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IMPRENSA EM QUESTΓO
O OFF TEM LIMITES Alberto Dines Os depoimentos dos jornalistas Luiz Cláudio Cunha e Weiller Diniz (da revista IstoÉ) no Conselho de Ética do Senado (3/4/03) vão entrar para a história e encerrar definitivamente a Era do Grampo que desfigurou o jornalismo e comprometeu a credibilidade da reportagem investigativa na Capital Federal. O senador Antônio Carlos Magalhães, apelidado com toda a justiça de Rei do Grampo, mais uma vez enredou-se numa gravação telefônica. Um dos principais fornecedores de fitas, responsável pelo denuncismo irresponsável que tomou conta da imprensa brasileira e colocou-a a reboque dos interesses políticos mais escusos, está definitivamente envolvido no caso do megagrampo baiano. Os repórteres recusaram manter em off uma confissão inequívoca: publicaram o que ouviram e de quem o ouviram. Não poderiam compactuar com uma ilegalidade admitida pelo próprio autor. E ainda gravaram a conversa em que o senador confirma a declaração anterior. Um grampo acabou com a Era do Grampo. E, de quebra, acabou com a matéria "soprada". O off tem limites. O jornalista está comprometido com a sua consciência e seus princípios morais e não com os interesses do entrevistado. A Era do Grampo estendeu-se ao longo de cinco anos porque os jornalistas que recebiam as fitas (alguns da própria IstoÉ) aceitavam manter em sigilo os nomes dos fornecedores da ilicitude. Graças a Luiz Cláudio Cunha e Weiller Diniz, políticos, autoridades ou bandidos vão pensar duas vezes antes de distribuir com tanta generosidade o teor das gravações que mandavam fazer (ou recebiam de terceiros). E pensarão dez vezes antes de fazer declarações irresponsáveis imaginando-se protegidos pelo off. Abril de 2003 vai marcar a despoluição das relações entre a mídia e o poder. O jogo brasiliense será mais limpo. O pacto de silêncio, a omertá, foi rompida: bandidos de um lado, jornalistas de outro. Leia também O off e o mestre feiticeiro Luiz Cláudio Cunha Quando a mídia for grampeada A.D. Pauteiro em causa própria Chico Bruno Grampos ilegais na Bahia Compacto do OI na TV de 25/2/03 O triste fim do jornalismo fiteiro Alberto Dines Máfia do grampo e cumplicidade da mídia A.D. O fim das oligarquias está na mão da mídia A.D. Nem tudo é folclore C.B. Calor para ACM Luiz Antonio Magalhães O rei do grampo: ACM entra em outra fria Alberto Dines A volta triunfal do jornalismo fiteiro A.D. Dora Kramer e Eliane Cantanhêde Entre Aspas Turma do grampo não quer ser incomodada A.D. Isto é uma vergonha Luiz Weis Quando a mídia cala, vestais pintam e bordam A.D. Mídia acuada inventou bode expiatório A.D. O complô do silêncio A.D. A dissecação da tirania A.D. Os segredos do editor Luiz Egypto Como forjar uma manchete A.D. A intriga e o efeito-dominó João Carlos Teixeira Gomes Premeditação é agravante A.D. Teoria da suíte: reiteração da mentira não a converte em verdade A.D. | ||