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IMPRENSA EM QUESTΓO
CORREIO SEM NOBLAT Osvaldo Martins (*) Durante décadas as redações travaram, todos os dias, o interminável embate entre os valores do jornalismo e os interesses da imprensa. Em algum momento da carreira, jornalistas talentosos em cargos de chefia e com poder de decisão tiveram que optar entre um lado e outro, conforme o código de ética que cada um traz consigo ao longo da vida profissional. Alguns (e falamos só dos talentosos) fizeram a opção preferencial pela imprensa; estes são os preferidos dos patrões. Outros fizeram a opção preferencial pelo jornalismo; são os que ganharam úlceras, infartos ou foram afastados da chefia. Uma terceira categoria, mais rara, a dos conciliadores, consegue fazer bom jornalismo apesar da imprensa. Ricardo Noblat é um desses conciliadores. Repórter no Recife, galgou todos os postos do jornalismo graças à competência profissional, ao senso de responsabilidade e à dedicação ao trabalho um exemplo de profissional. Como diretor de redação do Correio Braziliense, transformou aquele jornaleco horroroso, chinfrim e chapa-branca em um dos melhores do país. Fez a mais bem-sucedida reforma gráfica da imprensa brasileira e criou as melhores primeiras páginas da década. Foi merecidamente alçado ao topo dos Diários Associados, mas não relaxou. Continuou a fechar o jornal toda noite, surpreendendo seus leitores com capas memoráveis e uma linha editorial independente, sem rabo preso com o poder. Eis que agora o velho embate está de volta, mas com um contorno muito mais preocupante. A saída de Noblat do Correio nada tem a ver com a batalha diária jornalismo versus imprensa. Neste caso, jornalismo e imprensa foram, juntos, derrotados pelo mais primitivo gangsterismo, como se tivéssemos voltado 50 anos no tempo. É uma paulada bem no meio da cabeça do leitor. (*) Diretor do Instituto Brasileiro de Estudos de Comunicação (IBEC) Leia também Eleições, grampos e resistência Luiz Martins Roriz, Correio e a volta da censura L.M A vingança do governador L.M. O ovo da serpente TT Catalão Mídia nacional só cobre os três poderes Alberto Dines Imprensa subserviente não é imprensa L.M. Faroeste candango Vera Silva Da acomodação à truculência Mauro Porto Em defesa de Brasília Luiz Gonzaga Motta A missão de um jornal Pedro Jorge de Castro | ||