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Atenção: falar a verdade
pode ser prejudicial aos negócios
A.D.
è O informante (The insider) estréia nos cinemas dia 25/2
è Mais informações a respeito do filme
Artigos de Mario Vargas Llosa, Malu Gaspar e Álvaro Pereira Júnior sobre O informante (ver chapéu IMPRENSA NA TELA)
Os sites da distribuidora do filme ‘The Insider’
< http://www.filmes.com > e < http://www.indb.com >
Rebelião na redação do Los Angeles Times (filme citado por Argemiro Ferreira)
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SENSACIONALISMO
Jornalismo de insinuação
Carlos Vogt
Pois é, a imprensa brasileira, que tanto se orgulha de sua militância investigativa (em muitos casos, justo orgulho), é dona também de uma forma de jornalismo menos nobre e, às vezes, mais perniciosa do que o denuncismo leviano que já resultou em verdadeiros dramas pessoais para inocentes. Trata-se, agora, não do jornalismo de investigação, mas do jornalismo de insinuação.
Na revista IstoÉ nº 1.584, de 9 de fevereiro, há dois exemplares deste tipo de jornalismo, um mais exemplificador do que outro.
O primeiro é a reportagem "A guerra do canudo" (pp. 38-43), sobre acusações de favorecimento de universidades particulares, que pesam sobre o Ministério da Educação e sobre o Conselho Nacional de Educação.
A matéria prestaria um grande serviço ao bem público se não fosse toda ela feita muito mais de promessas de denúncias do que de denúncias propriamente ditas. O relato dos fatos é, em geral, feito em discurso indireto e todo ele modalizado de maneira a permitir que a revista diga o que quer dizer, sem se comprometer inteiramente com a verdade do que é dito, isentando-se, dessa forma, de oferecer provas caso estas viessem a ser solicitadas. É um disse-que-disse que levanta a lebre, mas não deixa ver com clareza se se trata mesmo do bicho, ou se não estamos comendo gato por lebre.
Desse modo, a reportagem soa como aviso, como ameaça de dizer mais, como anúncio do que poderá ou não vir na seqüência, mas não como descrição objetiva e factual de uma situação cuja clareza e esclarecimento interessam sobremaneira à sociedade brasileira.
Beirando a fofoca
O que não pode é ficar nas meias palavras, que estas sim são mais corrosivas que o ácido da maledicência direta e mais perturbadoras da fé pública que a identificação direta de um erro, o que sempre permite sua correção e o acerto de rumos necessário ao bom desempenho de um órgão, cujo trabalho vem produzindo resultados muito positivos para a educação no Brasil.
O segundo exemplo deste raro espécime de jornalismo é ainda mais espetacular e, por isso, mais constrangedor.
Na reportagem "Barrado na festa" (pp. 30-32), sobre o inferno astral do ministro Rafael Greca, pelas denúncias de envolvimento com a máfia dos bingos, há um box intitulado "Combate ao clima hostil" que, independentemente do grau de comprometimento do ministro com a verdade das denúncias que pesam sobre ele, é uma pérola de insinuações sobre sua vida pessoal. Sob o pretexto maldoso de mostrar Rafael Greca como uma pessoa afável, benquista e querendo bem seus funcionários, as três colunas que compõem o box carregam na maledicência displicente que, se fica bem e é divertida numa conversa de bar, soa pesada e inconveniente posta assim, numa revista de notícias, querendo fazer graça de salão ou de botequim na sala de estar do leitor, para onde o repórter piadista não havia sequer sido convidado.
Que as investigações sobre o ministro dos Esportes e seus assessores continuem e sejam informadas pela imprensa é bom e é saudável para as instituições e para a sociedade como um todo. Que a notícia beire a fofoca não é bom, nem é saudável para as instituições, para a sociedade e menos ainda para a imprensa.
Perseguição a angolanos
Caetano dos Anjos Martins Pinto
Sou angolano, faço o curso de Administração de Empresas em uma faculdade privada em São Paulo, tenho 23 anos e sou editor de uma revista eletrônica sobre Angola na Internet <http://www.mnoticias.8m.com>. Não sou jornalista.
