pessoas que acobertam, incentivando essas práticas! Cristiane Ferreira Magalhães (Rio de Janeiro, RJ)"

30/08/00

"A recente morte violenta de uma jornalista choca a todos porque, nesse fato, o assassino foge ao perfil comum de tais tipos, mas certas situações que acabam levando a isso estão aí, nos círculos milionários, meios artísticos, esportivos e de poder. Tudo porque o homem não aprende. Há milênios, gosta de passar aos demais uma imagem de eterna juventude e virilidade, posando com fêmeas muito mais jovens. Fingem acreditar que elas estão ali por amá-los. São poucas vezes atraídas pelo seu intelecto e muitas pela fama, poder e dinheiro. A durabilidade de tais ligações, no geral, termina quando tal fêmea atinge seu objetivo. Pior ainda, quando essa fêmea mostra também intelecto e capacidade de sobrevivência sem seu protetor. Duro, triste, real. Laércio Zanini (Garça, SP)"

"O noticiário sobre o assassinato de Sandra Gomide me transportou aos anos 70, quando do assassinato de Angela Diniz e Eliane de Gramont. Nos dois casos, além de tentar desqualificar as vítimas, a defesa usou o argumento do crime passional. Em homenagem às feministas brasileiras, que desde aquela época aprendi a admirar, vamos gritar todos juntos: quem ama não mata! Impunidade nunca mais! Paulo Tavares Mariante, coordenador de direitos humanos do Identidade - Grupo de Ação Pela Cidadania Homossexual (Campinas, SP)"

"Há muito tempo, em virtude da generalizada descrença no Judiciário, parte da imprensa resolveu ser o ‘Poder Judiciário’, acusando, defendendo, julgando, condenando e absolvendo sem ter nenhuma base jurídica para isso. De repente, um jornalista importante, alto funcionário de um jornal importante, comete um crime terrível. E agora? O que fazer com o corporativismo? Como julgar um dos seus da mesma forma que se julgam os outros? Poder Judiciário não-confiável, imprensa distorcendo sua função, corporativismo, poder econômico. Esse caso não envolve somente dois jornalistas. De certa forma, envolve todos nós. Teeve Rabinovici (São Paulo, SP)"

29/08/00

"Apesar do desconforto que causa escrever sobre o caso envolvendo Antônio Pimenta Neves, sinto dificuldade em me conter. Os fatos sugerem ser o jornalista um homem mentalmente doente. A sensação que o episódio me causa é que duas pessoas, e não uma, morreram no dia do crime. Fico imaginando o sofrimento das famílias dos dois envolvidos, a vergonha que a exploração midiática acrescenta a um caso por si só trágico. Então, vejo a imprensa esmiuçando todos os detalhes sórdidos do crime, expondo a miséria humana no seu estado mais bruto. As acusações que o jornalista, sob efeito do choque causado pela tragédia, faz à moça já morta acrescentam um sofrimento desumano ao que a família da vítima já enfrenta. A divulgação delas, paralelamente, acaba por fazer uma caricatura do pobre diabo que perdeu a lucidez. A imprensa tão especializada em abafar alguns episódios poderia deixar esses infelizes em paz. E que a justiça dos homens e a de Deus sigam seu curso! Carlos Eduardo Cairo Guimarães (São Paulo, SP)"

"Tenho observado com espanto a reação da mídia diante do assassinato da jornalista Sandra Gomide. Sei que as paixões não são incomuns nas redações, mais ainda nos jornais mais joviais. Querem, porém, passar a idéia de que o assassinato é fruto de emoções comuns a todos os homens, não a ação de um psicopata. Querem fazer crer que muitos brasileiros poderiam cometer crimes assim. Incapaz de absolver do assassino, a mídia transforma o povo brasileiro em co-réu. É necessário que o acusado seja condenado pelo homicídio qualificado que cometeu. Alfredo Portinari Maranca (São Paulo, SP)"

"Parece que, em se tratando de Brasil, estamos mesmo expostos a presenciar todo tipo de retrocesso. A imprensa brasileira, inclusive a Folha, acaba de ressuscitar a tese da ‘legítima defesa da honra’. Um assassino confesso foi tratado por vários dias como suspeito. Uma suposta tentativa de suicídio foi aceita como verdadeira sem a devida investigação jornalística. E, por fim, o laudo de um médico particular tira da cadeia um jornalista de prestígio e a imprensa se cala. Se fosse um político, um banqueiro ou um engenheiro, o caso de Pimenta Neves teria recebido da imprensa uma cobertura mais rigorosa e isenta. Lamentável a postura dos jornais diante do caso. Marisa Sanematsu (São Paulo, SP)"

