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IMPRENSA EM QUESTÃO OVERDOSE ONLINE Cláudio Weber Abramo (*)Sou vítima de uma dúvida recorrente que, embora talvez não muito fundamental para o eventual leitor, a mim me parece, dado o fato da recorrência. Como permaneço conectado com a internet todo o tempo, às vezes consulto páginas de noticiário. Sempre me sinto como aquele redator foca de editoria de internacional a quem se dá a infeliz tarefa de checar o que as agências estão transmitindo para verificar se daquilo sai alguma pauta. De manhã, há uma profusão de noticiário internacional dedicado a curiosidades, histórias "humanas", bichos exóticos que dão cria em zoológicos remotos, cotações de bolsas asiáticas e por aí vai. Lá pelas 3 ou 4 da tarde começa a entrar o noticiário nacional (a propósito, por que será que jornalista brasileiro, em especial de Brasília, imagina que trabalho, na batatolina, só à tarde, preferivelmente na bica do fechamento?). É aqui que entra a dúvida a que me refiro. Quem será que tem paciência de consultar esses sites e navegar pela selva de notas disparatadas que apresentam? Uma amostra das vinte primeiras notas retiradas de um desses sites num fim de tarde (a lista vai aqui sem tirar nem pôr):
Quem tem paciência para isso? (Confesso que abri a notícia sobre marido da Sharon Stone vs. dragão-de-komodo. Lamento informar que a mordida foi leve e o sujeito não corre risco de vida.) Para que servem, afinal, esses sites? Não é possível que haja uma quantidade expressiva de pessoas com tempo para perlustrar semelhante relação de notícias – mesmo considerando que esses sítios muitas vezes possibilitam que o usuário filtre apenas notícias de um certo tipo. Digamos, esportes. Vejamos no que resulta:
Que confusão! (E a Força Sindical, que raio tem a ver com o Inter de Milão? Desta vez, não entrei – depois da Sharon Stone, não dá para encarar o Medeiros.) Um bom exercício seria procurar saber, desses provedores de noticiário online, qual é sua taxa de visitação e de consulta a notas. Como um chapéu (de marzipã) se o resultado for maior do que algumas centenas por dia. (*) Secretário-geral da ONG Transparência Brasil <http://www.transparencia.org.br>; e-mail <cwabramo@uol.com.br> | ||