Indice A imprensa em questao O circo da noticia Caderno da cidadania Entre aspas Caderno do leitor

CARTAS
Edição de Marinilda Carvalho

Virando a folha

Querido amigo – ouso a intimidade mesmo sem nunca ter convivido contigo mas, atrevido, sinto-me próximo pela identidade e a força moral do seu testemunho pessoal e profissional –, celebre este "afastamento" ou demissão como um sinal de que sua coerência ainda se mantém intacta. São poucos os íntegros e mais raros ainda os integrais – os que desafiam por viver o que pensam.

Em meu solene anonimato sertanejo do Planalto Central, já fui "punido" com três demissões, só retornando depois de longos e insuportáveis 12 anos fora da redação... mas não foi nada, pois aprendemos a celebrar no exílio os lados ocultos da nossa beleza...

Você importa exatamente pelo que é, independerá de um corte aqui ou ali, seu trabalho e sua pessoa já semearam irreversivelmente "dines" em várias faces e formatos, não são clones miméticos, mas figuras enredadas na mesma paixão pela verdade e amor à vida...

Grato por tudo que foi até aqui e pelo muito que virá. Vire a folha, mano, mas mantenha-se mais nosso que deles.

Dines só tem um dono: o próprio Dines. Rediria o Chacrinha: Quem não pratica o que predica, se trumbica, ou trai a profissão, ou pior, trai a consciência, que é nossa única chispa divina, capaz de nos aproximar do infinito, já que o resto vira pasto para vermes e pó... Do amigo,

TT Catalão

A linha dos folheiros

Fiquei surpreso com a notícia de seu afastamento da Folha. No entanto, a explicação dos folheiros é realmente inusitada, pois não vi nada de ofensivo ou discordante à linha editorial do jornal. Contudo, conclui-se que Maluf tem muito mais "prestígio" do que se possa imaginar! Sucesso na sua volta (que espero ser definitiva) ao JB, pois é o momento de pessoas de seu gabarito e de sua competência jornalística contribuírem para a "alavancagem" de que tanto está precisando o JB neste período delicado de sua existência secular, e marcante na imprensa brasileira. Pouco tempo atrás, a Folha não deu a coluna sobre o Maluf – publicada no JB. Mas quando sua coluna sabática foi "excepcionalmente" suprimida do JB não foi censura, foi pior: a Folha não mandou a coluna porque o JB está devendo contas do ano passado. Achei uma atitude diabólica dos folheiros – preferem ver o Rio entregue ao Roberto Marinho. Podemos dizer que o que é bom para a Folha não é bom para o JB e vice-versa? Abraços,

J. E. O. Bruno

A linha dos vejeiros

Fiquei sabendo de sua demissão pela Veja que, aliás, foi de uma minúcia suspeita em descrever-lhe o currículo. Bem, já era de se imaginar. Acho que você tem recebido milhares de mensagens de apoio, entre as quais acrescento esta. Sua saída da Folha é um motivo a menos para lê-la. E não deixa de ser um escândalo ético num jornal que se diz acima das maracutaias de cunho político. Gostaria de saber para qual jornal você vai agora. Não está pensando em se aposentar, está?

Paulo Polzonoff Júnior

Obtusidades

Com a obtusidade da Folha, o OBSERVATÓRIO DA IMPRESA vai crescer em audiência na net. Meus respeitos. E bom trabalho!

Angela Couto

Paraíba solidária

A demissão do jornalista Alberto Dines repercutiu bastante na Paraíba. O assunto foi demoradamente noticiado e discutido no programa de rádio Xeque-Mate, ancorado pelo jornalista Petrônio Souto, na Rádio 103 FM O Norte, de João Pessoa. O programa opera com microfone aberto aos ouvintes. As manifestações de solidariedade a Dines foram muitas. Na média das opiniões dos ouvintes e jornalistas que participaram, a demissão de Dines apenas reflete que a Folha, que se diz guardiã da sociedade, apenas deixou cair a sua máscara.

Wellington Farias, jornalista

Orgulho e honra

Transmitam ao Dines toda a minha solidariedade. Ele foi meu mestre no Curso Abril de 1987 e depois na Saúde. É lamentável o que aconteceu. Por outro lado, é um orgulho, uma honra ter sido demitido por um artigo tão correto e esclarecedor.

Cláudia Giudice

Continue, Dines!!

Prezado mestre Dines, vai-se a Folha, mas ficam os incontáveis admiradores da sua inigualável prosa, imbatível em desmascarar a própria imprensa. Receba meu afetuoso abraço,

Roberto Medeiros

Dá-lhe, Dines!

Aqui na matriz, digo América, digo USA, o Steve Brill está de olho, Alberto, digo, aberto no que diz o nosso Alberto Dines. Se não está, devia estar.