26/08/00

"Estou impressionado com a capacidade de diagnóstico da sra. Barbara Gancia. Em sua ‘coluna’ (?) de 23/8, afirma que, em apenas dez minutos, já sabia quem era o referido jornalista (Antônio Pimenta Neves), conhecendo detalhes de sua personalidade. Além disso, conseguiu também julgá-lo capaz de cometer um assassinato, baseada na análise extremamente profunda revelada na sua ‘coluna’ (?). Sugiro ao psiquiatra que atendia ao jornalista que passe a encaminhar seus pacientes à referida ‘colunista’ (???) de modo a evitar outras tragédias. E a todos os terapeutas da linha ‘psi’ que rasguem seus diplomas, pois de que adianta se extenuar em anos de trabalho em busca de auxiliar as pessoas a conhecer suas personalidades? Já tem gente que faz isso em dez minutos! Ao jornal, do qual sou leitor há mais de 30 anos, um alerta: quer o jornal queira ou não, opiniões de colunistas acabam sendo confundidas com a opinião do jornal. Oriede Couto (São Paulo, SP)"

24/08/00

"Com profundo abatimento tomei conhecimento do assassinato da jornalista Sandra F. Gomide. A violência assusta e machuca. E, por entender que, nesse caso, ela não deve ir além do fato trágico, lanço duas ponderações. A primeira se atém à veiculação dada ao suposto crime passional, construção indigna de defesa que encontra na própria história do ordenamento jurídico nacional manifestações de repulsa, como indica Susan Besse na obra ‘Modernizando a Desigualdade’, ao expor a luta dos juristas, após a Primeira Guerra, para ‘civilizar’ o amor passional, que resultou em tantos crimes. A segunda observação diz respeito à manifestação do órgão de imprensa onde colabora o agressor, que, antecipadamente, tentou justificar o brutal assassinato de Sandra ao mencionar dados privados de seu algoz, como uma pretensa licença médica para tratamento de saúde. Um crime não tem justificativa. É necessário apurar o crime e precisar seus motivos. Todavia há que se preservar a dignidade, a honra e a intimidade de Sandra, garantindo minimamente à vítima -já que a vida lhe foi tomada- o direito de defesa. (Adriana Gragnani, advogada, conselheira do Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Sociais de Gênero – USP, São Paulo, SP)"



Fórum dos Leitores

Cartas de leitores, copyright O Estado de S. Paulo, nas respectivas datas:

2/09/00

"O que chama mais a atenção é o fato de que, se vier a ser condenado, Pimenta Neves terá direito a cela especial. Discussão antiga essa! Um país que queira entrar para o time dos países desenvolvidos não pode ter uma justiça para uns e outra para outros. Se todos os criminosos ficassem juntos, separados apenas de acordo com o crime e a periculosidade, mas não por grau de escolaridade, o que aconteceria, provavelmente, seria um movimento das famílias dos presos mais instruídos para que a vida dos detentos se tornasse menos miserável. Isso poderia melhorar as prisões do País. André Feldman, São Paulo"

"A carta do leitor sr. Euro Bento Maciel Filho (31/8) menciona o fato de a imprensa ser o veículo esmagador da justiça, mas vale ressaltar que sem a imprensa muitos crimes cometidos por pessoas influentes não seriam apurados e punidos com o rigor da lei. Quando um cidadão comum vai preso, seja lá por qual crime for, não recebe a mesma cobertura – é preso e levado ao cárcere sem nenhum outro direito. Queiram ou não, a divulgação na mídia abre um campo muito grande de defesa para o acusado, pois a ampla cobertura ajuda até a garimpar algum advogado especialista que acaba entrando no caso por indignação, o que beneficia o próprio acusado. E não vejo por que tanta indignação por parte de uma camada da sociedade com a transferência de Pimenta para a cadeia. Afinal, qual é a diferença entre ele e qualquer outro cidadão? Ele é réu confesso. Ou a lei faz alguma referência, nesses casos, que eu não conheça? Todos os cidadãos são iguais perante a lei. Luiz Henrique Prado Paolillo, São Paulo"

1/09/00

"A nota do dr. Mariz de Oliveira é digna de seu autor. Revela profundo respeito ao Estado Democrático de Direito e, a um só tempo, um alerta a todos aqueles que, consciente ou inconscientemente, pugnam pelo retrocesso. Vitorino Francisco Antunes Neto, São Paulo"

"A respeito do incidente envolvendo o jornalista Pimenta Neves, acho inacreditável a repercussão que a mídia está dando ao caso. É muita hipocrisia da sociedade ficar idolatrando esse assassinato e deixar todo o resto de lado. Devemos levar em consideração que todos os dias pessoas são mortas por motivos muitas vezes mais fúteis que esse, e não existe preocupação por parte da mídia ou da Justiça. Acho que já está na hora de mudar de assunto e levar ao conhecimento dos leitores temas de maior importância para a população. Respeito a dor da família Gomide, porém um tio meu, muito querido por todos, assim como Sandra, foi assassinado, por volta de um ano atrás, por causa de R$ 100, e ninguém fez nada, os assassinos continuam soltos e nem as autoridades responsáveis deram a importância devida ao fato, apenas disseram: ‘É mais um!!!’ Juliana dos Santos, Campos do Jordão"