Por conta de uma rotineira chacina ocorrida em uma favela do Rio de Janeiro, a imprensa brasileira – principalmente a carioca – divulgou a suposta participação de jovens angolanos radicados no Rio, que foram imediatamente tachados de mercenários do tráfico de drogas.
As notícias foram dadas a partir da palavra de um delegado de polícia, que também teria ouvido de populares. A imprensa, com base nestes dados vazios, começou seu festival de amadorismo, sensacionalismo etc. Por exemplo, o Jornal do Brasil estampou na sua edição de sábado, 5/2/00, uma grande manchete: "Guerra do tráfico no Rio usa mercenários de Angola".
Nesta altura não havia mais que suspeitas, mas o jornal colocou a manchete como já houvesse uma comprovação dos fatos. Este tipo de irresponsabilidade acarretou prejuízos aos angolanos – alguns deles foram demitidos dos empregos – e poderia ser pior, caso houvesse uma revolta da população carioca.
O curioso é que na segunda-feira, 14 de fevereiro, o governador Garotinho fez um pedido de desculpas aos angolanos. Mas o Jornal do Brasil não fez o que um jornal sensato e sério faria, que seria colocar a notícia também na primeira página (como fizeram os jornais O Dia e O Globo), limitando-se apenas a publicar a matéria no seu caderno Cidade.
NÚMERO-NOTÍCIA
Este ano não vai ser
igual àquele que passou
Antonio Fernando Beraldo
Mesmo que, segundo nosso calendário tropical, o ano só comece depois do Carnaval, a gente já está batendo aquela bolinha de aquecimento. Este ano não vai ser fácil no quesito "como usar a mídia para passar a perna nos outros". E vamos de Estatística, é claro.
Antes de mais nada, a implicância de sempre: que tal a manchete de primeira página da Folha de S.Paulo, 2ª feira (17/1/00)? "56% dos jovens estão fora da escola"(!). Passado o susto, descobre-se que a chamada se referia, em letras bem menores, ao estrato dos "jovens, de São Paulo, da faixa entre 18 e 24 anos, em 1998". Aaahhh... bom! Depois vinha um gráfico, que eles chamam de "infográfico", que só estava errado nos números, nas medidas e na informação – que contradizia o texto. Assim não dá, mesmo com o Erramos no dia seguinte.
Outra da Folha, sobre a aprovação/desaprovação dos perueiros: " ... só 65% aprovam o sistema como ele existe atualmente existe na cidade" (6/2/00, pág. 3-1). Só 65% ?
Acautelai-vos!
Em verdade vos digo: vem aí um "carnaval" de ano inteiro, oficialmente chamado de "melhorar a imagem do presidente". Nestes tempos bicudos-tucanos, em que não se precisa ser, nem ter, nem fazer, carece parecer. E nada como um bom marketing de imagem, pago com a nossa grana, é claro. O desfile vai ficar algo em torno de 650 milhões de reais, segunda a Folha (24/1/oo). Isso é muito dinheiro, cerca de 6 vezes o que a Coca-Cola pretende gastar em publicidade este ano. É mais do que se vai gastar construindo e consertando estradas. É infinitamente maior do que a verba para atender às cidades "surpreendidas" pelas chuvas. A cifra se "justifica", é claro, pois, segundo as palavras do secretário Andrea Matarazzo (da Comissão de Frente da comunicação da presidência), "nosso produto é mais difícil que um sabonete". E como é.
