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CASO SARNEY-MURAD
A cor das capas vermelhas
Luiz Antonio Magalhães (*)
As quatro revistas mais importantes do país - Veja, Época, IstoÉ e Carta Capital - dedicaram suas capas no último final de semana ao episódio da invasão das empresas da governadora do Maranhão, Roseana Sarney, candidata do PFL à presidência da República.
Veja e Época, coincidentemente, saíram com capas vermelhas, cor utilizada por editores de arte quando querem chamar muita atenção, fazer estardalhaço. O tom dos dois semanários também é muito semelhante: enquanto Veja abre 19 páginas para a ‘candidata que encolheu’, conforme a sua capa, Época dedica 15 aos ‘segredos revelados’ - uma reportagem apresentando o conteúdo de pacotes numerados que estão em poder da Justiça e cujo teor devera ser sigiloso.
Tanto Época como Veja mostraram a seus leitores a já famosa foto do R$ 1,3 milhão em notas de R$ 50, apreendidas na busca na empresa da governadora. Os ‘outdoors’ de Veja, espalhados por quase todas as capitais do País, foram mais longe e afirmaram em letras garrafais: ‘Está sobrando dinheiro no Maranhão’.
Em termos gerais, portanto, a cobertura dos semanários das editoras Globo e Abril foi bastante crítica com Roseana Sarney. As reportagens das duas revistas se basearam em farto material ‘vazado’, cuja utilização é paradoxal: segundo muitos procuradores, sem que as supostas maracutaias apareçam na imprensa, os processos contra os poderosos não andam; por outro lado, a candidata do PFL tem toda a razão em reclamar contra o vazamento dos documentos, pois tal prática é ilegal. Em um país onde a legislação é levada a sério, mesmo uma pessoa culpada seria declarada inocente com este comportamento do Judiciário.
No caso de Época, a orientação da revista é coerente com a de outros veículos das Organizações Globo. A emissora de televisão e os dois principais diários do grupo (O Globo e Diário de São Paulo) têm apresentado as denúncias contra o casal Sarney-Murad na forma de grande escândalo, com todos os ingredientes de uma cobertura sensacionalista.
Analistas políticos especulam se tal orientação está ou não relacionada com a ascensão de Henri Phillipe Reichstul - ex-presidente da Petrobras e homem de confiança do presidenciável tucano José Serra - ao cargo de principal executivo da Globopar, holding que controla o império midiático da família Marinho.
Já as revistas IstoÉ e Carta Capital partiram para abordagens bastante diferentes. Enquanto a primeira destacou a guerra suja que começa a ocorrer nos bastidores da sucessão presidencial - até aqui envolvendo os dois candidatos da situação -, Carta Capital, capitaneada pelo experiente Mino Carta, foi o único veículo a interpretar a operação realizada pela Polícia Federal em São Luís como uma manobra política dos tucanos. Segundo matéria assinada por Bob Fernandes, redator-chefe da revista, o episódio todo foi uma grande trapalhada do presidente Fernando Henrique Cardoso, ele mesmo representado na capa como o personagem Pateta, de Walt Disney. Ao contrário de Veja e Época, Carta Capital procura mostrar os indícios do caráter político da invasão da PF e avalia a ação como patética pelas inúmeras ‘pegadas’ deixadas no caminho, sobretudo os telefonemas do delegado encarregado da operação para o Palácio do Planalto.
Em termos estritamente eleitorais, a única pesquisa realizada após o episódio mostra que o principal favorecido foi o petista Luiz Inácio Lula da Silva. Se a suposição da origem tucana na ação da PF estiver correta, Lula não terá sido nem de longe o único favorecido. Para o bem ou para o mal, Serra ou Roseana - apenas um deles - também será beneficiado. Só o futuro vai dizer de verdade quem ganhou e quem perdeu.
(*) Copyright DCI, 12/3/02
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