J. Gabriel Caixeiro

Perda total

Há muito tempo (desde os anos 60-70) não vejo um jornalista ser demitido de um jornal em função de sua opinião. Mesmo que o artigo de Dines tenha sido pretexto para sua demissão, é incompreensível que a Folha tenha tomado tal atitude. Perdeu uma oportunidade de ser coerente com o que apregoa sobre seu jornalismo. Perdeu Dines um veículo para suas idéias e opiniões como jornalista. Perdemos todos nós, leitores. Mas a questão fica em aberto, exigindo esclarecimentos.

Beth Müller

Quero mais

Gostaria de saber mais sobre o que motivou a demissão de Alberto Dines da Folha. Será que não daria para discutir isso no programa?

Ulisses de Freitas Xavier

Liberdade, liberdade

A demissão do Dines é uma prova do limite da liberdade de imprensa no Brasil. Existe é a liberdade de empresa, para publicar o que quer e para demitir o profissional que escreve o que o dono do jornal não quer que publique, em lugar algum.

Flamínio Araripe

Mídia pluralista

Pois é, assim é a nossa mídia pluralista. Mas não desanime. Bons espaços não faltarão ao Dines para manifestar suas idéias. Abração a todos.

Marcelo De Valécio

Suja estrada

Por que ainda estranho tanto? Já devia estar acostumada com esse tipo de coisa, já transito por essa suja estrada há mais de 30 anos. O problema é que não consigo conviver bem com esse lamaçal. Enfim, pelo andar da carruagem, quem tem de mudar sou eu. Vou acabar virando uma outsider.

Magda

Claridade tem preço

Historicamente, parece que o único ser que fez uso da palavra do jeito que quis e como quis, sem temor algum de perder o emprego, foi Deus. Faça-se a luz, ele disse, e a luz foi feita, e aí surgiram os donos dos jornalões para dizer: para que serve a luz?

Homens como Dines que acreditam no direito que o ser humano tem à claridade pagam preço alto ao exercê-lo. A imprensa brasileira é um verdadeiro zumbi, uma entidade morta-viva, neutra ou "mediadora" de debates entre políticos que não dão em nada e não levam a nada. Tenho pouco a oferecer, mas o Dines tem minha solidariedade. Tenho certeza de que Dines é china velha, sai emocionalmente bem desta.

Isak Bejzman

Velho Brasil de sempre

Notícia chata, triste notícia! Mais triste ainda por mostrar o quanto o país continua igual a si mesmo quando se trata de defender velhas estruturas conservadoras e autoritárias.

Carlos Vogt

Sobra o besteirol

A pior notícia dos últimos tempos! Minha solidariedade total. Será que os caras não vêem que o Dines é uma das poucas cabeças pensantes em meio a muito besteirol???

Kristina Michahelles

Por quê?

Enviei e-mail a jornalistas e professores de Jornalismo denunciando a arbitrária demissão do Dines. Qual a alegação da Folha? Por que o artigo foi considerado ofensivo?

Jairo Mendes

Fachada democrática

Recebi hoje a notícia sobre a demissão. Profundamente lamentável e condenável. Se pensávamos que a censura político-ideológica havia ficado para trás, fica evidente que a censura político-econômica está mais viva do que nunca. E vindo da FSP, coloca por terra toda uma pretensa fachada democrática e pluralista que a empresa esforçou-se tanto por sustentar particularmente na última década. Estou enviando meus protestos como leitor, assinante, jornalista e cidadão brasileiro ao ombudsman (Renata Lo Prete) da FSP. Receba meu abraço e minha solidariedade, na certeza de que você é um pioneiro que está pagando um alto preço pessoal por defender uma política aberta de crítica da mídia num país onde a cidadania e os direitos elementares de expressão ainda são tratados como um grande blefe, o que ofende e avilta a dignidade dos brasileiros. Do colega e ex-ombudsman demitido do jornal AN Capital, em Florianópolis,

Mário Xavier

A ditadura se mudou

Não deixo de ficar entre indignado e horrorizado pelo acontecido. Li a matéria publicada por Dines, e estou totalmente solidário, em minha insípida e inofensiva posição de brasileiro e internauta. Em uma era que ainda pensa ser privilegiada pelo fim da ditadura do poder político, é com medo e não muito espanto que se percebe sua mudança de "meio".

Jean Binder

Em resumo

Espanto e grande indignação.

Mirna Queiroz

Também quero mais

Gostaria de saber as razões da saída de brilhante jornalista do jornal FSP. A nota publicada na Ilustrada nada revela sobre o verdadeiro motivo.