É difícil, mas já surtiu algum efeito: de uma hora para outra, caiu em 13% o número de impatriotas que classificam nosso presidente de "ruim/péssimo", segundo as últimas pesquisas (Datafolha). Bandearam-se todos para a segurança do "regular", que ninguém sabe ao certo o que quer dizer, ou para a "aprovação". Não é incrível, fantástico, extraordinário?! Ignora-se o que o governo tenha feito ou deixado de fazer, de bom, neste período, mas a mídia engole os números com placidez zen-budista. O índice Datafolha de aprovação do FHC subiu de 57 para 70, em dezembro de 1999 . Este índice é mais complicado, mas quer dizer mais ou menos isso: se for maior do que 100, mais gente aprova do que desaprova o presidente. Quer dizer, FHC vem de uma queda livre desde setembro de 1998 (126) para o fundo do poço de setembro de 1999 (57), 45% de queda, e agora inverte a trajetória, numa espécie de aquecimento para o que vem por aí. E olha que isso foi antes do revéillon em Copacabana ...
Se você ligar estes números com o fato de que este ano é ano de eleições municipais, pode imaginar o que nos aguarda. Portanto, acautelai-vos, irmãos – e olho vivo nas estratégias de enganação. O que vai ter de "pesquisa" de opinião pública dourada pela mídia, com aquela amostragem que a gente já conhece, aquelas interpretações e análises devidamente ajeitadas e azeitadas com as falácias estatísticas de sempre, nem é bom falar... Mas vamos falar, é claro.
IMPRENSA OFICIAL
Parque modernista recauchutado
Maria Apparecida Pagenotto (*)
A Revista Cultural é uma publicação mensal da Secretaria de Cultura do governo do Estado de São Paulo, que recebemos regularmente em nossa casa, sem o solicitar (aliás, recebemos sempre dois exemplares de cada número), desde novembro de 99. Inclusive acredito ser ampla esta distribuição, pelo que venho indagando a pessoas de meu relacionamento.
Sendo uma publicação desta natureza, já seria de se esperar que contivesse notícias e artigos sobre "os grandes feitos" desta secretaria. Assim realmente é, em uma bonita publicação com muitas fotos e papel bom, colorido etc.
Há alguns artigos realmente interessantes, particularmante sobre o aniversário da cidade de São Paulo, porém as inúmeras reportagens sobre estes ditos "feitos" da secretaria nos intrigam, soando um tanto quanto "falseadas", "maquiadas", talvez. O que nos tem feito "duvidar" um pouco destas reportagens de modo geral, as quais não podemos conferir todas.
Na revista número 7, novembro de 99, temos uma matéria de cinco páginas sobre o Parque Modernista, localizado na Rua Santa Cruz, 325, Vila Mariana, São Paulo. Trata-se, segundo a própria revista descreve muito bem, da primeira casa modernista construída em São Paulo, em 1927, pelo arquiteto russo aqui radicado Gregori Wachavchik. Inclui uma maravilhosa área verde, de quase 13 mil metros quadrados, com jardins de Mina Klabin, que o criou somente com plantas brasileiras, "semelhante a uma pintura abstrata".
Desrespeito à história
Esta reportagem nos chamou muito a atenção, minha, de meu marido e meus filhos, pois moramos próximo ao parque há bastante tempo e acompanhamos a criação da Associação de Amigos do Parque Modernista (que o salvou da demolição e da venda a construtoras, e seu posterior tombamento pelo Patrimônio Histórico). Visitamos inúmeras vezes o parque e cada vez que lá voltamos ficamos mais deprimidos. A reportagem nada explica do estado real atual da casa e do parque, dizendo apenas que "a Secretaria de Estado da Cultura, fazendo sua parcela nesta ação, entregou ao público o parque restaurado."
A reportagem tem muitas fotos, mas não são coloridas, privilegiando alguns ângulos, que "disfarçam" um pouco, mas quem lá vai com freqüência pode confirmar: a casa está literalmente caindo, é proibido entrar por razões de segurança. Apenas muitos gatos estão lá abrigados. O jardim está arruinado, as plantas que Mina Klabin cultivou e que há cerca de cinco ou seis anos ainda era possível adivinhar alguma coisa do que houve, já não existem mais. Apenas árvores, enquanto os cupins não acabam de devorá-las, estão resistindo. Brotam muitos pés de ameixa e pitanga, que, como os brasileiros que tiveram quintal sabem, nascem sozinhos, à toa. A piscina é um enorme poço de sujeira, que chega a chocar. Não vou mais muito lá, pois meus filhos ficam tristes...
