CONFLITO DE INTERESSES
Painel do Leitor
"Colunistas", copyright Folha de S. Paulo, 10/4/01
"‘Concordo com o ombudsman da Folha quando ele afirma que um dos trunfos dos órgãos de imprensa são seus colunistas e que a Folha é privilegiada pelo diferencial de seu grupo (‘Um debate delicado’, Brasil, pág. A6, 8/4). Mas reitero com ele que esses colunistas deveriam preencher seus espaços em prol de lutas mais nobres do que o acerto de contas pessoais. É admirável, por exemplo, a obstinação irônica do extraordinário Carlos Heitor Cony em torno dos ossos de Dana de Tefé, assim como é louvável o esforço de Josias de Souza na tentativa de esclarecer irregularidades. Seria um inestimável serviço para o país que cada um dos colunistas, a exemplo dos citados, mobilizasse seus esforços investigativos em direção ao varal que sustenta casos como o da Sudam, o do Banpará, o da compra de votos para a reeleição presidencial, o da pasta rosa etc.’ Leilah Santiago Bufrem (Curitiba, PR)"
VIOLÊNCIA
Tomás Absalão
"Perito afirma que mídia e políticos exploram violência", copyright Jornal do Brasil, 11/4/01
"O documento da Organização das Nações Unidas (ONU) observa que há no país uma exploração do sentimento de insegurança por parte da mídia e por políticos com propósitos eleitorais. ‘Há um senso comum de insegurança pública que leva à demanda por reações oficiais draconianas, algumas vezes sem restrições legais. Têm havido práticas de alguns políticos e partidos para explorar esse medo com objetivos eleitoreiros’, escreveu o perito e relator especial da ONU para assuntos de tortura, Nigel Rodley.
Sobre a mídia, Rodley endossa em seu relatório depoimentos obtidos de organizações não-governamentais. ‘A mídia também foi considerada parcialmente responsável por esse sentimento de insegurança junto ao público’, afirma o relator.
Diretor do Instituto de Pesquisa Vox Populi, o cientista político Marcos Coimbra concorda com o relator sobre o papel dos veículos de comunicação. ‘O modo como a mídia trata dessa questão é de importância decisiva para a percepção que a sociedade tem. Provavelmente o caso do ônibus 174, no Rio, não teria a repercussão que teve se não fosse transmitido ao vivo’, disse Coimbra. ‘Mas a imprensa não pode se omitir diante desse problema.’
Ele afirma também que a violência ainda não é maior preocupação do brasileiro, mas o discurso alinhado com o problema serve como uma boa base eleitoral. ‘A bancada da Polícia Militar na Câmara dos Deputados tem quase 30 parlamentares.’ Coimbra lembra que o deputado federal mais votado em Minas Gerais nas últimas eleições era um policial. ‘O cabo Júlio teve uma votação espantosa de quase 250 mil votos.’
Já o diretor do Instituto Datafolha, Mauro Paulino, considera que a mídia tem agido ‘na dose certa’. A última pesquisa nacional realizada pelo instituto, em março deste ano, mostra que a violência é um dos problemas que mais preocupam o brasileiro. ‘Percebo que os políticos têm usado essa preocupação para embasar um discurso de direita’, disse Paulino, citando o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB).
‘Acho que o grande exemplo é o Maluf. Em São Paulo, ele já está em campanha (para governador) usando esse discurso. Que, por exemplo, defende a volta da Rota (de rondas ostensivas) às ruas, como na época do seu governo’, disse ele."
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