31/08/00

"Sou advogado e atuo, especificamente, na área criminal. Quero cumprimentar o renomado advogado dr. Antonio Cláudio Mariz de Oliveira pela ‘nota à imprensa’ por ele divulgada em 28/8 no Estado, em que ele tratou do massacre, promovido por uma mídia inescrupulosa e irresponsável, contra o cidadão Antonio Marcos Pimenta Neves. Não é de hoje que a imprensa, em total afronta a princípios constitucionais, vem, em casos que despertam o interesse público, ‘condenando pessoas por antecipação’. Essa atuação desmedida da imprensa, em geral, é acobertada e até mesmo incentivada por autoridades policiais e por alguns membros do Ministério Público paulista, que, seduzidos pelos holofotes e flashes da mídia, acabam ‘denunciando via satélite’ e prestando declarações parciais, sigilosas e até exageradas, tudo em total afronta à própria Lei Orgânica do Ministério Público. A ‘bola da vez’ é o caso Pimenta. Portanto, em vez de a imprensa permanecer ‘pedindo a cabeça’ do cidadão Antonio Marcos Pimenta Neves, deveria passar a fiscalizar o processo e averiguar se a prisão decretada é legítima e necessária, isto é, se atende aos requisitos do artigo 312 do CPPB, bem como, ainda, poderia também fiscalizar se o procedimento judicial se vem desenrolando de acordo com a ampla defesa, o contraditório e demais princípios constitucionais. Infelizmente, chega a ser curioso que com isso, isto é, com a regularidade do processo e a razoabilidade e necessidade da prisão, ninguém na mídia se preocupa. Euro Bento Maciel Filho, São Paulo"

"Gostaria de cumprimentar o Estado pela cobertura jornalística dada ao infeliz acontecimento pessoal envolvendo o sr. Pimenta, apesar de lamentar a ocorrência de tão triste tragédia com uma pessoa que, mesmo sendo extremamente preparada intelectualmente, não resistiu aos seus limites humanos. Se possível, transmitam minha admiração ao dr. Ruy Mesquita por sua manifestação durante a missa de sétimo dia da jornalista, quando, mais uma vez, ele deu uma inequívoca demonstração de dignidade, tão rara de testemunhar nos dias de hoje. Fernando Gomes da Silva Filho, São Paulo"

30/08/00

"Ao perder tempo lendo a nota à imprensa divulgada pelo eminente dr. Mariz, observei as palavras democracia, justiça, civilização, respeito, defesa, legal e outras, que certamente nunca foram utilizadas – e praticadas – pelo sr. Antonio Marcos Pimenta Neves. Como definir o indivíduo que, de arma em punho, esbofeteou a jovem assassinada? Em qualquer país meio sério, esse sujeito já estaria atrás das grades. Edivelton Tadeu Mendes, São Paulo"

"O Brasil ficou abalado, principalmente os leitores do Estadão, com a tragédia que se abateu sobre o Grupo Estado, envolvendo os jornalistas Antonio Pimenta Neves e Sandra Gomide. Apesar do choque que todos sofremos, isso não vai macular o nome do maior jornal da América do Sul. Não é a primeira vez que a família Mesquita, com tantos serviços prestados ao País, sofre abalos profundos: foi vítima da mordaça do regime militar (versos de Camões publicados), o exílio de parte da família durante o Estado Novo. O Estadão é inabalável. Portanto, confiante em tão espetacular meio de comunicação e sofrendo com ele pelo nefasto acontecimento, presto minha solidariedade ao Grupo Estado e minhas condolências à família Gomide. Adherbal Ramón González, Santa Cruz das Palmeiras"

"Sr. Taubkin (27/8): "O K. R. sou eu, Kurt Redisch, e o Estadão sabia disso. Se escrevi K. R. foi justamente para não querer aparecer nesta tragédia dando meus dois tostões de opinião. Kurt Redisch, São Paulo"

29/08/00

"A declaração do dr. Ruy e sua ida à missa de sétimo dia da jornalista Sandra Gomide bem mostra o caráter da família Mesquita, seu comportamento ético e moral. Meu sincero abraço de congratulações, fraternidade. Luiz Ernesto Kawall, São Paulo"

"O Estado é motivo de orgulho para seus leitores. Não deixa de ser comovente ver o seu diretor Ruy Mesquita dar apoio à família da jovem jornalista vítima da desgraçada insensatez de Pimenta Neves, que enlutou não só as duas famílias como o jornal. Rachel Correia Vaz de Arruda, São Paulo"