Não vou entrar em detalhes sobre as características e a importância do conjunto, porque a própria matéria em questão a descreve muito bem. Mas dizer que o imóvel e o jardim foram entregues à população restaurados é um dos maiores desrespeitos à verdade que eu já vi na imprensa. Temo que o conjunto já esteja irrecuperável, embora nem pareça antigo, permanecendo ainda hoje muito "moderno".
Outras casas do mesmo artista-arquiteto situadas na Vila Mariana, e que também estão na reportagem, estão aos poucos sendo deturpadas e descaracterizadas, num movimento de desrespeito à história que infelizmente nos é muito familiar.
(*) Professora de Música
Resposta da Revista Cultural
Adélia Lombardi (*)
Em relação a carta da leitora cabe a esta Assessoria, que também é responsável pela publicação Revista Cultural, esclarecer o seguinte:
* O Parque Modernista foi reaberto no final de 1998, após mais de quatro anos fechado até por razões jurídicas, uma vez que havia batalha judicial entre os descendentes do proprietário, o arquiteto russo Gregori Warchavchik, e o governo estadual.
Numa tentativa de antecipar a solução desta pendência e abrir à população da região aquele parque (jamais a casa. pois esta, infelizmente, ainda não podia ser tocada e quando o for, exigirá projeto de restauro de alta precisão, por tratar-se de um dos mais preciosos ícones da história da arquitetura paulista), o secretário de Estado da Cultura, Marcos Mendonça, determinou a limpeza dos 13 mil metros de jardins, de suas alamedas, instalou no local alguns equipamentos – rústicos e em acordo com a proposta de paisagismo pensada por Ema Klabin – e iniciou, aos sábados e domingos, atividades culturais.
Daí para frente até agora, o parque – sempre lembrando que a casa é intocável – vem sendo vigiado por um segurança, três porteiros e mantido por dois jardineiros e seis pessoas das frentes de trabalho. Além disso um acordo de cooperação com grupos de escoteiros da região permite a realização de várias atividades no parque, nelas incluídos cuidados com os jardins.
Vale lembrar, nem que seja só para avivar a memória, que a preocupação do atual secretário da Cultura com este espaço vem de longe, uma vez que foi ele, quando vereador, quem propôs, em 1984, a lei que tombou o parque e a casa, preservando-os.
Na época, todo o conjunto estava ameaçado de ser vendido pelos proprietários e na área seriam construídas várias torres de apartamentos.
Somente há um mês e meio a pendência judicial entre a família e o Estado foi resolvida. Iniciou-se então um trabalho de recuperação ainda mais forte, pois agora já se pode começar a pensar num projeto de restauro e no novo uso da casa construída por Gregory Warchavchik.
* A reportagem, que não falseia a verdade, pois fala apenas em recuperação do parque, é ilustrada com fotos em sépia, tom que é utilizado ainda no fundo da página de abertura, uma alternativa gráfica que visava dar o tom da matéria. São fotos não apenas desta casa mas de outra, também do mesmo arquiteto que abriga o Centro Cultural Authos Pagano, na Lapa, com atividades culturais da melhor qualidade e em ótimo estado de conservação, uma vez que não existe qualquer impedimento judicial para a realização de obras no local.
* Considero essencial informar, também, à leitora que a Revista Cultural é uma publicação da Secretaria de Estado da Cultura que objetiva informar à população deste estado das atividades culturais oferecidas gratuitamente, daí matérias sobre o que os diversos departamentos desta secretaria vem realizando. Lembramos, ainda, que a revista não é utilizada como veiculo de propaganda política ou eleitoral, uma vez que inexiste em toda a publicação qualquer foto ou entrevista com políticos.