Luiz Gustavo Mota Ferreira

Honra profissional

Caro Dines, conte com nossa solidariedade, pois você sempre foi um profissional honrado e sempre contou com o nosso respeito.

Vera e Miguel Chaia, coordenadores do Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política da PUC-São Paulo

Que pena

Que pena que a imprensa não é livre, que pena que o país não é livre, que pena que nossos governantes não são livres, mas que bom que você ainda é um jornalista livre e que não há o que dobre a sua coragem. Abraços solidários,

Gisela Gorovitz, Ação da Cidadania de São Paulo

Outra vez!

Mestre Dines, você não pára de ser despedido! Eles não se emendam, mesmo. Um abração solidário.

Almyr Gajardoni

E agora, é o JB?

Caro Dines, desgostou-nos a anunciada interrupção da sua colaboração semanal à Folha. Acompanho-o faz muitos anos, e com certeza suas análises são essenciais a um melhor entendimento do dia-a-dia. Vamos sentir sua falta. Por outro lado, não nos pareceram razoáveis os motivos publicamente apresentados para esse rompimento. E então? Vamos poder contar com seu trabalho lá no JB?

Paulo Nascimento

Nota envergonhada

Minha solidariedade ao jornalista Alberto Dines, pelo episódio de sua demissão da FSP. A nota, até envergonhada, publicada no caderno Ilustrada, informando sobre a saída do Dines e as mudanças no caderno, é preocupante para quem acredita na imprensa democrática e aberta a todas as questões. Sou assinante e enviarei meu protesto ao jornal. Sentirei falta de seus artigos, principalmente os de conteúdo histórico, que demonstram toda a sua bagagem crítica e cultural. Podem informar-me onde poderei acompanhar suas crônicas?

Francisco Ataide, Sorocaba, SP

De olho no umbigo

Esse episódio reforça a nossa convicção de que a grande imprensa está voltada para si mesma, quando deveria buscar defender os interesses dos leitores.

Luiz Carlos Barros da Silva, Umuarama, PR

Quarto Poder

Continue a luta. Não é só o poder executivo que precisa de reforma, todos os poderes necessitam de reforma, inclusive o Quarto Poder.

Obertal Mantovanelli Netto

Não se cale

Parabéns pelo seu artigo de sábado no JB, muito intrigante e inquietante. Por favor, onde eu encontro a "peça oratória" de Gustavo Franco na íntegra? Os trechos a que assisti na televisão achei brilhantes, mas foram curtos e também faltou o contexto em que estavam inseridos. Após ler seu artigo na página Opinião do JB, fiquei curiosíssima pela íntegra. Aguardo a informação. Continue na luta, não se cale.

Cláudia Cabral, Rio

Coragem e cidadania

Só espero que possamos continuar com a presença do excelente Aberto Dines no OBSERVATÓRIO. Se alguém tem coragem, já começo a acreditar. Parabéns, cidadão Dines.

É inadmissível, numa imprensa que se diz democrática, que aconteçam fatos desse tipo. Uma demissão que, para falar a verdade é vergonha para o jornalismo brasileiro e prova de que o que vale, infelizmente, é a liberdade de empresa, e não de imprensa. Primeiro foi João Ubaldo Ribeiro, censurado e depois publicado pelo Estado, no episódio da carta ao presidente. Depois, a censura ao senhor na Folha. E agora, sua demissão. Espero que a Folha admita o erro. Ou vamos ser obrigados a nos submeter a um AI-5 virtual?

Valdecir Becker

A máscara caiu

"Essa nova demissão de Alberto Dines só vem reafirmar o caráter autoritário da direção editorial da Folha de S.Paulo, e é coerente com a linha adotada pelo jornal desde a época do regime militar. Esse marketing agressivo e o seu falso pluralismo editorial, implantados pela nova geração dos Frias, mal serve para mascarar a obscura história do Folhão e a trajetória sinuosa de seus proprietários. Como esse é um país sem memória, os mais jovens não são informados de que o vibrante matutino faz parte de um poderoso grupo econômico que nunca explicou devidamente a origem de seus financiamentos, fusões e incorporações. O vibrante matutino convive sob a mesma direção do escabroso Notícias Populares; o cabeçalho da Última Hora também é propriedade dos magnatas da Barão de Limeira, assim como A Gazeta e A Gazeta Esportiva. Como o antigo Canal 11 – TV Gazeta passou para o controle dos Frias? E a Fundação Cásper Líbero? E a famigerada Estação Rodoviária, cuja transferência nenhum governo foi capaz de realizar, até o final do contrato de exploração, causando enormes problemas à população da cidade?

