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CONTROLE E COERÊNCIA – III
Objetivo: ceticismo

Alberto Dines

Há um denominador comum às diferentes modalidades da crítica da mídia: a necessidade de colocar sob observação um medium em particular ou sistema midiático como um todo de forma que, motu proprio, façam as necessárias correções.

Quando a mídia sentir-se observada, terá mais cuidado no seu comportamento. Se os observados perceberem o crescente ceticismo dos observadores e sua multiplicação nos diferentes estamentos sociais tomarão as necessárias providências para reconquistar a confiança.

Este é na essência o sentido do que se convencionou chamar de Controle Social da Mídia. A proposta do ministro Miguel Reale Jr. para que todas as emissoras de TV criem o cargo de Ouvidor revela um consenso na sociedade sobre a necessidade de um controle externo sobre a mídia. Se o Judiciário – um dos poderes formais e soberanos do regime democrático – já admite este acompanhamento, torna-se óbvio que deva ser estendido a um poder informal como a mídia que, além das naturais deficiências, é um negócio sujeito às injunções dos mercados.

Ceticismo não é apenas uma atitude filosófica, é forma de ação. A descrença como desafio é positiva e afirmativa. Um veículo que assume o compromisso público de contratar um Ouvidor deu um passo à frente ao assumir que ele (ou o sistema) são vulneráveis e falíveis. Com isso mostra que está em condições de recuperar a confiança.

Ouvidores, críticos e observadores não se excluem – ao contrário, combinam as respectivas capacidades para compor o grande painel destinado a injetar na sociedade os estímulos para retirá-la do atoleiro da negligência e da resignação.

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