* Mais importante que isto é deixar claro, não apenas aos leitores mas especialmente ao Observatório da Imprensa, que a Revista Cultural é feita por jornalistas cuja história de vida e atuação profissional sempre foram pautadas pela ética e seriedade, não sendo de seu perfil "maquiar" ou "falsear" informações. O exercício da profissão de jornalista não está vinculado em sua face ética ao patrão seja ele quem for. E neste caso esta regra é exercida diariamente. Infelizmente, em alguns nichos de nossa imprensa ainda sobrevive o ranço daqueles que acreditam ser o assessor de imprensa ou o trabalhador ligado a publicações oficiais, por principio, um picareta. O que neste caso não acontece.
A vigilância constante não apenas por parte de nossa equipe mas até pelos profissionais de imprensa que, diariamente, fazem matérias sobre o que a Secretária da Cultura vem realizando, comprovam a inexistência de dados "falseados" ou "maquiados em grandes feitos" como os considera a leitora.
Finalmente gostaria de sugerir, uma vez que a revista lhe inspira tanta rejeição, que ela ofereça seu ou seus exemplares ao porteiro de seu prédio ou a alguma criança que conheça. Assim eles poderão se utilizar das mais de 60 mil vagas gratuitas das oficinas culturais, participar do Projeto Guri, que já tirou da rua e da droga mais de 17 mil crianças ou fazer parte do Projeto Arquimedes que, na periferia de nossa cidade, está levando de volta à escola – através da cultura – meninos e meninas que não tinham mais qualquer esperança de futuro.
Em tempo: caso a leitora deseje, poderemos retirá-la da lista de pessoas que recebem a nossa revista, apesar de considerarmos que saber o que vai pela Cultura sempre é interessante. Para nós é sempre muito gratificante que mais e mais pessoas leiam e analisem a Revista da Cultura.
Atenciosamente, A. L.
(*) Coordenadora de Comunicação da Secretaria de Estado da Cultura, São Paulo.
CARTAS
ROBERTO CARLOS
A assessoria e o mito
Meu nome é Pedro Levitch, e sou amigo da família do Sr. Roberto Carlos. Venho registrar minha estupefação ao tomar conhecimento do e-mail do "jornalista" do Agora São Paulo, acerca dos procedimentos da Sra. Ivone Kassu.
Devo dizer que tive a oportunidade de conhecê-la pessoalmente justo durante o doloroso drama que o Sr. Roberto veio de enfrentar e cabe-me manifestar minha total discordância quanto às opiniões deste indivíduo. Pude privar da companhia da Sra. Kassu por muitas horas, durante muitos dias e, em momento algum, pude vê-la agindo como afirma este cidadão. E digo mais: pude inclusive atender por pelo menos três vezes os telefonemas deste senhor à Sra. Kassu, enquanto a Sra. Kassu se ocupava de outros inúmeros afazeres, e estranhei em cada um destes o nível das perguntas que este cidadão dirigia a mim, muito embora eu lhe dissesse que era eu apenas um amigo da família que estava atendendo apenas para anotar os recados para a Sra. Kassu, exatamente para que ela pudesse posteriormente responder aos chamados.
No entanto o referido "jornalista" insistia em saber, apesar da dor do momento, "se o Rei tinha dormido, se ele tinha almoçado, que celebridades teriam ido ao hospital e se elas tinham chorado ou não, se Dudu Braga – meu grande amigo – estava muito triste, se ele havia dormido no hospital, se o Roberto voltaria aos palcos brevemente ou não, se o padre Marcelo, se a mãe da Maria Rita, se a Ana Paula, se o Erasmo Carlos, enfim as perguntas mais inconvenientes e estapafúrdias que jamais imaginei ouvir um momento como aquele.
Para finalizar, digo que conheço a Sra. Kassu há pouco tempo, mas pude aprender a respeitá-la e admirá-la, vendo o tratamento que ela dispensava não só à família do Sr. Roberto, como a nós seus amigos e sobretudo à imprensa, sem discriminação alguma, cujo apreço por ela é absolutamente evidente.
