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Jornal precisa dizer que laranja é laranja
Victor Gentilli.

campanha eleitoral no Espírito Santo tinha dois laranjas: Francisco Onofre e Jesus Vaz. Laranjas são aqueles políticos que conseguem vagas para disputar cargos majoritários porque dominam máquinas partidárias. Suas candidaturas servem apenas para barganhas. Eles colocam-se em leilão e aproveitam o horário eleitoral para bater nos inimigos de quem paga mais. Além disso, são figuras "folclóricas" - para usar um termo leve. O primeiro, teve sua candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral posto que seu partido coligou-se com o segundo.
O jornal A Gazeta, no entanto, ofereceu a cada um deles uma entrevista de página inteira na nobre página dois. Os leitores, além de pagar pelo jornal, ainda perderam tempo com bobagens. Não mereciam.
É injustificável que os leitores - que pagam para obter a informação dos jornais - sejam obrigados a ver espaços desperdiçados por um lado e desinformação por outro. Se um candidato é laranja, é dever dos jornais oferecer esta informação aos seus leitores, sem subterfúgios.
Se os jornais insistirem na prática de jornalismo declaratório, não mais precisarão de repórteres. Bastarão moleques de recados. Que ouvem o que o entrevistado tem a dizer e reproduzem acriticamente.
Há um certo temor dos jornais com relação à Justiça. A própria ANJ vem orientando os jornais sobre como evitar processos judiciais. Mas os jornais não podem acovardar-se diante da Justiça, sobretudo ao preço da desinformação dos leitores.
Quando as fontes editam
V.G.

rise na Chocolates Garoto. Um grupo de acionistas se reúne, destitui a diretoria e coloca Paulo Meyerfreund no lugar de Helmut Meyrgfreund na Presidência da empresa. A família, que detém o controle acionário de uma das maiores fábricas de chocolate do país, aparentemente vive uma crise. Os profissionais de A Gazeta mostram que seu esforço em busca de uma boa informação para os leitores foi bem sucedido: o jornal divulga o fato com destaque. Pela importância da Chocolates Garoto, furo nacional do jornal.
A partir do dia seguinte, silêncio ou noticiário muito discreto dos jornais. O motivo foi a inexistência de alguma fonte que se dispusesse a falar. Esse comportamento transforma as fontes em quase editores: se não falam, não sai matéria; se falam muito a matéria sai grande.
Vê-se que o jornalismo declaratório leva a vícios também no jonralismo de negócios. Os jornais precisam esclarecer os fatos, produzir informação de qualidade para seus leitores. A informação correta não pode ficar à mercê de fontes que a sustentem. Se o jornal tem segurança e confiança na informação apurada, tem o dever de publicá-la.
Jornalismo regional capixaba prioriza o noticiário local
V.G.

jornal A Gazeta vem demonstrando que fez uma opção clara pela ênfase no jornalismo regional. Com exceção de casos muito importantes, a manchete e as principais chamadas do jornal priorizam os casos locais. Esta é uma escolha importante, que valoriza o jornalismo regional. Mas é preciso acertar ponteiros. Há casos nacionais com repercussões locais. E há, as vezes, a necessidade de atenção à particularidade local. A greve das instituições federais de ensino que envolveu a Universidade local e a escola Técnica por várias vezes foi tratada em páginas distantes umas das outras. O noticiário nacional vinha na editoria Brasil e o local na Grande Vitória.
No caso do chamado "maníaco do Parque" o jornal oscilou entre o silêncio total (já quando toda a imprensa tratava o assunto com destaque), omitindo informações importantes de seus leitores, e a manchete. No domingo, 9 de agosto, o assunto sai do silencio para a manchete do jornal. Talvez tenha faltado um pouco mais de critério na edição.
E também atenção da reportagem. O pai de Isadora Fraenkel, uma das possíveis vítimas, para enfatizar a informação de que sua filha jamais fora namorada de Francisco de Assis Pereira informou que a filha passou o mês de janeiro em Itaúnas, no Espírito Santo. Se os jornais capixabas corressem mais atrás da notícia poderiam contribuir com informações novas sobre o caso.
O lugar das idéias e os erros
V.G.

oberto Schwarz, pensador, crítico literário e professor da USP, produziu no início dos anos 70 um forte impacto com a publicação de seu ensaio "As idéias fora do lugar". Baseado em seus estudos de Machado de Assis, que recolocaram o debate sobre o papel da cultura naquele momento histórico de ditadura militar.
João Gabriel de Lima, critico e jornalista de Veja, em sua matéria "O tempo passou na janela" (Veja, 5 de agosto), comentando os comentários do presidente Fernando Henrique sobre a obra contemporânea de Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil, atribui a expressão "idéias fora do lugar" a Nelson Rodrigues. Não é uma idéia fora do lugar, é um erro.
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