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ASPAS

CASO ABRAVANEL
Carlos Alberto Di Franco

"Decisão de publicar: dilema ético", copyright O Estado de S. Paulo , 29/08/01

"O seqüestro da filha do empresário de televisão Silvio Santos reacendeu o debate a respeito de uma difícil decisão editorial: divulgar ou não um seqüestro. O assunto, aparentemente, cria uma zona de turbulência entre direitos que devem ser preservados: o direito à informação e o direito à privacidade; o direito do público de ser informado e a plena salvaguarda de uma vida. Na minha visão, o peso da balança, sobretudo se a família da vítima faz um expresso apelo às empresas para que evitem a divulgação do fato, deve pender para o lado mais fraco, isto é: a defesa da vítima. Não devemos dar notícia.

O embargo termina com o fim do seqüestro. Alguns dirão que a informação sempre deve ser dada. Afinal, o jornalismo é um serviço de interesse público. Lembro, no entanto, sugestivo comentário do jornalista inglês Paul Johnson: ‘O editor’, sugere Johnson, ‘sempre deve fazer a seguinte pergunta:

Esta revelação é feita claramente no interesse público?’ ‘Notem bem: não interessante para o público’, mas feita no interesse público.

A fórmula de Paul Johnson resolve muitos conflitos. Até mesmo dúvidas dramáticas sobre critérios editoriais na cobertura de seqüestros. Embora a divulgação de notícias sobre um seqüestro possa ajudar no esclarecimento do caso e na localização do cativeiro, o risco assumido é muito grande. O suposto direito do leitor à informação não pode estar por cima da preservação da vida da vítima.

Uma matéria não é informação apenas por ter sido elaborada por um jornalista, ter sido difundida por um meio de comunicação ou ter a aparência externa de informação. O noticiário exige qualidade técnica e ética. A reflexão suscitada pelo episódio, desde que serena e profissional, trará benefícios inestimáveis para o jornalismo brasileiro.

Ninguém é palmatória do mundo. Mas todos, juntos, podemos e devemos fazer um excelente exercício de autocrítica. Precisamos reavaliar muitas atitudes e, sobretudo, consolidar uma firme convicção: a ética é o segredo da credibilidade e, exatamente por isso, a chave das decisões editoriais. (Carlos Alberto Di Franco, diretor do Master em Jornalismo para Editores e professor de Ética Jornalística, é representante da Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra no Brasil)"

 

OESP

"Apresentador hesitou em adiar gravação de programa", copyright O Estado de S. Paulo, 29/08/01

"Na véspera do seqüestro da filha Patrícia Abravanel, Silvio Santos tinha acabado de chegar de uma viagem ao exterior. Ficara fora uma semana e precisava pôr em dia gravações de seu programa.

O empresário programara as gravações para quinta-feira, mas se viu obrigado a cancelar após o crime. Uma decisão óbvia? Nem tanto. Silvio Santos demorou muito a se convencer de que não teria condições de posar como animador diante das câmeras.

Até quinta-feira, a direção de Programação do SBT não sabia como organizaria os horários e atrações do domingo. No fim de semana, os funcionários souberam da decisão do patrão: não apresentaria mais nada até o reaparecimento da filha.

Até pela questão operacional - e vale lembrar que Silvio Santos é o único dono de TV a também aparecer na tela -, a apreensão tomou conta dos funcionários. Mesmo os menos bajuladores solidarizaram-se, senão pelo patrão, por Patrícia, que a maioria conhecia.

O episódio ocorreu numa semana cuja expectativa apontava no sentido contrário. Em razão dos 20 anos comemorados pela rede no dia 19, os funcionários festejavam a data e a estréia, anteontem, da primeira novela (Pícara Sonhadora) produzida pela casa após quatro anos."

 

Gabriela Gemignani

"Grupo faturou US$ 1 bi em 2000", copyright O Estado de S. Paulo, 29/08/01

"O Grupo Silvio Santos controla 34 empresas e faturou em 2000 mais de US$ 1 bilhão. Fundado nos anos 60, tem cinco divisões de negócios: Comunicações, Comércio e Serviços, Empresas Financeiras, Capitalização e Seguros, Veículos e outra fora dessa estrutura, que reúne empreendimentos como o Teatro Imprensa, na região central.

Desde sua criação, em 1972, a Silvio Santos Participações é a holding que detém, direta ou indiretamente, o controle acionário de todas as empresas. A mais lucrativa delas é a Liderança Capitalização, responsável pela Telesena.

Em seguida estão o SBT, o Banco Panamericano e o Baú da Felicidade.

A cartada mais recente de Silvio é o popular Computador do Milhão, vendido com financiamento do Banco Panamericano."


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