"Nossos efusivos cumprimentos ao dr. Ruy Mesquita pela sua tomada de posição no caso do assassinato da srta. Sandra Gomide. São essas atitudes que dignificam o homem. Adriano Júlio de Barros V. de Azevedo, São Paulo"

"Antes de mais nada, cumprimento o sr. Ruy Mesquita. Sim, cumprimento-o não pelo terrível e infausto acontecimento que se abateu sobre essa casa, mas pela atitude irrepreensível que soube manter em todo o desenrolar dessa tragédia. Sim, um comportamento exemplar, que não só o dignifica como a todo o seu corpo de redação e colaboradores! Uma postura que comprova as tradições desse baluarte que sempre foi o Estado. Refiro-me, como não podia deixar de ser, não só à imparcialidade do jornal, como ao espírito de colaboração e de solidariedade à parte que mais precisa de todo o conforto. Isso emociona a todos nós que cultuamos o sentimento do dever cumprido, da retidão de caráter e do respeito aos alertas da Consciência. Ruy de Salles Penteado, São Paulo"

28/08/00

"Com relação à carta, via e-mail, por mim enviada ao jornalista Ruy Mesquita, solidarizando-me com ele neste momento difícil, publicada neste Fórum (24/8), e ao texto assinado por um tal de K. R., publicado em 25/8, neste mesmo espaço, gostaria de fazer algumas considerações: 1) Na minha opinião, o crime praticado pelo jornalista, funcionário do Estado, deve ser considerado hediondo e é injustificável. 2) Uma pessoa como K. R., que escreve ao jornal para, de forma desrespeitosa, tentar agredir as pessoas, escondendo-se por trás de iniciais, não merece crédito. 3) O Movimento Pantanal Alerta Brasil é o elo natural que me une à história desta empresa, por ter sido uma campanha nacional na qual o Estado e o JT se engajaram com senso cívico e ética incomuns, e disso eu testemunho e dou fé. Daniel Taubkin, São Paulo"

"‘Se todos fossem iguais a você’, Ignácio de Loyola Brandão, que bom seria. É pedir muito, mas, se ao menos metade da população tivesse a sua sensibilidade, a sua sabedoria, tenho certeza que a violência, o desrespeito, o medo que fazem parte do nosso cotidiano seriam mera fantasia. A crônica ‘Tantas perguntas, nenhuma resposta’ (24/8, A2), em que você brilhantemente escreve sobre a sua perplexidade ante o gesto de ‘apertar um gatilho e um mundo de vidas desmoronar’ veio ao encontro da minha perplexidade e me emocionou e fez refletir sobre quão tênue é a fronteira entre a loucura e a sanidade. O fato ocorrido em que as personagens são Pimenta e Sandra Gomide não é isolado, a todo momento ocorrem fatos extremamente cruéis em que a violência é levada a extremos. Nós, humanos, realmente somos muito frágeis, podemos a qualquer momento ser algozes ou vítimas. Eu também estou assustada e preciso, pelo menos, de uma resposta. Ou, como você mesmo disse, ‘não verás país nenhum’. Maria Fernanda Clemente Baptista Silva, São Paulo"

27/08/00

"Apesar da gravidade do fato envolvendo um jornalista de renome, não há como notar a desproporção que o caso vem tomando. Nada tem que ver com o Estado nem sequer com a família Mesquita. Trata-se de um crime, e assim deve ser tratado. Não há agravantes nem atenuantes relacionadas com o cargo e o nome dos envolvidos. É crime previsto no inciso II, @ 2º, do artigo 121 do Código Penal. Lá está escrito bem claro: matar alguém. Essa é a discussão, e não se foram contratados empregados que tinham relacionamento pessoal, se ele era mais velho, ela mais nova, feios ou bonitos, enfim, não importa. Matou, vai preso, cumpre a pena. Ricardo Salles, São Paulo Neurocientista, trabalho na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP)."

"Fui aluno do pai do Pimenta e amigo dele e de sua família, em Araraquara. Caso tenha havido mudança de padrão de conduta e/ou de personalidade, sugiro a realização de exame com ressonância magnética nuclear para detectar anomalias cerebrais, por exemplo, tumor afetando a região pré-frontal." Frederico Guilherme Graeff, Ribeirão Preto"

"Acho que o que o sr. Pimenta fazia fora do âmbito profissional é de única responsabilidade dele mesmo. O Estadão tem a sua credibilidade conquistada ao longo dos anos e não será um colaborador que vai mudar isso. O sr. Pimenta é um assassino como outro qualquer, frio e covarde, com uma diferença: ‘tem curso superior’. Carlos A. Bemoni, São Paulo"

"Não há como saber, dadas as nossas leis penais, se será maior a tragédia de saber que uma cidadã foi assassinada ou saber que o cidadão que a matou encontrará ‘meios legais’ de manter-se em liberdade. Olival Oliveira dos Santos, São Paulo"