Contrariando seu slogan, o enorme rabo preso do Folhão a levou a praticar a autocensura durante o regime ditatorial, quando o "democrata" Boris Casoy atuava como preposto dos militares na redação, e não permitia sequer notícias sobre as ditaduras co-irmãs do Chile e da Argentina. Disso Dines deve se lembrar bem, pois foi durante seu primeiro período no jornal. E o que dizer da postura pouco ética que os Frias adotaram em relação ao jornalista Cláudio Abramo? Responsável pelo projeto de remodelação editorial e pela aproximação do jornal com a intelectualidade, Abramo foi sumariamente congelado em suas funções, não é citado na história oficial do periódico – escrita por Carlos Guilherme Mota e Maria Helena Capelato – nem nas deslumbradas matérias com que os áulicos de Otavio Filho comemoram o chamado Projeto Folha.

Embora nem sempre concorde com as opiniões de Dines, admiro sua enorme contribuição ao desenvolvimento do jornalismo brasileiro e solidarizo-me com ele. Considero sua demissão uma afronta à liberdade de expressão. Que tal o OBSERVATÓRIO DA IMPRESA ou o Labjor debaterem publicamente o hipócrita modelo Frias de jornalismo?

Orlando Maretti

Busca da verdade

Minhas condolências pela demissão de Alberto Dines. Tenho 26 anos, segundo grau completo, sou microempresário de luminosos, e há tempos assisto ao OBSERVATÓRIO DA IMPRESA. Acho um excelente programa de busca da verdade, independentemente de quem possa atingir.

Reinaldo Silva Camargo, Campinas, SP

Areia movediça

Sobre o artigo que levou Alberto Dines à demissão, quero exclamar louvores a sua coragem e propriedade. Já é hora de a imprensa podre e comprometida com o espúrio, com a falta de ética, afundar em sua própria areia movediça de mentiras, inverdades, incultura e locupletação. Sonho com veículos administrados por jornalistas sérios, éticos e brasileiros, não só na sua certidão de nascimento, mas na alma, na razão e principalmente na atitude jornalística. O Brasil precisa lavar seus porões, que serviam à ditadura da força e agora são dominados e festejados pela mídia suja, a mídia da autocensura política. Tudo que a ditadura censurou a ferro e fogo os editores repetem com canetas de demissão, ou simples cortes. Felizmente, os de coragem estão espetando verdade nas suas colunas. Que estes possam fazer isto em mídias inteiras. Parabéns eufóricos ao OBSERVATÓRIO DA IMPRESA e a Alberto Dines.

Francis George Maglia

Repúdio coletivo

Nós, jornalistas do Correio Popular, vimos repudiar a atitude tomada pela Folha de S.Paulo em relação ao seu artigo "Mídia treinada pela inflação não sabe como combatê-la", veiculado no OBSERVATÓRIO DA IMPRESA. A forma de agir do jornal reforça o que você bem apontou em seu texto.
Maria José Basso, Josiane Giacomini Alves, Rejane Rodrigues, Maria Claudia Miguel, Dario de Barros Carvalho Jr., Antonio Fornazieri Jr., Léia Rabelo, Sonia Regina Migliaccio, José Pedro Martins, Andrea Pahim, Ucha Mendonça de Barros, Luiz C. M. Sugimoto, Paulo Fortuna, Luciana Xavier, Marcelo Pereira, Andréa Malavolta, Theo Saad, Silvana Guaiume, Paulo Barddal, Rogério Verzignasse, Fabiana Brandi Pacola, Álvaro Luís Kassab, Antonio Bargas Filho, Adauto Marin Molck, Benedicto Carlos Chiquino Júnior, Jozil Tadeu Collaço, Alison P. Silva, Maria Rita Alonso

Espaço na ABI

Meu abraço e minha solidariedade no caso Folha. Mesmo sem ser da diretoria da ABI, vou aproveitar minha presença na reunião desta terça, dia 16, para tocar no assunto. Queria ofertar o espaço da edição especial do Jornal da ABI para que, da maneira que você achar melhor, o assunto ganhe a perenidade merecida.

André Motta Lima

Mas logo você?

Colega, não te entendo. Um cara como você, com tantos anos de experiência, profissionalismo e honestidade, escrever uma coisa como essa, sobre a imprensa brasileira e sua relação com a inflação? Meu Deus! Na minha singela e imperfeita opinião, a imprensa brasileira já era. Chegou a ser alguma coisa (ou quase chegou lá) durante alguns momentos na luta contra a ditadura. Depois disso, ela acabou. Afundou. Alguns jornalistas (como você) ainda tentam fazer alguma coisa séria e de respeito. Sem querer puxar o saco (mas puxando), vocês ainda dão algum sentido nessa profissão cada vez mais estranha. Hoje em dia para ser jornalista é preciso não questionar nada de fundamental. É preciso saber brincar de coisa séria com coisas que não são sérias. Os releases devem ser tratados como a grande e única fonte da verdade e, de preferência, se for das autoridades (federal, estadual, municipal, empresarial e financeira), jamais questionados. Só sei que cada vez mais sinto nojo e repugnância ao ler jornais e revistas, assistir a telejornais, ouvir notícias pelo rádio. Há exceções, mas quase todas elas restritas a alguns jornalistas (quase todos da velha guarda) que ainda procuram se manter íntegros, profissional e pessoalmente.

