IMPRENSA EM QUESTÃO

NOTÍCIAS DE UM SEQÜESTRO
A hora da reportagem policial

Alberto Dines

Se o combate ao crime e à violência deve ter uma grande participação da sociedade supõe-se que a cobertura dos crimes e da violência deva merecer grande atenção, espaço e investimentos.

Não se faz jornalismo policial de qualidade na base de estagiários. O repórter de polícia – como em qualquer outra editoria – precisa cultivar fontes, estudar problemas e ter gosto pelo assunto. Sobretudo, não pode ser trocado numa doida rotatividade.

Até o início dos anos 80, os grandes jornais brasileiros ainda dispensavam grande atenção à editoria (ou subeditoria) de polícia. E justamente a partir do momento em que cresceu a violência urbana observa-se uma ostensiva diminuição e burocratização da cobertura policial.

Pode não haver relação de causa e efeito entre os dois fatos. Mas nada acontece por acaso.