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ASPAS

LIBERDADE DE IMPRENSA
Jornal do Brasil

"Travo Totalitário", editorial, copyright Jornal do Brasil, 9/09/01

"A Associação Nacional de Jornais divulgou seu Relatório Anual sobre Liberdade de Imprensa no Brasil salientando que de agosto de 2000 a agosto de 2001 houve ‘aumento das tentativas de censura à atividade jornalística, em oposição à Constituição Federal, que assegura a plena liberdade de imprensa no país’.

Entre agressões a jornalistas, impunidade a crimes de morte, tentativas de censura, crescimento da ‘indústria das indenizações’, pressões contra jornais em forma de corte de verbas oficiais, proibições a coberturas jornalísticas (políticas ou esportivas), processos contra jornalistas e sobretudo a tramitação de projetos como a Lei de Imprensa e a Lei Mordaça, os 12 meses passados nada de bom auguram para o futuro, se não se alterar a tendência

O relatório da ANJ destaca recente decisão judicial, tida como violadora da Constituição, que determinou a apreensão de um jornal em São Lourenço, no Rio Grande do Sul - por ter publicado denúncia contra o Ministério Público - na qual a juíza Ana Paula Braga Alencastro declara que ‘a liberdade de imprensa é respeitada e assegurada, mas não é absoluta’... Outro fato destacado, ocorrido em julho, lembra que a proibição da divulgação jornalística, pedida pelo governador fluminense, do conteúdo de fitas com gravações telefônicas pelo jornal O Globo, também viola a Constituição brasileira, ‘que repudia a censura prévia’.

Segundo a ANJ, os valores exorbitantes fixados em condenações judiciais a empresas jornalísticas comprometem sua sobrevivência e se convertem em ‘lamentável incentivo à chamada indústria das indenizações, que impõe a censura econômica aos jornais, impede o livre exercício da imprensa e institui a autocensura nos profissionais’.

Em Alagoas, uma semana depois que o governador anunciou que iria cortar as verbas de publicidade ao jornal, à TV e à emissora de rádio Gazeta de Alagoas, seus seguranças agrediram jornalistas daquela empresa, mesclando assim intimidação com violência. Ainda no Rio Grande do Sul, jornalistas da Zero Hora foram ameaçados de multa e prisão se não revelassem a fonte de uma reportagem. No Rio, o IPM que apurou a agressão a jornalistas que cobriam em 31 de dezembro de 1999 no Forte de Copacabana a queda de um toldo que servia de cobertura para a festa do réveillon recomendou o indiciamento do fotógrafo Fernando Bizerra da Silva Júnior, do Jornal do Brasil, e de dois soldados. Se for acatada a recomendação de indiciamento de Bizerra, ele será julgado como réu na ação judicial e não como vítima...

Estes são apenas alguns dos fatos arrolados pela ANJ, em meio a muitos outros, mas sobretudo o relatório enfatiza os danos à liberdade de informação e à Constituição Federal proporcionados pelo projetos de nova Lei de Imprensa, que continua tramitando no Congresso, e a Lei Mordaça, de autoria do Executivo, que proíbe delegados de polícia, funcionários administrativos, promotores de Justiça, procuradores e juízes de revelar ou permitir que cheguem ao conhecimento de terceiros fatos ou informações contidos em investigações ou processos judiciais - lei que evidentemente dificulta o jornalismo investigativo.

São, todos eles, novos fatos que sublinham velhos vícios e problemas da vida pública brasileira. Esta lei de imprensa que continua a tramitar no Congresso é, como todas as outras aprovadas nos últimos 78 anos, reedição barata da primeira delas, a Lei Gordo, que tomou o nome do senador paulista Adolfo Gordo que a apresentou em 1923, estabelecendo restrições à liberdade de imprensa. Depois dele, administradores, políticos e outras autoridades que não suportam a opinião alheia recorrem a leis de imprensa com intensidade que nos tempos atuais banalizou-as. Lei de imprensa corresponde ao inconformismo em relação ao direito alheio de emitir opinião, pois garante, à força, não só o direito de resposta - o mínimo a ser feito num país com liberdade de imprensa, sem necessidade de recorrer à Justiça - mas até mesmo de ver publicada sua resposta com ‘caracteres tipográficos idênticos’, como se criminosos, políticos, espertalhões fossem na realidade diagramadores, e não agentes ativos no processo de discussão de idéias.

A censura nos dias atuais assume ar hipócrita que a torna diversa da censura do passado. Nos séculos anteriores, o controle das idéias não se disfarçava: era visto como necessidade moral. Hoje o controle de idéias se faz em sociedades com travo totalitário a despeito de garantias formais de liberdade. É por isto que se lança mão de leis especiais, de repressão policial e até de coação econômica para acobertar os constrangimentos da vida política e social. Os nomes variam, mas o alvo é o mesmo: lei disso, lei daquilo, chamem-na como quiserem, mas todas elas se destinam a impedir que a imprensa cumpra o dever de informar, opinar ou denunciar, em regimes abertos ou fechados, mesmo naqueles em que os governos alardeiam condição de democráticos. O direito de informação é inegociável, universal e constitucional. A censura começa pela imprensa e atinge rapidamente a sociedade inteira.