"Sr. Pimenta Neves, numa eventual próxima vez que se sentir rejeitado por uma namorada, não lhe dê dois tiros. Dê-lhe uma rosa vermelha e uma carta. Nela escreva apenas: ‘Desculpe, obrigado e seja feliz com o próximo namorado.’ Amar é libertar. Paz e sabedoria. Lincoln Keiji Uematsu, São Paulo"

26/08/00

"O Grupo Estado, dirigido pelo dr. Ruy Mesquita, tem se pautado por uma conduta ética, digna e respeitosa ao longo dos seus mais de cem anos de existência. Os senhores foram vítimas da violência do Estado Novo, que exilou parte da família Mesquita e impediu o Estadão de circular. Os senhores também foram vítimas da mordaça do regime militar, que os tentou humilhar de todas as formas. Mas jamais essa empresa perdeu a dignidade e a altivez; jamais se deixou abater. Sempre resistiu. O Estado é mais que um jornal. É uma instituição que recebeu de Deus a missão de guardar uma parte preciosa – se não a mais importante – da memória brasileira do século 20. Por isso, a História contemporânea do País se mistura com a dessa empresa, motivo de orgulho não só para os paulistas como para todo o Brasil. A tragédia que se abateu sobre o Grupo Estado, envolvendo os jornalistas Antonio Pimenta Neves e Sandra Gomide, não macula de forma alguma a biografia dessa empresa. Nem de longe arranha a imagem de seus dirigentes e de uma família com tantos e tantos serviços prestados ao País e a São Paulo. Mas, como toda tragédia, emociona e abala. Por isso, venho prestar nossa solidariedade, em nome da Fundação Cacique Cobra Coral, que sempre recebeu do Grupo Estado tratamento digno, ético e respeitoso. Não poderia deixar de manifestar-me nesta hora. Não perca a fé, dr. Ruy. Muitas vezes, o Grande Arquiteto do Universo faz a vida fluir por caminhos incompreensíveis para nós. Nestes momentos, a melhor maneira de conviver com isso é procurar tirar lições do episódio. Cada um dos senhores, particularmente, saberá entender essas lições no momento certo, no tempo certo. O senhor tentou ser justo e solidário com um funcionário que acabou sendo arrastado por um turbilhão. Não se culpe. Lembre-se: nem o Vaticano escapou de tragédia semelhante, na qual se envolveu um dos membros da guarda do papa. Que o Grande Arquiteto do Universo lhe continue dando a proteção e sabedoria necessárias para superar este momento difícil. Adelaide Scritori, presidente da Fundação Cacique Cobra Coral, São Paulo"

"Lembro aos leitores que se solidarizaram com o Estado no que tange ao jornalista assassino confesso que a família da jornalista assassinada também merece a nossa solidariedade. E mais: pelas declarações prestadas por ele no inquérito policial se deduz que a culpada pelo homícidio foi a própria vítima. Em se tratando de Brasil, não me admira se a vítima vier a ser condenada e o assassino (confesso), absolvido. João Bosco de Souza, São Paulo"

"Pois é, paixão acima da emoção e da razão. Dois profissionais credenciados, duas personagens adoidadas por um romance terminaram de forma inesperada e trágica uma misteriosa história de amor. Ao Estadão, a minha sensibilidade como cidadão e como leitor brasileiro. Antonio Rochael, Iguape"

"Gostaria de saber por que o espanto e a repercussão que a mídia tem dado ao infeliz ato cometido por esse senhor, que terminou culminando com a morte de uma jovem. Crimes acontecem todos os dias, sem endereço de classe social e cultura, ou, digamos, se é rico ou não. A família Mesquita não tem absolutamente nada com o fato. Apenas um de seus colaboradores, infelizmente, cometeu um crime pelo qual, de uma forma ou outra, ele será punido. Ou estão querendo usar o fato para atingir a ilibada imagem da família e o jornal Estadão? Espero que não! Ailton Dias Pereira, Ribeirão Preto"

"O mero missivista da coluna Fórum dos Leitores carece de palavras para comentar a terrível tragédia que se abateu sobre duas famílias e sobre a redação do jornal. Iwan Thomas Halasz, São Paulo"

25/08/00

"Venho me juntar às várias manifestações de solidariedade que a família Mesquita e o Estado vêm recebendo neste momento difícil em que mais um drama da vida humana os atinge a todos. Só quem, como eu, conhece a lealdade dessa casa para com aqueles que nela trabalham pode compreender a dor que estão passando. Gerson Mendonça Neto, São Paulo"

"Lamentamos profundamente a tragédia pessoal que afetou a vida de um funcionário e ex-funcionária do Estado. Temos absoluta certeza de que o triste episódio, em torno do qual se fará justiça, em nada afeta a credibilidade e qualidade do grande jornal, dirigido com equilíbrio e sabedoria. Paulo Pereira da Silva, São Paulo"