Uma das coisas que mais me preocupam é que todos os veículos de informação (TV, rádio, jornais, revistas) hoje em dia procuram ser (e fazem isso o tempo todo) mais importantes que a informação. Aquilo que a rede Globo faz, onde ela é sempre mais importante que qualquer outra coisa, não importa o que, virou moda. Quer dizer, não é a notícia, o fato que deve ser mostrado como ele aconteceu, mas antes de tudo é o veículo que passa a ser mostrado como o fato mais importante, pois é ele que consegue informar sobre o que aconteceu, dando sua versão, não importa se verídica ou não. A versão é mais importante do que o fato, certo?

O mais louco nisso tudo é que eram os regimes políticos autoritários (fascistas, estalinistas etc.) que mexiam nas informações, alterando de acordo com seus interesses políticos, transformando mentiras em verdades e vice-versa. Na democracia liberal, onde teoricamente deveria existir um maior respeito às liberdades, incluindo aí a da informação, o que se vê é um comportamento similar. Não parte do governo necessariamente a atitude de controlar a informação (as vezes, por algum tipo de segurança nacional, pode acontecer e acontece). Ela vem das próprias empresas jornalísticas, todas elas comprometidas (com rabo preso mesmo) com interesses políticos, partidários e financeiros. Sei que estou chovendo no molhado.

Onde vai parar tudo isso? Quando jornalistas como você, Janio de Freitas, Aloisyo Biondi, Clóvis Rossi e alguns (poucos, infelizmente) outros pararem, o que vai sobrar? Sem falar que cada vez mais as empresas jornalísticas investem cada vez menos na formação de novos jornalistas. Sei que o buraco é mais embaixo e que tudo isso faz parte da situação geral, da conjuntura nacional e internacional e por aí a fora. Por isso que a existência do OBSERVATÓRIO DA IMPRESA é fundamental. Espero que essa experiência continue e dure o suficiente para ajudar a transformar esta triste realidade (nacional e internacional) que vivemos. Parabéns. Desculpe minha indignação. Apesar de cinqüentão, continuo a não suportar tanta mediocridade e indigência nesse país.

Carlos Eduardo Pestana Magalhães

Admiração maior

Já não se pode mais ser verdadeiro. Por falar o que pensa, pagou seu preço. Mas, garanto, conseguiu mais admiração do que já merecia. Se é que isso vale de algum consolo.

Adriana Sobierajski

E os leitores?

Gostaria de saber se foi por causa dessas observações que o Dines foi impedido de continuar escrevendo seus artigos na Folha. Escrevi para a ombusdman da FSP, contestando a maneira como a notícia foi dada, no sábado. Entendo que os leitores merecem uma explicação sobre os fatos. As divergências, para um jornal que se diz democrático, não podem ganhar uma conotação de despedida sumária, que é sinônimo de truculência, arbítrio, ranço patronal. Se houve alguma incorreção nas observações feitas ao Grupo Frias, o próprio jornal poderia contestar as reflexões do Dines, e pronto. Estaria resguardando o leque das divergências que a Folha sempre faz questão de frisar, batendo no peito. Um jornalista com o currículo do Dines e com a sua dignidade profissional merece respeito de qualquer empresa jornalística, especialmente da Folha de S.Paulo.

Com admiração, solidariedade e respeito, quero cumprimentar o injustiçado jornalista.

Paulo Celso Pucciarelli

Votos de luz

Que o O.I. tenha vida longa para o bem do jornalismo brasileiro. Sem o O.I., muitos jornalistas se pensam deuses e donos da verdade. Que o Dines continue sendo esta luz em meio às muitas trevas (jogo de poder, amigos dos donos de poder etc.) na quase totalidade de nossa imprensa.

Enezio E. de Almeida Filho

Falta de classe (crônica) da Veja

Li em Datas da revista Veja nota sobre a demissão de Alberto Dines da Folha de S.Paulo. Confesso que não acompanhei de perto pela Folha, mas achei um pouco maldosa a maneira como a Veja tornou isso público. Seria o contrário?

