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IMPRENSA EM QUESTΓO
CASO JOELMIR BETING Alberto Dines No debate sobre a demissão do veterano analista de economia do Globo e do Estado de S.Paulo foi pouco mencionada a expressão "conflito de interesses". Mas ela está na raiz do castigo imposto a Joelmir Beting. E o esquecimento não é casual. A mídia é implacável quando identifica conflitos de interesses na esfera pública. Mas é desatenta ou leniente com os seus próprios tropeços na matéria. Este observador está à vontade quando se trata de coibir situações abusivas em que o jornalista faz o papel de garoto-propaganda. Joelmir não foi o primeiro a aceitar a dupla condição e o Bradesco não foi o único a seduzir profissionais de imprensa para convertê-los em publicitários. O Unibanco usa o expediente há mais tempo e, aparentemente, como estratégia. A colunista social Márcia Peltier e a apresentadora Maria Gabriela têm sido usadas há tempos para vender suas mensagens. Como trabalham para veículos que não se importam ou até mesmo vangloriam-se desta duplicidade, a infração não chamou a atenção. Mas o Observatório da Imprensa tem focalizado regularmente estas e outras infrações. Sem eco ou providências. Inclusive dos sindicatos. Aqui talvez se localize o único argumento em favor do jornalista demitido: os jornalões têm sido rigorosamente acríticos nestes e outros episódios em que princípios deontológicos fundamentais conflitam com os interesses dos grandes anunciantes. Neste clima de generalizada condescendência com princípios que em outras partes do mundo são pétreos, o jornalista Beting deixou desarmados os alarmes que poderiam denunciar uma situação irregular. Nas suas inúmeras colunas assinadas, O Globo, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo jamais se importaram com as aberrantes irregularidades exibidas em comerciais televisivos e cinematográficos com duas vedetes da mídia. Reparem que a questão chegou a ser assunto de uma "Urn@ eletrônica" deste Observatório (edição nΊ 250, 11/11/03): à pergunta "O jornalista perde credibilidade ao fazer anúncios comerciais?", 79% (582) dos leitores responderam "sim" e 21% (151), não num total de 733 votos. Não aconteceu em sua seara, não era com eles. Calaram-se, omitiram-se e, mais uma vez, permitiram que o erro se convertesse em paradigma. Agora os complacentes assumem-se como puritanos. Puro farisaísmo. Leia também A toque de caixa... registradora A.D. Jornalista pode fazer comercial? A.D. Repórteres como garotos-propaganda A.D. [rolar a página] A "sinergia" jornalismo-publicidade (I) e (II) A.D. [rolar a página] Ainda a questão do jornalista/garoto-propaganda A.D. Dez toques Ricardo A. Setti [ver nota 4, "Gerente é fonte?"] Um minuto para os nossos comerciais Claudia Vassalo [rolar a página, Entre Aspas, Exame, 24/9/97] | ||