"É lamentável pessoas se solidarizando com a família Mesquita e o Estadão pela atitude irracional do sr. Pimenta Neves, portando-se, assim, como os defensores dos direitos humanos que sempre encontram palavras para conforto dos que cometem delitos, mas, invariavelmente, nunca se lembram da família daqueles que realmente são vítimas. Hipocrisia e corporativismo nestes momentos devem ser deixados de lado. Angelo Antonio Maglio, Cotia"

"O que mais me preocupa em crimes dessa natureza é a revolta das pessoas contra aqueles que são ricos ou pelo menos aparentam riqueza. Parece que ser rico neste país é, sobretudo, pecado. Exigem que o jornalista tenha um tratamento igual a qualquer outro criminoso (pobre, diga-se). Mas, em realidade, o que se nota é que gostariam que tivesse um tratamento muito mais severo, unicamente porque acreditam que é rico. Até parece que, neste país de desvalidos, a pobreza é uma virtude. Antonio Sergio Guide, São Paulo"

"Até quando, pergunto, vamos ter de ouvir, ler, passar por fatos reais como o ocorrido com a jornalista Sandra Gomide, em que um ‘homem’ atira duas vezes, sendo o primeiro pelas costas, numa mulher, passa dias num hospital cinco-estrelas – lógico, ele precisa recuperar-se – e contrata um advogado que, com certeza, vai conseguir provar a forte pressão psicológica que vinha ‘sofrendo’ o seu cliente, ou, então, o pobre coitado tinha distúrbios mentais! Rosely Cordon, São Paulo"

"Grandioso o artigo de Ignácio de Loyola Brandão de ontem (A2). É preciso ser muito escritor e muito homem para escrevê-lo. Pimenta Neves cometeu um ato tresloucado, monstruoso, que nos atinge a todos os que militamos no jornal. O episódio mostra que ninguém conhecia Pimenta, que ele não se conhecia, que ninguém se conhece. Prova algo terrível, a saber, que todos nós, por mais comedidos e equilibrados na aparência, vivemos a um passo da loucura, o que não escusa o autor de ser punido com todo o rigor da lei, sem falsas atenuantes e com todas as qualificadoras cabíveis. Concordo com o artigo de Loyola Brandão, em todos termos, e solidarizo-me com o Estado nesta hora tão dolorosa. Gilberto de Mello Kujawski, São Paulo"

"Consta no 36º Distrito Policial boletim de ocorrência registrado pela jornalista Sandra Gomide contra o meliante – transvestido de cidadão de bem –, sr. Antonio Marcos Pimenta Neves, por ameaças que vinha recebendo. Por que nenhuma providência foi adotada pela autoridade policial? Será que o sr. delegado amarelou quando viu o nome do marginal no boletim de ocorrência? Edivelton Tadeu Mendes, São Paulo"

"Aos habituais puxa-sacos no Fórum dos Leitores de ontem: sr. Taubkin, o que o Movimento Pantanal tem que ver com dois tiros dados pelas costas? Sr. Coslovsky, pela brilhante carreira que tem, pode alguém matar, ainda mais pelas costas? Estou com o sr. Maurício dos Santos e a sra. Adriana Gragnani... Os outros só querem aparecer. K. R., São Paulo"

"Queria expressar minha solidariedade ao Estado e à família Mesquita pela correta forma como vêm tratando esse terrível caso passional. Concordo plenamente com a afirmação do sr. Daniel Taubkin (24/8) de que o Estado foi e continua a ser um dos mais importantes jornais do mundo, não somente pela excelente qualidade de suas edições diárias, como por sua perfeita noção de um jornalismo honesto e democrático, que até mesmo publica críticas de leitores que pensam de forma diferente. Rubem R. Tibyriçá, São Paulo"



RedeSaúde e CCR (*)

"Poder, crime e corporativismo na imprensa", copyright boletim eletrônico Saúde Reprodutiva na Imprensa, 28/8/00

"A cobertura dos jornais paulistas Folha e Estadão tropeçou, hesitou e omitiu diante do homicídio da jornalista Sandra Gomide pelo assassino confesso, o também jornalista Antonio Pimenta Neves. Se o criminoso não mantivesse laços de amizade com diretores e repórteres da Folha e do Estadão provavelmente a manchete em primeira página diria: ‘Jornalista mata ex-namorada pelas costas’. E se apenas a vítima, e não o assassino, fosse profissional de imprensa, é bem possível que a chamada diria: ‘Ex-namorado mata jornalista pelas costas’. Mesmo diante de elementos fortes que comprovavam a autoria do assassinato, que já havia sido assumido pelo jornalista em telefonemas a colegas da Folha e do Estadão, os dois jornais insistiram em tratar Pimenta Neves como ‘suspeito’ nos dois primeiros dias da cobertura sobre o crime. Na Folha, o ‘currículo notável’ do jornalista ocupava quase a metade do espaço da reportagem sobre o caso.