Catarina Anderáos, jornalista recém-formada

É lamentável

Tenho assistido ao OBSERVATÓRIO DA IMPRESA pela TV com certa regularidade. Quero manifestar a Dines minha decepção e os meus votos de solidariedade pelo fato de a Folha de S.Paulo tê-lo retirado do seu corpo de articulistas. Neste momento ruim pelo qual passa o Brasil, nesta hora em que a prática de um jornalismo de qualidade se faz tão necessária, é lamentável que um jornal tão importante como é a Folha tenha tomado uma atitude destas, excluindo um profissional que, criativa e talentosamente, vem trabalhando em prol da elevação do nível do jornalismo praticado no país. Quero aproveitar, também, para dar, a você e à sua equipe, os parabéns tanto pelo site na Internet como pelo programa apresentado semanalmente na TVE. Um grande abraço.

Luiz Henrique Caricatto

Folheiros e vejeiros, o despreparo

Gostaria de mandar a minha solidariedade ao jornalista Alberto Dines. Sua demissão é uma perda grande para o jornal, e infelizmente para os leitores também. Acho que a imprensa brasileira talvez não esteja preparada para a discussão, para a reflexão, ironicamente seu papel fundamental. E por isso esteja "boicotando" o OBSERVATÓRIO DA IMPRESA, como, além da Folha, fez a revista Veja, classificando injustamente o programa na TV como de má qualidade, junto com aberrações. Espero que essas infâmias não os atinjam, e que possam continuar contribuindo para o senso crítico brasileiro.

Gabriela Freitas

Alguma surpresa?

Caro Dines, que você é um jornalista de opiniões independentes, isto já se sabia. Que esta sua posição deveria ser a usual no meio da imprensa, isto se esperava. Que não é, disto todos temos certeza. Por outro lado, que a Folha julga-se dona absoluta de todas as verdades, isto se lê diariamente. Que a Folha sempre concorda com quem está contra alguém ou algo, é evidente. Que isto não se pode aplicar à própria Folha, tivemos inúmeras provas.

Assim sendo, jornalista Alberto Dines, alguma surpresa na atitude truculenta, arbitrária e discricionária em sua saída do jornal-ícone do mau humor no Brasil? Espero contar com sua coluna no JB ou em qualquer outro órgão de imprensa que respeite o direito ao livre pensar... (que, segundo o Millor, é só pensar...)

A propósito: sempre me causou profunda estranheza que o OBSERVATÓRIO não tenha um domínio seu (www.observatorio.com.br, ou algo que o valha). Nada mais deslocado do que estar hospedado nesta "salada" de "serviços" ofertados pelo UOL. Só para lembrar chats com imagens pornôs, venda de CDs, novela com componentes de pedofilia etc. etc. Que tal mudar?

Reynaldo Rocha

Qual foi o artigo?

Caro Alberto Dines, venho solicitar-lhe a gentileza de enviar-me uma copia do artigo Os homens e suas cidades, que provocou seu afastamento da Folha de S.Paulo.

Wilkie Rodrigues

 

CARTAS À FOLHA
Nhô não gostou, xô

"Cara Renata, ombudsman da Folha de S.Paulo, volto a escrever-lhe, motivado agora pela notícia na Ilustrada de hoje, 13/3/1999, p. 4-3, sob o título Giannetti e Dines saem da Ilustrada, e na qual se diz que ‘O jornalista Alberto Dines foi afastado após assinar texto no site OBSERVATÓRIO DA IMPRESA, que mantém na Internet, contendo informações inverídicas sobre o Grupo Folha’. Continua dizendo: ‘Dines vinha alimentando divergências com o jornal, que ele sistematicamente atacava no próprio espaço que lhe era assegurado’.

Há aqui dois aspectos que gostaria de levantar:

1. O jornal não diz que "informações inverídicas" eram estas a respeito do grupo Folha. Paira no ar uma questão: o jornal não oferece ao leitor nenhuma explicação. Que informações são estas? Só a referência ao site da Internet é que possibilita ao leitor tomar conhecimento do teor das mesmas, no caso, uma série de informações sobre problemas econômicos que o grupo Folha estaria enfrentando e uma crítica às empresas de comunicação, incluindo o grupo Folha, no que tange quer à gestão financeira das mesmas quer como repassam o ônus de sua administração ao leitor/consumidor.

Não seria mais honesto, por parte da Folha, publicar a matéria de Dines e, em seguida, posicionar-se desmentindo e, até, informando do afastamento do articulista? (sobre o autoritarismo e o arcaísmo desta atitude, segundo minha opinião, vide a seguir). Será que o jornal tem tanto medo daquilo que Dines escreveu para esconder de seus leitores e remete-los à Internet, no caso daqueles que disponham deste recurso e tenham interesse em acompanhar o caso?