A relação constante do relatório da ANJ dos sete crimes cometidos contra jornalistas, assassinados em suas residências ou na rua, de longe ou à queima-roupa, ou mesmo perto de seu local de trabalho, entre 1995 e 1998, impunes até hoje, é impressionante. Eles revelam o outro lado da intolerância que reage a campanhas de imprensa com violência, como se já não bastasse a violência censória - aparentemente apenas simbólica - que paira no ar como ave de mau agouro.

Rui Barbosa dizia que ‘a opinião é o tribunal dos tribunais’. A opinião de um pode doer no outro, mas exercer o direito de opinião é virtude, não defeito. Muitas vezes há que ter coragem para exercê-la em momentos difíceis. Sufocar o direito de opinião (ou de denúncia) redunda em totalitarismo. Nunca é demais repetir que na era da internet e da TV a cabo, com todo o volume de informação que os cidadãos recebem diariamente, é burrice imaginar que uma simples lei controlará a informação. Igualmente nenhum regime é tão fraco que possa ser abalado por simples reportagem..."

 

ANCELMO GÓIS / SWANN
Cidade Biz

"Frei Paulo é o novo Swann de O Globo", copyright CidadeBiz (www.cidadebiz.com.br), 4/09/01

"O jornalista Ancelmo Góis estreou nesta terça como responsável pela coluna Swann, de O Globo, com um recado à praça.

Curto, como convém a uma coluna de notas e sacadas, e afiado, tal qual os comentários cortantes que costuma perpretar.

Assina seu novo endereço de e-mail como freipaulo@oglobo.com.br.

Seu antecessor, Ricardo Boechat, hoje no Jornal do Brasil, foi dispensado depois de ter sido apanhado num grampo negociando com um informante a melhor maneira de editar uma nota.

O franciscano Ancelmo vem de longa data assinando colunas - primeiro o Radar, em Veja. Depois com seu próprio nome no site No.. E agora chega ao auge subscrevendo a coluna mais lida da imprensa carioca."

 

CASAGRANDE COLUNISTA
O Estado de S. Paulo

"Casagrande estréia terça coluna no ‘Estado’", copyright O Estado de S. Paulo, 9/09/01

"O ex-jogador Walter Casagrande Júnior, que se destacou principalmente vestindo a camisa do Corinthians nos anos 80, estreará, terça-feira, como colunista do Estado. Bastante crítico e de personalidade forte, como na época em que brilhou nos gramados, ele pretende passar para o papel tudo aquilo que pensa sobre o futebol e o esporte em geral, sem poupar palavras.

‘Sou crítico, mas sei que para tudo existe limite. Afinal, somos formadores de opinião e precisamos tomar cuidado com o que falamos e escrevemos.’

Casagrande já tem bastante experiência em meios de comunicação. Atualmente, é comentarista da TV Globo e da Rádio Transamérica. Em jornal, chegou a escrever para o extinto Notícias Populares e, pela primeira vez, terá um espaço semanal. Sua coluna será publicada todas as terças-feiras. ‘Faço questão de ter liberdade para emitir as opiniões; é esse o meu perfil, meu jeito de ser e de viver.’

Seleção - Mesmo depois de ter pendurado as chuteiras, em meados da década passada, Casagrande, por uma questão de gosto e, até, de obrigação, nunca deixou de acompanhar tudo o que cerca o futebol.

Hoje, não consegue esconder a insatisfação com a seleção brasileira e com a forma pela qual o técnico Luiz Felipe Scolari está comandando o time. ‘A malandragem e a catimba têm de ser apenas um detalhe. Reprovo totalmente o Felipão nesse caso, impondo a catimba como prioridade’, afirma ele, que disputou a Copa do Mundo do México, em 1986.

Segundo o ex-craque, o treinador poderia convocar jogadores mais técnicos em lugar de alguns que só sabem destruir jogadas. Ele sugere, por exemplo, que Felipão chame um meio-campista mais habilidoso, como Juninho Pernambucano, na vaga de Eduardo Costa. ‘Por que o Djalminha não pode ser testado?’ Apesar de tudo, está seguro de que a seleção vai se classificar para a Copa do Mundo, mas teme, também, que, se não mudar o estilo de jogo, pode ‘fazer feio’ no Japão e na Coréia do Sul em 2002.

Dirigentes - O ex-corintiano acredita que o futebol brasileiro tem de passar por uma ‘grande limpeza’ para voltar a ser vencedor. ‘Falta muita coisa, organização, tempo para elaborar um trabalho, calendário, e é preciso também fazer uma reformulação na cartolagem, desde a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) até os clubes.’

Casagrande é favorável à formação de uma comissão de pessoas com experiência na área para auxiliar na administração esportiva, como ex-jogadores. Citou, por exemplo, Júnior, Neto, Sócrates, Cerezo, Falcão e Zico. Para ele, os dirigentes conhecem pouco a cabeça dos atletas, principais responsáveis pelo ‘espetáculo’.

O caso Marcelinho Carioca, na visão do comentarista, só chegou a ganhar essa dimensão por falta de habilidade do vice-presidente de Futebol do Corinthians, Antônio Roque Citadini. ‘Ele não se movimentou, deixou a situação chegar a esse ponto. Não tem condições de administrar o futebol de um clube como o Corinthians.’ Casagrande considera Marcelinho um bom jogador, que fez muito pelo clube nos últimos anos, mas acha que ele vem convivendo com problemas. ‘Por tudo o que fez, deve estar agora com problemas psicológicos.’"



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