Já o Jornal do Brasil optou por não dar destaque ao crime, considerado pelo diretor de redação Fritz Utzeri como uma questão privada. ‘Se Pimenta Neves tivesse se suicidado, nem teríamos dado nada’, declarou o diretor do JB.

Dos quatro grandes jornais a cobrir o caso na semana de 21 de agosto, O Globo destacou-se por pautar sua abordagem do assassinato com critérios jornalísticos, isto é, sem corporativismo. O Globo noticiou o caso com destaque na primeira página e tratou Antonio Pimenta Neves, um homicida confesso, como culpado, não poupando espaço nem palavras para cobrir o episódio.

Passado esse primeiro momento, em que boa parte dos jornais procurou apresentar Sandra como uma jovem ambiciosa e oportunista e Pimenta Neves como jornalista experiente, poderoso e bem-educado, felizmente para leitores e leitoras uma parcela significativa da imprensa brasileira pareceu retomar seu senso de responsabilidade jornalística e sua capacidade de autocrítica.

A ressurreição da ‘legítima defesa da honra’ – O diretor de redação da revista Época, Augusto Nunes, escreve sobre a atitude da imprensa na cobertura do caso, que é capa da edição de 28 de agosto: ‘O quadro que emerge da leitura é pouco edificante. Na virada do terceiro milênio, um jornalista com respeitável currículo ressuscita a tiros a ‘legítima defesa da honra’, essa invencionice de rábulas que a imprensa ajudou a sepultar ainda na década de 70’.

Veja a íntegra da reportagem de capa da Época em <www.epoca.com.br/semanal/_materias/brasil1a.htm>

Caso mobilizou altos comandos das redações – Na edição de 30 de agosto, o diretor de redação da revista IstoÉ, Hélio Campos Mello, analisa: ‘A notícia aterrissou como um raio nas redações de jornais, rádios e tevês na tarde de domingo, causando perplexidade e revolta. Pouco acostumado a manusear suas próprias feridas, os jornalistas mergulharam em reuniões de alto comando para decidir que tratamento dar ao caso. Na segunda-feira, o Estadão publicou a notícia com discreta chamada no pé da primeira página. Seu concorrente, a Folha de S. Paulo, no qual Pimenta já trabalhou, veiculou o fato com um currículo laudatório do jornalista sob o título ‘Pimenta Neves tem currículo notável’’.

Leia a matéria de capa da IstoÉ:

<www.terra.com.br/istoe/1613/brasil/1613capa_pimenta.htm>

Acesse a reportagem de Veja em

<www2.uol.com.br/veja300800/p_112.html>, e a matéria de capa da Veja São Paulo em

<www2.uol.com.br/vejasp/300800/capa.html>

Ombudsman critica cobertura da Folha – A ombudsman da Folha de S. Paulo, Renata Lo Prete, faz em sua coluna na edição de 27 de agosto uma crítica contundente à Folha e ao Estadão. Sobre a cobertura realizada pela Folha, Lo Prete escreve: ‘Cabe perguntar por que a Folha, em vez de dizer que Sandra dormiu com o chefe para ser promovida, não escreveu que o jornalista notável premiou a subordinada por dormir com ele e a demitiu quando ela não quis mais fazê-lo. A reportagem se antecipou a Pimenta Neves e seu advogado na tentativa de desmoralizar a vítima’. Para completar sua crítica, Lo Prete analisa: ‘distante da praça paulista, O Globo faz a cobertura mais livre de amarras, ao lado da apresentada pelo site Notícia e Opinião’.

Um divisor de águas – O acompanhamento do caso pelo site Notícia e Opinião <www.no.com.br> pode ser considerado um marco na cobertura jornalística sobre crimes passionais no Brasil, não apenas pela qualidade do trabalho produzido, mas pela agilidade com que foi veiculado por meio de e-mails e acessos ao site. Indo contra a maré da imprensa, que tecia elogios ao profissional Pimenta Neves e recuperava a tese da legítima defesa da honra, o no. trouxe as opiniões de jornalistas e advogados, além de revelar detalhes sobre o histórico de violência do acusado.

Em uma cobertura ágil, crítica e abrangente, logo nas primeiras reportagens sobre o caso, o no. já apontava falhas no comportamento da imprensa, antes e depois do crime. ‘Nas últimas cinco semanas Pimenta Neves, diretor de redação do jornal O Estado de S. Paulo, estava transtornado. Andava armado na redação e falava da intenção de matar Sandra Gomide, sua ex-namorada demitida do jornal depois do rompimento do namoro. As ameaças não renderam notícia na imprensa mas foram registradas numa delegacia há duas semanas. ‘Ou eu me mato, ou mato você’, gritou, então, de revólver em punho. Sem que se conheça qualquer reação de colegas de redação, transformou uma questão pessoal em pesadas acusações contra a ex-namorada’.