Isto parece-me um caso de prepotência patronal, bem típica do capitalismo tardio brasileiro. Dines escreve contra a empresa do Nhô, o Nhô vai lá e demite Dines. O leitor que se dane, que tenha apenas um lado da história. E que seja embrulhado com manuais de redação e com colunas e editorias nos quais o Nhô fala (conversa para boi dormir, como se diz) sobre "transparência", "cidadania", "modernidade" e contra os "arcaísmos", estes últimos, só o dos outros, porque o Nhô é o dono do jornal e, já que o tronco foi abolido e a Lei Áurea continua em vigor, demite-se quem critica. Ponto final e passe bem. O leitor que mantém o Nhô, porque se não comprarmos o jornal e não lermos os anúncios contidos nele o Nhô deixará de sê-lo, pois irá à falência, que se lasque, como se diz.

2. Numa leitura atenta do referido artigo de Dines (afinal eu não sou Nhô, mas tenho acesso à Internet e sei ler e escrever até que de maneira razoável), não se encontra, na minha opinião, nenhum elemento que justifique qualquer medida de retaliação. O artigo não é difamatório, não viola as regras elementares de nenhum debate crítico ou de livre expressão de idéias. De novo, se contém inverdades, que as verdades fossem publicadas e desmentidas em seguida, na mesma página.

Mas o que é importante aqui, além da desproporção do "castigo" face ao "crime" (ambos, claro, entre aspas e como metáforas), é que diversos jornalistas e articulistas da Folha cometeram e cometam faltas bem mais graves com os leitores, e não só continuam escrevendo como parecem até ser premiados pela direção do jornal. Relembremos alguns casos:

Arnaldo Jabor: você mesma, como ombudsman, já atendeu a reclamações comprovadas de leitores de que o dito articulista costuma oferecer "comida requentada" aos leitores. Por pelo menos duas vezes, Jabor escreveu artigos que continham grandes colagens de artigos anteriores de sua autoria, num dos casos com uma certa maquiagem. O caso veio à baila, mas Jabor continua escrevendo. Parece que anda trazendo só comida nova para os leitores e não mais requentada, mas nada soubemos sobre nenhuma advertência ao articulista. Pois é, o consumidor que coma comida requentada, o dono da empresa que não seja posto em xeque.

Marilene Felinto: esta madame brindou a imprensa brasileira, no ano passado, com um dos mais virulentos artigos de cunho anti-semita desde os tempos de Gustavo Barroso et caterva. Foi quando escreveu sobre o filme Amistad, de Spilberg. Diversas pessoas protestaram, eu inclusive (a carta que mandei ao Painel dos leitores nem foi publicada), entidades como a Federação Israelita posicionaram-se e nada aconteceu. Nenhum pedido de desculpas, nenhum posicionamento de ninguém. Pelo visto, isto dá lucros ao Nhô, que acabou mandando esta madame passear na França, durante a Copa do Mundo, para escrever o quanto o futebol é "alienante" e outras filosofias de botequim, quiçá ainda em moda entre adolescentes tardios que leiam o jornal.

Bárbara Gancia: costuma rotineiramente atacar os católicos que se aglutinam em torno do movimento carismático. Não tenho nada a favor do dito movimento (mesmo porque, eles que são católicos que se entendam) mas, desde que respeitem os outros, não tenho nada contra. Contudo, a dita articulista os critica com pretensões a um certo tipo de "humor" cujo mau gosto beira o chulo e vulgar. Isto sem contarmos a vulgaridade de sua seção de resposta a cartas na Revista da Folha.

Ricardo Bonalume Neto: sobre este já lhe escrevi. Embora não seja articulista, tem coluna cativa na Revista da Folha. Ano passado, escrevi-lhe sobre erros crassos, inverdades, que escreveu sobre a crítica bíblica, sobre as pesquisas científicas a respeito das origens e evoluções do texto bíblico. Recebi de sua parte a informação de que as críticas "foram levadas adiante", mas nada melhorou.

Um caso diferente, mas que merece menção:

Otavio Frias Filho: escreve direto na segunda página, destinada a pessoas de expressiva representação política e cultural. Ele, por ser o Nhô, ou filho do dito cujo, arroga-se o direito de ser enquadrado nesta categoria. Eu, como leitor, mereço mesmo ter Otavio Frias Filho "no original" toda semana. O concorrente, o Estadão (aliás, en passant, apesar do blecaute, a distribuição do Estadão não furou como a da Folha, parece mesmo que "o Estadão funciona"...), apesar de empresa familiar, nunca colocou uma coluna fixa do dono ou do filho do dito cujo no jornal da família. Quem quiser ler o que os donos pensam que leia a página 3 (eu sempre pulo esta página na minha leitura do Estadão), sem precisar engolir ninguém da família Mesquita posando de intelectual.

Bom, pois é, depois de tudo isso, o problema mesmo, quem tem que ser "afastado" é Alberto Dines...

