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A IMPRENSA EM QUESTÃO VERDADES NO ESCURO – IV que tal um mutirão puxado pela mídia? A.D. Imagine-se um tremor de terra que derruba uma barragem ou um acidente que avaria uma hidrelétrica. Como enfrentar a emergência? Convocando imediatamente a sociedade para diminuir o consumo de energia até que barragem ou a usina sejam reparadas. Quando o governo de São Paulo, preocupado com os altos índices de poluição ambiental, lançou a cruzada do rodízio de automóveis, a mídia fez cara feia e as rádios paulistas fizeram campanha contra. Apesar disso, o rodízio teve um índice de aprovação de 90%. O sucesso foi tão grande que o então prefeito Celso Pitta lançou o seu rodízio municipal. Mantido até hoje, imitado no Brasil e no exterior. Ironia: o governo popular de Marta Suplicy, premido pelas dificuldades de caixa, quer instituir uma taxa que permitirá a livre circulação de carros no centro de São Paulo. Com a módica quantia de 30 reais liquida-se uma bela experiência de participação coletiva. Significa que o Brasil não está maduro para este exercício de cidadania ou são os governantes incapazes de reconhecer a capacidade gregária dos governados? Se depender deste Observador, não ao apagão. A alternativa está nas mãos da própria mídia: usar o seu formidável poder de arregimentação para convencer cada cidadão a cortar o seu próprio consumo. Sem multas ou prêmios. Com metas individuais. A solução para uma crise não deve sugerir o caos mas apoiar-se nas possibilidades da ordem . Este é um desafio para uma imprensa que ainda não teve a oportunidade de exibir plenamente sua capacidade mobilizadora. Aqui não se trata de levar o povo às ruas, mas de integrar cada casa numa grande rede de participação.Se este é o Ano do Voluntariado, a crise energética oferece à mídia a magnífica oportunidade para exercitar o seu espírito público. | ||