Na matéria ‘A imprensa no divã’, o no. apresentou as opiniões de diversos jornalistas, como Fritz Utzeri (JB), Augusto Nunes (Época), Alberto Dines (Observatório da Imprensa), Fernão Mesquita (Estadão), Luiz Garcia e Miriam Leitão (Globo), que falaram sobre a cobertura em geral e a posição de seus veículos diante do caso.

Especialistas buscam motivação – Ainda na edição de domingo, 27 de agosto, a Folha parece ter procurado redimir-se, publicando uma reportagem de capa sobre o crescimento da violência contra mulheres em São Paulo, em especial dos crimes passionais. Essa reportagem foi seguida por diversas matérias tratando da repercussão do caso junto a profissionais de imprensa, psicanalistas e psiquiatras. Ao entrevistar os/as especialistas, o repórter da Folha Aureliano Biancarelli abandonou a abordagem insistentemente usada na cobertura até então, que se apoiava apenas nas biografias profissionais de Pimenta Neves e Sandra Gomide, e buscou especular sobre as motivações para o crime. ‘Na hora do disparo, o homem que atirou não era o mesmo que comandava a redação do grande jornal. O assassino seria o outro lado de alguém que tinha a personalidade dividida. Uma personalidade psicótica, delirante, que passou a enxergar traição em cada gesto ou telefonema masculino’, escreveu Biancarelli. Entre os/as especialistas entrevistados/as, a psicanalista carioca Thais Oliveira, que fez sua análise: ‘Sandra, com seus 32 anos, ao rejeitá-lo privou-o da impressão de ser ainda, aos 63, um homem jovem, poderoso, viril e, portanto, protegido da morte’.

Sociedade inicia mobilização – Os jornais de domingo trouxeram também reportagens sobre as manifestações de apoio e mobilização em torno do caso de Sandra Gomide. Na missa de sétimo dia, que reuniu 150 pessoas em São Paulo, foi lançada uma campanha para ajudar a família nas despesas com assessoria jurídica e criada a Associação Justiça Sandra Gomide. No domingo, o destaque do Estadão na cobertura da missa era a presença de seu diretor-responsável, Ruy Mesquita, prestando solidariedade à família da vítima e declarando que o Pimenta Neves que ele conhecia havia morrido ao se tornar um assassino. O Globo publicou matéria informando que o assassinato de Sandra havia provocado a mobilização de feministas e debates acirrados nas salas de bate-papo e em mensagens eletrônicas via Internet. Segundo apurou O Globo junto a representantes do movimento feminista e de entidades públicas de defesa da mulher, o assassinato de Sandra reforça a tese de que a sociedade é conivente com a violência masculina.

‘Um falso passional’ – Segundo apurou a Folha, o criminalista Márcio Thomaz Bastos, que vai dividir os trabalhos de apoio à família da vítima com o criminalista Luiz Flávio Gomes, argumentará que o jornalista matou por ‘motivo torpe, para Sandra não viver mais’. Para Thomaz Bastos, ‘ele (Pimenta Neves) é um falso passional. A literatura da psicologia jurídica está recheada de casos em que o sujeito usa a paixão para esconder seu temperamento agressivo, sua prepotência, o achar que é o dono do mundo’.

Atenção: O debate sobre o assassinato de Sandra Gomide está bastante aquecido na imprensa brasileira. É fundamental que leitores e leitoras escrevam para os veículos de comunicação manifestando suas posições e participando desse debate público. Vamos dizer não à violência e à impunidade! Participe do debate sobre o caso e a cobertura realizada pela imprensa lendo as reportagens e enviando e-mails para as redações. As mensagens devem conter nome e endereço completos, telefone e número do R.G.

Época: <epoca@edglobo.com.br>; Folha de S.Paulo: <paineleitor@uol.com.br> ou <ombudsman@uol.com.br>; IstoÉ: <cartas@istoe.com.br>; Jornal do Brasil: <cartas@jb.com.br>; O Estado de S.Paulo: <fórum@estado.com.br>; O Globo: <cartas@oglobo.com.br>; Veja: <veja@abril.com.br>

(*) Rede Nacional Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos e Comissão de Cidadania e Reprodução. Coordenação editorial: Jacira Melo; editora: Marisa Sanematsu. Obs.: O acompanhamento dos jornais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e Jornal do Brasil é feito pelo Projeto Olhar sobre a Mídia, da CCR. O monitoramento das revistas semanais Veja e Época está a cargo da Secretaria Executiva da RedeSaúde. E-mail: <saudereprodutiva@uol.com.br>


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