Só para finalizar: como leitor, gostaria de dizer que Alberto Dines é que engrandecia a Folha, e não o contrário. Com o afastamento dele, o jornal perde, ainda mais, sua qualidade já combalida. Sem mais, atenciosamente,"

Francisco Moreno de Carvalho

Faça o que eu digo...

Folha de S. Paulo. Senhores, lamento a demissão de Alberto Dines. Os senhores ficaram menores e me provocaram duas emoções conflitantes num mesmo dia: alegria e tristeza. Havia acabado de ler o artigo de Marilena Chauí e inundado a minha alma de orgulho por ela ser mulher e brasileira e ter uma visão precisa de como precisamos lidar com a violência. De repente, leio através do site da ABI que os senhores demitiram o Dines. Uma onda de vergonha inundou a minha alma, além da indignação. Nem mesmo lerem o seu jornal os senhores lêem, ou então publicam aquilo em que não acreditam, apenas porque é moderno e politicamente correto:

1) Ao cometerem esta violência contra o Dines e a liberdade de expressão utilizaram "a ética como ideologia", "confundindo ética e organização administrativa", exatamente como Marilena Chauí discute no artigo que o os senhores publicaram hoje. 2) Mostraram que o artigo de sua "ombudsman" de hoje é letra morta, está lá apenas para fingir que os senhores dão importância à ética, porque na verdade, não foram capazes de lidar com a independência de seu articulista e com as pressões recebidas em função de seus artigos.

Não lhes atribuo intenções, descrevo apenas aquilo que sua ação nos faz sentir, pois a ação política, como escrevia o Dines naquele artigo censurado, é currículo e fala sobre o autor mais do que suas palavras. O que se pode sentir sobre os donos da Folha é que quando falam sobre a ética não o fazem como "agente ético", porque "sua ação não se dá pela autonomia da vontade do agente ético" (M. C.). De hoje em diante, para mim, a Folha deixará de ser um organismo. Será um jornal que lerei com a reserva dos desconfiados."

Vera Silva, psicóloga, Brasília, DF

Folha tendenciosa

A notícia da demissão do Alberto Dines só confirma minha opinião de que a Folha de S.Paulo é um jornal altamente tendencioso e que circula apenas com o intuito de atender aos interesses de quem paga melhor, não admitindo ser contrariado.

José Aguinaldo Ivo Salinas

Mensagem à ombudsman

Prezada Ombudsman,

Acabo de ler no BlueBus, na Internet, e estou horrorizado caso seja verdade, que o jornalista Alberto Dines acaba de ser demitido por expressar a sua opinião não concordante com os donos do jornal Folha de S.Paulo. Exijo, como leitor de mais de 25 anos da Folha, uma explicação clara e convincente do jornal e da Sra.. Caso seja confirmada esta noticia, riscarei definitivamente a Folha da minha leitura diária.

Rodolfo Felipe Neder

Resposta da ombudsman

Prezado Rodolfo:

Suponho que você, a esta altura, já tenha ciência dos argumentos presentados pela Folha para afastar Alberto Dines do quadro de colunistas do jornal. Eles constam de nota publicada na Ilustrada de 13 de março. Como imagino que você não concorde com a posição do jornal, estou levando seu protesto ao conhecimento da Direção de Redação.

Atenciosamente,

Renata Lo Prete – Ombudsman

Órfãos, mas com sorte

Meu caro Dines, é com grande tristeza que recebo a notícia da sua saída da Folha. Eu e, com certeza, todos os leitores do conceituado veículo estamos nos sentindo órfãos na privação da leitura dos seus artigos. Sorte minha poder vê-lo e lê-lo no OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA. Continue sendo o homem e o profissional corajoso que você é, o que fez de mim sua sempre tiete. Abraço carinhoso da amiga

Marilene Lopes

Forçada convivência

Caro Dines, antes de mais nada, solidarizo-me com você na despedida do Folhão. O que, na verdade, não me surpreende. Tentaram a forçada convivência com a crítica muito tempo, aliás. Não há mais lugar para gente acima dos 40 nas redações. Pensando bem, cada vez menos gente lê (e suja as mãos com) jornal de papel. Tá virando coisa de moleque. Os maduros estão nos jornais, revistas e sites on line. Isso tudo mereceria um estudo. Com um grande abraço,

Orlando Tambosi

Poder e crítica

Os que se consideram poderosos não admitem ser criticados, infelizmente. Um abraço.

Gibson Antunes, ombudsman de O Povo

Lucidez e coragem

Que maravilha de artigo!!! [o que motivou a demissão de Alberto Dines] Que lucidez, que capacidade analítica, que clareza, que coragem!!!!

Simone Lima

 

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