A mim me parece equivocada a postura deste "jornalista" a começar pelo título de seu artigo; falta-me compreender que num momento como aquele que vivemos não estava presente o "Rei" e sim um homem na iminência de perder a esposa amada a quem tanto se dedicava como outro cidadão qualquer, e que teve entre outros o apoio de sua inseparável amiga Ivone Kassu. Abraços,
Pedro Levitch
Nota do O.I. : O título "A assessoria e o mito" é de responsabilidade da redação do Observatório, e não do articulista citado.
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Conheço Ivone Kassu desde 1975, quando, engatinhando no jornalismo (tocando com o saudoso Júlio Barroso a revista alternativa Música do Planeta Terra), fui recebido por ela no escritório da antiga Odeon, na época instalado no Edifício São Borja, da Avenida Rio Branco. Desde então, Ivone tem tido um papel fundamental ao intermediar o contato com diversos artistas e empresas. Também tenho podido desfrutar de sua amizade sem que uma coisa interfira na outra – ela sempre soube separar os dois departamentos e tratar com isenção interesses pessoais e profissionais. Portanto, foi com espanto que tomei conhecimento da carta do senhor Marcus Pierry [ver remissão abaixo], jornalista de quem nunca tinha ouvido falar antes. Atenciosamente,
Antonio Carlos Miguel, crítico do Segundo Caderno, O Globo
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Fiquei espantado ao tomar conhecimento das críticas de um jornalista do jornal Agora São Paulo a Ivone Kassu, assessora de imprensa do cantor Roberto Carlos. Há mais de 20 anos mantenho relacionamento profissional com Ivone, que sempre se pautou pela correção e respeito aos jornalistas que a procuram. Atenciosamente,
Okky de Souza, editor da Veja
ASPAS
Paulo Sérgio Almeida
"Notícias do cinema", copyright Folha de S.Paulo, 15/2/00
"A reportagem ‘Filme debocha da narrativa do cinema’ (Ilustrada, 7/2), incluiu o quadro ‘Filmes brasileiros parados’, que nos trouxe uma certeza de algo de que há muito tempo já suspeitávamos: esse veículo está de caso com o sobrenatural. Só assim podemos entender o grande número de reportagens e informações levianas sobre o cinema, veiculadas frequentemente nesse jornal. Mas, no caso em questão, o quadro publicado pela Folha mostra um espantoso desconhecimento do assunto, o mais próximo possível da má-fé. Títulos em cartaz nos cinemas de várias capitais, como ‘Gêmeas’ e ‘Hans Staden’, por exemplo, são considerados como filmes ‘parados na gaveta'; filmes que nem saíram do roteiro, como ‘1972’ e ‘Gaijin 2’, são dados como em finalização. A reportagem é tão mal apurada que inclui nessa lista ‘Bossa Nova’, o filme de Bruno Barreto que vai fechar o Festival de Berlim, como toda a imprensa já noticiou, inclusive a própria Folha.
O mais impressionante é que, ao falarmos com o editor da Ilustrada, Sérgio Dávila, e com o autor da reportagem, Marcelo Rubens Paiva, os dois, além de se acusarem mutuamente pelas ‘incorreções’, demonstraram claramente que o que estava ‘na gaveta’ não eram os filmes brasileiros, mas a própria reportagem, preparada desde novembro do ano passado. A reportagem foi publicada assim mesmo. Como essa não foi a primeira vez, fica muito difícil atribuir tantas falhas apenas à incompetência da Ilustrada. Tudo leva a crer tratar-se de uma campanha nutrida de claros objetivos destrutivos. Por que tanto ódio? Por que o cinema brasileiro não pode existir?"
Resposta do editor da Ilustrada, Sérgio Dávila: "Realmente, houve um erro no quadro publicado, já corrigido na seção ‘Erramos’: os filmes ‘Hans Staden’ e ‘Gêmeas’ já estrearam; os outros estão mesmo na gaveta (ou seja, sem confirmação de estréia), apesar da retórica torta de Almeida; por fim, sobrenaturais são as intrigas e a teoria conspiratória do missivista."

A assessoria e o mito – Marcos Pierry
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